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07.2003 08.2003 09.2003 12.2003 01.2004 06.2004 10.2004 02.2005 03.2005 04.2005 05.2005 06.2005 07.2005 08.2005 09.2005 10.2005 11.2005 12.2005 01.2006 02.2006 03.2006 04.2006 05.2006 06.2006 07.2006 08.2006 09.2006 10.2006 11.2006 12.2006 01.2007 02.2007 03.2007 04.2007 05.2007 06.2007 07.2007 08.2007 09.2007 10.2007 11.2007 12.2007 01.2008 02.2008 03.2008 04.2008 05.2008 06.2008 07.2008 08.2008 09.2008 10.2008 11.2008 12.2008 01.2009 02.2009 03.2009 04.2009 05.2009 06.2009 07.2009 09.2009 10.2009 11.2009 cAtaRro vE®De Copy & Paste Couro de Jacaré Cria Minha Dollyman on Multiply Drops da Fal Pastelzinho Peixe de Aquário Sorriso do Gato de Alice telescOpica 2.5 Uh, baby!!! Desespero Mal Comportado Calendas Infinito's Quintanares
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5.11.09Luiz Fernando Prôa - Chega de Hipocrisia!
Chega de Hipocrisia!
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Domingo, 08 de novembro, 14h Concentração: Posto 6 - Copacabana O convite está feito, gostaria muito de ver por lá cidadãos decentes e entidades como o Viva Rio, o grupo Basta, membros do Crack Nem Pensar, Movimento pela Ética na Política, ecologistas e quem mais quiser aderir. Chega de hipocrisia! Precisamos de ação, paz e um pouco de HUMANIDADE! Obrigado! Luiz Fernando Prôa Carta na integra: Caros amigos, os antigos e os que chegaram agora, Gostaria de agradecer o apoio de todos numa hora tão difícil como esta. Precisou acontecer um fato chocante, um abalo que não atingiu apenas as famílias envolvidas, para que a sociedade se mostrasse perplexa e comovida perante a tragédia diária que vivemos em todos os cantos do país. Não tive tempo para acompanhar nada do que saiu nos noticiários, mas, segundo ouço falar, há um clima de indignação generalizado. O acontecimento lamentável do sábado, dia 24 de outubro (quando meu filho viciado em crack matou a amiga que tentava ajudá-lo a largar as drogas), fez emergir questões difíceis do dia-a-dia, que todos nós enfrentamos e já não aguentamos. Vocês não me verão mais lamentando os eventos que passaram, isso agora fica na minha esfera pessoal. Só me interessa olhar para frente e fazer alguma coisa. Dentro dessas questões, o crack é um deles. De uma cracolândia em São Paulo se multiplicaram centenas pelo país. Daqui a um ano serão milhares! A cola de sapateiro foi substituída pela pedra maldita, o consumo disseminado entre todas as classes e o combate intensificado contra o crime organizado transformou o Rio de Janeiro num teatro de guerra, perdida, e que será maquiado para as Olimpíadas de 2016. Mas essa guerra não é só aqui, está espalhada e em expansão por todas as capitais, periferias e áreas pobres principalmente, no interior e nas cidades de fronteira. O poder público, apesar da boa vontade de alguns setores, se mostra incapaz de deter a marcha vertiginosa das coisas. Há dinheiro para o FMI, para submarino nuclear, para aviões militares sofisticados, para Angra 3 e até para o Haiti, mas o que vemos aqui é a estrutura complemente falida, seja na área da saúde, da segurança pública, na defesa do meio ambiente, apesar dos esforços valorosos do ministro Carlos Minc, e em outras áreas. Não podemos continuar a ser esmagados e acuados pela falta de recursos, pelo poderio de grandes grupos econômicos, como o setor privado de saúde e a poderosa indústria da bebida, que sabemos ser uma droga pesada, apesar de lícita. Dois exemplos são emblemáticos. O primeiro é a aliciação através da propaganda de cervejas e similares sem nenhum controle, em nome da democracia – a deles, é claro – e do direito de informação. Chega a me doer ver atletas se prestando a isso, por dinheiro. A segunda é pessoal. Passando mal na sexta, final da tarde, fui até uma clínica em Laranjeiras, a mesma em que morreu a Cássia Eller, e que agora mudou de nome. Com a emergência aparentemente vazia, duas pessoas apenas na minha frente, esperei no mínimo uma hora e quarenta para ser atendido, ainda tendo que aturar a cara de nojo que a médica plantonista me lançou, quando com educação reclamei com a enfermeira sobre a demora. Mas meu caso não era de emergência, apenas uma dor profunda no coração, um possível enfartezinho qualquer. Saí de lá indignado e me dirigi a outra clínica, com um pique de pressão que poderia ter consequências graves. Por sorte fui atendido prontamente por lá. Isso em plena zona sul do Rio e com um cidadão comum que, naquela semana, havia se tornado assunto corriqueiro até no exterior. Esta semana foi a pior que já tive na vida! Contudo, houve fatos positivos e que me surpreenderam. A imprensa, muitas vezes criticada, teve um papel importantíssimo neste debate que se desenrolou, cobrando das autoridades ação. A população a “cada esquina” debateu entre si a sua indignação. Os que têm alguma voz na mídia se pronunciaram. E até um pai ousou falar em humanidade. Por isso me dirijo aos amigos e aos inconformados com este estado de coisas, para agradecer e alertar. A imprensa e as pessoas comuns seguraram em minhas mãos nestes dias, mas nenhuma autoridade se dirigiu a mim nem me ofereceu qualquer apoio, não sei se por falta de jeito ou com o intuito de não querer ouvir alguém que grita em seu ouvido. Não posso gritar sozinho. É muito fácil tirar de cena quem aponta o dedo para setores tão poderosos. Mas se formos milhões