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29.12.06

Chico, Milton, o amor, meu amor e eu

Choro Bandido - Chico Buarque
Composição: Edu Lobo / Chico Buarque

Mesmo que os cantores sejam falsos como eu
Serão bonitas, não importa
São bonitas as canções
Mesmo miseráveis os poetas
Os seus versos serão bons
Mesmo porque as notas eram surdas
Quando um deus sonso e ladrão
Fez das tripas a primeira lira
Que animou todos os sons
E daí nasceram as baladas
E os arroubos de bandidos como eu
Cantando assim:
Você nasceu para mim
Você nasceu para mim

Mesmo que você feche os ouvidos
E as janelas do vestido
Minha musa vai cair em tentação
Mesmo porque estou falando grego
Com sua imaginação
Mesmo que você fuja de mim
Por labirintos e alçapões
Saiba que os poetas como os cegos
Podem ver na escuridão
E eis que, menos sábios do que antes
Os seus lábios ofegantes
Hão de se entregar assim:
Me leve até o fim
Me leve até o fim

Mesmo que os romances sejam falsos como o nosso
São bonitas, não importa
São bonitas as canções
Mesmo sendo errados os amantes
Seus amores serão bons


Fé cega, faca amolada - Roupa Nova
Composição: Milton Nascimento - Fernando Brant

Agora não pergunto mais aonde vai a estrada
Agora não espero mais aquela madrugada
Vai ser, vai ser, vai ter que ser, vai ser faca amolada
O brilho cego de paixão e fé, faca amolada
Deixar a sua luz brilhar
e ser muito tranquilo
Deixar o seu amor crescer
e ser muito tranquilo
Brilhar, brilhar, acontecer.
brilhar faca amolada
Irmão, irmã, irmã, irmão
de fé, faca amolada
Plantar o trigo e refazer
o pão de cada dia
Beber o vinho e renascer
na luz de todo dia
A fé, a fé, paixão e fé
a fé, faca amolada
O chão, o chão, o sal da terra
o chão, faca amolada
Deixar a sua luz brilhar no pão de cada dia
Deixar o seu amor crescer na luz de todo dia
Vai ser, vai ser, vai ter que ser, vai ser muito tranquilo
O brilho cego de paixão e fé, faca amolada


Paula e Bebeto - Milton Nascimento
Composição: Milton Nascimento e Fernando Brant

Ê vida, vida, que amor brincadeira, à vera
Eles se amaram de qualquer maneira, à vera

Qualquer maneira de amor vale à pena
Qualquer maneira de amor vale amar

Pena, que pena, que coisa bonita, diga
Qual a palavra que nunca foi dita, diga
Qualquer maneira de amor vale aquela / amar / à pena / valerá

Eles partiram por outros assuntos, muitos
Mas no meu canto estarão sempre juntos, muito

Qualquer maneira que eu cante este canto
Qualquer maneira me vale cantar

Eles se amam de qualquer maneira, à vera
Eles se amam é prá vida inteira, à vera

Qualquer maneira de amor vale o canto
Qualquer maneira me vale cantar
Qualquer maneira de amor vale aquela
Qualquer maneira de amor valerá

Pena, que pena, que coisa bonita, diga
Qual a palavra que nunca foi dita, diga

Qualquer maneira de amor vale o canto / me vale cantar

26.12.06

O Natal Nosso de Cada Dia

Rabanada, peru, presunto, chester
Champagne (?), vinho vagabundo, cidra cereser
Nozes, avelãs, promessas vãs
Festa teatral importada
Todos fingimos e não mudaremos em nada

20.12.06

Raízes


Procuro minhas raízes:
estão em você, minha terra firme e fértil.
São sólidas, firmes.
Meu caule, sinuosoinsinuante, translúcido
demonstra a matéria-seiva de que sou feita.

Selvagem, úmida, viscosa, envolvente.
Sou sedução, vida e ego.
Trago vida em mim e me realimento em fotossíntese narcísica:
não é a luz do sol, mas a luz que vem dos meus olhos, que me mantém viva
e limpa o ar a minha volta.

Sou a essência do natural:
selvagem e vital.
Autofágica para preservação da vida.
Início, meio e fim.
Sou você e você está em mim.

17.12.06


Exponho sem pudor chagas no papel, para que tenham liberdade de cicatrizar no corpo e na alma.

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Dezembro de 2006. Observo os fantasmas dos baixos da vida, vivendo em uma dimensão paralela que se passa na década de 80, sob holofotes imaginários. Coitados. Culturalmente mortos.

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A renovação não está por vir. É fato já. Por vir, é quem vai ou não ficar.

Vejo e cheiro com as mãos.
Tateio com a língua.
Acarinho com o corpo inteiro.
Mas não peça a atenção dos meus ouvidos:
eles têm bicho carpinteiro.


ainda pensando alto. que ouçam.

Ele e eu

Ele tem mãos e pés enormes.
Eu tenho cara de criança.
Ele é de uma veemência indignada.
Eu sou de uma indignação malcriada.
Ele aparenta sobriedade (tá bom...).
Eu aparento timidez (então tá...).
Ele adora ser mimado.
Eu adoro mimar.
Ele gosta de animais e do sol.
Eu gosto de gatos e funciono a luz da lua.
Ele não sabe passar e-mail.
Eu durmo melhor quando ele liga pra dar boa noite.
Ele é cheiroso. Mal criado. Voluntarioso.
Eu só penso que ele é cheiroso, cheiroso, cheiroso.


só pensando alto

13.12.06

Tava na cara

Um tanto de realidade na lata
Um tanto de verdade na veia
Um tanto de sangue na cara

E não me falam os fatos
o que já não sei

Não me falam os fatos
nem os falos
Deitei e não escutei
Sufoquei o que senti
Anestesiei o que não vivi
Engoli os sapos
Encarei todas as pedras nos sapatos
E voltei pra casa com meus amores gastos

No silêncio, no quarto
eu e ela – a cretina no espelho
encaramos a intrusa falsária:
travestida de reflexão, se dizia verdade.

Mas a verdade, eu já sabia,
tava na lata
tava na veia
tava na cara

12.12.06


Dormir com a sensação boa de que tudo foi resolvido (mesmo quando esse "tudo" é só uma pequena mas significativa parte).

Tomar aquele banho maravilhoso se preparando pra se deitar. Só isso, dormir. Deitar na sua cama, no seu quarto, com a tranquilidade de saber que apesar dos pesares - e dos clichês - aquele espaço ali é seu. Só entra(m) aquele(s) para quem você abrir a porta. Tem dias que o melhor lugar é a nossa casa. E como isso é bom!

9.12.06

O negócio é falar difícil

...encontrei a progenitora semovente do de cujus, que deve estar comendo capim pela raiz de bruçus!...


Minha vida literária jamais será a mesma depois que conheci a Mani. Agora estou falando muito mais bonito. E me divertindo muito mais!!!

5.12.06

Gostei sim, bobo


Ah moço, achou que eu não gostei... Que decepção... Gostei sim, só que o meu gostar é diferente do seu.

Adoradores de Joe


"No sinal é tudo burro eu peço dinheiro dizendo que sou maluco e eles me dão... é porque eles não sabem a diferença entre neurótico e psicótico. hahahahahahaha."
Joe

Ele morde meu pescoço.
Eu desmancho sorrindinho.

2.12.06

Bruno Cattoni

Meu poeta preferido agora está online! Sim, é verdade: www.brunocattoni.com
Vá lá, saiba sobre o Festival Poesia Voa/Direitos Humanos (do qual ele é curador); saiba sobre sua obra, mande seu recado.
E olha, tá só começando...

29.11.06

Te vejo 6ª no Castelinho

O que: Sarau poético UM Castelo de Palavras
Quando: 6ª feira, 1º de dezembro, das 18h às 22h.
Onde: Castelinho do Flamengo, na Praia do Flamengo - 158. RJ
Quem: Augusto Dias, José Henrique Calazans, Priscila Andrade, Rita Maria de Lacerda (poesia);
Ramon Mello e Francis Lunguinho (crônica);
Cláudia Singer (música)
Formandos da Oficina Literária Novos Autores
Coordenação: João Pedro Roriz
Quanto: Gratuito


Todos os poetas presentes poderão participar do sarau e declamar as suas poesias para o público.



Durante o evento, a Editora Relume Dumará fará o lançamento do livro “Mário Quintana”.


O Sarau UM CASTELO DE PALAVRAS tem o apoio da Prefeitura do Rio de Janeiro e do site www.cronicascariocas.com.br.


Informações: (21) 2285-1355 / (21) 9217-7105.
jproriz@hotmail.com

28.11.06

Descaminho

... e tanta coisa ficou pelo caminho...
tanta resposta que não foi pedida
tanta pergunta que não foi escutada
e no fim, nem fez diferença

porque só era desejado o olhar cúmplice e sincero
que não precisa ser dito, escutado
é um estar de coisas, um sentimento aplacado
um olhar que traz um sorriso completo, terno

porque ali se sabe, naquele momento silencioso
que os fatos estão consumados
que o presente fugidio por um instante é eterno

mas o olhar não veio, nem mandou recado
vieram respostas perdidas
perguntas atiradas
e um sorriso cínico
que falava de um amor que não foi amado

24.11.06

Eclipse



Chovo todas as manhãs
A noite meus olhos eclipsam

O ventre sem função ecoa
Solidão, silêncio, solidão

Observo o rasgo de luz no chão do quarto
Assim como eu, razo

O rasgo de luz não mostra o caminho
Não indica direção
Só um talho e nehuma inspiração.

Os caninos furam os lábios
O sangue escorre e comprova
Há vida nesse corpo inerte

Bad hair day? Bobagem! Isso não é nada...

Despejei o macarrão na pia e não no corredor, depois de ter queimado as mãos com o vapor.
Roubaram meu celular dentro de um banco (tá, eu sei, não precisa falar..., mas é verdade).
Fui até o shopping - isso,aquela caixa fechada de fazer maluco) para ver com a Tim se era possíbel bloquear a utilização da linha e o acesso à agenda; depois, por novo chip com o número antigo, já sem restrições.
Entro no shopping furiosa (tenho uma ligação emocional com as minhs coisas, sorry, essa sou eu) e dou de cara com que? Hum? Com quem?
Sim, minha ex-sogra e sua cara de buldogue eunuco. Estava com uma blusa-quase-vestido verde alface. Cantei um mantra que criei na hora (alface obesooooooo, alface obesooooooo etc.) e tracei uma reta direto, sem olhar para trás, pro quiosque da Tim. Em tese estrá tudo resolvido quando eu comprar ou ganhar (quem se habilita? er... bem... uma ação entre amigos? ;)) um aparelho novo. Tim. É a única coisa que funciona aqui em casa e eu trabalho em casa. Afff
Então tá. Vão dormir.
Fiquem bem.

18.11.06

O problema é não ser da mesma década!

Gatim olha pra mim, faz charme. Gatim tem um biótipo... hã... "Malhação". Gatim tem barba serrada. Gatim entorna chopes e chopes. Eu tomo uma Coca.
Sei lá porque diabos o Inconveniente que já devia ter ido embora interrompe a conversa (de novo) pra perguntar pra Gatim:
- Você, por exemplo, nasceu em que ano?
- 84.
Esguichei metade da Coca na hora. Sem querer. Na cara do Gatim.
A outra metade? Ah... me engasguei, claro.


