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27.4.07

Jasmim Manga

Essa terça, dia 24, os irmãos Tornaghi convidaram a Thereza Christina Motta para, com o pessoal do Ponte de Versos, homenagear Hilda Hilst, que morreu em 2004.

Lá pelas tantas, Chama e Fumo, de Manuel Bandeira, na voz do Eduardo Tornaghi, me deixou ainda mais satisfeita com a noite tranquila, de harmonia mesmo.

Então compartilho aqui o poema, já que a noite e o clima... só se vocês aparecerem por lá na terça que vem. Vale a pena!

CHAMA E FUMO

Amor - chama, e, depois, fumaça...
Medita no que vais fazer:
O fumo vem, a chama passa...

Gozo cruel, ventura escassa,
Dono do meu e do teu ser,
Amor - chama, e, depois, fumaça...

Tanto ele queima! e, por desgraça,
Queimado o que melhor houver,
O fumo vem, a chama passa...

Paixão puríssima ou devassa,
Triste ou feliz, pena ou prazer,
Amor - chama, e, depois, fumaça...

A cada par que a aurora enlaça,
Como é pungente o entardecer!
O fumo vem, a chama passa...

Antes, todo ele é gosto e graça.
Amor, fogueira linda a arder
Amor - chama, e, depois, fumaça...

Porquanto, mal se satisfaça,
(Como te poderei dizer?...)
O fumo vem, a chama passa...

A chama queima... O fumo embaça.
Tão triste que é! Mas... tem de ser...
Amor?... - chama, e, depois, fumaça:
O fumo vem, a chama passa...

Teresópolis, 1911.


O quê:
Poesia

Com quem:
irmãos Tornaghi e convidados

Onde:
Jasmim Manga
Largo dos Guimarães, 143

Quando:
Terça-feira - Sempre!
das 19h30 às 23h30

24.4.07


Margarida na verdade é travesti. Ou seja: ela e Donald não só são o primeiro casal gay das histórias em quadrinhos infantis, como são também os primeiros a conseguir a guarda de três crianças. Viram? Tio Disney não era reacionário como dizem, na realidade era um cara ousado, um agitador dos valores e dos costumes.

Nenhum personagem de Disney tem pai ou mãe. Quando um deles tem, como Bambi, por exemplo, imediatamente fica órfão, de modo cruel e traumático. Daí levantamos as seguintes questões:
- Disney era órfão?
- Não sendo órfão: Disney odiava sua mãe?
- Seria a mãe de Disney uma pedófila que abusava do filho?

Sim, questões essenciais para entendermos os rumos da humanidade.

Cinco horas de sono profundo, sem pesadelos ou interrupções. E daí que foi de 21h as 02h? É uma evolução sim!

22.4.07

Serpente

A língua bipartida sibila, silvos agudos que penetram os ouvidos, a pele, as entranhas, como um alfinete. Fino e profundo. E neste caso em brasa, para estancar qualquer possibilidade, ainda que remota, de sangramento. Apagar qualquer rastro ou vestígio é uma meta.

Ela se aproxima sorrateira, sempre sorrindo angelical, serpenteando e sibilando libidinosamente. Escorregadia, envolve a presa – ele – que excitado e aterrorizado goza a cada segundo, de terror e curiosa incógnita. O que vem a seguir? A mulher quente, úmida e submissa? Ou a serpente venenosa, ardilosa, com suas presas e seus sibilos mortais?

Ambas lhe são igualmente atraente e sedutoras. Gostaria de devorá-la em uma só dentada, ser devorado em menos de um segundo por cada uma dessas criaturas. Criaturas que se fundem em uma única. Fêmea de aspecto agradável, mas nada além disso. Nem feia, nem bonita. Apenas agradável. Sua visão é confortável, no entanto não atrai olhares. Mas quando cruza com eles... almas perdidas.

Hipnótica, psicotrópica. Ímã. Cada desventurado que tem a infelicidade de um cruzar de olhares com a serpente, perde naquele momento sua alma e o controle sobre sua vida. Escravidão demandada. Servidão implorada.

E seu séquito de seguidores cegos e inebriados, cresce a cada dia. Uma gigantesca multidão. Escondidos na rotina do dia-a-dia, dos escritórios, dos bares e das esquinas, dão o sangue para garantir a sobrevida de sua Senhora.
Por que se alimenta de suor, sangue, ansiedade, angústia, inveja, ciúmes e descontroles.

Vil, ignóbil, infame. Eficiente na construção da imagem de inacessibilidade. Que torna seus gestos, hábitos, crenças e ações torpes em objetos de desejo. O desejo em que cada um de seus servos quer mostrar que ele, e apenas ele, é Aquele que alcança e que sim, é capaz de fazê-la mudar. Eficiente, a víbora, em fazer crer em ilusões.

29.3.07

Você sabe?

Você sabe? Então me conta? Conta, vai... Eu, eu não sei. Me explica. Me explica como é ser objetivo e prático. Como traçar uma reta e não desviar com pequenas distrações. Me explica como se dorme. Nossa, como se dorme?!? Eu não lembro mais... aliás, não lembro nem se algum dia eu soube como era.

O estranho não é eu conversar com a gata. O estranho é eu entender tudo que ela fala. E nada do que acontece a minha volta. Não sei o que as pessoas querem, não sei o que eu tenho que fazer. Nem como. Nem por que (ou é porque? ou porquê? ou por quê? caramba, nem a língua ajuda!). Você sabe? Que caminho tem que seguir? Se sabe, conta pra mim: como é que você fez pra saber? Se não sabe, conta pra mim: como é que você convive com isso?

Leio cadernos antigos e constato sem dúvida alguma que o passar dos anos não me traz sabedoria. Pelo contrário, tenho emburrecido a olhos vistos. Isso também acontece com você? Daqui a 10 anos estarei analfabeta? Já estou semi, não tenho dúvidas.

Vamos fazer isso? Conta pra mim? Então é isso. Me conta. As dúvidas, as certezas, as broncas, os desisteresses. Me conta. Quem sabe eu descubro que não sou só eu... Ou, ainda, descubro que eu sou uma besta mesmo. Mas aí pelo menos eu vou ter certeza que eu sou uma besta. Porque hoje (junto, separado, com ou sem acento???) eu não sei nada. Então me conta. O que você quiser.

23.3.07

O Princípio e o Verbo

No princípio não era o verbo
No princípio era a visão e a pulsação
Curiosidade, excitação, empolgação

No princípio era lisérgico
Urgente
Premente
Incandescente

Então tornou-se o verbo
E o verbo era Deus
E nos diz o livro:
"O verbo se fez carne,
E habitou entre nós"

E a carne é incandescente
Premente
Urgente
Queima e refresca

A carne é una
é chama e alimento
A carne somos nós.

A carne é união
E a união não tem pressa
Porque a união é.

15.3.07

Inédito Gratuito de Bruno Cattoni

O livro inédito Silêncio de Girassóis, do poeta e jornalista Bruno Cattoni, está disponível para download gratuito em seu site, na seção de livros. O link pro livro na home do site faz o download também.

Na seção Matérias, SLAM, sobre SLAM POETRY vale a leitura.