a gritar, a apontar o dedo, a coisa fica bem diferente. Alguns gestos que tenho recebido – centenas de e-mails, scraps e depoimentos pelo orkut – têm me comovido: relatos de famílias desesperadas e até uma comunidade no referido orkut chamada Poemas à Flor da Pele, que criou um movimento em apoio a meu grito. No domingo que vem, dia 8 de novembro, às 14 horas, mesmo que não apareça ninguém, irei caminhar na praia de Copacabana dizendo não à hipocrisia, à falta de ética, ao descaso e à propaganda de bebidas na tevê. O convite está feito, gostaria muito de ver por lá cidadãos decentes e entidades como o Viva Rio, o grupo Basta, membros do Crack Nem Pensar, Movimento pela Ética na Política, ecologistas e quem mais quiser aderir. Não pretendo me promover nem me candidatar a nada. Estou muito feliz sendo escritor e promotor de cultura na Internet. Tenho certeza de que ninguém gostaria de estar na minha pele neste momento. Mas não vou me omitir. Saí do armário e espero que outros façam o mesmo. Chega de hipocrisia! Precisamos de ação, paz e um pouco de HUMANIDADE! Obrigado! Luiz Fernando Prôa Peço que divulguem em suas listas este grito! E quem quiser promova manifestações deste tipo em sua cidade! Marcadores: crack, Luiz Fernando Prôa, passeata, vida que segue Luiz Fernando Prôa
Não há o que dizer, nem para o Prôa, nem para a família e amigos de Bárbara, então segue a carta:
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"Meu filho começou na droga pelo álcool, no colégio, esta droga LEGAL com que a propaganda bombardeia nossas crianças e jovens todo dia, escancaradamente, e que produz milhares de mortes no trânsito, destrói lares, pessoas do bem e é, como se sabe, a primeira droga que os jovens experimentam. A maioria segue pela vida em maior ou menor grau se drogando com ela, o álcool, outros acabam provando das ilegais, sendo que uns fogem delas, outros se viciam numa espiral crescente e veloz. Em geral, passam pela maconha, vão na boca adquiri-la, e os comerciantes, felizes, lhes oferecem um variado cardápio, self-service: cocaína, crack, haxixe, êxtase, ácido... Sei que há seis anos perdi meu filho para o crack, mas apesar das sequelas e problemas, ele nunca deixou de ser carinhoso e educado com todos, o que lhe granjeou um número sempre crescente de amigos. Ele passou por várias internações - tinha, desde pequeno, outros problemas mentais que se exacerbaram com as drogas. Sempre que saia das internações ficava bem. Até encontrar os amigos, tomar umas cervejas e ai a coisa saía novamente de controle. Nestes tempos o vício, apesar de grave, ainda não tinha produzidos todos seus efeitos devastadores. Mas, com o tempo e a reincidência, o crack foi o devastando. Nos últimos tempos, dizia-se derrotado para o vício, vivia muito deprimido e voltara a frequentar o NA, Narcóticos Anônimos. Tentei de tudo para convencê-lo a se internar, mas vai pedir para um pinguço largar sua garrafa. É inútil. Ele foi cada vez mais descendo a ladeira. De mãos atadas, fiquei esperando pelo pior ou por um milagre, já que segundo os "especialistas", que ditam as políticas públicas para o tratamento de drogas, o drogado tem de se internar por vontade própria. A reportagem que o Brasil assistiu esta semana, da mãe que construiu uma cela em casa, para tentar salvar o filho viciado em crack, é bem representativa de como as famílias vítimas deste flagelo estão abandonadas pelo Estado, e se virando à própria sorte. É bem possível que ela seja punida por isso. Na mesma reportagem, uma psicóloga inteligente afirmava que o viciado em crack tem de vir voluntariamente para tratamento. Este é o método correto, segundo a maioria dos que estão à frente das políticas para esta área. Será que essa profissional é incapaz de entender o estrago que o crack/cocaína ocasiona nas mentes de seus dependentes? Será que ela é capaz de perceber o flagelo que o comportamento desses doentes causam sobre as famílias? Um drogado, ou adicto, que já perdeu o senso de realidade e o controle sobre sua fissura, torna-se um perigo para a sociedade, infernizando a família, partindo para roubos, prostituição e até assassinatos, por surto ou por droga. Esperar que uma pessoa com a mente destruída por droga pesada vá com seus próprios pés para uma clínica é mera ingenuidade destes profissionais. O Estado tem de intervir nesta questão para preservar as famílias e os inocentes. A internação compulsória para desintoxicação e reabilitação destes doentes, que já perderam todo o limite, é uma necessidade premente. Ou será que todas as famílias que vivem esse problema terão de construir jaulas em casa? Se meu filho fosse filhinho de papai, como falaram, eu já teria pago uma ou mais internações. Mas infelizmente o papai aqui não tem grana para isso, assim como a maioria das famílias vítimas deste, que insisto em reafirmar, flagelo. Hoje vi uma pessoa boa se transformar num assassino, assim como aquele pai de família correto, que um dia bebe umas redondas, dirige, atropela e mata seis num ponto de ônibus. As drogas, ilegais ou não, estão aí nas ruas fazendo suas vítimas diárias, transformando pessoas comuns em monstros e o Estado não pode ficar fingindo que não vê. Dizem que vão gastar 100 milhões para equipar a polícia, mas e as vítimas diretas das drogas como ficam? E os jovens humildes atraídos pelos criminosos para seu exército? E os policiais mortos