Agora dei pra sonhar com o primeiro marido. Nos sonhos cometemos hoje as discussões e análises que deveríamos ter cometido 9 anos atrás.
Encontros inesperados são o cão. É o download do caos no inferno que já é a sua vida (sim, estou com insônia; sim, passei a noite em claro).
Pego a Fal pra ler (deixa de ser mané e vai lá: O Nome da Cousa, de Fal Azevedo, editora Komedi):

"- Acabou?
- Acabou.
- Por quê?
- Porque ele ficou distinto e eu fiquei velha"

Pânico.

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Ouço a vizinha reclamando propositadamente alto com o marido que alguém está usando o msn "numa altura absurda". Sou eu.
Será que devo comentar igualmente alto que há 1 ano acompanho contra minha vontade a bizarra vida sexual do casal? Que conheço um remedinho ótimo pra flatulência matinal do marido? Que sei que ele faz número 2 todo santo dia pontualmente às 6:30 da manhã? que tenho algumas professoras ótimas para indicar pra gralha que não sabe matemática?
Hummm... deixa pra lá.

16.11.06

Freud, Freud, onde estás que blá, blá, blá...

Abri minha conta quando ainda era torturada. Fomos eu e o digníssimo, o torturador, no mesmo dia, na mesma agência - ainda bem que não fizemos uma conta conjunta.

Bão, Sebastião, até hoje, quando tenho que dar o número da conta lembro dos dois no banco e cometo o ato-falho: **171-*. Essa não precisa nem de Freud pra explicar, não é não?

Alma de Poeta? Luiz Fernando Prôa

Esse camarada tomou uma das iniciativas mais bacanas do mundinho poético-internético: o site Alma de Poeta, que já virou referência (bem, bem metida: eu tô lá!).

Tem a comunidade no Orkut também. Então hoje, antes de dormir, resolvi ir de Prôa.

Alvo - Luiz Fernando Prôa

falo
com o
som
da alma

essa rara
essência
que trago
aqui

sinto
que cada
palavra
dita

é faca
apontada
para
mim

Alma de Poeta, seu site de poesia, arte e algo mais...

www.almadepoeta.com

13.11.06

É hoje! Corre que ainda dá tempo

Ponte de Versos - Comemoração de 8 anos!

Eu estou indo pra lá agora, recitar meus versinhos... E ainda tem Mano Melo, Andrea Paola e mais um monte de poetas de primeira.

Corre que começa às 20h mas... sempre rola uma demorazinha, etc.

É na Rua Conde de Bernadote 26, na Livraria da Conde.

(Tá, tá, eu devia ter avisado antes mas... minha cabecinha voa, voa)

Para começar bem a semana Armazem Literário atualizado. Vão !

10.11.06

O Amor e o e-mail

- Alô.
- Como é que eu faço pra mandar um "negócio" que eu recebi por e-mail pra outra pessoa? Mas eu não quero encaminhar não, que não podem ler. É só o "negócio" que veio junto. (É, nessas horas ele não fala coisas como "Oi", "Meu amor" ou "Qual a sua conta para eu pagar a consultoria para abobrinhas do mundo digital?")
- Ué, salva o "negócio". Abre outro e-mail e anexa o arquivo.
- Ai-meu-deus (ficando nervoso). Salva como? Abre outra o quê, conta? De que arquivo você tá falando???? (suspira igual um boi enraivecido).
- (Respiro fundo, ommmmmm) O Arquivo é o "negócio" que você quer mandar. Para salvar clica em cima e...
- Em cima do que???????? (espumando)
- (Respiro ainda mais profundo: não-quero-não-posso-não-vou-me-irritar) como eu ia dizendo, clica em cima do arquivo.
- Mas aí vai abrir!!!!
- (Ai saco) Clica criatura, que você vai ver que uma das opções é "salvar".
- Ah tá. AI MEU DEUS!
- Que foi???
- Salvou!
- Não era isso que você queria???
- Mas eu não sei onde!!! Eu perdi o "negócio"?
- (Segurando o riso. Mentira: segurando a gargalhada) Esquece. Abre aquele e-mail de nov...
- Qual????
- Afff.... o que veio o "negócio".
- ah tá. E aí?
- Faz tudo de novo, mas escolhe aonde você quer salvar. Você tem aí uma pasta Meus Documentos...
- Ai caramba! Eu não posso salvar isso no seu computador!!
- (...) Na-su-a-má-qui-na.
- ...ah... tá... (começando a murchar).
- Então, na Sua pasta Meus Documentos, escolhe a pasta mais apropriada ou cria uma pasta nova.
- Meu Deus, não complica!!!! Não pode ser qualquer uma?
- Ai, salva logo no Desktop então, cacete!
- Desk o quê?

E assim seguem o telefonema e o amor. Que é lindo, lindo.


"Sim, eu era aquela que no Calvário gritava: Não amarra não, prega."

6.11.06

Pas Gauche

Non, pas d'accord!
Nous ne sommes pas gauches, mon poète.
Nous sommes humaines.


Advogados são gauches
Dentistas são gauches
Corretores da bolsa são gauches


Não somos gauches
Somos passionais

Temos clareza e bom senso
E o desplante de não usar nem um nem outro
Mas não, não somos gauche.
Somos irracionais conscientes

Mas principalmente, mon petit-grand poète
Somos verdadeiros em nossas falácias
E convicções

Não somos desvairados!
Amantes da lua!!
Ébrios tresloucados!!!

Somos comprometidos com a palavra
Com os sons
E com nossos sentimentos apaixonados.

2.11.06

Eu te amei sim

Esse encontro inesperado, depois-do-banco-antes-da-análise, me pegou de surpresa, no ar. Me emocionei.

Depois de 8 anos de casamento desfeito, lembrar numa esquina barulhenta da primeira vez que nos vimos, de como escolhemos a cor do apartamento, de como dormíamos abraçadinhos, dos acertos e dos desencantos, dos acontecidos e dos que ficaram por...

E hoje eu posso admitir com tranqüilidade que te amei sim, que fui feliz com você sim, que eu queria aquele filho sim e que, sim, doeu sim, quando acabou. E que você ainda mora um pouquinho no meu coração. Você é muito querido.

Que bom que um dia nós nos permitimos.
Fica bem.

31.10.06

Mulher de peito

...é uma mulher de peito!
Tem que ter muito peito pra...
...vou de peito aberto...
...."no lado esquerdo do peito"...

Está na hora de ser uma mulher de peito: faça o auto-exame, vá ao médico e faça todas as mamografias a que tem direito, informe-se sobre seu histórico familiar, sobre os fatores de risco.

Peito bonito não é peito grande ou pequeno, duro, em pé, arredondado ou empinado: peito bonito é peito saudável!

Eu

Busco o silêncio que fala
A imagem que cala
E a mão que esquenta

Busco a fala que silencia
A imagem que delata
E a mão que conforta

Busco a busca
Incessante e instintiva
Aleatória, sem rumo, desconexa.

Busco por mim.
Em cada gesto
Ação e palavras
Que saem de minha boca e do meu corpo.
Busco por mim.

28.10.06

Nada não, só comentando...

E diz o repórter "nesse momento Geraldo Alckmin está nos camarim (...)".

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Essa gata sofre de baixa auto-estima. Quando não entra na lixeira, dorme na panela de pressão. Começo a me preocupar.

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O cidadão tem 64 anos e é proprietário de um carro popular (mas do ano) e de uma loja (que rende uma merreca de aluguel mas rende). Mora de favor na casa da namorada, não contribui com nenhuma das contas, o que compra é para uso exclusivo dele. Recebe mesada de R$800,00 reais da mãe, uma senhora de 93 anos que toma 10 remédios caríssimos e paga mais 8 para a acompanhante de 83 anos além do plano de saúde das duas. Claro que é a mãe que paga o plano de saúde dele também.

Mas ele não pode, coitado, ajudar as filhas. Afinal, ele tem que por gasolina no carro, viajar todo final de semana para ficar em pousadas agradáveis e conhecer os restaurantes da região.

Ele reclama que não tem um histórico profissional, que não construiu nada, que não tem renda, não tem aposentadoria.

Bem, eu podia dar várias respostas e fazer váaaaarias considerações. Mas neste momento, opto, conscientemente, por fingir que não vi, que não sei, que tenho cara de parede. Por que, sério, tô bege.

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Os dois últimos blocos do debate entre Chuchu e Lula Lelé assisti "ao vivo" (muito engraçada essa expressão...) pela internet. Quem vai ganhar o segundo turno? Nem imagino! Agora, quem "vamos" perder sei de cor e salteado.

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Alguém tem uma receita de Ovos Nevados pra mandar pra mim? Pode ser pelos comentários pra partilhar. Você, doce criatura, que freqüenta a Fal. Você que gosta de meter a mão na massa. Você que veio parar aqui por acaso depois de dar uma busca por Lula pensando em gastronomia... dá essa ajudinha pra mim, dá?

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Gente, pela internet é muito mais legal! Eles esquecem de desligar a câmera e o áudio (será que esquecem mesmo? hohoho) e você vê e escuta coisas fantásticas.

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Bom crianças, é isso. Vou tentar ler um pouco. Depois dessa bobajada toda leitura de qualidade é algo imperativo. Ou então C.S.I na tv paga. Escapismo com prestações mensais.

Boa noite.

Obs.: Sim, vou votar no Lula novamente. Se eu estou feliz com esse voto? Aí são outros quinhentos...

25.10.06

Por toda parte

Eles estão por toda parte. Nas copas das árvores, nos bueiros, nas esquinas, na contracapa dos livros.

Ouvem nossa respiração, sentem nosso pulso, variam com nossa pressão.

E nós acordamos, vivemos, falamos, pensamos, dormimos e não notamos. Que eles estão por toda parte.

Eles: os imprevistos, os acidentes, os infortúnios, as coincidências. Estão lá, quietinhos, à nossa espera.

Crianças, a coluna lá do Armazém literário está atualizada. Vão lá!

18.10.06

Guarda-móveis

Minha vida está no guarda-móveis
Mas a chave emperrou

Lembranças
Histórias
Carreira
Tudo entulhado

Teias de aranha
E desenhos fantasmagóricos
Frutos de infiltração
Completam o cenário

Quero pegar minha vida de volta
Mas a chave emperrou

Saio decidida então
A recuperar meu bichinho de estimação:
Família.

Família é uma gracinha
Sai sempre bem na foto
E é comentada pela vizinha

Chego a veterinária e o
Médico reclama que,
Nessa curta estadia
Família já mordeu três funcionários
Fez xixi nos quatro cantos
E um grande cagalhão
No salão da entrada.
Família sempre faz merda...

Constrangida, peço que
Bote família na casinha
Para que eu possa levar
O veterinário me explica
- Não dá
Família está com pulga e carrapatos
Apesar dos diários cuidados

Tem, além disso
Uma grave doença
Em período de contágio

Sem Família e sem Vida
Volto para casa
Espectro de mim mesma
Fantasminha querida
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Deem sempre os créditos, ok? Esse é meu mesmo.

2.10.06






Catarina não é uma gata. É uma sombra.

de Fabrício Carpinejar

Casar, ter filhos e assumir um emprego fixo
fora o máximo exigido de mim,
não é o máximo que poderia exigir.

Fundei meu mundo para contar
com a possibilidade de afundar nele.

In: CARPINEJAR, Fabrício. Biografia de uma
árvore
. São Paulo: Escrituras Editora, 2002.

30.9.06

Voo 1907 da Gol

Segundo o Jornal da Noite, da Band, a Infraero acabou de confirmar que a queda do avião da Gol foi consequência da colisão com um jato executivo Legacy.