A atualização de poemas e matérias é semanal. Vai lá!

www.brunocattoni.com

3.3.07

Se você morasse aqui

Hoje, se você morasse aqui, eu ia te chamar pra tomar um chope. E você eu não sei, mas eu ia beber além da conta e ia te levar pra praia no meio da madrugada e você ia entrar em pânico porque eu, bêbada, ia resolver tomar banho nua e então um policial ia aparecer querendo nos prender por atentado ao pudor. Mas não seríamos presos não, porque somos brasileiros, moradores do Rio de Janeiro, então você subornaria o guarda que aceitaria. Aí eu me vestiria, molhada, roupa grudada no corpo, passeando pela avenida principal do bairro do Leblon cantando a plenos pulmões durante o raiar do dia, inconveniente como todos os bêbados costumam ser. E você ali, sem saber se ri ou se me odeia, que bosta de noite, que mulher cretina, onde é que eu me meti? você ia se perguntar, mas não ia se dar ao trabalho de se responder e ia simplesmente me levar pra sua casa porque eu ia perder a chave da minha e eu ia sujar o seu tapete novo de areia e salgar o seu sofá e falar indecências pra sua empregada evangélica, que ia ficar horrorizada, gente sem religião essa, credo, Deus perdoe, Deus não tem nada a ver com isso não minha filha, às gargalhadas eu retrucando e você tentando me enfiar no chuveiro e eu gritando, tá vendo Dalva, ele quer fazer saliência comigo, gargalhando, gargalhando e ela chocada, que esse povo num tem mesmo religião, ah Dalva, se a gente não tivesse religião era melhor, o mundo vivia na paz, por que você sabe né Dalva? que toda grande guerra é Santa! Ah, sabe não? Tá, então tá, então vai passar um café forte, não! eu não quero café não, eu quero aquele red label que tá no seu armário, muquirana e... ia desabar dormindo no seu sofá.

Então eu ia acordar. E você, como é uma gracinha, ia ter me colocado confortável pra dormir em um quarto escurinho, com ar condicionado. E ia me trazer café na cama. E iria dizer com sinceridade que Tudo bem, não tem problema. Todo mundo já deu um vexame na vida e você se comportou bem, mesmo nós dois sabendo que eu tinha sido uma típica bêbada: chata, insuportável, inconveniente. Mas você seria de uma puta amizade e iria me dar aspirina com gatorade pra passar a ressaca. E ia me fazer cafuné enquanto veríamos um dvd. Depois, procuraríamos um chaveiro, iríamos até a minha casa e eu faria um jantar pra me desculpar. E acabaríamos dormindo na sala, com o som ligado, cercados de fotos.

Isso, se você morasse aqui. Mas você não mora.

1.3.07

Tudo Vira Bosta

Já cantava Rita Lee: tudo vira bosta.

A comida, as relações, eu e você.

E não ficam nem as lembranças. Essas se mantêm enquanto estamos vivos. Depois, morrem conosco.

Putrefação. Decomposição das matérias orgânicas, emocionais e táteis pela ação das enzimas microbianas. O ciclo da natureza. Tudo se transforma.

Principalmente eu e você.

Só as enzimas microbianas sobrevivem.

20.2.07

Acabou

É seda pura
________rasgada
É trama nobre
________esgarçada
É fim de festa
É ressaca
É sala vazia
É luz apagada

É o nada
________é o nada

13.2.07

Pintura - Marcio Carvalho


Meu Rio
Não é cidade para ser bebida
Em gole de aguardente seco.

É cidade para ser sorvida.

Tal qual mulata que desce ladeira
E deixa Di e Lan boquiabertos.

É mar é rio é lago é Mario Lago!
É Carlos Minerva Lessa Assanhado!

É labirinto de curvas
Masculina feminina transexual.

É imã atraindo traindo.

É beijo na boca é mão no sexo
É boa noite de “Cinderelas”!

Estrelas iluminadas
Cataclisma vendaval.

É o bonde dos meninos
De Açúcar e de Santa-

É meu time é Lamartine!

É o pai que nos recebe, Redentor
De braços abertos.

É flecha cortada no peito
De seus Santos.

É pobre é rico é guerreiro
É padroeiro de todas as raças.

É vidraça!

Leia mais Marcio Carvalho:
NAVALHAS VOADORAS PARA CORTAR A TARDE, ed. SEERJ
http://www.almadepoeta.com/marciocarvalho.htm


MARCIO CARVALHO era jornalista, poeta, ensaísta e arte-educador. Diretor de Comunicação do SEERJ e membro do Grupo Poesia Simplesmente.Em 2006, representou o Brasil no Segundo Festival Latinoamericano de Poesia "ser al fin una palabra", dentro do Dia Mundial da Poesia, no México. Nasceu em 12/04/67 e se elevou a outro plano em 09/02/2007, aos 39 anos.  

8.2.07

Podrão da Kombi

Passar a noite a base de champagne e finalizar com um podrão da Kombi. É bom. E eu gosto. Foda é postar isso no blog errado (aff...)

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Eu, minha gata, minha bagunça. Bom, bom, bom.

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De onde vem todo esse amor que ele nem merece (ou merece)?

30.1.07

Gargalhada

Gargalhada
Minhas gargalhadas são altas e longas
preenchem os espaços
e brinco, debocho, às vezes passo os limites
ultrapasso sinais vermelhos,
espaços,
linhas amarelas

Minhas gargalhadas me acompanham
sempre comigo, mentindo por mim.
Aqui dentro, permanece o silêncio
a melancolia, a escuridão e a solidão.
A Enorme Solidão.

Que me acompanha, dia-noite-dia.

Não me basto. Preciso da companhia entorpecedora
de alguém de mãos quentes.
De um colo, um corpo quente colado ao meu.

Farsante, farsa, falsária.

Gargalhadas, piadas, brincadeiras:
tudo farsa.

Sou a criança que se perdeu da mãe na festa
Sou o estrangeiro que não fala a língua local e se descobre analfabeto
Sou o equívoco
o aborto
a aberração

Mas dou gargalhadas altas e longas
preencho espaços vazios
brindo-debocho, ácida, sarcástica,
invadindo espaços
ultrapassando as linhas amarelas.

E os olhares e ouvidos crus das ruas, bares e bibliotecas acreditam.
Amém ignorância. A farsante aqui agradece aos céus a miopia geral.

22.1.07

“Eu sou careta! E quero filhas caretas!! Não me surpreendam!!!”
Porra, ela casou de mini saia, que diabos!

Rua

A rua triste olha os carros indiferentes que passam apressados. Será que eles me veem? perguntava-se sem curiosidade.
As árvores altivas, plantadas em suas calçadas, a olham de cima. Sentiam-se sujeito daquela oração. Não percebiam que eram menos que objeto. Auto-imagem subjetiva.
E a rua lá, com seus pedestres transitivos diretos. Seus sinais coordenados.
A rua é praticamente invisível. Apenas um caminho, uma rota de passagem. Mas só a rua está lá, presente, passado, futuro. A rua invisível e estática é também eterna.

15.1.07

Desabamento nas Obras do Metrô de SP

"Um canteiro de obras da futura estação Pinheiros da linha 4-amarela do metrô, na zona oeste de São Paulo, desabou na tarde de sexta-feira (12). O acidente, de acordo com as construtoras responsáveis pela obra, ocorreu devido à instabilidade do solo da região, agravada pelas fortes chuvas que atingiram a cidade dias antes." Folha de São Paulo.

Vamos ver se eu entendi: as construtoras Não sabiam que chove em São Paulo. Hã? Ah, não é isso não? Hum... deixa eu pensar... as construtoras não sabiam que chove! Ah, também não é isso não... então... é... então eu não entendi mesmo não...