em combate nesta via indireta da guerra do tráfico? Está na hora de acabar a hipocrisia! Meu filho destruiu duas famílias, a da jovem e a dele, além de a si próprio. Queria sair do vício, mas não conseguia. Eu queria interná-lo à força e não via meios. Uma jovem, a quem ele amava, queria ajudá-lo e de anjo da guarda virou vítima. Ele irá pagar pelo que fez, será feita justiça, isso não há dúvida. O arrependimento já o assola, desde que acordou do surto do crack deu-se conta do mal que sua loucura havia lhe levado a praticar. Ele me ligou, esperou a chegada da polícia e se entregou, não fugindo do flagrante. Não passarei a mão na cabeça dele, mas não o abandonarei. Ele cumprirá sua pena de acordo com a lei, dentro da especificidade de sua condição. Infelizmente, só consegui interná-lo pela via torta da loucura, quando já não havia mais nada a fazer, num surto fatal. Este é um caso de saúde pública que virou caso de polícia. Que a família da Bárbara possa um dia perdoar nossa família por este ato imperdoável. Chorei por meu filho 6 anos atrás. Hoje minhas lágrimas vão para esta menina, que tentou por amor e amizade salvar uma alma, sem saber que lutava contra um exército que lucra com a proibição (que não minimiza o problema, pelo contrário, exacerba), por um bando de tecnocratas e suas teorias irreais, e para um Estado que, neste assunto, se mostra incompetente." Luiz Fernando Prôa, o pai Marcadores: crack, Luiz Fernando Prôa, saúde pública, vida que segue 18.10.09ConvicçãoEu acho que eu tenho certeza. Vinis Mofados, de Ramon Mello
O quê: Lançamento do livro Vinis Mofados, de Ramon Mello
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Onde: No Brecho de Salto Alto. Rua Siqueira Campos, 143, sl. 44/2º andar Copacabana, Rio de Janeiro, RJ Quando: Dia 20 de outubro de 2009, terça-feira às 19h30 Como: Com a playlist de João Paulo Cuenca VINIS MOFADOS resolvi organizar a bagunça na estante: palavras empoeiradas fotografias letras de música vinis mofados e uma coleção de romances fracassados Nesta terça-feira Ramon Mello, meu parceiro de FL@P! e coletivo|RIOSEMDISCURSO, lança seu Vinis Mofados em Copa. Programação obrigatória: vá! Te espero lá. Marcadores: coletivo | RIOSEMDISCURSO, FLAP, lançamento, literatura, Poesia, Ramon Mello, Rio de Janeiro, Rios sem Discurso, Vinis Mofados 14.9.09Sopa de Letrinhas|4.9.099.9.9. RJ. JB
Quarta que vem, dia 09, participo do Sarau Inaugural da Oficina de Poesia. A organização e apresentação é da Christiana Nóvoa.
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Conheci Christiana em 2005 ou 2006 e convidei para o evento de Andrea Paola, na Semana Cultural de Santa, em Santa Teresa. Gosto de sua poesia, suave e relevante. No Sarau do dia 09 terei as excelentes companhias de Cabelo, Dado Amaral, Juca Filho, Justo Dávila, Paula Cajaty. Bom lembrar do Boato. O Sarau é de graça e o microfone é aberto. Veja o convite aqui. Sarau Inaugural da Oficina de Poesia Organização de apresentação de Christiana Nóvoa Dia: 09 de setembro de 2009 Hora: 21h Lugar: espaço-café Lunático. Rua Visconde de Carandaí, nº 6 - Jardim Botânico (primeira à esquerda na Lopes Quintas) ENTRADA FRANCA Marcadores: Boato, Christiana Nóvoa, Dado Amaral, Evento, Juca Filho, Justo D'Ávila, Oficina de Poesia, Paula Cajaty, Prisicila Andrade, Sarau 30.7.09Tenho um enterro hoje, soube a pouco. Meu tio-avô. Fiquei me lembrando do enterro do meu avô, irmão dele, 21 anos atrás. O mesmo céu cinza, a mesma chuvinha fina e chata. Marcadores: vida que segue 18.7.09
Parto do porto (in)seguro
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parto o porto que construo para quê porto se o que vale é que sempre parto? 9.7.09trecho
A gata olhava Maria. Maria nada dizia. O silêncio era tudo que se precisava saber. Qualquer algo mais era excesso. Desnecessário.
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Maria olhava a gata. Olhar vago como seu pensamento, que apenas extensão da imobilidade de seus braços, mãos, pernas. Silêncio de água parada. O sofá comportava Maria e a gata. Imóveis. O silêncio, movimento sem eco, era pleno. A sala era plena. Lá fora a rua com motores e buzinas e passantes tagarelas: tolo algo mais. 8.7.09só perguntando...
Burra - falou para si mesma.
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É para concordar? perguntou a amiga. 27.6.09Mau, muito mau
Nunca fui fã de Michael Jackson, não foi meu ídolo. Mas impossível não ficar no mínimo num clima de "putz...".
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E vai além da questão de ter talento ou não, de ser bizarro ou não, comedor de criancinhas ou não. A questão é mais pessoal. Quem da minha idade não dançou MJ nas festas? Não achou Thriller com Vincent Price o máximo? Não pulou na bista com o gritinho de Beat It? É aquele 'putz' de pedacinho da história da gente indo embora. Tá, tô piegas. Mas pra compensar, ele tá afiadíssimo: Peter Pan é o Caralho! Meu Nome é Charlie's Angel Mau, muito mau... Adoro! Marcadores: Michael Jackson 25.6.09Por quê?Por que diabos toda vez que alguém lê um texto que gosta passa pra todo mundo por e-mail atribuindo a autoria ao pobre do Arnaldo Jabor? Marcadores: autoria, ignorantes, Jabor, spam 17.6.09Memória olfativa
Quando passa alguém na rua e aquele cheiro põe aquela pessoa na sua frente. Aquela nada desconhecida. Aquela com quem você dormia, com quem ainda sonha às vezes.