Bom, para mim experiências negativas com a Gol não são novidades... Para quem não lembra ou não leu, está aqui.

21.9.06

Atualizado

Armazém Literário atualizado. Poema inédito. Vai lá!
Completando 34 anos não quero saber de onde viemos nem para onde vamos. Pouco me importa com quantos paus se faz uma canoa, se quem veio primeiro foi o ovo ou a galinha, pq o céu é azul. Só quero saber uma coisa: onde diabos foram parar os homens bonitinhos, gostosinhos, heteros e disponíveis?!?

Pergunta cru-ci-al. Entonces, fui buscar a resposta com um oráculo de inquestionável sapiência: mamã.

- Ora minha filha, estão no mesmo lugar que os guarda-chuvas e pés de meia perdidos.
- ...

Claro, eu sou uma besta.

Eu e H. Kurtz


Pra comemorar esse aniversário em que o corpitcho está bacaninha, foto da época do manequim 46 (ui!)

17.9.06

Não se espante...

Não se espante...
Não se espante e me desculpe... se estou alheia, se estou cheia, se
não quero saber nem de mim nem de ti.

Não se culpe,
se o dia não amanhecer
se o sol não nascer
para o meu olhar ou para o seu...

só cansei.
de tentar
de buscar


lamento muito
que minha alma sejam frágil
que meu corpo seja frágil
que você se faça em mim

lamento tanto
que o meu pranto
não seja o tanto
que ao esperar

deseja em si

14.9.06

Poema em Linha Reta - Fernando Pessoa (Álvaro de Campos)

Nunca conheci quem tivesse levado porrada.
Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.
E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil,
Eu tantas vezes irrespondivelmente parasita,
Indesculpavelmente sujo.
Eu, que tantas vezes não tenho tido paciência para tomar banho,
Eu, que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo,
Que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das etiquetas,
Que tenho sido grotesco, mesquinho, submisso e arrogante,
Que tenho sofrido enxovalhos e calado,
Que quando não tenho calado, tenho sido mais ridículo ainda;
Eu, que tenho sido cômico às criadas de hotel,
Eu, que tenho sentido o piscar de olhos dos moços de fretes,
Eu, que tenho feito vergonhas financeiras, pedido emprestado sem pagar,
Eu, que, quando a hora do soco surgiu, me tenho agachado
Para fora da possibilidade do soco;
Eu, que tenho sofrido a angústia das pequenas coisas ridículas,
Eu verifico que não tenho par nisto tudo neste mundo.

Toda a gente que eu conheço e que fala comigo
Nunca teve um ato ridículo, nunca sofreu enxovalho,
Nunca foi senão príncipe - todos eles príncipes - na vida...

Quem me dera ouvir de alguém a voz humana
Que confessasse não um pecado, mas uma infâmia;
Que contasse, não uma violência, mas uma cobardia!
Não, são todos o Ideal, se os oiço e me falam.
Quem há neste largo mundo que me confesse que uma vez foi vil?
Ó principes, meus irmãos,

Arre, estou farto de semideuses!
Onde é que há gente no mundo?

Então sou só eu que é vil e errôneo nesta terra?

Poderão as mulheres não os terem amado,
Podem ter sido traídos - mas ridículos nunca!
E eu, que tenho sido ridículo sem ter sido traído,
Como posso eu falar com os meus superiores sem titubear?
Eu, que venho sido vil, literalmente vil,
Vil no sentido mesquinho e infame da vileza.

Sabe quando: o despertador não toca, o leite derrama, a torrada queima, o ônibus não passa, o caixa eletrônico está quebrado, o chefe entra na sua sala no único momento em que você parou de trabalhar e está dando uma puta espreguiçada, a reunião atrasa, o relatório tem um erro gritante que você não viu, o salto quebra, o computador congela e cai um toró na hora de ir embora? E quando chega em casa e descobre que esqueceu a chave no escritório?

É. É assim que eu estou me sentindo.
Ninguém disse que ia ser fácil...

12.9.06

Acidente na Lagoa. E somos todos palhaços

“Após a missa de sétimo dia dos jovens Ivan Rocha Guida, de 18 anos, Manoela de Billy Rocha, de 16, Ana Clara Rocha Padilla e Joana Kuo Chamis, ambas de 17 anos, mortos no acidente com um Honda Civic na Lagoa, na madrugada do último domingo, os pais de Ana Clara e Joana rebateram as acusações da juíza da 1ª Vara da Infância e da Juventude, Ivone Caetano, que, ao comentar a tragédia, chamou os pais de negligentes.

- Ela não nos conhece para fazer este tipo de julgamento. Eu tenho pena das pessoas que serão julgadas por ela – disse o engenheiro Nelson Chamis, pai de Joana, que pensa em interpelar judicialmente a magistrada se ela prosseguir com as declarações.

O pai de Ana Clara, Gabriel Padilla, fez coro com o engenheiro:

- Ela demonstrou que é uma pessoa totalmente desqualificada para exercer a sua função – afirmou.” - http://oglobo.globo.com/rio/mat/2006/09/09/285599447.asp

“Dos cinco jovens mortos anteontem, apenas Joana ainda foi encontrada com vida. Ela foi levada para o Hospital Municipal Miguel Couto, no Leblon, mas não resistiu. O hospital, que tem a principal emergência da zona sul, o número de atendimentos de vítimas do trânsito está aumentando. Em 2004, foram 972 atendimentos. Em 2005, 1.037. Até julho deste ano, os números já ultrapassaram a metade da estatística do ano passado: 555 atendimentos.” - http://www.estadao.com.br/ultimas/cidades/noticias/2006/set/04/338.htm

Joana era minha prima, mas não é por isso que estou escrevendo aqui. Vi apenas 3 ou 4 vezes na vida e não conversei com seu pai, Nelson, depois do acidente. Mas depois de ler essa matéria no globo, não poderia deixar de dedicar um pouco do meu tempo para escrever sobre o assunto.

Estou chocada com a declaração da juíza Ivone Caetano, da 1ª Vara da Infância e da Juventude, responsabilizando e culpando os pais. É muita falta de ética, limite, sensibilidade, humanidade.

Por qual razão ela não teceu comentários sobre o não cumprimento da lei que proíbe menores de idade de beber e de freqüentar boites? Por qual razão ela não questionou o fato da Sky Lounge não ter exigido os documentos dos cinco – e de todos os outros menores que certamente estavam na boite?

O motorista e os outros estavam alcoolizados? Sim. Onde todos beberam? Em um estabelecimento comercial. Onde estão os órgãos que deveriam garantir que esse estabelecimento cumprisse toda a legislação que diz respeito ao seu negócio?

Onde está o policiamento das ruas nas madrugadas, que garantiria aos motoristas parar em sinais? 1.037 atendimentos em um único hospital no ano passado? Isso é conseqüência de negligência dos pais? Ou somos todos negligentes? Não existem campanhas sérias de conscientização; educação no trânsito não faz parte da grade curricular obrigatória das escolas e “cervejinha” pro guarda já virou regra.

Não se fala abertamente sobre dependência química. Não se fala abertamente sobre o fato de que álcool também é droga. Aliás, o que não falta é propaganda de bebida alcoólica com gente jovem, bonita e saudável. Qual a relação dessa imagem com a realidade?

Não estou negando que beberam, que correram, que não colocaram cinto. Mas esse tipo de colocação feita pela juíza, me lembra um outro juiz, que deu ordem, mais de 15 anos atrás, para que o pai da estudante assassinada Mônica Granuzzo fosse retirado do tribunal: a ordem era para que retirassem “esse palhaço” do lugar.

Depois de ler essa matéria, não tenho mais dúvida. Para donos de boites, para o judiciário, para a indústria de bebidas e para agências de publicidade, somos todos palhaços.

4.9.06

Chove loucamente, gotas grossas, barulhentas. A gata inquieta, como se a água lá fora fosse uma ofensa. Eu gosto. Sempre gostei de chuvas, ventanias e tempestades. Me acalma a alma. Apazigua os pensamentos.

Ouço a Xuxa Preta do Boato. A gata se cansa. E dorme.

Eu insone, imune ao efeito das horas seguidas de vigília. Imune aos encantos de Morfeu.

Penso nos dissabores do dia. Na conversa boa no msn. Na conveniência do identificador de chamadas do celular.

Brasov. Bom, muito bom. Saudades do Levi.

Quando a chuva parar seco os cabelos. Até lá, que ela me engula.

2.9.06

Blog Day

Atrasado, claro. Ou não era eu.

Pryscilla – tirinhas e cartuns maravilhosos
Cria Minha – dia-a-dia delicado
Cep 20.000 - não se nega as origens...
A canção é tudo – poesia daqui e de lá
CatarroVerde – curto e grosso não... claro e objetivo!

Divirtam-se!

27.8.06

Lembranças bizarras da infância 1

Minha irmã foi um bebezão branco com enormes e inacreditáveis olhos azuis. Era lindo. Ontem me lembrei, sei lá por que, de um dos momentos mais aterrorizantes que experimentei na infância, relacionados com ela. Uma criança chegou, encantada, e propôs: vamos pegar os olhos da sua irmã pra ver como fica na gente?

Corta.

Na mesma semana meu pai, um homem muito sensato - oh, céus! - me leva para assistir Un chien andalou, na cinemateca do MAM.



18.8.06

SEM POESIA, NEM PORRADA - Bruno Cattoni

Meu poeta preferido: parabéns! Que o sol te abençoe,
sempre.


SEM POESIA, NEM PORRADA - Bruno Cattoni

Simplesmente os recados foram dados
Que não temos nada a ver com isso
Que percorremos quase todos os ninhos
Sem nos acharmos nascidos
Que molestamos quase todo mundo
Sem obtermos calor, ou menos perigo
Que somos pó em plena vida
Sem a ele termos sido reduzidos
Simplesmente pó, sem poesia, nem porrada

Bruno Cattoni é poeta com P maiúsculo, jornalista, amigo e criatura solar.
E esse sábado é dele.

Vá nas livrarias e exija.

1.8.06

Aqui e no Cronópios

Período feliz, produtivo: FLAP!, Armazém Literário e agora Cronópios!
Prometo, prometo que vou atualizar a casa :)
Boa semana pra todos.

Chacal, Claro.

Chacal abrindo os trabalhos na FLAP!:

poeta marginal é o que vive ...
à margem ...
dos suplementos
das editoras
das livrarias

poeta marginal é o que vive !

o resto é academia.

18.7.06

Mais Dedo de Moça!

Dedo de Moça agora também no Armazém Literário. Vai !
E não se esqueça: se você está no Rio ou em Sampa, está na hora de se inscrever na FLAP! A programação e o release estão aí embaixo, assim como o e-mail para fazer as inscrições (afinal, o evento é gratuito!).
Esse final de semana no Rio e o próximo em Sampa!

