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20.8.18

em revoada

Sou capaz até mesmo de te olhar com cílios lânguidos, língua melíflua e afirmar displicente com palavras em revoada que os gatos ouvem seu silêncio e a cama aninha e acalanta seus versos vivos que vibram na sala, no quarto, na pitangueira. Sou capaz porque no espelho somos um, você e eu.



28.7.18

Raízes

enraizar-se no espaço
em mim mesma
com a resignificação
de cada objeto
cada móvel
cada pensamento

caber novamente
casulo pleno
paredes repletas
de luz
de luz
de cor

a vida pulsa em
brancos e plantas
nas patas da cã
tatuadas no chão
com a terra
do jardim
que explode
em avencas

há vida
a vida pulsa

Museo Frida Kahlo 

18.7.18

15 anos de Dedo de Moça!

Já passou de meia noite, o que significa que o Dedo de Moça está oficialmente no ar há 15 anos!

Foi chão até aqui. A internet mudou, as redes sociais surgiram e os blogs ficaram meio de lado com essa novidade. Passado o entusiasmo e mais do que consolidada a integração das redes sociais, uma questão se colocou para quem apresenta seu trabalho também online: as redes sociais não indexam o material produzido. Aquele texto maravilhoso, aquele artigo contundente, aquela foto que emociona, tudo, tudo fica online, mas não é fácil encontrar.

E é justamente essa a grande vantagem dos blogs: uma indexação funcional, um registro estável de produção de conteúdo. As mídias disponíveis para produção, exposição e compartilhamento de conteúdo se multiplicaram. Plataformas para vídeo, áudio e fotos despontaram. Uma transformação que tornou a experiência na internet mais rica, mais atraente, para produtores e consumidores de conteúdo online. O Dedo de Moça passou e passa por essa metamorfose.

O blog continuará voltado principalmente para poesia e prosa. A questão que mais me mobiliza no momento - a visibilidade das poetas brasileiras vivas - ganha uma coluna fixa, o Poesia das Meninas, para publicar essas autoras.

Continuarei publicando meus poemas e minhas crônicas.

A página no Facebook é o espaço para a reflexão sobre a palavra, o mercado editorial, as edições independentes, a atuação da literatura nas questões sociais, nos debates políticos. E amenidades também, por supuesto.

E muito em breve uma incursão também no YouTube, mostrando a cara e com direito a uma bela parceria.

Quinze anos hoje. E espero no mínimo mais quinze pela frente!

Priscila Andrade Cattoni
Eu era assim.



10.7.18

Fulana alega

fulana alega
            Ser mulher é foda
segundo ela
  Ser mulher é punk
diz ela
  Jornada dupla, tripla
mulher diz que
  Salário mais baixo para as mesmas competências
mas ela estava sozinha?
  Homens (e algumas muitas mulheres) que acham que só têm que ajudar
mas ela bebeu... tava drogada?
  Na casa
também olha a roupa que ela estava usando!
  Com os filhos
é pistoleira! Tá inventando pra aparecer!
  Com a pensão
não existe cultura do estupro!
  Ser mulher é um desafio.
o suposto agressor
  Eu desafio.


Priscila Andrade Cattoni por ela mesma

2.7.18

Hera

meus cabelos são brancos desde os vinte e poucos
conto a mesma história para a mesma pessoa
várias e várias e várias vezes
porque esqueço que contei
esqueço
o nome da pessoa
e das pessoas da história
e a história
não sei o que jantei
ou almocei
ou se almocei
minha memória é um desfiladeiro
que faz eco
eco
é?
ecoa
o quê mesmo?
minha memória
faz eco, eco.
é um branco que me deu
se alastra como hera
sobrou espaço só para o amor.


26.6.18

Tear

tecer sonhos
escolher os fios
as cores
os pontos

no caminho
o nada e o desvio
desafiam
os pontos dados

desfio as cores
estico os
fios frios, estáticos
como a luz
          - que, branca em linha reta,
desafia
o caminho