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16.2.06

Paraeles

Paraty, não para mim
Para eles, não para nós

Paraty, com sua poesia construída
Me expulsa
Me agride
Esse lugar não me pertence

Devolvo os desaforos
Deixando em cada pedra
Ou fragmento de terra do centro histórico
Um pouco de mim

Fios de cabelo
Pedaços de unhas ruídas
Cutículas arrancadas a dentadas
Fazendo gotejar o sangue

E o sangue se mistura a terra
Estou vingada
Paraty e eu agora somos uma só

Deixo ali minha marca
Meu DNA
Meu sangue literal

Faço o mesmo na cidade dos locais
Na Paraty de verdade
Que não atrai festivas, jornalistas ou turistas
A Paraty pária, vergonha
Subúrbio abortado do Rio

Mas a cidade entende e entra no jogo
E começa a me devorar

Consome meu sono
Rouba-me o calor do corpo
Devora minhas energias

Deixa apenas
Propositalmente
Uma certa melancolia

Angústia
Tristeza
Apatia
A cidade me expulsa

Guardo de lá apenas
Beijos roubados
Olhares furtados
Batimentos acelerados
E uma certa falta de ar

Pequenas transgressões
Públicas, íntimas e secretas

Apenas nós, transgressores
E a cidade sórdida, cretina
Apenas nós sabemos

Mas a cidade não pode falar

Um comentário:

  1. cabmaciel@ig.com.brsáb abr 29, 01:40:00 AM

    Para tí:
    Nunca deixes que a cidade fale por tí, nem por teu coração (afinal, são a mesma coisa).São lindas e tocantes suas poesias, mas unhas ruídas misturadas com sangue e areia só constroem poesias, não constroem pessoas como você, tão excepcional que é.

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