FLAP! 2006 - Programação

Rio de Janeiro
SÁBADO, 22 DE JULHO

10h
ARENA LIVRE - ONDE ESTAMOS?
Mediador:
Thiago Ponce
Poeta

Participantes:
- Antonio Vicente Pietroforte
Prof. da Lingüística, FFLCH-USP
- Marcus Alexandre Motta
Prof. de Literatura Portuguesa e Artes, UERJ
- Virna Teixeira
Poeta

12h
PERIFERIAS?
Mediador:
Pedro Tostes
Escritor, Poesia Moloque(i)rista

Cultura Contemporânea: Redefinição do Centro e da Periferia
Affonso Romano de Sant'Anna
Escritor e Crítico Literário

15:30h
GESTÃO DE POLÍTICAS CULTURAIS
Mediador:
Raphael Vidal
Revista Bagatelas

Participantes:
- Jorge Rocha
Escritor e Jornalista
- Anna Paula Martins
Editora Dantes



DOMINGO, 23 DE JULHO

12h
“...MALDITOSNEOBARROCOSLNGUAGEMMARGINAIS
NEOCONCRETOSMALARMAICOSDRUMMONDANO DILUIDORES..."
Mediadora:
Priscila Andrade
Poeta

Participantes:
- Afonso Henriques Neto
Poeta
- Sérgio Cohn
Poeta, Editor da Azougue Editorial
- Chacal
Poeta

15:30h
ARENA LIVRE - PARA ONDE VAMOS?
Mediador:
Marcelino Freire
Escritor

Participantes:
- Claudia Roquette-Pinto
Poeta
- Maria Rezende
Poeta
- Fabio Aristimunho Vargas
Poeta
- Francisco Bosco
Ensaísta

São Paulo
SÁBADO, 29 DE JULHO

10h
ARENA LIVRE - ONDE ESTAMOS?
Mediador:
Eduardo Lacerda
Poeta, Editor do O Casulo

Participantes:
- José Antonio Pasta Jr.
Prof. de Lit. Brasileira, FFLCH-USP
- Frederico Barbosa
Poeta e Diretor da Casa das Rosas
- Manuel da Costa Pinto
Crítico Literário
- Xico Sá
Escritor
- Tarso de Melo
Poeta

12h
PERIFERIAS?
Mediador:
Allan da Rosa
Poeta, Edições Toró

Participantes:
- Bruno Zeni
Escritor e crítico literário
- Ferréz
Escritor
- Sérgio Vaz
Escritor
- Sérgio Bianchi
Cineasta

15:30h
GESTÃO DE POLÍTICAS CULTURAIS
Mediador:
Victor del Franco
Poeta

Participantes:
- Donny Correia
Poeta, Coordenador Cultura, Casa das Rosas
- Maria Silvia Betti
Depto. Letras Modernas, FFLCH-USP
- Ademir Assunção
Poeta
- Soninha Francine
Vereadora



DOMINGO, 30 DE JULHO

12h
“...MALDITOSNEOBARROCOSLNGUAGEMMARGINAIS
NEOCONCRETOSMALARMAICOSDRUMMONDANO DILUIDORES..."
Mediador:
Marcelo Rezende
Jornalista e Escritor

Participantes:
- Ricardo Lísias
Escritor e Crítico Literário
- Luiz Ruffato
Escritor
- Claudio Willer
Poeta
- Cláudio Daniel
Poeta, Editor da Zunái

15:30h
ARENA LIVRE - PARA ONDE VAMOS?
Mediadora:
Daniela Oswald Ramos
Poeta

Participantes:
- Ivan Marques
Jornalista, Editor do Entrelinhas, TV Cultura
- Andréa Catropa
Poeta, crítica literária, editora do O Casulo
- Nelson de Oliveira
Escritor
- Dirceu Villa
Poeta

12.7.06

FLAP! 2006 - RJ ou SP: inscreva-se



A FLAP! 2006

Seguindo o tema Embates, com a proposta de debater visões distintas sobre literatura e manter vivo um terreno fértil de questionamentos, a FLAP! 2006 acontece em dois fins de semana de julho. Dias 29 e 30 o Espaço dos Satyros I, teatro localizado na Praça Roosevelt, em São Paulo, recebe diversos debates com a presença de escritores, professores, editores, cineastas e muito outros participantes. A novidade neste ano é que a FLAP! também acontece no Rio de Janeiro, nos dias 22 e 23 de julho na UniverCidade (Unidade Ipanema). Como sempre, o evento é gratuito e aberto ao público em geral. Em ambas as cidades a programação inclui debates sobre políticas culturais, periferias e ainda mesas de debate em esquema de arena livre, abrindo espaço para uma reflexão sobre o presente e o futuro da literatura (“onde estamos?” e “para onde vamos?”).

O intuito da FLAP! é, ainda, evitar uma certa acomodação de opiniões nas mesas de discussão, quando todos parecem concordar com todos (e as discordâncias acabam sendo relegadas ao plano da fofoca). Vamos criar um espaço em que fiquem mais claros critérios e distintas nuances entre posições.

A edição de São Paulo traz, dentre outros convidados, o cineasta Sérgio Bianchi, a vereadora Soninha Francine, o crítico Manuel da Costa Pinto, o jornalista Ivan Marques e escritores como Luiz Ruffato, Frederico Barbosa, Claudio Willer e Xico Sá. Já o Rio de Janeiro conta com a participação de escritores como Affonso Romano de Sant’Anna, Chacal, Afonso Henriques Neto, Claudia Roquette-Pinto e Marcelino Freire.

A FLAP! nasceu em julho de 2005 como uma contra-proposta à FLIP (Festa Literária Internacional de Parati), um evento que o grupo entende como direcionado ao público de classe alta, caro para muitos estudantes (o acesso à palestras e shows é cobrado), além de focar preferencialmente em autores de best-sellers e estrelas de televisão; ainda que acabe trazendo escritores e críticos importantes.

Organizada por estudantes do curso de Letras (FFLCH) da Universidade de São Paulo e da Academia de Letras da São Francisco (Direito), a FLAP! 2005 reuniu mais de 300 pessoas no Teatro dos Satyros na Praça Roosevelt e teve divulgação nos principais veículos literários por reunir professores universitários, críticos e os principais escritores do cenário paulista em palestras acaloradas. Agora em 2006 mais estudantes de outros cursos da USP, assim como escritores e estudantes de Letras no Rio de Janeiro, colaboram em sua organização.

Por fim, a sigla FLAP! que surgiu como uma brincadeira aludindo à sigla Flip, não significa, propositalmente, nada específico, apesar de seu conceito e sua proposta sólidos: discutir o cenário atual da literatura e forma abrangente e acessível. Assim, haverá novamente um concurso para o público criar significados para a sigla.

Para participar, basta se inscrever através do e-mail: inscricao@projetoidentidade.org

No próximo post, prometo a programação!

8.7.06

Catarina e eu

Catarina acredita que eu sou a gata.
Que eu estou a seu dispor.
Sou seu xodó, seu bichinho de estimação.

Acredita ainda que minha existência tem um único propósito: servi-la sempre. E da melhor maneira possível.

Providenciar seus banhos, suas refeições e seus lacinhos carmins. E coçar sua barriga e aninhar seu corpinho quilo e meio em meu colo.

O pior é que ela tem razão.

4.7.06

Enquanto a FLAP não vem... Ricardo Corona - Paisagem Narcisista

Estando sempre à luz do sol,
a paisagem, narcisista, insiste.
E viciada em flashes e ohs!
ela se entrega ao flerte
de turistas, banhistas e surfistas.

Sendo ela que o sol eternamente assiste,
a paisagem, narcisista, insiste,
retendo estampas na retina, como se
somente a sua performance existisse.

Mas nela meu olhar não se detém.
nenhum clic, espanto, nada.
A memória agora está além,
nem a mais linda imagem é guardada.

Eu, de passagem e a paisagem, de paisagem.
Em mim incide o que está depois da paisagem:
oásis, Iemanjá, sereia, miragem.

Ricardo Corona é autor de Cinemaginário, poemas (SP, Ed. Iluminuras, 1999) e do CD de poesia Ladrão de Fogo (Curitiba, Medusa edições, Coleção "Poesia Para Ouvir, 2001). Em 1998, organizou a antologia bilíngue de poesia contemporânea Outras Praias - 13 Poetas Brasileiros Emergentes / Other Shores - 13 Emerging Brazilian Poets (SP, Ed. Iluminuras). Com Eliana Borges, edita a revista de poesia e arte Medusa.

1.7.06

Entreato - Alexandre Sartorelli

Eu te darei as estrelas,
Não minto.
Uma dose de conhaque
Ou de absinto.
O sal do mar,
Um domingo.

Tudo em troca de teu riso.

Mais Sartorelli aqui: A canção é tudo.

28.6.06

Enquanto a FLAP não vem... Virna Teixeira - Visita

Criado-mudo:
bíblia e
rosário de contas.
Na cama, ao lado
a nudez
sem nome.

Virna Teixeira é poeta e tradutora. Nasceu em Fortaleza e mora em São Paulo há vários anos, onde trabalha como neurologista.
Publicou dois livros pela 7 Letras: Visita (2000) e Distância (2005). Colabora com várias revistas de poesia e periódicos. Publica traduções e inéditos no Papel de Rascunho, escreve com o poeta mexicano Jair Cortès no Los excessivos e é também colunista do Cronópios.


Em Julho você encontra Virna Teixeira na FLAP. Aguarde.

6.6.06

Mãos dadas

Não serei o poeta de um mundo caduco.
Também não cantarei o mundo futuro.
Estou preso à vida e olho meus companheiros.
Estão taciturnos mas nutrem grandes esperanças.
Entre eles, considero a enorme realidade.
O presente é tão grande, não nos afastemos.
Não nos afastemos muito, vamos de mãos dadas.

Não serei o cantor de uma mulher, de uma história,
não direi os suspiros ao anoitecer, a paisagem vista da janela,
não distribuirei entorpecentes ou cartas de suicida,
não fugirei para as ilhas nem serei raptado por serafins.

O tempo é a minha matéria, o tempo presente, os homens presentes,
a vida presente.

Para ouvir na voz do poeta clique aqui

29.5.06

Quadrilha - Drummond. Depois Chico

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Quadrilha de Carlos Drummond de Andrade, sempre atual, numa deliciosa releitura feita com legos. E o próprio Drummond recitando! Delícia, delícia... Eu tinha o disco, se perdeu em uma das mudanças. Se alguém tiver e quiser vender, trocar ou gravar em um cd para mim, agradeço.
Para finalizar, Chico Buarque, claro. Muito bom.

23.5.06

Momento Abobrinha

"No mundo atual está se investindo 5 vezes mais em remédios para virilidade masculina e silicone para mulheres do que na cura do Mal de Alzheimer. Daqui a alguns anos, teremos velhas de seios grandes e velhos de pau duro, mas eles não se lembrarão para que servem "

Não sei quem é o autor da pérola. Se alguém souber, por favor avise.

18.5.06

Encarando os fantasmas
pela segunda noite, sozinha:
coldplay. sozinha.
pela segunda vez.

Fantasmas 2 x 0 Priscila

16.5.06

FRAGMENTOS DE UM BARRACO AMOROSO - Xico Sá

Sim, homem é frouxo, só usa vírgula, no máximo um ponto e virgula; jamais um ponto final.

Sim, o amor acaba, como sentenciou a mais bela das crônicas de Paulo Mendes Campos: “Numa esquina, por exemplo, num domingo de lua nova, depois de teatro e silêncio; acaba em cafés engordurados, diferentes dos parques de ouro onde começou a pulsar...”

Acaba, mas só as mulheres têm a coragem de pingar o ponto da caneta-tinteiro do amor. E pronto. Às vezes com três exclamações, como nas manchetes sangrentas de antigamente, SANGUE, SANGUE, SANGUE!!!

Sem reticências...

Mesmo, em algumas ocasiões, contra a vontade. Sábias, sabem que não faz sentido prorrogação, os pênaltis, deixar o destino decidir na morte súbita.

O homem até cria motivos a mais para que a mulher diga basta, chega, é o fim!!!