Outra coisa: as construtoras não deveriam saber da instabilidade do solo da região? Sabiam? Poxa, tô só perguntando...

Bom, depois que retirarem os corpos, a van e o entulho; depois que demolirem as construções no entorno condenadas pela defesa civil (vão indenizar os moradores, não vão? aliás, todos os proprietários dos "Palaces" do Sérgio Naya já foram indenizados? alguém sabe?); depois que abafarem o caso como de costume; depois de todos os depois: vão continuar a obra no mesmo lugar? Com toda a "instabilidade do solo da região"? Ai, que grosseria, tô só perguntando...

9.1.07

Criatura Insuportável

Ela é chata, ela é imatura, ela é patologicamente ciumenta.
Ela é desestabilizada. Financeira e economicamente.
Não, não olhe para os lados! Ela pode meter uma arma na sua cabeça!! Ela pode te emascular durante seu sono!!! Ela é a personificação da fúria!!!!
Cuidado: ela é...

29.12.06

Chico, Milton, o amor, meu amor e eu

Choro Bandido - Chico Buarque
Composição: Edu Lobo / Chico Buarque

Mesmo que os cantores sejam falsos como eu
Serão bonitas, não importa
São bonitas as canções
Mesmo miseráveis os poetas
Os seus versos serão bons
Mesmo porque as notas eram surdas
Quando um deus sonso e ladrão
Fez das tripas a primeira lira
Que animou todos os sons
E daí nasceram as baladas
E os arroubos de bandidos como eu
Cantando assim:
Você nasceu para mim
Você nasceu para mim

Mesmo que você feche os ouvidos
E as janelas do vestido
Minha musa vai cair em tentação
Mesmo porque estou falando grego
Com sua imaginação
Mesmo que você fuja de mim
Por labirintos e alçapões
Saiba que os poetas como os cegos
Podem ver na escuridão
E eis que, menos sábios do que antes
Os seus lábios ofegantes
Hão de se entregar assim:
Me leve até o fim
Me leve até o fim

Mesmo que os romances sejam falsos como o nosso
São bonitas, não importa
São bonitas as canções
Mesmo sendo errados os amantes
Seus amores serão bons


Fé cega, faca amolada - Roupa Nova
Composição: Milton Nascimento - Fernando Brant

Agora não pergunto mais aonde vai a estrada
Agora não espero mais aquela madrugada
Vai ser, vai ser, vai ter que ser, vai ser faca amolada
O brilho cego de paixão e fé, faca amolada
Deixar a sua luz brilhar
e ser muito tranquilo
Deixar o seu amor crescer
e ser muito tranquilo
Brilhar, brilhar, acontecer.
brilhar faca amolada
Irmão, irmã, irmã, irmão
de fé, faca amolada
Plantar o trigo e refazer
o pão de cada dia
Beber o vinho e renascer
na luz de todo dia
A fé, a fé, paixão e fé
a fé, faca amolada
O chão, o chão, o sal da terra
o chão, faca amolada
Deixar a sua luz brilhar no pão de cada dia
Deixar o seu amor crescer na luz de todo dia
Vai ser, vai ser, vai ter que ser, vai ser muito tranquilo
O brilho cego de paixão e fé, faca amolada


Paula e Bebeto - Milton Nascimento
Composição: Milton Nascimento e Fernando Brant

Ê vida, vida, que amor brincadeira, à vera
Eles se amaram de qualquer maneira, à vera

Qualquer maneira de amor vale à pena
Qualquer maneira de amor vale amar

Pena, que pena, que coisa bonita, diga
Qual a palavra que nunca foi dita, diga
Qualquer maneira de amor vale aquela / amar / à pena / valerá

Eles partiram por outros assuntos, muitos
Mas no meu canto estarão sempre juntos, muito

Qualquer maneira que eu cante este canto
Qualquer maneira me vale cantar

Eles se amam de qualquer maneira, à vera
Eles se amam é prá vida inteira, à vera

Qualquer maneira de amor vale o canto
Qualquer maneira me vale cantar
Qualquer maneira de amor vale aquela
Qualquer maneira de amor valerá

Pena, que pena, que coisa bonita, diga
Qual a palavra que nunca foi dita, diga

Qualquer maneira de amor vale o canto / me vale cantar

26.12.06

O Natal Nosso de Cada Dia

Rabanada, peru, presunto, chester
Champagne (?), vinho vagabundo, cidra cereser
Nozes, avelãs, promessas vãs
Festa teatral importada
Todos fingimos e não mudaremos em nada

20.12.06

Raízes


Procuro minhas raízes:
estão em você, minha terra firme e fértil.
São sólidas, firmes.
Meu caule, sinuosoinsinuante, translúcido
demonstra a matéria-seiva de que sou feita.

Selvagem, úmida, viscosa, envolvente.
Sou sedução, vida e ego.
Trago vida em mim e me realimento em fotossíntese narcísica:
não é a luz do sol, mas a luz que vem dos meus olhos, que me mantém viva
e limpa o ar a minha volta.

Sou a essência do natural:
selvagem e vital.
Autofágica para preservação da vida.
Início, meio e fim.
Sou você e você está em mim.

17.12.06


Exponho sem pudor chagas no papel, para que tenham liberdade de cicatrizar no corpo e na alma.

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Dezembro de 2006. Observo os fantasmas dos baixos da vida, vivendo em uma dimensão paralela que se passa na década de 80, sob holofotes imaginários. Coitados. Culturalmente mortos.

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A renovação não está por vir. É fato já. Por vir, é quem vai ou não ficar.

Vejo e cheiro com as mãos.
Tateio com a língua.
Acarinho com o corpo inteiro.
Mas não peça a atenção dos meus ouvidos:
eles têm bicho carpinteiro.


ainda pensando alto. que ouçam.

Ele e eu

Ele tem mãos e pés enormes.
Eu tenho cara de criança.
Ele é de uma veemência indignada.
Eu sou de uma indignação malcriada.
Ele aparenta sobriedade (tá bom...).
Eu aparento timidez (então tá...).
Ele adora ser mimado.
Eu adoro mimar.
Ele gosta de animais e do sol.
Eu gosto de gatos e funciono a luz da lua.
Ele não sabe passar e-mail.
Eu durmo melhor quando ele liga pra dar boa noite.
Ele é cheiroso. Mal criado. Voluntarioso.
Eu só penso que ele é cheiroso, cheiroso, cheiroso.


só pensando alto

13.12.06

Tava na cara

Um tanto de realidade na lata
Um tanto de verdade na veia
Um tanto de sangue na cara

E não me falam os fatos
o que já não sei

Não me falam os fatos
nem os falos
Deitei e não escutei
Sufoquei o que senti
Anestesiei o que não vivi
Engoli os sapos
Encarei todas as pedras nos sapatos
E voltei pra casa com meus amores gastos

No silêncio, no quarto
eu e ela – a cretina no espelho
encaramos a intrusa falsária:
travestida de reflexão, se dizia verdade.

Mas a verdade, eu já sabia,
tava na lata
tava na veia
tava na cara

12.12.06


Dormir com a sensação boa de que tudo foi resolvido (mesmo quando esse "tudo" é só uma pequena mas significativa parte).

