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8.6.11

O Livro sobre Nada
Manoel de Barros. 


Com pedaços de mim eu monto um ser atônito.

Tudo que não invento é falso.

Há muitas maneiras sérias de não dizer nada, mas só a poesia é verdadeira.

Não pode haver ausência de boca nas palavras: nenhuma fique desamparada do ser que a revelou.

É mais fácil fazer da tolice um regalo do que da sensatez.

Sempre que desejo contar alguma coisa, não faço nada; mas se não desejo contar nada, faço poesia.

Melhor jeito que achei para me conhecer foi fazendo o contrário.

A inércia é o meu ato principal.

Há histórias tão verdadeiras que às vezes parece que são inventadas.

O artista é um erro da natureza.  Beethoven foi um erro perfeito.

A terapia literária consiste em desarrumar a linguagem a ponto que ela expresse nossos mais fundos desejos.

Quero a palavra que sirva na boca dos passarinhos.

Por pudor sou impuro.

Não preciso do fim para chegar.

De tudo haveria de ficar para nós um sentimento longínquo de coisa esquecida na terra — Como um lápis numa península.

Do lugar onde estou já fui embora.

E precisa de mais? Claro que não.

5 comentários:

  1. Belo poema, Pit. Se não dissesse que é do Manoel de Barros acreditaria que fosse seu.

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  2. Voltar ao lugar de sempre e ver o novo, o não lugar da poesia... bjs

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  3. Não posso dizer nada, a não ser que isso é a verdade, ao menos para os poetas.

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  4. Guga Fernandes-Mídias Sociaissex ago 12, 03:38:00 PM

    Amei o post...
    Parabéns muito bom o blog.
    Estou esperando uma visitinha sua lá no blog tem um monte de post legal dê uma passadinha lá.
    Beijos.
    http://www.meuestilogugafernandes.com.br

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  5. Priscila. Vim conhecer o seu blog através da Flávia Ferrari. Só elogios. Ela tem razão é lindo. Estou te seguindo. Beijos

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