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29.3.07

Você sabe? Então me conta? Conta, vai... Eu, eu não sei. Me explica. Me explica como é ser objetivo e prático. Como traçar uma reta e não desviar com pequenas distrações. Me explica como se dorme. Nossa, como se dorme?!? Eu não lembro mais... aliás, não lembro nem se algum dia eu soube como era.

O estranho não é eu conversar com a gata. O estranho é eu entender tudo que ela fala. E nada do que acontece a minha volta. Não sei o que as pessoas querem, não sei o que eu tenho que fazer. Nem como. Nem por que (ou é porque? ou porquê? ou por quê? caramba, nem a língua ajuda!). Você sabe? Que caminho tem que seguir? Se sabe, conta pra mim: como é que você fez pra saber? Se não sabe, conta pra mim: como é que você convive com isso?

Leio cadernos antigos e constato sem dúvida alguma que o passar dos anos não me traz sabedoria. Pelo contrário, tenho emburrecido a olhos vistos. Isso também acontece com você? Daqui a 10 anos estarei analfabeta? Já estou semi, não tenho dúvidas.

Vamos fazer isso? Conta pra mim? Então é isso. Me conta. As dúvidas, as certezas, as broncas, os desisteresses. Me conta. Quem sabe eu descubro que não sou só eu... Ou, ainda, descubro que eu sou uma besta mesmo. Mas aí pelo menos eu vou ter certeza que eu sou uma besta. Porque hoje (junto, separado, com ou sem acento???) eu não sei nada. Então me conta. O que você quiser.

23.3.07

O Princípio e o Verbo

No princípio não era o verbo
No princípio era a visão e a pulsação
Curiosidade, excitação, empolgação

No princípio era lisérgico
Urgente
Premente
Incandescente

Então tornou-se o verbo
E o verbo era Deus
E nos diz o livro:
"O verbo se fez carne,
E habitou entre nós"

E a carne é incandescente
Premente
Urgente
Queima e refresca

A carne é una
é chama e alimento
A carne somos nós.

A carne é união
E a união não tem pressa
Porque a união é.

15.3.07

Inédito Gratuito de Bruno Cattoni

O livro inédito Silêncio de Girassóis, do poeta e jornalista Bruno Cattoni, está disponível para download gratuito em seu site, na seção de livros. O link pro livro na home do site faz o download também.

Na seção Matérias, SLAM, sobre SLAM POETRY vale a leitura.

A atualização de poemas e matérias é semanal. Vai lá!

www.brunocattoni.com

3.3.07

Se você morasse aqui

Hoje, se você morasse aqui, eu ia te chamar pra tomar um chope. E você eu não sei, mas eu ia beber além da conta e ia te levar pra praia no meio da madrugada e você ia entrar em pânico porque eu, bêbada, ia resolver tomar banho nua e então um policial ia aparecer querendo nos prender por atentado ao pudor. Mas não seríamos presos não, porque somos brasileiros, moradores do Rio de Janeiro, então você subornaria o guarda que aceitaria. Aí eu me vestiria, molhada, roupa grudada no corpo, passeando pela avenida principal do bairro do Leblon cantando a plenos pulmões durante o raiar do dia, inconveniente como todos os bêbados costumam ser. E você ali, sem saber se ri ou se me odeia, que bosta de noite, que mulher cretina, onde é que eu me meti? você ia se perguntar, mas não ia se dar ao trabalho de se responder e ia simplesmente me levar pra sua casa porque eu ia perder a chave da minha e eu ia sujar o seu tapete novo de areia e salgar o seu sofá e falar indecências pra sua empregada evangélica, que ia ficar horrorizada, gente sem religião essa, credo, Deus perdoe, Deus não tem nada a ver com isso não minha filha, às gargalhadas eu retrucando e você tentando me enfiar no chuveiro e eu gritando, tá vendo Dalva, ele quer fazer saliência comigo, gargalhando, gargalhando e ela chocada, que esse povo num tem mesmo religião, ah Dalva, se a gente não tivesse religião era melhor, o mundo vivia na paz, por que você sabe né Dalva? que toda grande guerra é Santa! Ah, sabe não? Tá, então tá, então vai passar um café forte, não! eu não quero café não, eu quero aquele red label que tá no seu armário, muquirana e... ia desabar dormindo no seu sofá.

Então eu ia acordar. E você, como é uma gracinha, ia ter me colocado confortável pra dormir em um quarto escurinho, com ar condicionado. E ia me trazer café na cama. E iria dizer com sinceridade que Tudo bem, não tem problema. Todo mundo já deu um vexame na vida e você se comportou bem, mesmo nós dois sabendo que eu tinha sido uma típica bêbada: chata, insuportável, inconveniente. Mas você seria de uma puta amizade e iria me dar aspirina com gatorade pra passar a ressaca. E ia me fazer cafuné enquanto veríamos um dvd. Depois, procuraríamos um chaveiro, iríamos até a minha casa e eu faria um jantar pra me desculpar. E acabaríamos dormindo na sala, com o som ligado, cercados de fotos.

Isso, se você morasse aqui. Mas você não mora.

1.3.07

Tudo Vira Bosta

Já cantava Rita Lee: tudo vira bosta.

A comida, as relações, eu e você.

E não ficam nem as lembranças. Essas se mantêm enquanto estamos vivos. Depois, morrem conosco.

Putrefação. Decomposição das matérias orgânicas, emocionais e táteis pela ação das enzimas microbianas. O ciclo da natureza. Tudo se transforma.

Principalmente eu e você.

Só as enzimas microbianas sobrevivem.