O macho pode até sair para comprar cigarro na esquina e nunca mais voltar. E sair por ai dando baforadas aflitas no king-size do abandono, no Continental sem filtro da covardia e do desamor.

Mulher se acaba, mas diz na lata, sem metáforas.

Melhor mesmo para os dois lados, é que haja o maior barraco. Um quebra-quebra miserável, celular contra a parede, controle remoto no teto, óculos na maré, acusações mútuas, o diabo-a-quatro.

O amor, se é amor, não se acaba de forma civilizada.

Nem no Crato...nem na Suécia.

Se ama de verdade, nem o mais frio dos esquimós consegue escrever o “the end” sem uma quebradeira monstruosa.

Fim de amor sem baixarias é o atestado, com reconhecimento de firma e carimbo do cartório, de que o amor ali não mais estava.

O mais frio, o mais “cool” dos ingleses estrebucha e fura o disco dos Smiths, I Am Human, sim, demasiadamente humano esse barraco sem fim.

O que não pode é sair por ai assobiando, camisa aberta, relax, chutando as tampinhas da indiferença para dentro dos bueiros das calçadas e do tempo.

O fim do amor exige uma viuvez, um luto, não pode simplesmente pular o muro do reino da Carençolândia para exilar-se, com mala e cuia, com a primeira criatura ou com o primeiro traste que aparece pela frente.

E vamos ficando por aqui, pois já derrapei na curva da auto-ajuda como uma Kombi velha na Serra do Mar... e já já descambarei, eu me conheço, para o mundo picareta de Paulo Coelho. Vade retro.

O Carapuceiro não perdoa. Vá lá.

10.5.06

Casulo - Repeteco para esclarecimento

Um jornal carioca de poesia publicou este poema, meu, indicando equivocadamente outra poeta - de primeira linha por sinal - como autora. Bom, como o filho é meu, apresento de novo a cria:

Mudo de pele a cada manhã
abandono a alma pelo caminho toda a tarde
e renasço ao fim do dia

Os ânimos dançam um ciranda louca
tribal e selvagem
E eu apenas sinto
como um reflexo tardio
os seus cabelos nas minhas mãos

E me deixo levar pelo vento
como folha seca em prenúncio de tempestade
Retomo a alma no caminho de casa
Sempre acho que ainda não é tarde.

4.5.06

Uni-vos pela Arte! - Thiago Espósito

Manchete no jornal:

"Quadro polêmico com imagem religiosa é retirado de exposição"

"Dom Eusébio condena a obra"


O que mais eles condenam?
Camisinha?
Casamento gay?Livro?
Aborto?Anticoncepcional?

Já condenaram mouros,
bruxos, o riso, os loucos

Século XXI
Eles condenam artistas!

Márcia X
Duas picas de terços episcopais.

Lindo!

Não bastou a Idade Média?
Não bastou a ética grega surrupiada?

Conclamo vocês poetas,
Para botar pra fuder!

Vamos as igrejas
Chamar todo mundo
para encher a cara num boteco
ou dar um teco.

Não me chamam para
Encontrar Jesus?!

Vamos levar um som alto
Bem na frente de um culto

Igual sou obrigado a ouvir
Em frente a Igrejas

Ou esquinas da Ouvidor

Vamos distribuir folhetos
contando barbáries da Inquisição

Sujar os muros com escritos:
"Só a poesia expulsa demônio do corpo"

Esclarecer a verdadeira moral cristã:

Papa nazista e gay!
Padres censores
pedófilos
Políticos com vestimentas de pastores

Tem um monte na ALERJ
Pastores de ovelhas!
E o rebanho, lá!
Seguindo junto
Pedindo para
tirar quadros de exposições.

Para ler mais Poeta Perdigoto, vá !

25.4.06

Momento Abobrinha

Mil perdões!!!! Mas eu simplesmente não resisto... recebi essa abobrinha por e-mail e adorei. Leia e me conte: qual o seu?

O que escrever em seu túmulo Se você é...

ESPÍRITA
Volto já.

INTERNAUTA
www.aquijaz.com.br

AGRÔNOMO
Favor regar o solo com Neguvon. Evita Vermes.

ALCOÓLATRA
Enfim, sóbrio.

ARQUEÓLOGO
Enfim, fóssil.

ASSISTENTE SOCIAL
Alguém aí, me ajude!

BROTHER
Fui.

CARTUNISTA
Partiu sem deixar traços.

DELEGADO
Tá olhando o quê? Circulando, circulando...

ECOLOGISTA
Entrei em extinção.

ENÓLOGO
Cadáver envelhecido em caixão de carvalho, aroma Formol e after
tasting, que denota presença de Micoorganismos diversos.

FUNCIONÁRIO PÚBLICO
É no túmulo ao lado.

GARANHÃO
Rígido, como sempre.

GAY
Virei purpurina.

HERÓI
Corri para o lado errado.

HIPOCONDRÍACO
Eu não disse que estava doente?!?!

HUMORISTA
Isto não tem a menor graça.

JANGADEIRO DIABÉTICO
Foi doce morrer no mar.

JUDEU
O que vocês estão fazendo aqui? Quem está tomando conta da lojinha?

PESSIMISTA
Aposto que está fazendo o maior frio no inferno.

PSICANALISTA
A eternidade não passa de um complexo de superioridade mal resolvido.

SANITARISTA
Sujou!!!

SEX SYMBOL
Agora, só a terra vai comer.

VICIADO
Enfim, pó!

23.4.06

Coquetel: Poesia Forum de volta com Mario Quintana!

Laura Esteves, Marcus Vinicius e Tanussi Cardoso nos brindam com o Poesia Forum 2006, que acontecerá todas as Quartas, às 19h.

Em sua primeira edição este ano, com coquetel para comemoração e confraternização, o Poesia Forum homenageia Mario Quintana.

Onde:
Salão Dourado do Forum de Ciência e Cultura da UFRJ
Av. Pasteur 250, 2º andar, Urca, Tel: 2295-1595
Entrada franca
Estacionamento no local

Quando:
26 de abril, às 19h

Como:
POETA HOMENAGEADO: MÁRIO QUINTANA, no espetáculo "Eu, passarinho",com o GRUPO POESIA SIMPLESMENTE (Ângela Carrocino, Delayne Brasil, Laura Esteves,Marcio Carvalho, Rosa Born e Silvio Ribeiro de Castro)
Participação especial: JORGE VENTURA
A noite de estréia contará com COQUETEL para os presentes e FOTO para o Jornal RIO LETRAS com todos os poetas presentes ao evento.


Quem:
- Recital:
ADRIANO ESPÍNOLA
ANTONIO CALLONI
BIANCA RAMONEDA
RITA MOUTINHO
VIVIANE MOSÉ


- Música:
ANDRÉ CUNHA (violino)
IRINA MATZEN (viola)

O Forum Poesia é apresentado por LAURA ESTEVES (curadora), MARCUS VINICIUS e TANUSSI CARDOSO(coordenadores).

20.4.06

Leprevost - Lançamento

Quando:Domingo, dia 23/04, dia de são jorge. 19 horas.
Onde: Livraria da Travessa (Travessão), em Ipanema.
O que: Lançamento do livro ODE MUNDANA, de Luiz Felipe Leprevost.

++: vinhozinho e fila para autógrafo.

E +: Roda de poesia na varanda do Diagonal, no Baixo Leblon, com o poeta e todos que tiverem o que falar ou o que ouvir! Lá pelas 23h, antes do dia acabar.

Imperdível!

18.4.06

Você me odeia? Entra na fila!




Devidamente copiado e livremente adaptado de um post do Guetoblast. Mas é a mais pura verdade:

Verdade seja dita, a primeira vez que eu li isto foi no www.fotolog.net/anjinhadepantufa, onde ela simboliza muito bem os humores (bons e maus) que andam pela internet.

Por se esconderem em pseudônimos como Sandra Belzer, Daniel, Mario, Pit, Guetoblaster, Desiree, Sid & Nancy, O Gordo e O magro, se sentem à vontade para destilar seu fel em blogs, fotologs e outros og´s.

As reações muitas vezes são extremadas. Te amo, te odeio, te quero, te quero morto!! Sem os meios tons que existem no mundo real!!

Então, a todos que são de um extremo ou de outr, uma palavra antes de escrever: Você falaria isto ao vivo e a cores ?

E se vc me odeia mesmo, pega a senha e entra na fila, que tá enorme!!!!

16.4.06

Incesto e comensais

Sim, é um amor canibal
Tenho vontade de devora-lo a dentadas
Em uma festividade tribal.

Desfiar a carne
Chegar até a cartilagem
Desossar... sempre foi arte.

Dos ossos faço bela sopa
Suculenta, rica em proteínas
Rodeada de moscas.

Moscas. Crocantes.
Pequenos croutons voadores
Que se afogam nessa
Água suja que me alimenta

A sopa me encara
Com seus dois olhos verdes cozidos.
Vê a contradição?
A besta era eu,
Mas quem acabou besuntado em pão
Foi você, suculento e nefasto irmão.

Fal Azevedo - O BLOG NAS ESQUINAS DO COTIDIANO

“From the forests and highlands
We come, we come”
Shelley

Cheguei ao mondo blog no comecinho de 2002. O amigo que me indicou os blogs, disse vagamente que eles eram "páginas na internet, fáceis de montar, onde você pode escrever o que quiser, quando quiser". Eu usava a teia eletrônica desde 1997 e nunca tinha ouvido falar deles.
Tendo o blog (já extinto) do meu amigo como plataforma de lançamento, comecei um blog meio parado, e conheci o blog mineiro Mothern, e o blog da paulistana Zel.
Foi como se eu tivesse levado um tapa na cara.
Eu me reconheci ali, em cada palavra.
Eu sabia escrever daquele jeito, eu podia me expressar assim.
Se o cotidiano daquelas mulheres servia para a escrita, oras, o meu servia também.
Em 1999 eu havia lançado um livro pela Editora Iglu, Crônicas de Quase Amor, e havia despontado para o anonimato. Longe do esquemão de distribuição, apadrinhamentos e indicações das grandes editoras e livrarias, eu não tinha a mais vaga idéia de como encontrar leitores. Com o passar do tempo, eu me sentia sem ter o que dizer e nem para quem.
Nos blogs, produzindo o meu e lendo os dos outros, descubro, a cada dia, que sim, eu tenho o que dizer. Todos temos.