Tomar aquele banho maravilhoso se preparando pra se deitar. Só isso, dormir. Deitar na sua cama, no seu quarto, com a tranquilidade de saber que apesar dos pesares - e dos clichês - aquele espaço ali é seu. Só entra(m) aquele(s) para quem você abrir a porta. Tem dias que o melhor lugar é a nossa casa. E como isso é bom!

9.12.06

O negócio é falar difícil

...encontrei a progenitora semovente do de cujus, que deve estar comendo capim pela raiz de bruçus!...


Minha vida literária jamais será a mesma depois que conheci a Mani. Agora estou falando muito mais bonito. E me divertindo muito mais!!!

5.12.06

Gostei sim, bobo


Ah moço, achou que eu não gostei... Que decepção... Gostei sim, só que o meu gostar é diferente do seu.

Adoradores de Joe


"No sinal é tudo burro eu peço dinheiro dizendo que sou maluco e eles me dão... é porque eles não sabem a diferença entre neurótico e psicótico. hahahahahahaha."
Joe

Ele morde meu pescoço.
Eu desmancho sorrindinho.

2.12.06

Bruno Cattoni

Meu poeta preferido agora está online! Sim, é verdade: www.brunocattoni.com
Vá lá, saiba sobre o Festival Poesia Voa/Direitos Humanos (do qual ele é curador); saiba sobre sua obra, mande seu recado.
E olha, tá só começando...

29.11.06

Te vejo 6ª no Castelinho

O que: Sarau poético UM Castelo de Palavras
Quando: 6ª feira, 1º de dezembro, das 18h às 22h.
Onde: Castelinho do Flamengo, na Praia do Flamengo - 158. RJ
Quem: Augusto Dias, José Henrique Calazans, Priscila Andrade, Rita Maria de Lacerda (poesia);
Ramon Mello e Francis Lunguinho (crônica);
Cláudia Singer (música)
Formandos da Oficina Literária Novos Autores
Coordenação: João Pedro Roriz
Quanto: Gratuito


Todos os poetas presentes poderão participar do sarau e declamar as suas poesias para o público.



Durante o evento, a Editora Relume Dumará fará o lançamento do livro “Mário Quintana”.


O Sarau UM CASTELO DE PALAVRAS tem o apoio da Prefeitura do Rio de Janeiro e do site www.cronicascariocas.com.br.


Informações: (21) 2285-1355 / (21) 9217-7105.
jproriz@hotmail.com

28.11.06

Descaminho

... e tanta coisa ficou pelo caminho...
tanta resposta que não foi pedida
tanta pergunta que não foi escutada
e no fim, nem fez diferença

porque só era desejado o olhar cúmplice e sincero
que não precisa ser dito, escutado
é um estar de coisas, um sentimento aplacado
um olhar que traz um sorriso completo, terno

porque ali se sabe, naquele momento silencioso
que os fatos estão consumados
que o presente fugidio por um instante é eterno

mas o olhar não veio, nem mandou recado
vieram respostas perdidas
perguntas atiradas
e um sorriso cínico
que falava de um amor que não foi amado

24.11.06

Eclipse



Chovo todas as manhãs
A noite meus olhos eclipsam

O ventre sem função ecoa
Solidão, silêncio, solidão

Observo o rasgo de luz no chão do quarto
Assim como eu, razo

O rasgo de luz não mostra o caminho
Não indica direção
Só um talho e nehuma inspiração.

Os caninos furam os lábios
O sangue escorre e comprova
Há vida nesse corpo inerte

Bad hair day? Bobagem! Isso não é nada...

Despejei o macarrão na pia e não no corredor, depois de ter queimado as mãos com o vapor.
Roubaram meu celular dentro de um banco (tá, eu sei, não precisa falar..., mas é verdade).
Fui até o shopping - isso,aquela caixa fechada de fazer maluco) para ver com a Tim se era possíbel bloquear a utilização da linha e o acesso à agenda; depois, por novo chip com o número antigo, já sem restrições.
Entro no shopping furiosa (tenho uma ligação emocional com as minhs coisas, sorry, essa sou eu) e dou de cara com que? Hum? Com quem?
Sim, minha ex-sogra e sua cara de buldogue eunuco. Estava com uma blusa-quase-vestido verde alface. Cantei um mantra que criei na hora (alface obesooooooo, alface obesooooooo etc.) e tracei uma reta direto, sem olhar para trás, pro quiosque da Tim. Em tese estrá tudo resolvido quando eu comprar ou ganhar (quem se habilita? er... bem... uma ação entre amigos? ;)) um aparelho novo. Tim. É a única coisa que funciona aqui em casa e eu trabalho em casa. Afff
Então tá. Vão dormir.
Fiquem bem.

18.11.06

O problema é não ser da mesma década!

Gatim olha pra mim, faz charme. Gatim tem um biótipo... hã... "Malhação". Gatim tem barba serrada. Gatim entorna chopes e chopes. Eu tomo uma Coca.
Sei lá porque diabos o Inconveniente que já devia ter ido embora interrompe a conversa (de novo) pra perguntar pra Gatim:
- Você, por exemplo, nasceu em que ano?
- 84.
Esguichei metade da Coca na hora. Sem querer. Na cara do Gatim.
A outra metade? Ah... me engasguei, claro.


Agora dei pra sonhar com o primeiro marido. Nos sonhos cometemos hoje as discussões e análises que deveríamos ter cometido 9 anos atrás.
Encontros inesperados são o cão. É o download do caos no inferno que já é a sua vida (sim, estou com insônia; sim, passei a noite em claro).
Pego a Fal pra ler (deixa de ser mané e vai lá: O Nome da Cousa, de Fal Azevedo, editora Komedi):

"- Acabou?
- Acabou.
- Por quê?
- Porque ele ficou distinto e eu fiquei velha"

Pânico.

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Ouço a vizinha reclamando propositadamente alto com o marido que alguém está usando o msn "numa altura absurda". Sou eu.
Será que devo comentar igualmente alto que há 1 ano acompanho contra minha vontade a bizarra vida sexual do casal? Que conheço um remedinho ótimo pra flatulência matinal do marido? Que sei que ele faz número 2 todo santo dia pontualmente às 6:30 da manhã? que tenho algumas professoras ótimas para indicar pra gralha que não sabe matemática?
Hummm... deixa pra lá.

16.11.06

Freud, Freud, onde estás que blá, blá, blá...

Abri minha conta quando ainda era torturada. Fomos eu e o digníssimo, o torturador, no mesmo dia, na mesma agência - ainda bem que não fizemos uma conta conjunta.

Bão, Sebastião, até hoje, quando tenho que dar o número da conta lembro dos dois no banco e cometo o ato-falho: **171-*. Essa não precisa nem de Freud pra explicar, não é não?

Alma de Poeta? Luiz Fernando Prôa

Esse camarada tomou uma das iniciativas mais bacanas do mundinho poético-internético: o site Alma de Poeta, que já virou referência (bem, bem metida: eu tô lá!).

Tem a comunidade no Orkut também. Então hoje, antes de dormir, resolvi ir de Prôa.

Alvo - Luiz Fernando Prôa

falo
com o
som
da alma

essa rara
essência
que trago
aqui

sinto
que cada
palavra
dita

é faca
apontada
para
mim

Alma de Poeta, seu site de poesia, arte e algo mais...

www.almadepoeta.com

13.11.06

É hoje! Corre que ainda dá tempo

Ponte de Versos - Comemoração de 8 anos!