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O cheiro da fruta, impregnado nas suas mãos, te levando pra tão longe, tão longe mas com sons tão claros. E aí você lembra das texturas. E do gosto. Gosto de ontem, gosto de outro. Gostar dessa lembrança momento presente. Ninguém passa impune por esse lugar que foi ontem. 13.6.09Simonal e o Caramelo
Ando sensível demais. Então vou ao cinema. Mas é necessário cuidado extremo com o cinema quando se está à flor da pele. Esclarecimento feito, em frente.
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Fui ver o filme do Simonal na terça. Amei. E fiquei devastada. Hoje, dando uma geral no Blowg acabei fazendo um comentário sobre o filme. Me atormentou tanto que, mesmo querendo, resolvi não escrever sobre, vou só reproduzir o que comentei por lá, copy & paste sem pudor: Pois eu resolvi não esperar o DVD. O filme é bem feito, a abertura é linda e no começo tive que me segurar para não cantar e dançar na poltrona. Mas o filme avança e, nessa história, ninguém é bom moço. O Arthur da Távola resume bem o que aconteceu: um linchamento. Só que ele não foi linchado pelo que fez (e se tivesse sido, também não justificaria). Ah, foi feio... Saí do cinema engasgada, com o rosto pegando fogo. Fazia tempo que um filme não me pegava assim. Não tenho vergonha de dizer que me acabei de chorar no banheiro feminino. Mas Claudio Manoel e companhia, na minha humilde e inútil opinião, estão de parabéns. Não tem floreio. O filme é bem feito e não dá refresco pra ninguém - nem pro espectador. Bom, depois do vexame na saída do Simonal, quando me chamaram ontem para ver Três Macacos fiquei receosa. Aceitei, mas no fundo torcendo para os ingressos terem acabado. E tinham! Mas Caramelo ainda tinha disponível. "Mulheres em beirute... será?" Resumindo: o filme é delicado, despretensioso e não fala nada que a gente já não saiba. E não deixa de ser um alívio ver que gente, no final das contas, feitas certas concessões culturais, é tudo igual. Aqui, em Beirute, Madagascar ou Kyoto. E saí do cinema em paz. Marcadores: Caramelo, cinema, Simonal 27.5.09No corredor
Nina respira fundo, se concentra e, olhos fechados, enfia a chave na fechadura. Abre a porta num supetão de taquicardia, numa efusão de congelado-sorriso-social-semi-histérico sem esquecer – isso é por demais importante - , sem esquecer que tem que chegar de uma passada só até a lixeira, imaculada. E... ai, que susto!
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Ele está lá. Descalço, cuecão e sem camisa. Que peitoral, ela pensa. Faço um estrago num desses. Ele ri, meio constrangido, meio jogando charme. Não é amor, é esporte. Não é sexo, é esporte. Ela segura a gata numa mão, três sacolas na outra e o chaveiro no mindinho da mão esquerda. A mão que segura a gata. Só então ele percebe que está só de cueca. Ela de camisolinha. No corredor, na frente da porta do síndico. - Quer uma ajuda? “Quero. Me ajuda a tirar a camisola, depois me ajuda a arrancar a calcinha e aí me ajuda a entender o que é sexo selvagem.” - Não, obrigada. Você é muito gentil. - Tem certeza? Qualquer coisa... estou aqui – insiste ele, em franco discurso direto. Direto para os peitos dela. Ela percebe a cueca. Ele, a camisola. Rápido constrangimento. Mas o difícil mesmo é manter a língua dentro da boca e não propor: - Sua casa, eu preparo o jantar, você abre o vinho. Hoje a gente brinca. Amanhã é outro dia. “Que peitão, que bundão, que tes...” - Olha, na verdade agradeço se você capturar a gata, que fugiu escada acima. Ele captura a gata que fugiu escada acima. Na devolução, olhos nos olhos, qual é o seu nome mesmo? - Pablo, sou argentino. Ninguém é perfeito – e sorri, com aquela boca perfeita. - Então boa noite. - Boa noite, então. Dorme bem com a gatinha. - Dorme bem. Fecham as portas lentamente. Ela mordendo os lábios sem perceber. Ele com a boca aberta, sem reparar. Hoje tem insônia no prédio. 23.5.09Quem leva?
"Dos 50 primeiros finalistas do Prêmio Portugal Telecom de Literatura em Língua Portuguesa anunciados, em cerimônia no Consulado de Portugal no Rio, quase a metade está nas mãos de dois dos maiores grupos editoriais do País, Record (13 autores) e Companhia das Letras (12 autores. É um dado importante, considerando que a edição atual do prêmio teve 100 editoras inscritas, das quais apenas 13 chegaram a essa primeira lista de finalistas, da qual fazem parte premiados escritores como Milton Hatoum, colunista do Estado, o português Gonçalo Tavares, além de representantes da nova geração de autores - Daniel Galera e Carola Saavedra -, e um dos maiores nomes das artes plásticas no Brasil, Nuno Ramos, revelado também como autor em Ó, classificado como livro de contos."
