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28.7.18

Raízes

enraizar-se no espaço
em mim mesma
com a resignificação
de cada objeto
cada móvel
cada pensamento

caber novamente
casulo pleno
paredes repletas
de luz
de luz
de cor

a vida pulsa em
brancos e plantas
nas patas da cã
tatuadas no chão
com a terra
do jardim
que explode
em avencas

há vida
a vida pulsa

Museo Frida Kahlo 

10.7.18

Fulana alega

fulana alega
            Ser mulher é foda
segundo ela
  Ser mulher é punk
diz ela
  Jornada dupla, tripla
mulher diz que
  Salário mais baixo para as mesmas competências
mas ela estava sozinha?
  Homens (e algumas muitas mulheres) que acham que só têm que ajudar
mas ela bebeu... tava drogada?
  Na casa
também olha a roupa que ela estava usando!
  Com os filhos
é pistoleira! Tá inventando pra aparecer!
  Com a pensão
não existe cultura do estupro!
  Ser mulher é um desafio.
o suposto agressor
  Eu desafio.


Priscila Andrade Cattoni por ela mesma

2.7.18

Hera

meus cabelos são brancos desde os vinte e poucos
conto a mesma história para a mesma pessoa
várias e várias e várias vezes
porque esqueço que contei
esqueço
o nome da pessoa
e das pessoas da história
e a história
não sei o que jantei
ou almocei
ou se almocei
minha memória é um desfiladeiro
que faz eco
eco
é?
ecoa
o quê mesmo?
minha memória
faz eco, eco.
é um branco que me deu
se alastra como hera
sobrou espaço só para o amor.


27.6.18

Poesia das Meninas - Maria Carolina de Jesus

Procuro numa livraria online de grande porte o Quarto de Despejo, de Carolina Maria de Jesus. Encontro na seção de literatura infantojuvenil.

Uma livraria põe Maria Carolina de Jesus como literatura infantojuvenil. Uma livraria que também vende celulares, consoles e games. Para essa livraria, me parece, é tudo produto, no sentido comercial da palavra. E produto que o vendedor não precisa conhecer, ou Quarto de Despejo não estaria em literatura infantojuvenil. Para ser absolutamente justa, Diário de Bitita estava em literatura brasileira, menos mau.

Atualmente institutos de porte como a Biblioteca Nacional, o Instituto Moreira Salles, o Museu Afro Brasil, o Arquivo Público Municipal de Sacramento e o Acervo de Escritores Mineiros (UFMG) têm a custodia da produção da escritora. Espero que a prosa, a poesia e as letras de música de Maria Carolina extravasem os limites da Academia e dos Institutos e se tornem parte de nossas estantes e nossas leituras.

Então apesar de hoje ser quarta, aqui dia de poesia, vou postar alguns trechos de Quarto de Despejo, a prosa mais poética que já vi.


“As oito e meia da noite eu já estava na favela respirando o odor dos excrementos que mescla com barro podre. Quando estou na cidade tenho a impressão que estou na sala de visita com seus lustres de cristais, seus tapetes de viludos, almofadas de sitim. E quanto estou na favela tenho a impressão que sou um objeto fora de uso, digno de estar num quarto de despejo.”

“Quando eu vou na cidade tenho a impressão que estou no paraizo. Acho sublime ver aquelas mulheres e crianças tão bem vestidas. Tão diferentes da favela. As casas com seus vasos de flores e cores variadas. Aquelas paisagens há de encantar os olhos dos visitantes de São Paulo, que ignoram que a cidade mais afamada da América do Sul está enferma. Com as suas úlceras.  As favelas.”


“Esquecendo eles que eu adoro a minha pele negra, e o meu cabelo rustico. Eu até acho o cabelo de negro mais iducado do que o cabelo de branco. Porque o cabelo de preto onde põe fica. É obediente. E o cabelo de branco, é só dar um movimento na cabeça ele já sai do lugar. É indisciplinado. Se é que existe reencarnações, eu quero voltar sempre preta."



