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29.12.06

Chico, Milton, o amor, meu amor e eu

Choro Bandido - Chico Buarque
Composição: Edu Lobo / Chico Buarque

Mesmo que os cantores sejam falsos como eu
Serão bonitas, não importa
São bonitas as canções
Mesmo miseráveis os poetas
Os seus versos serão bons
Mesmo porque as notas eram surdas
Quando um deus sonso e ladrão
Fez das tripas a primeira lira
Que animou todos os sons
E daí nasceram as baladas
E os arroubos de bandidos como eu
Cantando assim:
Você nasceu para mim
Você nasceu para mim

Mesmo que você feche os ouvidos
E as janelas do vestido
Minha musa vai cair em tentação
Mesmo porque estou falando grego
Com sua imaginação
Mesmo que você fuja de mim
Por labirintos e alçapões
Saiba que os poetas como os cegos
Podem ver na escuridão
E eis que, menos sábios do que antes
Os seus lábios ofegantes
Hão de se entregar assim:
Me leve até o fim
Me leve até o fim

Mesmo que os romances sejam falsos como o nosso
São bonitas, não importa
São bonitas as canções
Mesmo sendo errados os amantes
Seus amores serão bons


Fé cega, faca amolada - Roupa Nova
Composição: Milton Nascimento - Fernando Brant

Agora não pergunto mais aonde vai a estrada
Agora não espero mais aquela madrugada
Vai ser, vai ser, vai ter que ser, vai ser faca amolada
O brilho cego de paixão e fé, faca amolada
Deixar a sua luz brilhar
e ser muito tranquilo
Deixar o seu amor crescer
e ser muito tranquilo
Brilhar, brilhar, acontecer.
brilhar faca amolada
Irmão, irmã, irmã, irmão
de fé, faca amolada
Plantar o trigo e refazer
o pão de cada dia
Beber o vinho e renascer
na luz de todo dia
A fé, a fé, paixão e fé
a fé, faca amolada
O chão, o chão, o sal da terra
o chão, faca amolada
Deixar a sua luz brilhar no pão de cada dia
Deixar o seu amor crescer na luz de todo dia
Vai ser, vai ser, vai ter que ser, vai ser muito tranquilo
O brilho cego de paixão e fé, faca amolada


Paula e Bebeto - Milton Nascimento
Composição: Milton Nascimento e Fernando Brant

Ê vida, vida, que amor brincadeira, à vera
Eles se amaram de qualquer maneira, à vera

Qualquer maneira de amor vale à pena
Qualquer maneira de amor vale amar

Pena, que pena, que coisa bonita, diga
Qual a palavra que nunca foi dita, diga
Qualquer maneira de amor vale aquela / amar / à pena / valerá

Eles partiram por outros assuntos, muitos
Mas no meu canto estarão sempre juntos, muito

Qualquer maneira que eu cante este canto
Qualquer maneira me vale cantar

Eles se amam de qualquer maneira, à vera
Eles se amam é prá vida inteira, à vera

Qualquer maneira de amor vale o canto
Qualquer maneira me vale cantar
Qualquer maneira de amor vale aquela
Qualquer maneira de amor valerá

Pena, que pena, que coisa bonita, diga
Qual a palavra que nunca foi dita, diga

Qualquer maneira de amor vale o canto / me vale cantar

26.12.06

O Natal Nosso de Cada Dia

Rabanada, peru, presunto, chester
Champagne (?), vinho vagabundo, cidra cereser
Nozes, avelãs, promessas vãs
Festa teatral importada
Todos fingimos e não mudaremos em nada

20.12.06

Raízes


Procuro minhas raízes:
estão em você, minha terra firme e fértil.
São sólidas, firmes.
Meu caule, sinuosoinsinuante, translúcido
demonstra a matéria-seiva de que sou feita.

Selvagem, úmida, viscosa, envolvente.
Sou sedução, vida e ego.
Trago vida em mim e me realimento em fotossíntese narcísica:
não é a luz do sol, mas a luz que vem dos meus olhos, que me mantém viva
e limpa o ar a minha volta.

Sou a essência do natural:
selvagem e vital.
Autofágica para preservação da vida.
Início, meio e fim.
Sou você e você está em mim.

17.12.06


Exponho sem pudor chagas no papel, para que tenham liberdade de cicatrizar no corpo e na alma.

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Dezembro de 2006. Observo os fantasmas dos baixos da vida, vivendo em uma dimensão paralela que se passa na década de 80, sob holofotes imaginários. Coitados. Culturalmente mortos.

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A renovação não está por vir. É fato já. Por vir, é quem vai ou não ficar.

Vejo e cheiro com as mãos.
Tateio com a língua.
Acarinho com o corpo inteiro.
Mas não peça a atenção dos meus ouvidos:
eles têm bicho carpinteiro.


ainda pensando alto. que ouçam.

Ele e eu

Ele tem mãos e pés enormes.
Eu tenho cara de criança.
Ele é de uma veemência indignada.
Eu sou de uma indignação malcriada.
Ele aparenta sobriedade (tá bom...).
Eu aparento timidez (então tá...).
Ele adora ser mimado.
Eu adoro mimar.
Ele gosta de animais e do sol.
Eu gosto de gatos e funciono a luz da lua.
Ele não sabe passar e-mail.
Eu durmo melhor quando ele liga pra dar boa noite.
Ele é cheiroso. Mal criado. Voluntarioso.
Eu só penso que ele é cheiroso, cheiroso, cheiroso.


só pensando alto

13.12.06

Tava na cara

Um tanto de realidade na lata
Um tanto de verdade na veia
Um tanto de sangue na cara

E não me falam os fatos
o que já não sei

Não me falam os fatos
nem os falos
Deitei e não escutei
Sufoquei o que senti
Anestesiei o que não vivi
Engoli os sapos
Encarei todas as pedras nos sapatos
E voltei pra casa com meus amores gastos

No silêncio, no quarto
eu e ela – a cretina no espelho
encaramos a intrusa falsária:
travestida de reflexão, se dizia verdade.

Mas a verdade, eu já sabia,
tava na lata
tava na veia
tava na cara

12.12.06


Dormir com a sensação boa de que tudo foi resolvido (mesmo quando esse "tudo" é só uma pequena mas significativa parte).

Tomar aquele banho maravilhoso se preparando pra se deitar. Só isso, dormir. Deitar na sua cama, no seu quarto, com a tranquilidade de saber que apesar dos pesares - e dos clichês - aquele espaço ali é seu. Só entra(m) aquele(s) para quem você abrir a porta. Tem dias que o melhor lugar é a nossa casa. E como isso é bom!

9.12.06

O negócio é falar difícil

...encontrei a progenitora semovente do de cujus, que deve estar comendo capim pela raiz de bruçus!...


Minha vida literária jamais será a mesma depois que conheci a Mani. Agora estou falando muito mais bonito. E me divertindo muito mais!!!

2.12.06

Bruno Cattoni

Meu poeta preferido agora está online! Sim, é verdade: www.brunocattoni.com
Vá lá, saiba sobre o Festival Poesia Voa/Direitos Humanos (do qual ele é curador); saiba sobre sua obra, mande seu recado.
E olha, tá só começando...