Eu estou indo pra lá agora, recitar meus versinhos... E ainda tem Mano Melo, Andrea Paola e mais um monte de poetas de primeira.

Corre que começa às 20h mas... sempre rola uma demorazinha, etc.

É na Rua Conde de Bernadote 26, na Livraria da Conde.

(Tá, tá, eu devia ter avisado antes mas... minha cabecinha voa, voa)

Para começar bem a semana Armazem Literário atualizado. Vão lá!

10.11.06

O Amor e o e-mail

- Alô.
- Como é que eu faço pra mandar um "negócio" que eu recebi por e-mail pra outra pessoa? Mas eu não quero encaminhar não, que não podem ler. É só o "negócio" que veio junto. (É, nessas horas ele não fala coisas como "Oi", "Meu amor" ou "Qual a sua conta para eu pagar a consultoria para abobrinhas do mundo digital?")
- Ué, salva o "negócio". Abre outro e-mail e anexa o arquivo.
- Ai-meu-deus (ficando nervoso). Salva como? Abre outra o quê, conta? De que arquivo você tá falando???? (suspira igual um boi enraivecido).
- (Respiro fundo, ommmmmm) O Arquivo é o "negócio" que você quer mandar. Para salvar clica em cima e...
- Em cima do que???????? (espumando)
- (Respiro ainda mais profundo: não-quero-não-posso-não-vou-me-irritar) como eu ia dizendo, clica em cima do arquivo.
- Mas aí vai abrir!!!!
- (Ai saco) Clica criatura, que você vai ver que uma das opções é "salvar".
- Ah tá. AI MEU DEUS!
- Que foi???
- Salvou!
- Não era isso que você queria???
- Mas eu não sei onde!!! Eu perdi o "negócio"?
- (Segurando o riso. Mentira: segurando a gargalhada) Esquece. Abre aquele e-mail de nov...
- Qual????
- Afff.... o que veio o "negócio".
- ah tá. E aí?
- Faz tudo de novo, mas escolhe aonde você quer salvar. Você tem aí uma pasta Meus Documentos...
- Ai caramba! Eu não posso salvar isso no seu computador!!
- (...) Na-su-a-má-qui-na.
- ...ah... tá... (começando a murchar).
- Então, na Sua pasta Meus Documentos, escolhe a pasta mais apropriada ou cria uma pasta nova.
- Meu Deus, não complica!!!! Não pode ser qualquer uma?
- Ai, salva logo no Desktop então, cacete!
- Desk o quê?

E assim seguem o telefonema e o amor. Que é lindo, lindo.


"Sim, eu era aquela que no Calvário gritava: Não amarra não, prega."

6.11.06

Pas Gauche

Non, pas d'accord!
Nous ne sommes pas gauches, mon poète.
Nous sommes humaines.


Advogados são gauches
Dentistas são gauches
Corretores da bolsa são gauches


Não somos gauches
Somos passionais

Temos clareza e bom senso
E o desplante de não usar nem um nem outro
Mas não, não somos gauche.
Somos irracionais conscientes

Mas principalmente, mon petit-grand poète
Somos verdadeiros em nossas falácias
E convicções

Não somos desvairados!
Amantes da lua!!
Ébrios tresloucados!!!

Somos comprometidos com a palavra
Com os sons
E com nossos sentimentos apaixonados.

2.11.06

Eu te amei sim

Esse encontro inesperado, depois-do-banco-antes-da-análise, me pegou de surpresa, no ar. Me emocionei.

Depois de 8 anos de casamento desfeito, lembrar numa esquina barulhenta da primeira vez que nos vimos, de como escolhemos a cor do apartamento, de como dormíamos abraçadinhos, dos acertos e dos desencantos, dos acontecidos e dos que ficaram por...

E hoje eu posso admitir com tranqüilidade que te amei sim, que fui feliz com você sim, que eu queria aquele filho sim e que, sim, doeu sim, quando acabou. E que você ainda mora um pouquinho no meu coração. Você é muito querido.

Que bom que um dia nós nos permitimos.
Fica bem.

31.10.06

Mulher de peito

...é uma mulher de peito!
Tem que ter muito peito pra...
...vou de peito aberto...
...."no lado esquerdo do peito"...

Está na hora de ser uma mulher de peito: faça o auto-exame, vá ao médico e faça todas as mamografias a que tem direito, informe-se sobre seu histórico familiar, sobre os fatores de risco.

Peito bonito não é peito grande ou pequeno, duro, em pé, arredondado ou empinado: peito bonito é peito saudável!

Eu

Busco o silêncio que fala
A imagem que cala
E a mão que esquenta

Busco a fala que silencia
A imagem que delata
E a mão que conforta

Busco a busca
Incessante e instintiva
Aleatória, sem rumo, desconexa.

Busco por mim.
Em cada gesto
Ação e palavras
Que saem de minha boca e do meu corpo.
Busco por mim.

28.10.06

Nada não, só comentando...

E diz o repórter "nesse momento Geraldo Alckmin está nos camarim (...)".

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Essa gata sofre de baixa auto-estima. Quando não entra na lixeira, dorme na panela de pressão. Começo a me preocupar.

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O cidadão tem 64 anos e é proprietário de um carro popular (mas do ano) e de uma loja (que rende uma merreca de aluguel mas rende). Mora de favor na casa da namorada, não contribui com nenhuma das contas, o que compra é para uso exclusivo dele. Recebe mesada de R$800,00 reais da mãe, uma senhora de 93 anos que toma 10 remédios caríssimos e paga mais 8 para a acompanhante de 83 anos além do plano de saúde das duas. Claro que é a mãe que paga o plano de saúde dele também.

Mas ele não pode, coitado, ajudar as filhas. Afinal, ele tem que por gasolina no carro, viajar todo final de semana para ficar em pousadas agradáveis e conhecer os restaurantes da região.

Ele reclama que não tem um histórico profissional, que não construiu nada, que não tem renda, não tem aposentadoria.

Bem, eu podia dar várias respostas e fazer váaaaarias considerações. Mas neste momento, opto, conscientemente, por fingir que não vi, que não sei, que tenho cara de parede. Por que, sério, tô bege.

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Os dois últimos blocos do debate entre Chuchu e Lula Lelé assisti "ao vivo" (muito engraçada essa expressão...) pela internet. Quem vai ganhar o segundo turno? Nem imagino! Agora, quem "vamos" perder sei de cor e salteado.

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Alguém tem uma receita de Ovos Nevados pra mandar pra mim? Pode ser pelos comentários pra partilhar. Você, doce criatura, que freqüenta a Fal. Você que gosta de meter a mão na massa. Você que veio parar aqui por acaso depois de dar uma busca por Lula pensando em gastronomia... dá essa ajudinha pra mim, dá?

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Gente, pela internet é muito mais legal! Eles esquecem de desligar a câmera e o áudio (será que esquecem mesmo? hohoho) e você vê e escuta coisas fantásticas.

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Bom crianças, é isso. Vou tentar ler um pouco. Depois dessa bobajada toda leitura de qualidade é algo imperativo. Ou então C.S.I na tv paga. Escapismo com prestações mensais.

Boa noite.

Obs.: Sim, vou votar no Lula novamente. Se eu estou feliz com esse voto? Aí são outros quinhentos...

25.10.06

Por toda parte

Eles estão por toda parte. Nas copas das árvores, nos bueiros, nas esquinas, na contracapa dos livros.