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"Os independentes finalistas são quase todos poetas. É um gênero cada vez menos presente no prêmio." Leia completo aqui, na Verdes Trigos. Também na Verdes Trigos a lista dos 50 primeiros selecionados. Aliás, já leram o Rodrigo de Souza Leão? Muito bom. Marcadores: Companhia das Letras, conto, crônica, literatura, Poesia, Prêmio Portugal Telecom de Literatura em Língua Portuguesa, Record, Rodrigo de Souza Leão, Verdes Trigos E a Adidas?
O que será que tem a dizer a Adidas?
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Desconfio sempre de quem torna pública festa fechada em que se entra com algum nível de "relacionamento" ou "influência". Lembram das boites dos anos 80 e 90 que tinham uma door (o que leva alguém a trabalhar sendo chamado de door?) que decidia quem entrava ou não em função do look e conceitos abstratos afins? Não me soa bem. Mas essa é apenas minha modesta e inútil opinião... Aguardemos o pronunciamento da Adidas. 20.5.09|19.5.09Vesti Azul
"vesti azul
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minha sorte então mudou vesti azul, minha sorte então mudou..." "me apareceu um brotinho lindo que me convenceu, dizendo que eu devia vestir azul, que azul é cor do ceu e seu olhar tbm..." Simonal entoando Nonato Buzar. Não tinha como ser melhor! Marcadores: Nonato Buzar, Simonal, Vesti Azul 12.5.09Desencontro
O reencontro inesperado.
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Os olhares surpresos. Ele ansioso - para que ela se vá. Ela constrangida - por ter acreditado. Meia dúzia de palavras vazias, estéreis; sorrisos polidos; um beijo não se sabe onde. E se despedem. Seria frugal, se não tão indigesto. 9.5.09Hoje, corre que ainda dá tempo!
Hoje, a partir de 19h, no Bar Bukowski (Rua Álvaro Ramos, 270 - Botafogo / RJ), lançamento de pequenasBiografias NÃO-AUTORIZADAS, de Leonardo Marona. Editora 7 Letras. Vai lá.
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Marcadores: Editora 7 Letras, lançamento, Leonardo Marona, pequenasBiografias NÃO-AUTORIZADAS 7.5.09Não é amor. É esporte. 3.5.09
Ele não anda, desfila.
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Passos a meio metro do chão. Flutua. E se crê aristocrático, fleumático um Dândi. Em delírio, um nobre - que mata por meio cobre na verdade, tolo Dom Quixote - só há nobreza em seus gestos nos sonhos que habitam sua oca cabecinha E ele pluma pela rua, leve. paira nas alturas. Decrépito sombra de um passado que não foi, patético. 23.4.09Da qui prá frente...Adotei esse trecho da canção de Roberto e Erasmo como meu lema para 2009. Nem que seja para descobrir que eu preferia como era antes. Inclusive os erros. Estamos em abril e, até agora, tudo certo. Com isso, estou acordando às 6:20 e às 7:00 já estou na academia. Sim, a boêmia de alma agora acorda e malha cedo, muito cedo. Sinceramente? Estou achando esquisitíssimo. As duas da tarde me sinto como se já fosse meia noite e minha cabeça me prega uma peça bizarra: me lembro da aula como se tivesse sido na véspera. Amores. Diferentes também. Ok, não chegam a ser amores. Peguetes. Aha, sim! Agora eu tenho... Peguetes! E tudo quase ao contrário do meu histórico sentimental. São mais novos, não são lá muito afeitos à leitura, veem Big Brother (e não sabem quem foiGeorge Orwell), gostam de raves, etc. E quer saber? Estou adorando. Não quero discutir a gestalt do objeto, não quero ir ao MAM, não quero discussões inteligentes. Aliás, não quero discussões. Ano sabático no que diz respeito a intelectualices (ui! neologismei ou errei mesmo?). Só quero que a criatura seja espontânea, que me faça rir. E que seja potente, claro. Claro também que continuo a mesma, então tem aquele peguete por quem sou quase apaixonada e aquele amor antigo que ainda me balança. Mas estou firme na decisão de experimentar. E experimentar diferente. Trabalho. Bem, aí não dá para escolher muito. Pintou a gente pega. Mas, mesmo com contas para pagar, estou evitando aqueles que cheiram a problema. Aliás, falando em problema e cheiros, estou evitando quem cheira a problema, quem cheira a loucura. Estou fazendo muito faxina. Jogando fora. E não é só lixo não. Lembranças e pessoas também. Parece cruel? Não, não é não... Jogamos fora e somos jogados também. Tem gente que tem que ficar no passado e lembranças que devem sobreviver só na nossa cabeça. Nada de guardar certas cartas, objetos, presentes. Ok, ok, foto pode. Jogar fora às vezes é apenas um ato de libertação. O que na verdade é o que venho fazendo. Venho me libertando e me liberando. Estou me dando alforria. Certas situações não têm solução. Algumas pessoas não mudam. Ou não mudam em certos aspectos que são justamente os que nos incomodam. Todo mundo é assim. Eu inclusive. Outro dia um queridíssimo (que anda sumido, será que me jogou fora?) falou: você nunca mais escreveu um poema. Não, querido, escrevi sim. Só não mostrei para você. E não publiquei no blog. Por quê? Porque estou em momento de maturação. Dos poemas, das escolhas. Porque não basta ser diferente. Tem que ser pra valer. Tudo vai ser diferente Você tem que aprender A ser gente Seu orgulho não vale Nada! Nada!... 15.4.09Lugar de maluco é no hospício
Cuidado, muito cuidado com o louco de pedra, disfarçado de maluco do bem, que se esconde atrás das boas memórias afetivas construídas em amizades de infância, do tempo da escola.