Maria Carolina de Jesus e a capa da primeira edição de Quarto de Despejo



26.6.18

Tear

tecer sonhos
escolher os fios
as cores
os pontos

no caminho
o nada e o desvio
desafiam
os pontos dados

desfio as cores
estico os
fios frios, estáticos
como a luz
          - que, branca em linha reta,
desafia
o caminho


14.6.18

Branca

Na chuva mansa
vista branca.
O pensamento avança.
Para lugar nenhum.

Kazimir Malevich, Quadrado branco sobre fundo branco, 1918.
Conservada no Museum of Modern Art, em Nova Iorque.



13.6.18

Poesia das Meninas - Ana Rüsche

Conheci Ana Rüsche quando produzia a Flap! (Festival Literário Alternativo à Paraty) aqui no Rio de Janeiro. Ana era uma das co-organizadoras do evento em São Paulo. Gosto muito de seu texto direto, reto, forte. Uma voz feminina. O poema A Ceramista faz parte do livro Furiosa, que está disponível para download gratuito em seu site.

a ceramista - de Ana Rüsche


agora já são cinco privês
antes era um prédio respeitável

escavo escadas ante a mudez
do elevador, guilhotina pichada

no pó suspenso no ar
catedrais de coisas abandonadas

e lá dentro chafurdo com minhas duas
mãos nas peças de cerâmica

e como parteira tiro do barro
um caco, um vaso, um sonho, um sopro


Rüsche, A. (2016). Furiosa. São Paulo: Edição da autora.


7.6.18

Estação da carioca - de Alice Sant'Anna

Poesia das Meninas
Observando a prevalência de autores masculinos em premiações, coletâneas e antologias, resolvi usar esse espaço também para apresentar o trabalho de outras poetas. Quarta-feira agora é dia de poesia das meninas no Dedo de Moça.  Escrita, em áudio ou vídeo.

O poema Estação da Carioca, de Alice Sant'Anna torna-se um cinepoema onírico, leve e cativante. O vídeo conta com direção de Jô Serfaty, co-direção de Geraldine Pasztor e Jonas Sá e concepção da própria Alice com os três..

24.5.18

SORODISCORDANTE

Para Bruno Cattoni

Discordância de sorologias,
encontro de afetos.
Nossas histórias, projetos

- conjuntos, unos.

Que nem tudo é luto,
nem tudo é luta,
nem todo desfraldar é de bandeiras.
Nem toda discordância é ausência.

Apologia do amor positivo.

Construção do dia a dia,
sólido.
Pequenas intimidades
povoam a casa.
O amor, positivamente,
une, congraça.

Este poema está na antologia Tente Entender o que Tento Dizer

Capa do livro Tente Entender o que Tento Dizer e cartaz do lançamento do livro no Rio de Janeiro




















TENTE ENTENDER O QUE TENTO DIZER
Organizador: Ramon Nunes Mello
Editora: Bazar do Tempo


sinopse: Uma coletânea de poemas em torno do tema HIV/Aids não deixa de ser uma radiografia da trajetória do vírus e suas repercussões no corpo, na sociedade e na própria poesia, desde os anos 1980, momento que marcou a explosão da epidemia, até as experiências da chamada era pós-coquetel. Os noventa e sete poetas reunidos nessa edição

4.11.17

Poema sobre o Vazio - de Bruno Cattoni

Poema sobre o vazio

Escrevi um milhão de poemas no tempo-espaço de uma vida
Sobram seis versos.
Afiei um milhão de facas nas pedras que se me interpuseram
Sobra a estrada.
Matei milhares de animais para matar minha fome
Sobra um ser de nada
Soletrei tantos alfabetos que nem mais me comunico
Sobra a palavra amor.
Expulso do tempo, ando com um estrépito de asas no crânio
Não sei qual delas é par da alma, nem quando
Erguer-se-á, pela janela dos olhos, no vento que não enxergo.

