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7.4.10

roxo



Chuva enviesada, da esquerda para a direita. O vento de trás pra frente. E a lama da poça que o ônibus atropela. No meio desse lamaçal ocre, marrom e cinza, meu guarda-chuva roxo alegra o dia. Roxo. A cor do clero, da nobreza, da prosperidade, da depressão, das orquídeas e do luto. Na última contagem, estávamos em 120. Mas na Presidente Vargas meu guarda-chuva roxo alegra meu dia.

22.12.07

eu e o tempo

não estou de férias
estou trabalhando o tempo
que não passa entre os dedos

o tempo vem e se instala
e é dele a velocidade
da rotina, do imprevisto, do planejado

ele acelera os fatos
prolonga os segundos de espera
suspende o ar no espanto

estou trabalhando o tempo
o tempo de achar o tempo
que não posso perder
que pretendo ceder
a cada momento
de prazeroso
ócio.

<a href="http://creativecommons.org/licenses/by-sa/3.0/" title="Creative Commons Attribution-Share Alike 3.0">CC BY-SA 3.0</a>, <a href="https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=86178">Hiperligação</a>
Janela nas ruínas de Macchu Pichu
Originalmente publicado em dezembro de 2007, no Dedo de Moça.