Ouvem nossa respiração, sentem nosso pulso, variam com nossa pressão.

E nós acordamos, vivemos, falamos, pensamos, dormimos e não notamos. Que eles estão por toda parte.

Eles: os imprevistos, os acidentes, os infortúnios, as coincidências. Estão lá, quietinhos, à nossa espera.

Crianças, a coluna lá do Armazém literário está atualizada. Vão lá!

24.10.06

18.10.06

Guarda-móveis

Minha vida está no guarda-móveis
Mas a chave emperrou

Lembranças
Histórias
Carreira
Tudo entulhado

Teias de aranha
E desenhos fantasmagóricos
Frutos de infiltração
Completam o cenário

Quero pegar minha vida de volta
Mas a chave emperrou

Saio decidida então
A recuperar meu bichinho de estimação:
Família.

Família é uma gracinha
Sai sempre bem na foto
E é comentada pela vizinha

Chego a veterinária e o
Médico reclama que,
Nessa curta estadia
Família já mordeu três funcionários
Fez xixi nos quatro cantos
E um grande cagalhão
No salão da entrada.
Família sempre faz merda...

Constrangida, peço que
Bote família na casinha
Para que eu possa levar
O veterinário me explica
- Não dá
Família está com pulga e carrapatos
Apesar dos diários cuidados

Tem, além disso
Uma grave doença
Em período de contágio

Sem Família e sem Vida
Volto para casa
Espectro de mim mesma
Fantasminha querida
-------------------------

Deem sempre os créditos, ok? Esse é meu mesmo.

2.10.06






Catarina não é uma gata. É uma sombra.

de Fabrício Carpinejar

Casar, ter filhos e assumir um emprego fixo
fora o máximo exigido de mim,
não é o máximo que poderia exigir.

Fundei meu mundo para contar
com a possibilidade de afundar nele.

In: CARPINEJAR, Fabrício. Biografia de uma
árvore
. São Paulo: Escrituras Editora, 2002.

30.9.06

Voo 1907 da Gol

Segundo o Jornal da Noite, da Band, a Infraero acabou de confirmar que a queda do avião da Gol foi consequência da colisão com um jato executivo Legacy.

Bom, para mim experiências negativas com a Gol não são novidades... Para quem não lembra ou não leu, está aqui.

21.9.06

Atualizado

Armazém Literário atualizado. Poema inédito. Vai lá!
Completando 34 anos não quero saber de onde viemos nem para onde vamos. Pouco me importa com quantos paus se faz uma canoa, se quem veio primeiro foi o ovo ou a galinha, pq o céu é azul. Só quero saber uma coisa: onde diabos foram parar os homens bonitinhos, gostosinhos, heteros e disponíveis?!?

Pergunta cru-ci-al. Entonces, fui buscar a resposta com um oráculo de inquestionável sapiência: mamã.

- Ora minha filha, estão no mesmo lugar que os guarda-chuvas e pés de meia perdidos.
- ...

Claro, eu sou uma besta.

Eu e H. Kurtz


Pra comemorar esse aniversário em que o corpitcho está bacaninha, foto da época do manequim 46 (ui!)

17.9.06

Não se espante...

Não se espante...
Não se espante e me desculpe... se estou alheia, se estou cheia, se
não quero saber nem de mim nem de ti.

Não se culpe,
se o dia não amanhecer
se o sol não nascer
para o meu olhar ou para o seu...

só cansei.
de tentar
de buscar


lamento muito
que minha alma sejam frágil
que meu corpo seja frágil
que você se faça em mim

lamento tanto
que o meu pranto
não seja o tanto
que ao esperar

deseja em si

14.9.06

Poema em Linha Reta - Fernando Pessoa (Álvaro de Campos)

Nunca conheci quem tivesse levado porrada.
Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.
E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil,
Eu tantas vezes irrespondivelmente parasita,
Indesculpavelmente sujo.
Eu, que tantas vezes não tenho tido paciência para tomar banho,
Eu, que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo,
Que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das etiquetas,
Que tenho sido grotesco, mesquinho, submisso e arrogante,
Que tenho sofrido enxovalhos e calado,
Que quando não tenho calado, tenho sido mais ridículo ainda;
Eu, que tenho sido cômico às criadas de hotel,
Eu, que tenho sentido o piscar de olhos dos moços de fretes,
Eu, que tenho feito vergonhas financeiras, pedido emprestado sem pagar,
Eu, que, quando a hora do soco surgiu, me tenho agachado
Para fora da possibilidade do soco;
Eu, que tenho sofrido a angústia das pequenas coisas ridículas,
Eu verifico que não tenho par nisto tudo neste mundo.

Toda a gente que eu conheço e que fala comigo
Nunca teve um ato ridículo, nunca sofreu enxovalho,
Nunca foi senão príncipe - todos eles príncipes - na vida...

Quem me dera ouvir de alguém a voz humana
Que confessasse não um pecado, mas uma infâmia;
Que contasse, não uma violência, mas uma cobardia!
Não, são todos o Ideal, se os oiço e me falam.
Quem há neste largo mundo que me confesse que uma vez foi vil?
Ó principes, meus irmãos,

Arre, estou farto de semideuses!
Onde é que há gente no mundo?

Então sou só eu que é vil e errôneo nesta terra?

Poderão as mulheres não os terem amado,
Podem ter sido traídos - mas ridículos nunca!
E eu, que tenho sido ridículo sem ter sido traído,
Como posso eu falar com os meus superiores sem titubear?
Eu, que venho sido vil, literalmente vil,
Vil no sentido mesquinho e infame da vileza.

Sabe quando: o despertador não toca, o leite derrama, a torrada queima, o ônibus não passa, o caixa eletrônico está quebrado, o chefe entra na sua sala no único momento em que você parou de trabalhar e está dando uma puta espreguiçada, a reunião atrasa, o relatório tem um erro gritante que você não viu, o salto quebra, o computador congela e cai um toró na hora de ir embora? E quando chega em casa e descobre que esqueceu a chave no escritório?

É. É assim que eu estou me sentindo.
Ninguém disse que ia ser fácil...

4.9.06

Chove loucamente, gotas grossas, barulhentas. A gata inquieta, como se a água lá fora fosse uma ofensa. Eu gosto. Sempre gostei de chuvas, ventanias e tempestades. Me acalma a alma. Apazigua os pensamentos.

Ouço a Xuxa Preta do Boato. A gata se cansa. E dorme.

Eu insone, imune ao efeito das horas seguidas de vigília. Imune aos encantos de Morfeu.

Penso nos dissabores do dia. Na conversa boa no msn. Na conveniência do identificador de chamadas do celular.

Brasov. Bom, muito bom. Saudades do Levi.

Quando a chuva parar seco os cabelos. Até lá, que ela me engula.

2.9.06

Blog Day

Pryscilla – tirinhas e cartuns maravilhosos.
Cria Minha – dia a dia delicado.
Cep 20.000 - não se nega as origens...
A canção é tudo – poesia daqui e de lá.
Catarro Verde – curto e grosso não... claro e objetivo!

Divirtam-se!

27.8.06

Lembranças bizarras da infância 1

Minha irmã foi um bebezão branco com enormes e inacreditáveis olhos azuis. Era lindo. Ontem me lembrei, sei lá por que, de um dos momentos mais aterrorizantes que experimentei na infância, relacionados com ela. Uma criança chegou, encantada, e propôs: vamos pegar os olhos da sua irmã pra ver como fica na gente?