CATTONI, Bruno. Osso (na cabeceira das avalanches). Rio de Janeiro: 7Letras, 2005


16.8.16

Para que serve o Câncer (de Bruno Cattoni)

Deveria servir para revalidar o diploma de compaixão dos médicos
que, na justiça dos homens, são heróis da ciência e da dedicação ao ofício,
mas que, na justiça dos Céus, tão materialistas mantém-se na razão direta da essência difusa de seu sacerdócio e também da imperfeição mundana que demonstram no trato da alma humana.

Deveria servir como suplemento de esperança mesmo depois que nos damos conta de que tudo acaba em esperança. Para que alguém que assiste um paciente lutando pare de claudicar em sua jornada de vanglória e de se flagelar emocionalmente no raso egoísmo, indiferente, como sempre, às profundas demandas de amor da humanidade.

Deveria servir para implementar a mística do verdadeiro sacerdote do amor solidário, que foi falindo, paulatinamente, na razão inversa da evolução da ciência, até que merecesse hoje o sinônimo de facultativo.

Deveria servir para implantar na terra dos homens a igualdade e nos corações que ainda restam a fraternidade exemplar que é a razão de ser, de estar e de permanecer de toda cura.

Deveria servir para nos conhecermos melhor através da dor...

...mas que só tem servido, para extinguir (com doses elevadas de fármacos) - mais que o corpo, mais que as famílias e mais que os laços de afeto - o não menos sagrado tempo e a natureza divina de que somos feitos, acendendo paradoxal e tardiamente a centelha universal em "nós outros", nos quais só vemos o "nós mesmos", renegados e negadores da vida em cada iniciativa diária de superar o próximo que ainda nem amamos e por quem não teremos tempo de sofrer.



"Podem vir as dores - tão contraditórias - que nós apagamos o ser para ele não ver que, lindamente, amadurece!" – diz o médico



8.6.11

O Livro sobre Nada
Manoel de Barros. 


Com pedaços de mim eu monto um ser atônito.

Tudo que não invento é falso.

Há muitas maneiras sérias de não dizer nada, mas só a poesia é verdadeira.

Não pode haver ausência de boca nas palavras: nenhuma fique desamparada do ser que a revelou.

É mais fácil fazer da tolice um regalo do que da sensatez.

Sempre que desejo contar alguma coisa, não faço nada; mas se não desejo contar nada, faço poesia.

Melhor jeito que achei para me conhecer foi fazendo o contrário.

A inércia é o meu ato principal.

Há histórias tão verdadeiras que às vezes parece que são inventadas.

O artista é um erro da natureza.  Beethoven foi um erro perfeito.

A terapia literária consiste em desarrumar a linguagem a ponto que ela expresse nossos mais fundos desejos.

Quero a palavra que sirva na boca dos passarinhos.

Por pudor sou impuro.

Não preciso do fim para chegar.

De tudo haveria de ficar para nós um sentimento longínquo de coisa esquecida na terra — Como um lápis numa península.

Do lugar onde estou já fui embora.

E precisa de mais? Claro que não.

18.10.09

Vinis Mofados, de Ramon Mello

O quê: Lançamento do livro Vinis Mofados, de Ramon Mello

Onde: No Brecho de Salto Alto.
Rua Siqueira Campos, 143, sl. 44/2º andar
Copacabana, Rio de Janeiro, RJ

Quando: Dia 20 de outubro de 2009, terça-feira
às 19h30

Como: Com a playlist de João Paulo Cuenca

VINIS MOFADOS

resolvi organizar
a bagunça na estante:

palavras empoeiradas
fotografias letras de
música vinis mofados

e uma coleção de
romances fracassados



Nesta terça-feira Ramon Mello, meu parceiro de FL@P! e coletivo|RIOSEMDISCURSO, lança seu Vinis Mofados em Copa.

Programação obrigatória: vá!

Te espero lá.

23.5.09

Quem leva?