Não requer prática
Uma vez dentro desse mundo, descobre-se que a mecânica é muito simples. Diversos sites fornecem a qualquer um as ferramentas básicas para que se coloque um blog no ar em minutos. Juro. Minutos. Num blog você é produtor, editor, distribuidor e consumidor.
Com o tempo e, principalmente, com o contato com outros blogueiros, você fica mais espertinho.
Entende a delicada estrutura que sustenta o mondo blog, amparada na santíssima trindade do visitar-escrever-ser visitado.
Entende que a intrincada selva de links é o que mantêm seu blog sendo lido e visitado e que sim, você tem que fazer parte disso, lincando outros blogs, fazendo comentários sobre os textos dos outros, estabelecendo relações - os blogs fazem um jogo de referências, que sustenta e retro alimenta o sistema. Você também aprende o jargão da atividade (por exemplo, que você não é um “escritor”, é um “blogueiro”, que o que você escreve não são “textos”, são “posts”, e que, aliás, você não “escreve”, “posta”).
Aprende a postar imagens e inserir sons no seu blog.
Aprende a alterar o tamanho, tipo e cor das letras que usa.
E aprende a etiqueta do mondo blog: não deixar comentários quilométricos no blog alheio, não dar lição de moral, não usar posts e imagens dos outros sem dar os devidos créditos e que relevar alfinetadas é melhor que armar grandes barracos, só para começar.
E, ahá, você aprende a escrever especificamente para esse novo veículo. Seu olhar para o mundo muda. Você começa a ver seu dia, as pequenas coisas que formam suas horas, dum jeito diferente. Aprendi e aprendo, todo dia, a valorizar os pequenos gestos, os pensamentos rápidos, os lances rotineiros. Porque tudo pode virar post. Para cada pedaço do meu dia, se bem escrito, se apresentado duma forma atraente, eu tenho quem se interesse.
O blogueiro quer o público. O leitor é parte integrante e necessária do blog (não é por acaso que a enorme maioria dos blogs tem espaço para que seus leitores se manifestem, formas variadas de contatar seu autor e até medidores de visitas, que informam não apenas de onde vieram os leitores como, não raro, o IP, o número de identificação do computador de quem os lê).
Aliás, sem o olhar, a admiração, os apartes e comentários dos leitores, a maioria dos blogueiros nem teria a disciplina de atualizar em bases diárias, ou quase, seus blogs. Dos blogueiros que falam de seu cotidiano (porque há os que fazem de seus blogs colunas jornalísticas, gastronômicas ou policiais), temos de todos os tipos. Os compulsivos, que anotam nos seus blogs o itinerário exato das viagens que fizeram, as listas de supermercado, os livros que desejam comprar. Há os econômicos, que postam poucas linhas, que economizam seus dias e aventuras e só nos entregam flashes. Há os entusiastas do copy and paste (olha o jargão aí, gente), os que gostam tanto do blog dos outros que postam partes deles, com os devidos créditos. Alguns são confessionais, alguns falam em terceira pessoa (a divertida Flávia, uma das autoras do blog Bloggete , costuma contar as próprias histórias dizendo “Uma amiga minha....”). Há quem diga nome de marido e foto filho, há quem chame o marido de S. ou H. e não conte nem de que cidade fala.
Os blogs permitem que você encontre seu fluxo narrativo com calma, experimente, ponha-se à vontade, encontre a sua forma de usar sua voz.
Mesmo que você não queira, ou melhor, mesmo que não admita querer, num blog você escreve para os outros, exatamente como escreveria num livro, ou num jornal. Não fosse isso, sejamos francos, você não estaria escrevendo na internet, e sim num caderninho de capa florida. Mas diferente das respostas obtidas nos jornais e livros, num blog você poder ver a reação de quem lê quase que imediatamente. Você vai aprender, vai se ajustar para agradar um determinado grupo, o dos seus leitores. E eles também vão se adaptar a você. Ao seu estilo. É um ajuste de placas tectônicas, todo mundo tem que se mexer. No meu blog, não é incomum que novos leitores, ainda não acostumados com meu jeitão, escrevam para mim para perguntando se eu estava brincando ou falando sério. Eu nunca explico. Eles se acostumam.
A maioria dos blogueiros parte sim de suas lembranças, fatos cotidianos e idéias. Mas quando esse material é publicado no blog e posteriormente lido e comentado, ele vira uma outra coisa. Ao receber comentários, responder a eles, inseri-los num texto futuro, o blog se transforma num veículo da intimidade coletiva.
O autor do blog se expõe, mas seus leitores também.

Gordas e Patuscas
As vizinhas de Nelson Rodrigues, gordas, patuscas e cheias de brotoejas não inventaram a fofoca. Nem as janeleiras do Érico Verissimo. Nem as velhotas bigodudas do Eça de Queiroz. Mas elas nos ajudaram a entender uma verdade inegável, desde que o mundo é mundo: nós adoramos a vida alheia. Nos alimentamos dela. E queremos que alguém adore a nossa - ou melhor, o que queremos divulgar da nossa - também.
Não importa o quão anunciado como obra de ficção é o livro ou o filme. Queremos saber o que há ali de autoreferente, de autobiográfico. Perseguimos entrevistas com os envolvidos, queremos saber de onde veio aquilo tudo, queremos que a combinação mágica de palavras "baseado em fatos reais", legitime a obra, nossos sentimentos, nossas vidas. Claro. Se existir qualquer nesga de realidade, de biográfico, de "aconteceu comigo" (adoramos historinhas em primeira pessoa) no que lemos ou assistimos, pode acontecer conosco. Se alguém de carne e osso faz e sente aquilo, eu posso também.
O blog satisfaz essa nossa necessidade, mas pede que satisfaçamos a dos outros. E então, você se dará conta da vaidade, do encantamento de perceber que sua vida interessa ao outro. E do assombro de perceber-se enredado e realmente interessado pela a vida desse outro.

Amou daquela vez
Devagar, você entende que, ao transferir o diário íntimo para a internet, ele se torna de todos. Você quer ser lido, você teme ser lido. Blogs são donos de um exibicionismo tímido e, até certo ponto, controlado pelo autor. Mas não totalmente. O blog nos dá a dimensão do íntimo que se esconde e se exibe.
O autor do blog irá se construir diaria e lentamente perante seus leitores. Ele vai se revelando, uma anágua aparece aqui, um lenço cai ali. Um gosto, um medo, uma alegria, um sonho lançados em forma de post - o blogueiro fará pequenos comentários reveladores ao longo do processo, deixando que seus leitores percebam, não uma pessoa pronta, uma obra acabada, mas um narrador que está sempre em construção. E mesmo esse caleidoscópio, essa imagem difusa que formamos dos nossos blogueiros favoritos, tem que ser construída, ela vai se formando aos pedacinhos, é necessária a visitação freqüente a um blog, para que o seu autor se revele, ou pareça se revelar, para nós. Um diário, qualquer diário, virtual ou não, nunca é um relatório fiel e exato da vida de seu autor. Você não tem paciência ou tempo de contar tudo que vive. Nem tudo você quer manter como lembrança gravada. Você não se orgulha de todos os seus atos e pensamentos, não assume ou controla todas as suas paixões. Mesmo num diário de papel, o autor pode editar o que não deseja registrado. Num blog essa edição se amplia, porque você também quer proteger partes da sua realidade, de seus pensamentos e ações dos olhos alheios. Você quer ser lido sim, e amado, e admirado, mas pelo que filtra e permite que seja lido – você não quer dar munição para ninguém. Você quer, enfim, que seus leitores adorem o cara que está ali na tela. Quão parecido com você é com esse cara, depende de você mesmo. E do olhar de quem lê.

Extra Muros
A literatura começa quando alguém se propõe a falar de si mesmo e sobre o mundo por meio das palavras.
Literatura é, também, recriação da realidade.
Para Sartre, escrever era desnudar-se, era revelar o mundo e, em especial, o homem. Ele disse que cabia ao escritor propor ao leitor um pacto, para que juntos eles transformassem o que os cercava. Uia, o velho e bom Sartre ficaria feliz em saber que, em muitos blogs, isso acontece rotineiramente. Autores se desnudando e propondo pactos aos seus leitores é o pão com manteiga de um bom blog.
Não, não, nem todo blog faz literatura. E nem todos os que a fazem, fazem sempre. E a que é feita, nem sempre é de qualidade. Exatamente como em qualquer outro lugar.
É possível fazer literatura em blogs, sim, como não? E é possível não fazer.
Há que se entender que os blogs são mais um veículo para a palavra. Como os jornais. Como os livros. E, assim como em outros veículos, os blogs têm lá seus macetes. Há uma certa preferência, por exemplo, pelo textos curtos, de poucas linhas, recurso dominado com maestria por blogueiros como as meninas do Bloggete, a Maloca, e a Cé. Mas mesmo isso está mudando, blogueiros como a Esther – que também publica entrevistas com blogueiros - e a Marcinha costumam produzir textos grandes para os padrões blogueiros, sem perder o interesse da audiência.
Além disso, a possibilidade de publicação imediata do que foi produzido pode, muitas vezes, levar à superficialidades (e, hohohoho, no meu caso, a erros ortográficos abissais). Mas, que diabos, eu tenho uma boa quantidade de livros mal escritos e mal revisados nas minhas estantes, você não? Tem muita coisa boa e muita coisa ruim em blog. Como em toda a internet. Como na vida, aliás.
Se literatura é um trabalho de elaboração, de suor, de planejamento, ela é possível e realizada em diversos blogs pela rede.
É muito cedo para alguém afirmar o que vai ou não vai ficar do nosso tempo, e eu não falo só de blogs, mas de música, de tecnologia, de tudo. O que será visível daqui a 100 anos? Quem ficará? Em 400 anos, o que, do que fazemos hoje, terá relevância?
Então, do que eu sei, do que vivo, blog é algo novo, uma experiência pela qual estamos passando todos juntos e, juntos, aprendemos a conhecer esse meio de comunicação, subjetivo, inegavelmente... mas criador.
Os leitores do meu blog são personagens da minha história cotidiana. Minha audiência é, sem dúvida alguma, parte da minha narrativa. Da minha experiência com o Drops da Fal, vou tecendo meus livros. É fantástico para um escritor saber onde, em que ponto, tocar o leitor. No blog, aprendo quando e como agradar, tocar, emocionar, sacudir ou irritar meu público, porque a cada passo, obtenho respostas quase imediatas. Eu escrevo em interação direta com o leitor, para o bem e para o mal.
Blogs podem, ou não, ser efêmeros, exatamente como qualquer livro publicado aqui ou ali. É cedo demais para que se saiba o que ficará dos blogs. Ou de nós mesmos. Mas não é cedo para que se reconheça a literatura que alguns produzem.
Afinal, se não for literatura o que fazem, por exemplo, Ticcia e Ane, como meu chapéu.

Le journal
Diferente dos diários que são guardados na gaveta, os blogs têm público. Gente adorando o que você diz. Gente detestando o que você diz. Gente que manda e-mails fofos, presentes de aniversário, que estimula você, que torce por você, se lembra de suas palavras muito tempo depois. Gente que vai medir você, julgar você, achar que você é sensacional, achar que você é patético, se convidar para ir à sua casa no próximo final de semana, tentar salvar sua alma para Jesus, procurar para você num sebo secreto aquele livro que você não acha. Gente que vai consolar você e brigar com você, gente que vai dar mostras de amizade e de mesquinharia e de generosidade e de safadeza nunca dantes navegadas. É um mundo novo. É um mundo delicioso. É um mundo assustador. Porque, nunca se esqueça, trata-se sempre de gente. Pessoas reais. Não tem nenhum robô comentando no seu blog, todo mundo ali tem CEP. Aquelas luzes que piscam, aqueles nomes na sua tela? São pessoas. Com tudo que isso acarreta. O blogueiro, necessariamente, terá que lidar com cada uma delas. Você faz amigos ali, gente com quem se pode sair pra tomar sorvete. E você também (hahaha, minha especialidade), angaria antipatias. E é maravilhoso e novo e esquisito e excitante descobrir que uma máquina nada mais faz do que levar você a ter contato com... mais e mais pessoas. Jamais sonhei ser tão lida, conhecer tanta gente nova, ler tanto.
Leio muito mais hoje do que há três anos, porque hoje, além dos amados livros, leio blogs. O blog me permitiu ver o mundo de forma diferente a cada post, a cada link, a cada dia. É uma aventura, é um aprendizado e se manter um blog me mostra o outro, claro, também me ensina sobre mim, na mesma medida.
Das pessoas que se aproximam de mim via blog, e das quais eu me aproximo, algumas ficam, algumas não, como permanecem ou não, as pessoas que conheço sem ser via internet. Na minha experiência, os leitores se renovam, a cada poucos meses recebo uma nova leva de comentaristas, que se mesclam aos leitores mais antigos que permaneceram.