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Esses são os piores. Usando como máscara o afeto das boas lembranças, vão criando redes de intriga de ruborizar de inveja os autores das mais rocambolescas novelas mexicanas e, como se não bastasse, quando menos se espera, mordem sua jugular. Porque vivem da energia vital dos outros. Certas amizades devem mesmo ficar no passado. Uma pena. Uma pena que aquela pessoa não exista mais e tenha se transformado em mais uma criatura desequilibrada que te telefona de tempos em tempos: alguns telefonemas para trocar confidências, como se o último encontro tivesse sido ontem; outros para berrar histericamente e tentar te responsabilizar pelas frustrações e relações fracassadas que carrega. Chato, não é mesmo? Pois então, quando uma dessas pessoas aparecer na sua frente nem pense. Fuja! E para a que invadiu o meu dia hoje, ocupando meu tempo e minha linha telefônica, que fique aqui o registro: não me procure mais, não me telefone, não me mande e-mails ou torpedos. Finja que não me viu se nos encontrarmos na rua. Não me cumprimente. Não sou sua psiquiatra muito menos seu saco de pancadas. E passe bem. 7.4.09
Tomara que chova
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uma chuva bem fininha prá molhar a sua cama e voçê dormir na minha* quando passa de meia noite ele sai pra jogar o lixo de cuequinha. adoro quando ele sai pra jogar o lixo. *Chuva Fininha, de Roberto e Meirinho 25.3.09politrauma
no politrauma do miguel couto todas aquelas personasgrafitadas e suas algemas fechadas em cadeiras e camas e macas, e aí irmão, dançô também. chão de sangue. segue o rastro, raspão na cabeça. projétil protegido aninhado na cartilagem de um joelho que não vê um dedão - munição arrancou.
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sala de ressucitação:lotação esgotada Raio-x: lotação esgotada Lotação: incendiada. no politrauma do miguel couto ninguém entra ninguém sai, fora todo mundo que é visitante, é para sua própria segurança. aí babaca, larga mão da pulseira, fica quieto senão você pode cair, bater com a cabeça e morrer. aí tia, dá uma água pra mim, na boa, na paz. tiros, o táxi sai voado, é fechado pelosomi. O puliça da portaria vem carregado. braço estilhaçado, hospital desprotegido. hospital bala perdida. a tia entubada não viu nada. no politrauma do miguel couto não tem parada. dia animado, clima saudável e ótimas companhias. Marcadores: miguel couto, politrauma 17.3.09Espingardinha
Lembrando da própria infância, comprou pro aniversariante de cinco anos a espingardinha que nunca teve. Ficou tão entusiasmado que ele mesmo abriu o presente, mostrou todos os detalhes, pôs no ombro e começou a marchar de um lado para o outro. Um, dois, um, dois. O aniversariante, olhinhos de tédio, suspira:
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- Boboca. 16.3.09Sesta
Nunca mais encontrei miolo no mercado ou na feira. Miolo frito, à milanesa... no Cervantes ainda tem. Onde se compra miolo hoje nessa cidade?
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O único miolo que ainda encontro, mais que frito, passado do ponto, é o meu. Não sai nada dessa cabecinha. Devíamos adotar a sesta até que os dias se tornem mais amenos. Não há como pensar assim. Pensar, escrever, comer, andar, amar, odiar, respirar. Impossível. O ar quente entrando pelas narinas, pulmão al dente no vapor. Que caia a chuva! Enquanto isso, devíamos adotar a sesta. Das 8h da manhã às 6h da tarde. Embaixo do ventilador. No ar condicionado. No chão de lajota do banheiro. No piso de mármore do corredor. Aboli aquecedor e toalhas. Agora só gelo e varanda. Janelas escancaradas. Vamos adotar a sesta. Abram as redes, os tecidos precisam respirar. Marcadores: calor, miolo, sesta 5.3.09Barrosinho
Barrosinho foi embora hoje.
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Marcadores: Banda Black Rio, Barrosinho, Festival de Montreaux, Grupo Abolição, Maracatamba 3.3.09Palavra (En)cantada
Artigo meu novo no blog da FL@P! Vai lá:
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"(...) No auge do calor Mano Melo interferiu com sua visão, da qual compartilho. Mano defende que o nosso futebol não tem nada de extraordinário. O que faz com que tantos craques surjam no país é a enorme quantidade de campinhos de pelada, mequetrefes e amadores, cheios de pernas de pau que encontramos país afora. E que para ele, esses saraus são isso: campinhos de pelada das palavras. E por isso são importantíssimos: é essa enorme quantidade que vai, com o tempo, peneirar poetas de qualidade, assim como no futebol. Essa é uma das minhas fala (...)" Marcadores: cinema, estréia, FLAP, lançamento, Palavra (En)cantada 13.2.09Encefalocardia
Estou preparando o meu primeiro livro individual, e vai aqui uma amostra. O objetivo é mesmo saber como impacta para vocês - não que isso vá necessariamente gerar alguma alteração no projeto. Quem já me conhece, sabe que a mão é delicada, mas firme. Diz o Ramon que a minha poesia é psicossomática. Tenho pensado a respeito. Opinem. E bom fim de semana!