"Dos 50 primeiros finalistas do Prêmio Portugal Telecom de Literatura em Língua Portuguesa anunciados, em cerimônia no Consulado de Portugal no Rio, quase a metade está nas mãos de dois dos maiores grupos editoriais do País, Record (13 autores) e Companhia das Letras (12 autores. É um dado importante, considerando que a edição atual do prêmio teve 100 editoras inscritas, das quais apenas 13 chegaram a essa primeira lista de finalistas, da qual fazem parte premiados escritores como Milton Hatoum, colunista do Estado, o português Gonçalo Tavares, além de representantes da nova geração de autores - Daniel Galera e Carola Saavedra -, e um dos maiores nomes das artes plásticas no Brasil, Nuno Ramos, revelado também como autor em Ó, classificado como livro de contos."

"Os independentes finalistas são quase todos poetas. É um gênero cada vez menos presente no prêmio."

Leia completo aqui, na Verdes Trigos. Também na Verdes Trigos a lista dos 50 primeiros selecionados. Aliás, já leram o Rodrigo de Souza Leão? Muito bom.

29.11.08

Novidades! HOJE: Poesia e Vinho em Laranjeiras: Mano Melo


A partir de dezembro começo a organizar noites de poesia na Symposium Vinhos, em Laranjeiras. A estréia é com Mano Melo, hoje, dia 6.

Ana Carolina adaptou e musicou seu poema Madonna. Sucesso imediato, que foi para no seu mais recente CD e DVD, Dois Quartos. Mas para quem já freqüenta os eventos de poesia da cidade, Mano Melo já é sucesso há muito tempo.

Mano a Mano com Mano Melo é um show de bolso onde Mano Melo intercala poemas, seus e de outros autores, clássicos e contemporâneos, com histórias engraçadas e fatos interessantes vividos durante sua trajetória poética.
A poesia como espetáculo e como diversão através de um universo que engloba ícones reais e imaginários. Sem parafernálias cênicas, o que ressalta é a verdade das palavras e a emoção do poeta e ator em contato direto, olho no olho, com seu público. Estruturado como uma Stand Up Poetry, no gênero das Stand Up Comedies americanas, depois de 3 meses em cartaz o espetáculo chega agora ao Symposium Vinhos para uma apresentação única .

Mano a Mano com Mano Melo
Poeta: Mano Melo
couvert artístico: R$15,00
Consumação mínima: NÃO TEM
Dia 06/12/2008, sábado
Local: Symposium Vinhos, Rua Ipiranga, 65 - Laranjeiras
Telefone: (21) 2205-3122
Coordenação: Priscila Andrade

2.11.08

Portal Literal

Capitaneado por Heloísa Buarque de Hollanda, o Portal Literal passou por uma reformulação radical e se tornou de fato um interlocutor literário, um site em que bons autores contemporâneos são encontrados e em que você pode expor seu trabalho, trocar uma ideia. Fantástico.

Depois vou falar com mais calma sobre o projeto. Por enquanto sugiro aos leitores vorazes que visitem já. E aos que escrevem, que façam seus perfis, postem seus textos e leiam a gente nova que pinta por lá.

Eu já fiz o meu!

E já estão por lá Alariás (prosa leve, quase infantil), Lava-lamp (prosa de mão mais pesada, como gosto) e os poemas Outono e A Equilibrista.

Sugiro ainda os perfil do Leandro Jardim e do Ramon Mello, meus companheiros de FLAP!

Na busca por textos nos bancos, uma das formas de listar os textos é por votação (listar por ordem cronológica, alfabética ou por popularidade também é possível). Então, quando lerem algo que bata, votem.

Participem: façam seus perfis, postem seus textos, dialoguem.

E avente, que a segunda-feira chegou!