No seu “Por Que Ler Os Clássicos”, Ítalo Calvino nos diz que devemos ler os clássicos, enfim, porque é melhor ler clássicos do que não ler.
Aqui falamos da mesma coisa. Faça um blog. É melhor que não fazer.

Fal Azevedo
www.dropsdafal.blogbrasil.com

14.4.06

Priscila Andrade no Tá Boa Santa - III Semana Cultural em Santa Teresa

Tá Boa Santa? No Baixo Santa do Alto Glória, à partir das 22hs, com música para dançar, sem hora pra acabar...

A entrada é franca e vc só paga o que consumir, com direito a intervenção poética de JoÃO BRanDãO, PrISCIla AnDrADe, AnTonIo BiZeRRa, MArCiA LOMardO, ALDo MeDeIroS e ANDRea PaOla, nas carrapetas poéticas !!! E mais todos os poetas presentes !!!!!

De quebra a carnavalesca LiliAn RABelLo cria o clima... com algumas pinceladas cenográficas, a fim de que a fantasia e o encanto tomem conta da casa !!!!

No Sábado de Aleluia, venha desvirtuar o usual com a gente, malhar os Judas que rolam por aí e soltar a poesia!

III Semana Cultural em Santa.
Palavra de Honra e Tá boa Santa.
Baixo Santa do Alto Glória -
Rua Hermenegildo de Barros,73 - Santa Teresa / Gloria

6.4.06

Fênix

Observo a poeira em suspensão
No feixe de luz que atravessa o quarto.
Assim como eu,
Mormaço.

Suor escorrendo: tátil
Feixe de luz: intangível

Observo a poeira em suspensão
No feixe de luz que atravessa o quarto.
Assumo-o, tomo as rédeas de mim
E me encaro.
Escancaro a janela:
Luzes solares de março.

O cheiro de Dama da Noite invade o quarto
De Tangerina, as mãos
Dos seus cabelos, as narinas.

E a vida recomeça.

30.3.06

Meus homens

Ele me ninava, fazia desenhos em sua mão e acendia Maria Preta atrás de Maria Preta na porta de casa, no início da noite. Só para mim. Me ensinou a desenhar, desdenhar e infernizar. Ensinou também que homem chora. Ouvia com paciência minhas descobertas, ria dos meus ataques de fúria e de minha guerra diária com o pijama. Eu desenhava um emaranhado de flores e heras que começavam sempre em meu tornozelo e subiam por minhas pernas – e ele dizia que era lindo. E eu confiava cegamente. Hoje manda e-mails desconexos, só fala na primeira pessoa e não sabe quem sou eu. Ele me botava para dormir, hoje é um estranho com quem esbarro pela rua.

Ele era o meu bebê, que nunca foi meu. Dormia atracado com meus cabelos, para ter certeza de que a noite não me tragaria. Me olhava com seus enormes olhos azuis tristes e sorria com aquela boquinha pequena que me tirava o ar. Contava a todos que quando crescesse seria meu namorado. Me beijava sempre, o tempo inteiro, pequenos selinhos sabor chocolate, calabresa, tuti-frutti. Ficava encardido. Nunca cheirava mal. Ainda cheirava como bebê. O meu bebê, que nunca foi meu. Dez anos depois o vejo do ônibus, andando na rua, quase tão grande quanto seu pai. Seus enormes olhos já não são azuis mas continuam tristes. Uma tristeza serena que se esvai com seu sorriso que ainda me tira o ar. Olho pai e filho andando com o mesmo passo, os mesmos trejeitos. Olho o meu bebê. Grande, bonito, distante. Ele não me vê.

Ele invade minha casa, tira sua roupa, toma sua cerveja e me põe nua em seu colo. Não, ele não me come. Me bebe e devora como que em busca de sua "energia vital". Da certeza de estar vivo. Depois, me dilacera falando atrocidades enquanto me acarinha. Quando se cansa da brincadeira veste-se, abandona a lata de cerveja e vai embora. Eu tenho que beijá-lo. Ele consente sem paciência. Quando vai embora, com seus passos firmes e hoje secos, afasta-se com a segurança de quem sabe que não deixa para trás apenas camisinhas usadas, embalagens de Engov e meia lata de cerveja. Sabe que deixa para trás também, junto com esse pequeno amontoado de lixo, um coração acelerado, uma cabeça inflamada e olhos que teimam em se manter secos. Nunca olha para trás.



VIDA SEVERA
"Fauno", em resposta a Meus Homens (está aí, entre os 32 comentários)

Quando arreganhei teu ventre como uma anaconda indolente
Atravessei o umbral do narcisismo e deparei-me com a tua mãe
Estava acocorada no salão uterino, lambendo o teu endométrio
Dos dois lados haviam espelhos austríacos de festa setecentista
De modo que os convivas multiplicavam-se à exaustão, bailando
Despercebi-me dos pares triviais, dos parentescos e dos noivos
Localizei tua mãe chorando com a boca no saco da fecundidade
Desposei a jovem senhora que te deu à luz e fiz amor com ela
Na hora em que o seu rapto ia rasgando os rastos alumbrei-me
Tua mãe vomitava restos de ti, filha, empapando couros e pelos
Seria preferível nada fazer ali do que fazer as coisas pela metade
Enterrar o rosto nos escombros para que fantasmas viessem cavar
Há em nossas almas certos recantos tão profundos que só o amor...
Que só o amor ousa penetrar e de lá trazer as jóias inimaginadas De que serve a um homem afligir-se por causa de seus erros e perdas?
Há em nossas almas furnas para o canto às mulheres sovadas
Hino que exorta os sucos das vísceras que fazem a dor se consumar

Beijei tua mãe, sim, degluti suas peçonhas encravadas
e seus tumores
Tive varados o esôfago, o estômago e o peritônio, ávidos por purulência
E encerrei as minhas ambições nos espaços gastos
da vida material
Da vida severa piorada pelos prognósticos da dupla
predestinação
Não é fácil privar duma satisfação o homem de grandes sentimentos
Que aprendeu a transformar todas as coisas em motivo de espanto
Mas que belo destino esse que num átimo dissolve-se
na sebe turva?
Quando partia furando os blocos da máquina de desejos ferventes
Ele sabia, sim, que poderia nunca mais voltar em pessoa
- o espírito nem partia
Mas quem entende a ambigüidade humana senão aquele que se mói?
Não querendo colecionar suas nesgas, ensoberbecido
na visão do moinho...
Mesmo supondo que tudo permaneça na sombra terá
falhado a mulher?

Por que nenhum raio transpôs a soleira de sua morada
tão exígua e morna
Como um útero de serviço por onde entram os lúmpens
da vassalagem?
Lembra uma menina correndo ao lado de sua mãe, puxando a chita
E pedindo para ser carregada no colo, e recebendo zanga de resposta?
Vá, Pátroclo, e afaste o incêndio dos navios e pare de combater em vão
A vida é uma guerra de tróia que não acaba e a mulher é como Aquiles
Quando pega a taça que sua mãe lhe dera e só ele poderia nela beber
As naus entram no mar em chamas e de uma nuvem as lanças chovem
Enquanto isso, há mil desejos despejados em urnas rachadas e vazias
E o caldo quente vazando para os esgotos gelados da indiferença

Sumi nas minhas trevas, sim, afastando-me das carnes se derretendo imoladas
E não olhei pra trás, sim, ocupado com as pontas metálicas que zuniam
Em meio ao alvoroço da encenação de uma enseada ensangüentada
Tropecei na mãe que arranquei com os dentes da gruta da infanta
E não a podendo levar pisei em seus dedo
E não a podendo levar pisei em seus dedos abertos soltando remorsos
E que agora seguram um dos meus sapatos de ouro sujos de bosta.

22.3.06

Da Lua

Me agarro a causas perdidas
Me entrego a amores impossíveis
Busco a bala perdida
Quando só quero vida.

Confusão suicida
Conclusões espermicidas
Relações parricidas
Amizades Fratricidas

E cada passo leva ao abismo
distante com cheiro de absinto
E eu, que nem gosto de absinto?

Sinto muito por toda essa confusão mental
Essa incapacidade de avaliação
Essa leitura equivocada de tudo e de todos.

Meu código de barras se apagou.
Nele não estava o meu preço
Seria fácil demais
Nele estavam minhas coordenadas.

Hoje, observo os ratos que saem dos bueiros
As baratas que avançam na direção de meus pés quase descalços
Sempre cansados
Desvio do mendigo louco, totalmente roto
E me pergunto, quem é o indigente aqui?

Os livros na estante esfregam na minha cara:
Conhecimento e leitura só trazem sofrimento.
Não leia! Vá à praia, curta as Paineiras, beije na boca
Caia na noite, viva a balada.

Ansiolíticos, hipnóticos, álcool, ervas.
Consuma sua mente.
Torne-se um computador,
Uma Tv
Um rádio: um terminal burro, que apenas defeca informações.
Sem troca, sem interações.

Vamos alimentar os bueiros com ratos e baratas.
Vamos jogar o lixo mal fechado. A indigência precisa comer.
Precisa catar a comida no lixo: é a dignidade que lhe resta.
Caçadores de seus próprios alimentos.

E eu ouço Thelonious. Why Monk?
E eu ouço Tom Waits. Why Waits?
Wait for me, my misery.

Preciso de sapatos novos
Colo, cafuné e uma boa foda.
Preciso de menininhos deslumbrados
Que não perguntem nada.

Apenas me sirvam, me sirvam, me sirvam.
Meus servos
Meus escravos
Com seus cravos, espinhas e ar adolescente.

O voo de Ícaro.
A poeta se esfacelou no asfalto.
O letrista poetizou, sinalizando a opção por virar estrela.
Diz que optando por dançar, viramos constelação.

Constelações são estrelas.
Estrelas são astros que tiveram luz própria
mortos há séculos e séculos atrás.
Luz falsa, ouro de tolo.

E os cavalos passam por cima de nós
A poeira levanta
E saímos ilesos.

Somos ilusões.
Cerveja, cachaça, red label.
Trepada, Ressaca, Luz ofuscante na calçada.

Vamos meu anjo,
Fazer amor até amanhecer.
Vamos meu sacana
Fuder até a noite morrer.
Vamos meu nego
Trepar até adormecer.

O sol não brilha para mim.
O astro rei me diz
E eu já sei
Sou posse da lua.

Por isso ando nua,
Sou carne crua
Apodrecendo ao luar.
Mas sempre sua.

20.3.06

A Amante

Sou Amante da Poesia
Namorada da Palavra
Trepo com as Letras todos os dias

Fonemas me fodem
A Gramática me cavalga
E põe o Poema em pauta

Me domina o Léxico
Me entrego a cada sílaba
Cidadã da ilha de Lesbos

Sou Amante da Palavra
Da Poesia, da Prosa e da Rima.
Trepo com as letras todos os dias.

17.3.06

Acasalamento

Palavras podem ferir como aço
Estiletes de letras
Cortes proferidos por fonemas

Palavra escrita
Palavra no telefonema
Palavra na tela do cinema

Palavra ao pé-do-ouvido
Perigo, perigo, perigo
A palavra escapou!
Fugiu da minha boca
E expôs o pensamento!