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Ah, se encontrarem links quebrados no menu à esquerda é porque estou dando uma geral no blog, jogando fora algumas coisas que já não me dizem nada e que acho que se perderam no tempo. E mudando de lugar outras que ganharam nova posição nessa minha cabeça psicotrópica. Fiquem a vontade. Encefalocardia por Priscila Andrade |equilibrismo| A Equilibrista A equilibrista acordou as duas e vinte e duas da manhã Coração aceleradoaceleradoacelerado E falta de ar Não conseguia dormir de novo Insônia (insônia?) O Fauno dionisíaco desarrumou seu armário Tirou do lugar cada um de seus pertences mais vitais E jogou a lanterna fora Não havia tempo para rearrumar ou mesmo procurar. O espetáculo recomeçava O nome do jogo agora era Risco Insônia (ansiedade?) A equilibrista se olhou no espelho “Bacante...” dizia por suas costas a entourage do circo “Bacante, libertina.” Seus olhos falavam a tristeza e o canto da boca Um quase sorriso sarcástico E certo deleite O espelho mostrava as sobrancelhas franzidas A boca contrariada O olhar espumante A moça não gostava de perder o controle Olhou o armário. Vara, rede de segurança, cabo espesso de aço: Nada. No trailer ao lado Dormia tranqüilo o Fauno Olhou a cama Insônia? Ansiedade? Entendeu o que já sabia: desejo. Desejo no trailer ao lado. Para satisfazer seu desejo (desejo?) A equilibrista terá que andar no fio da navalha Se equilibrar com uma enorme serpente branca E encarar os holofotes sem rede de segurança. Será que ela vai? Ela sabe a resposta. A Equilibrista, Movimentos Arriscados — Pé ante pé, avanço na corda bamba A corda é o fio de uma navalha E a vara que deveria me dar equilíbrio Uma enorme serpente branca. Não há rede de segurança Os holofotes me impedem de ver a platéia: Apenas ouço seu mastigar aflito de pipoca e algodão-doce Assim como seus corações torcedores Torcem, em seu íntimo mais profundo Para que eu caia Que a serpente me envolva Quebre meus ossos e me devore Que o fio da navalha chova meu sangue Aguardam ansiosamente minha queda no abismo - não haverá baque no final Assim como não existe o final da corda Apenas escuridão e seu balançar Mas sigo em frente Firme e compenetrada Sentindo o gelo do aço sob meus pés. A serpente me alisa, me provoca e me bolina Ao mesmo tempo me enforca e me desequilibra, Enquanto enfia seu corpo escorregadio entre minhas pernas. Os holofotes operam no auge de sua luminância. Minhas pupilas já não são visíveis. Não me pergunto onde isso vai dar. Apenas sigo em frente Firme e compenetrada Sentindo o gelo do aço sob meus pés. |Paraeles| Paraeles Paraty, não para mim Para eles, não para nós Paraty, com sua poesia construída Me expulsa Me agride Esse lugar não me pertence Devolvo os desaforos Deixando em cada pedra Ou fragmento de terra do centro histórico Um pouco de mim Fios de cabelo Pedaços de unhas ruídas Cutículas arrancadas a dentadas Fazendo gotejar o sangue E o sangue se mistura a terra Estou vingada Paraty e eu agora somos uma só Deixo ali minha marca Meu DNA Meu sangue literal Faço o mesmo na cidade dos locais Na Paraty de verdade Que não atrai festivas, jornalistas ou turistas A Paraty pária, vergonha Subúrbio abortado do Rio Mas a cidade entende e entra no jogo E começa a me devorar Consome meu sono Rouba-me o calor do corpo Devora minhas energias Deixa apenas Propositalmente Uma certa melancolia A cidade me expulsa Guardo de lá apenas Beijos roubados Olhares furtados Batimentos acelerados E uma certa falta de ar Pequenas transgressões Públicas, íntimas e secretas Apenas nós, transgressores E a cidade sórdida, cretina Apenas nós sabemos Mas a cidade não pode falar |natureza| Fênix Observo a poeira em suspensão No feixe de luz que atravessa o quarto. Assim como eu, mormaço. Suor escorrendo: tátil. Feixe de luz: intangível. Observo a poeira em suspensão No feixe de luz que atravessa o quarto. Assumo-o, tomo as rédeas de mim E me encaro. Escancaro a janela: Luzes solares de março. O cheiro de dama-da-noite no quarto. De Tangerina, as mãos. Dos seus cabelos, narinas. A vida recomeça. Casulo Mudo de pele a cada manhã abandono a alma pelo caminho toda a tarde e renasço ao fim do dia Os ânimos dançam uma ciranda louca tribal e selvagem E eu apenas sinto como um reflexo tardio os seus cabelos nas minhas mãos E me deixo levar pelo vento como folha seca em prenúncio de tempestade Retomo a alma no caminho de casa Sempre acho que ainda não é tarde. Da Lua Me agarro a causas perdidas Me entrego a amores impossíveis Busco a bala perdida Quando só quero vida. Confusão suicida Conclusões espermicidas Relações parricidas Amizades Fratricidas E cada passo leva ao abismo distante com cheiro de absinto E eu, que nem gosto de absinto? Sinto muito por toda essa confusão mental Essa incapacidade de avaliação Essa leitura equivocada de tudo e de todos. Meu código de barras se apagou. Nele não estava o meu preço Seria fácil demais Nele estavam minhas coordenadas. Hoje, observo os ratos que saem dos bueiros As baratas que avançam na direção de meus pés quase descalços Sempre cansados Desvio do mendigo louco, totalmente roto E me pergunto, quem é o quem aqui? Os livros na estante esfregam na minha cara: Conhecimento e leitura só trazem sofrimento. Não leia! Vá à praia, curta as Paineiras, beije na boca Caia na