Corta.

Na mesma semana meu pai, um homem muito sensato - oh, céus! - me leva para assistir Un chien andalou, na cinemateca do MAM.



18.8.06

SEM POESIA, NEM PORRADA - Bruno Cattoni

Meu poeta preferido: parabéns! Que o sol te abençoe,
sempre.


SEM POESIA, NEM PORRADA - Bruno Cattoni

Simplesmente os recados foram dados
Que não temos nada a ver com isso
Que percorremos quase todos os ninhos
Sem nos acharmos nascidos
Que molestamos quase todo mundo
Sem obtermos calor, ou menos perigo
Que somos pó em plena vida
Sem a ele termos sido reduzidos
Simplesmente pó, sem poesia, nem porrada

Bruno Cattoni é poeta com P maiúsculo, jornalista, amigo e criatura solar.
E esse sábado é dele.

Vá nas livrarias e exija.

1.8.06

Aqui e no Cronópios

Período feliz, produtivo: FLAP!, Armazém Literário e agora Cronópios!
Prometo, prometo que vou atualizar a casa :)
Boa semana pra todos.

Chacal, Claro.

Chacal abrindo os trabalhos na FLAP!:

poeta marginal é o que vive ...
à margem ...
dos suplementos
das editoras
das livrarias

poeta marginal é o que vive !

o resto é academia.

18.7.06

Mais Dedo de Moça!

Dedo de Moça agora também no Armazém Literário. Vai lá!
E não se esqueça: se você está no Rio ou em Sampa, está na hora de se inscrever na FLAP! A programação e o release estão aí embaixo, assim como o e-mail para fazer as inscrições (afinal, o evento é gratuito!).
Esse final de semana no Rio e o próximo em Sampa!

FLAP! 2006 - Programação

Rio de Janeiro
SÁBADO, 22 DE JULHO

10h
ARENA LIVRE - ONDE ESTAMOS?
Mediador:
Thiago Ponce
Poeta

Participantes:
- Antonio Vicente Pietroforte
Prof. da Lingüística, FFLCH-USP
- Marcus Alexandre Motta
Prof. de Literatura Portuguesa e Artes, UERJ
- Virna Teixeira
Poeta

12h
PERIFERIAS?
Mediador:
Pedro Tostes
Escritor, Poesia Moloque(i)rista

Cultura Contemporânea: Redefinição do Centro e da Periferia
Affonso Romano de Sant'Anna
Escritor e Crítico Literário

15:30h
GESTÃO DE POLÍTICAS CULTURAIS
Mediador:
Raphael Vidal
Revista Bagatelas

Participantes:
- Jorge Rocha
Escritor e Jornalista
- Anna Paula Martins
Editora Dantes



DOMINGO, 23 DE JULHO

12h
“...MALDITOSNEOBARROCOSLNGUAGEMMARGINAIS
NEOCONCRETOSMALARMAICOSDRUMMONDANO DILUIDORES..."
Mediadora:
Priscila Andrade
Poeta

Participantes:
- Afonso Henriques Neto
Poeta
- Sérgio Cohn
Poeta, Editor da Azougue Editorial
- Chacal
Poeta

15:30h
ARENA LIVRE - PARA ONDE VAMOS?
Mediador:
Marcelino Freire
Escritor

Participantes:
- Claudia Roquette-Pinto
Poeta
- Maria Rezende
Poeta
- Fabio Aristimunho Vargas
Poeta
- Francisco Bosco
Ensaísta

São Paulo
SÁBADO, 29 DE JULHO

10h
ARENA LIVRE - ONDE ESTAMOS?
Mediador:
Eduardo Lacerda
Poeta, Editor do O Casulo

Participantes:
- José Antonio Pasta Jr.
Prof. de Lit. Brasileira, FFLCH-USP
- Frederico Barbosa
Poeta e Diretor da Casa das Rosas
- Manuel da Costa Pinto
Crítico Literário
- Xico Sá
Escritor
- Tarso de Melo
Poeta

12h
PERIFERIAS?
Mediador:
Allan da Rosa
Poeta, Edições Toró

Participantes:
- Bruno Zeni
Escritor e crítico literário
- Ferréz
Escritor
- Sérgio Vaz
Escritor
- Sérgio Bianchi
Cineasta

15:30h
GESTÃO DE POLÍTICAS CULTURAIS
Mediador:
Victor del Franco
Poeta

Participantes:
- Donny Correia
Poeta, Coordenador Cultura, Casa das Rosas
- Maria Silvia Betti
Depto. Letras Modernas, FFLCH-USP
- Ademir Assunção
Poeta
- Soninha Francine
Vereadora



DOMINGO, 30 DE JULHO

12h
“...MALDITOSNEOBARROCOSLNGUAGEMMARGINAIS
NEOCONCRETOSMALARMAICOSDRUMMONDANO DILUIDORES..."
Mediador:
Marcelo Rezende
Jornalista e Escritor

Participantes:
- Ricardo Lísias
Escritor e Crítico Literário
- Luiz Ruffato
Escritor
- Claudio Willer
Poeta
- Cláudio Daniel
Poeta, Editor da Zunái

15:30h
ARENA LIVRE - PARA ONDE VAMOS?
Mediadora:
Daniela Oswald Ramos
Poeta

Participantes:
- Ivan Marques
Jornalista, Editor do Entrelinhas, TV Cultura
- Andréa Catropa
Poeta, crítica literária, editora do O Casulo
- Nelson de Oliveira
Escritor
- Dirceu Villa
Poeta

12.7.06

FLAP! 2006 - RJ ou SP: inscreva-se



A FLAP! 2006

Seguindo o tema Embates, com a proposta de debater visões distintas sobre literatura e manter vivo um terreno fértil de questionamentos, a FLAP! 2006 acontece em dois fins de semana de julho. Dias 29 e 30 o Espaço dos Satyros I, teatro localizado na Praça Roosevelt, em São Paulo, recebe diversos debates com a presença de escritores, professores, editores, cineastas e muito outros participantes. A novidade neste ano é que a FLAP! também acontece no Rio de Janeiro, nos dias 22 e 23 de julho na UniverCidade (Unidade Ipanema). Como sempre, o evento é gratuito e aberto ao público em geral. Em ambas as cidades a programação inclui debates sobre políticas culturais, periferias e ainda mesas de debate em esquema de arena livre, abrindo espaço para uma reflexão sobre o presente e o futuro da literatura (“onde estamos?” e “para onde vamos?”).

O intuito da FLAP! é, ainda, evitar uma certa acomodação de opiniões nas mesas de discussão, quando todos parecem concordar com todos (e as discordâncias acabam sendo relegadas ao plano da fofoca). Vamos criar um espaço em que fiquem mais claros critérios e distintas nuances entre posições.

A edição de São Paulo traz, dentre outros convidados, o cineasta Sérgio Bianchi, a vereadora Soninha Francine, o crítico Manuel da Costa Pinto, o jornalista Ivan Marques e escritores como Luiz Ruffato, Frederico Barbosa, Claudio Willer e Xico Sá. Já o Rio de Janeiro conta com a participação de escritores como Affonso Romano de Sant’Anna, Chacal, Afonso Henriques Neto, Claudia Roquette-Pinto e Marcelino Freire.