Sacramento e sacrilégio:
Saca?
Tudo farinha
Do mesmo saco.

Ou não. Depende.
Vamos trocar,
experimentar novidade:
No lugar de Sacramento
Comunhão.
No lugar de Sacrilégio
Cumplicidade.
Argamassa: União.

Palavras podem acarinhar
toque de letras
perfume de fonemas

Palavra escrita
Palavra no telefonema
Palavra na tela do cinema

Palavra ao pé-do-ouvido
No meio da cama
A palavra escapou!
Fugiu das bocas
Abraçou os corpos e escreveu:
ACASALAMENTO

15.3.06

Casamata

palavraspalavraspalavras compulsivamente palavras. Palavras como tijolo cimento concreto. Palavra-casamata.

Palavras como fonemas, palavras não significante, palavras não significado.
Palavras esconderijo atrás do léxico, da gramática, da língua pelo ritmo. Palavra não significante, palavra não significado.

Ritmo-som-ritmo. Fonética. Palavras compulsivamente palavras, como máscara, como esconderijo, como personagem. Palavra não autor. Palavra pela palavra.
Palavra mentira palavra ilusão palavra desejo palavra defesa.

Palavras palavras palavras compulsivamente palavras.

E o autor, cadê?

12.3.06

A vaca da minha irmã nunca leu meu blog.
Para que minha mãe lesse, tive que obrigar.
Para meu pai Não ler, tenho que rebolar.
Não quero que ele leia, não quero que ele me conheça, que saiba onde estou, o que faço, onde e com quem vou.

Sugiro que se fodam todos.
Sim, não sou convencional. Mas isso não significa que eu não tenha os mesmos desejos e anseios atávicos de toda a humanidade. E isso também não dá o direito à ninguém de me pré-julgar e de fingir que não vê minhas qualidades - sim, eu tenho qualidades e não estou falando das literárias. Tenho mil defeitos, mas sou generosa, leal e defendo com unhas, dentes, palavras e ações os meus amigos e os meus amores. A recíproca não é verdadeira.

Sim, estou mal-humorada, mas com toda razão para isso.

Sim, estou me perguntando se vale à pena.
Por favor, alguém, se for capaz, me prove que vale.
Eu sou o fardo que ninguém quer carregar

3.3.06

Momento Umbigo: Priscila Andrade na visão de Bruno Cattoni

A Doce Visão da Luz do Inferno

Eu vejo uma virgem coberta de feridas
Que aquecem do frio no breu da manhã
E, pelos olhos dos tubarões, sua imagem
De ferro Cru, na tempestade devora e apavora
Não sei se devo prateá-la ou enferrujá-la
Me arvorar a defendê-la dos auto-coices
Ou encher sua vulva de bolas de mármore.

Eu vejo uma sílfide sem meias-medidas
Que imita o abandono cuspindo porra
Vomita pra dentro a palavra dos outros
Regurgita falos batidos no liquidificador
E pisoteia úlceras que extirpa a dentadas
E hasteia bandeiras rubras escrito "Fuja!"
Depois entrega a faca cega que amolou
Para que raspem a crosta funda que ama.

Eu vejo um estacionamento de corações
E um decote retrátil ao comando remoto
Onde estouram cachoeiras de lama podre
Que soterras as rochas de leite vencido
Eu vejo o cabo das catástrofes no coldre
E uma doce matricida abortando o caos
Que brota irrefreável ao mínimo tropeço.

Eu vejo o mesmo fim que nunca se repete
E os princípios coalhados numa cuia velha
Uma órfã sem dedos apoiando um mastro
Estandarte roto e sujo onde não se lê "Paz"
Uma horda de retirantes nus, exoftálmicos,
Que pára frente ao abismo e atira acordeões
Desce para buscá-los e nunca mais retorna.

Eu vejo agora que anoitece reabertas chagas
Ouço cânticos roucos que sangram o sereno
E o colo da sílfide se dobrando sobre o seio
E o peito desarmado sobre o colo das coxas
O gás carbônico fugindo pelos joelhos unidos
E os calcanhares disparando e batendo a terra
Ensebados da placenta ácida dos desumanos.

Que gosto tem a boca sonâmbula pelas escadas?
Escorre da memória entrevada essência de maçã
E quando as faces descoram e os lábios somem,
Um toldo de lona, da lona dos nocautes sem dor,
Avançam como um cúmulo-nimbo gigantesco
Logo acima das pálpebras encouraçadas da bela
E as palavras desembarcam na indolente surdez.

E seus gumes cinzelam num monolito, feito do lixo
Dos lares felizes, um ícone inútil de amor ao ódio
Ao ódio arrependido de quem ficou para trás e só
E, para passar o tempo com o ferro cru da imagem,
Arranca tiras de tecido necrosado e enrola-os bem
Para torná-los cordas que, presas nos pessegueiros,
Vibram melodiosamente enquanto as copas bailam.

Para ler mais Bruno Cattoni, procure um de seus cinco livros em qualquer boa livraria. Especial atenção para Osso (na cabeceira das avalanches) , editora 7 Letras.

22.2.06

O Novo

Sístole, assístole
Tum-tum
Tum-tum
Coraçãotaquicardia

Mas isso,
Isso foi ontem...

Hoje, quando te vê
Ele já nem bate

Apenas um leve pulsar delicado,
Doce, tranqüilo e discreto.
Por outro.

20.2.06

Um dos Desvarios da Patrícia - Patrícia Reis

O homem velho tinha cabelos brancos e desalinhados.
As linhas do rosto também eram desalinhadas, e o olhar,
ah, o olhar era completamente desalinhado.

Andava em linha reta, muito embora cambaleante, muito embora frágil, muito
embora
parecesse que nem andava. Parecia era que o mundo
passava assombrado do seu lado, e contra,
como um vento, ou um inverno.

E seus olhos se dirigiam para o nada, muito embora olhassem para todas as
direções, enquanto
enquanto ele praguejava.

Das beiradas o velho enxergava:
tudo: o meio-fio,
a morte inteira.

Para receber os textos da Patrícia é só escrever pra patrícia@lapisraro.com.br com o subject Quero receber os desvarios.

16.2.06

Paraeles

Paraty, não para mim
Para eles, não para nós

Paraty, com sua poesia construída
Me expulsa
Me agride
Esse lugar não me pertence

Devolvo os desaforos
Deixando em cada pedra
Ou fragmento de terra do centro histórico
Um pouco de mim

Fios de cabelo
Pedaços de unhas ruídas
Cutículas arrancadas a dentadas
Fazendo gotejar o sangue

E o sangue se mistura a terra
Estou vingada
Paraty e eu agora somos uma só

Deixo ali minha marca
Meu DNA
Meu sangue literal

Faço o mesmo na cidade dos locais
Na Paraty de verdade
Que não atrai festivas, jornalistas ou turistas
A Paraty pária, vergonha
Subúrbio abortado do Rio

Mas a cidade entende e entra no jogo
E começa a me devorar

Consome meu sono
Rouba-me o calor do corpo
Devora minhas energias

Deixa apenas
Propositalmente
Uma certa melancolia

Angústia
Tristeza
Apatia
A cidade me expulsa

Guardo de lá apenas
Beijos roubados
Olhares furtados
Batimentos acelerados
E uma certa falta de ar

Pequenas transgressões
Públicas, íntimas e secretas

Apenas nós, transgressores
E a cidade sórdida, cretina
Apenas nós sabemos

Mas a cidade não pode falar

15.2.06

Soneto - José Aloise Bahia

Eu, olho-me no espelho oval da parede,
Procuro detalhes desta minha presença.
Tento achar em minha verdadeira aparência
Ainda atraente, sentir algum contentamento
No limiar da idade estampada no rosto:
Sutilezas, algum sulco ao redor dos olhos,
Que faz o corpo pedir azul kleiniano e branco,
Deixando-me satisfeito, na expectativa, entregue.
Mas não pensem que é uma mudança radical
O que se passa em minha proposta pessoal,
Esta tentativa de ficar mais jovem e refeito,
Bonito pra mim mesmo. Prestem bem atenção:
A razão suficiente da minha imagem refletida
Demonstra o prazer em vestir as cores do céu.

Mais José Aloise Bahia em Cronópios

14.2.06

Em casa

Caos, desequilíbrio, sangue em ebulição:
Estou em casa.

Thanatos

Lânguidamente entrego-me a Eros e Thanatos
Criaturas onipresentes e inevitáveis

O gozo é bom
O gosto é quente
E o tempo se perde

Não quero acordar

O Nu, a Vergonha e a Hipocrisia

Só temos duas coisas que ninguém pode nos roubar, que são unicamente nossas: nosso corpo e nossos pensamentos. E o corpo é a nossa parte tangente nessa engrenagem que é a natureza. É funcional e é estético.Fala sobre quem somos, fala o que estamos sentindo. Se expressa.

Portanto, não há nada de ridículo na sua exposição se ela não é gratuita, se existe um objetivo que não alimentar o próprio ego. Aliás, acho que não há nada de ridículo em sua exposição nunca.

E ainda tem o grande barato de ser um instrumento de mistério, de sedução... E o instrumento de perpetuação do homem como espécie e como filosofia.

Ou seja, o corpo, é vida.

12.2.06

Momento Mulherzinha no Domingo


Porque às vezes, só subindo no salto alto.

Anunciação - Alceu Valença

Na bruma leve das paixões que vem de dentro
Tu vens chegando pra brincar no meu quintal
no teu cavalo peito nu cabelo ao vento
E o sol quarando nossas roupas no varal
tu vens
tu vens
eu já escuto os teus sinais
A voz do anjo sussurou no meu ouvido
e eu não duvido já escuto os teus sinas
que tuvirias numa manhã de doming
Eu te anuncio nos sinos das catedrais
Tu vens
tu vens
Eu já escuto os teus sinais

Domingo no Parque - Gilberto Gil

O rei da brincadeira - ê, José
O rei da confusão - ê, João
Um trabalhava na feira - ê, José
Outro na construção - ê, João
A semana passada, no fim da semana João resolveu não brigar
No domingo de tarde saiu apressado
E não foi pra Ribeira jogar
Capoeira
Não foi pra lá pra Ribeira
Foi namorar

O José como sempre no fim da semana
Guardou a barraca e sumiu
Foi fazer no domingo um passeio no parque
Lá perto da Boca do Rio
Foi no parque que ele avistou
Juliana
Foi que ele viu
Juliana na roda com João
Uma rosa e um sorvete na mão
Juliana, seu sonho, uma ilusão
Juliana e o amigo João

O espinho da rosa feriu Zé
E o sorvete gelou seu coração
O sorvete e a rosa - ô, José
A rosa e o sorvete - ô, José
Oi, dançando no peito - ô, José
Do José brincalhão - ô, José
O sorvete e a rosa - ô, José
A rosa e o sorvete - ô, José
Oi, girando na mente - ô, José
Do José brincalhão - ô, José

Juliana girando - oi, girando
Oi, na roda gigante - oi, girando
Oi, na roda gigante - oi, girando
O amigo João - João

O sorvete é morango - é vermelho
Oi, girando, e a rosa - é vermelha
Oi, girando, girando - é vermelha
Oi, girando, girando - olha a faca!
Olha o sangue na mão - ê, José
Juliana no chão - ê, José
Outro corpo caído - ê, José
Seu amigo, João - ê, José

Amanhã não tem feira - ê, José
Não tem mais construção - ê, João
Não tem mais brincadeira - ê, José
Não tem mais confusão - ê, João