noite, viva a balada. Ansiolíticos, hipnóticos, álcool, ervas. Consuma sua mente. Torne-se um computador, Uma TV Um rádio: um terminal burro, que apenas defeca informações. Sem troca, sem interações. Vamos alimentar os bueiros com ratos e baratas. Vamos jogar o lixo mal fechado. A indigência precisa comer. Precisa catar a comida no lixo: é a dignidade que lhe resta. Caçadores de seus próprios alimentos. E eu ouço Thelonious. Why Monk? E eu ouço Tom Waits. Why Waits? Wait for me, my misery. Preciso de sapatos novos Colo, cafuné e uma boa foda. Preciso de menininhos deslumbrados Que não perguntem nada. Apenas me sirvam, me sirvam, me sirvam. Meus servos Meus escravos Com seus cravos, espinhas e ar adolescente. O vôo de Ícaro. A poeta se esfacelou no asfalto. O letrista poetizou, sinalizando a opção por virar estrela. Diz que optando por dançar, viramos constelação. Constelações são estrelas. Estrelas são astros que tiveram luz própria mortos há séculos e séculos atrás. Luz falsa, ouro de tolo. E os cavalos passam por cima de nós A poeira levanta E saímos ilesos. Somos ilusões. Cerveja, cachaça, Red Label. Trepada, Ressaca, Luz ofuscante na calçada. Vamos, meu anjo, Fazer amor até amanhecer. Vamos, meu sacana Foder pela noite, morrer. Vamos, meu nego Trepar e adormecer. O sol não brilha para mim. O astro rei me diz E eu já sei Sou posse da lua. Por isso ando nua, crua como carne Apodrecendo ao luar. Sempre sua. Orquídea Minha pele se rasga da nuca ao cóccix Dando liberdade a uma gigantesca lâmina De cartilagem e penugem. Meu peito se rasga E dele saem em vôo tumultuado Um enxame de vespas Que zunem, zunem, zunem Minhas veias ultrapassam o limite Das pernas e se tornam raízes grossas E firmes, que me prendem ao solo. Nesse momento, meu tronco se solta E alço vôo, com meus braços que já viraram asas. Do alto observo o bailar das nuvens E o gorjeio dos automóveis As penas das asas se soltam Uma a uma Transformando-se em pétalas de orquídea Que caem docemente pelo chão. Outono Acarinho as cabeças de minha cria natimorta e ouço seus chorinhos miúdos. Sinto o leite talhado escorrendo de meus seios inchados e doloridos. O rio logo se forma, com seu chão lodoso e pequenos redemoinhos que tentam me sugar. Meus pequenos natimortos sugam meu leite talhado. Pelo rio, boiando, passam folhas secas, frutos maduros que o vento derrubou e algumas flores. O sol se põe. Nino a cria. Adormeço também. |corpo| Autofagia Deviam me amarrar com as minhas tripas Em um tronco feito com meus ossos Me alimentar apenas com minhas carnes Matar minha sede com meu sangue Assim, e somente assim Me realimentaria de mim mesma E voltaria a me reconhecer no espelho Lago Amarelo Abscesso profundo Lago espelho amarelo Onde mergulho E te espero Meus tecidos Esgarçados pelos apóstemas Transformam meu corpo em vestidos A cada edema nascido Boneca de trapo Vestidos de retalhos Danço no espelho amarelo Onde mais uma vez te espero Arcabouço Vertebroso e acéfalo Meu corpo decomposto se arrasta Se esgueira por vielas Só para provar meu amor por você Vértebra a vértebra Vão todas ficando pelo chão Caminho de Joãozinho e Maria Formado não por doces ou pães Mas por meus restos mortais Meu amor não Meu amor por você se mantém Calcificado, indelével Aqui neste arcabouço Onde pretendo te reter Ponto Morto Pisar nas feridas Arrancar as peles soltas Morder a língua Arrancar as gazes envoltas Lamber as feridas Arrancar os olhos Chupar o sangue Regurgitar a bílis Não toco piano Toco tendões Comer a própria carne É minha única tentação O Novo Sístole, assístole Tum-tum Tum-tum Coraçãotaquicardia Mas isso, Isso foi ontem... Hoje, quando te vê Ele já nem bate Apenas um leve pulsar delicado, Doce, tranqüilo e discreto. Por outro. Encefalocardia Vermes em movimentos orgiásticos Latejam em meu crânio Substituindo a taquicardia Encefalocardia Ecefalolatente Lateja, latejam As têmporas expõem o Movimento interno O coração, essa bomba hidráulica Tolamente romantizada Necrosou O céu da minha boca nublado E os olhos de sal E as intempéries saudosas Que eu apenas calei. Calei os braços, as pernas e os cotovelos De lã era o novelo em que me protegi No meu silêncio. Ssssssssssssss S.i.l.ê.n.c.i.o. Digestão Elaboração dos alimentos nas vias digestivas para depois ser deles assimilada a parte útil e expelidos os resíduos. Útil: que ou quem tem ou pode ter algum uso. Proveitoso. Expelido, expelir: lançar fora com violência, expulsar, ejetar. Expectorar. Lançar de si. Proferir com ímpeto. Resíduos: resto. Fezes, borra, sedimento. Neste momento estou digerindo você. 10.2.09De quantos silêncios é feita uma solidão? ---------------------------------------------- Mula A pele era tão branca quanto o pó que embalava. Agora azulava. A pele. Translúcido. Escamas brancas translúcidas de pó, recheando a inanimada boneca de cera, carne, sangue e ossos. Quebrada boneca. Sobre a mesa de mármore inerte à espera da autópsia - chegara antes o resultado. Recheio de boneca. Boneca morta, porque boneca não fala. Bela embalagem. Pó, bala e êxtase que não foram para as raves. Que desperdício... Bela embalagem que não foi para as raves. Que desperdício... Boneca quebrada, embalagem autopsiada, quer na morgue sua última balada? ---------------------------------------------- Respondendo ao Feitura do Sartorelli: Remeto a Vinícios |