22.12.07

eu e o tempo

não estou de férias
estou trabalhando o tempo
que não passa entre os dedos

o tempo vem e se instala
e é dele a velocidade
da rotina, do imprevisto, do planejado

ele acelera os fatos
prolonga os segundos de espera
suspende o ar no espanto

estou trabalhando o tempo
o tempo de achar o tempo
que não posso perder
que pretendo ceder
a cada momento
de prazeroso
ócio.

<a href="http://creativecommons.org/licenses/by-sa/3.0/" title="Creative Commons Attribution-Share Alike 3.0">CC BY-SA 3.0</a>, <a href="https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=86178">Hiperligação</a>
Janela nas ruínas de Macchu Pichu
Originalmente publicado em dezembro de 2007, no Dedo de Moça.

27.4.07

Jasmim Manga

Essa terça, dia 24, os irmãos Tornaghi convidaram a Thereza Christina Motta para, com o pessoal do Ponte de Versos, homenagear Hilda Hilst, que morreu em 2004.

Lá pelas tantas, Chama e Fumo, de Manuel Bandeira, na voz do Eduardo Tornaghi, me deixou ainda mais satisfeita com a noite tranquila, de harmonia mesmo.

Então compartilho aqui o poema, já que a noite e o clima... só se vocês aparecerem por lá na terça que vem. Vale a pena!

CHAMA E FUMO

Amor - chama, e, depois, fumaça...
Medita no que vais fazer:
O fumo vem, a chama passa...

Gozo cruel, ventura escassa,
Dono do meu e do teu ser,
Amor - chama, e, depois, fumaça...

Tanto ele queima! e, por desgraça,
Queimado o que melhor houver,
O fumo vem, a chama passa...

Paixão puríssima ou devassa,
Triste ou feliz, pena ou prazer,
Amor - chama, e, depois, fumaça...

A cada par que a aurora enlaça,
Como é pungente o entardecer!
O fumo vem, a chama passa...

Antes, todo ele é gosto e graça.
Amor, fogueira linda a arder
Amor - chama, e, depois, fumaça...

Porquanto, mal se satisfaça,
(Como te poderei dizer?...)
O fumo vem, a chama passa...

A chama queima... O fumo embaça.
Tão triste que é! Mas... tem de ser...
Amor?... - chama, e, depois, fumaça:
O fumo vem, a chama passa...

Teresópolis, 1911.


O quê:
Poesia

Com quem:
irmãos Tornaghi e convidados

Onde:
Jasmim Manga
Largo dos Guimarães, 143

Quando:
Terça-feira - Sempre!
das 19h30 às 23h30

11.1.06

Lascívia

Minha feminilidade está no meio de minhas pernas.
Com essa concavidade escura, quente e úmida, domino,
convenço, destruo e construo.
Manipulo.

Manipulo com minhas mãos ágeis o que minha língua
Não consegue guardar ou convencer.
E uso minha boca hábil para impor o silêncio, a concordância e o consentimento.

Consinto que pensem que estou à disposição
Que sou parque de diversão
Transgressão e perversão.

Perversão, lascívia e dor.
Dor prazerosa, consentida e às vezes mentirosa.
Geralmente prazerosa.

O prazer de meus cabelos que são crina que são rédeas
Suas mãos que são esporas
E a falsa dominação.

Minha feminilidade está nas ações entre linhas
Na erotização do dia-a-dia, da dor e das trivialidades.

Lascívia no café da manhã.
Luxúria na lavagem da louça.
Obscenidades na secagem dos pratos.

A mesa da cozinha é o cenário ideal para libidinagens.
Comensais, vamos nos jantar.

Minha feminilidade está em ver que o outro acredita
na volúpia que vislumbra no meu olhar.

Minha feminilidade na verdade é masculina:
Monossilábica, evasiva e apaixonada pelo poder.
Poder físico. Dominação. Controle.

Animal do sexo feminino.
Não se engane com meus cílios longos,
Meus cabelos compridos
E minha voz delicada, quase irritante.

Gosto mesmo é de uma boa foda.
De um rapaz que me coma
de quatro no ato
e me acalme os sentidos.

21/06/2005