A FLAP! nasceu em julho de 2005 como uma contra-proposta à FLIP (Festa Literária Internacional de Parati), um evento que o grupo entende como direcionado ao público de classe alta, caro para muitos estudantes (o acesso à palestras e shows é cobrado), além de focar preferencialmente em autores de best-sellers e estrelas de televisão; ainda que acabe trazendo escritores e críticos importantes.

Organizada por estudantes do curso de Letras (FFLCH) da Universidade de São Paulo e da Academia de Letras da São Francisco (Direito), a FLAP! 2005 reuniu mais de 300 pessoas no Teatro dos Satyros na Praça Roosevelt e teve divulgação nos principais veículos literários por reunir professores universitários, críticos e os principais escritores do cenário paulista em palestras acaloradas. Agora em 2006 mais estudantes de outros cursos da USP, assim como escritores e estudantes de Letras no Rio de Janeiro, colaboram em sua organização.

Por fim, a sigla FLAP! que surgiu como uma brincadeira aludindo à sigla Flip, não significa, propositalmente, nada específico, apesar de seu conceito e sua proposta sólidos: discutir o cenário atual da literatura e forma abrangente e acessível. Assim, haverá novamente um concurso para o público criar significados para a sigla.

Para participar, basta se inscrever através do e-mail: inscricao@projetoidentidade.org

No próximo post, prometo a programação!

8.7.06

Catarina e eu

Catarina acredita que eu sou a gata.
Que eu estou a seu dispor.
Sou seu xodó, seu bichinho de estimação.

Acredita ainda que minha existência tem um único propósito: servi-la sempre. E da melhor maneira possível.

Providenciar seus banhos, suas refeições e seus lacinhos carmins. E coçar sua barriga e aninhar seu corpinho quilo e meio em meu colo.

O pior é que ela tem razão.

4.7.06

Enquanto a FLAP não vem... Ricardo Corona - Paisagem Narcisista

Estando sempre à luz do sol,
a paisagem, narcisista, insiste.
E viciada em flashes e ohs!
ela se entrega ao flerte
de turistas, banhistas e surfistas.

Sendo ela que o sol eternamente assiste,
a paisagem, narcisista, insiste,
retendo estampas na retina, como se
somente a sua performance existisse.

Mas nela meu olhar não se detém.
nenhum clic, espanto, nada.
A memória agora está além,
nem a mais linda imagem é guardada.

Eu, de passagem e a paisagem, de paisagem.
Em mim incide o que está depois da paisagem:
oásis, Iemanjá, sereia, miragem.

Ricardo Corona é autor de Cinemaginário, poemas (SP, Ed. Iluminuras, 1999) e do CD de poesia Ladrão de Fogo (Curitiba, Medusa edições, Coleção "Poesia Para Ouvir, 2001). Em 1998, organizou a antologia bilíngue de poesia contemporânea Outras Praias - 13 Poetas Brasileiros Emergentes / Other Shores - 13 Emerging Brazilian Poets (SP, Ed. Iluminuras). Com Eliana Borges, edita a revista de poesia e arte Medusa.

1.7.06

Entreato - Alexandre Sartorelli

Eu te darei as estrelas,
Não minto.
Uma dose de conhaque
Ou de absinto.
O sal do mar,
Um domingo.

Tudo em troca de teu riso.

Mais Sartorelli aqui: A canção é tudo.

28.6.06

Enquanto a FLAP não vem... Virna Teixeira - Visita

Criado-mudo:
bíblia e
rosário de contas.
Na cama, ao lado
a nudez
sem nome.

Virna Teixeira é poeta e tradutora. Nasceu em Fortaleza e mora em São Paulo há vários anos, onde trabalha como neurologista.
Publicou dois livros pela 7 Letras: Visita (2000) e Distância (2005). Colabora com várias revistas de poesia e periódicos. Publica traduções e inéditos no Papel de Rascunho, escreve com o poeta mexicano Jair Cortès no Los excessivos e é também colunista do Cronópios.


Em Julho você encontra Virna Teixeira na FLAP. Aguarde.

6.6.06

Mãos dadas

Não serei o poeta de um mundo caduco.
Também não cantarei o mundo futuro.
Estou preso à vida e olho meus companheiros.
Estão taciturnos mas nutrem grandes esperanças.
Entre eles, considero a enorme realidade.
O presente é tão grande, não nos afastemos.
Não nos afastemos muito, vamos de mãos dadas.

Não serei o cantor de uma mulher, de uma história,
não direi os suspiros ao anoitecer, a paisagem vista da janela,
não distribuirei entorpecentes ou cartas de suicida,
não fugirei para as ilhas nem serei raptado por serafins.

O tempo é a minha matéria, o tempo presente, os homens presentes,
a vida presente.

Para ouvir na voz do poeta clique aqui

29.5.06

Quadrilha - Drummond. Depois Chico

">

Quadrilha de Carlos Drummond de Andrade, sempre atual, numa deliciosa releitura feita com legos. E o próprio Drummond recitando! Delícia, delícia... Eu tinha o disco, se perdeu em uma das mudanças. Se alguém tiver e quiser vender, trocar ou gravar em um cd para mim, agradeço.
Para finalizar, Chico Buarque, claro. Muito bom.

23.5.06

Momento Abobrinha

"No mundo atual está se investindo 5 vezes mais em remédios para virilidade masculina e silicone para mulheres do que na cura do Mal de Alzheimer. Daqui a alguns anos, teremos velhas de seios grandes e velhos de pau duro, mas eles não se lembrarão para que servem "

Não sei quem é o autor da pérola. Se alguém souber, por favor avise.

18.5.06

Encarando os fantasmas
pela segunda noite, sozinha:
coldplay. sozinha.
pela segunda vez.

Fantasmas 2 x 0 Priscila

16.5.06

FRAGMENTOS DE UM BARRACO AMOROSO - Xico Sá

Sim, homem é frouxo, só usa vírgula, no máximo um ponto e virgula; jamais um ponto final.

Sim, o amor acaba, como sentenciou a mais bela das crônicas de Paulo Mendes Campos: “Numa esquina, por exemplo, num domingo de lua nova, depois de teatro e silêncio; acaba em cafés engordurados, diferentes dos parques de ouro onde começou a pulsar...”

Acaba, mas só as mulheres têm a coragem de pingar o ponto da caneta-tinteiro do amor. E pronto. Às vezes com três exclamações, como nas manchetes sangrentas de antigamente, SANGUE, SANGUE, SANGUE!!!

Sem reticências...

Mesmo, em algumas ocasiões, contra a vontade. Sábias, sabem que não faz sentido prorrogação, os pênaltis, deixar o destino decidir na morte súbita.

O homem até cria motivos a mais para que a mulher diga basta, chega, é o fim!!!

O macho pode até sair para comprar cigarro na esquina e nunca mais voltar. E sair por ai dando baforadas aflitas no king-size do abandono, no Continental sem filtro da covardia e do desamor.

Mulher se acaba, mas diz na lata, sem metáforas.

Melhor mesmo para os dois lados, é que haja o maior barraco. Um quebra-quebra miserável, celular contra a parede, controle remoto no teto, óculos na maré, acusações mútuas, o diabo-a-quatro.

O amor, se é amor, não se acaba de forma civilizada.

Nem no Crato...nem na Suécia.

Se ama de verdade, nem o mais frio dos esquimós consegue escrever o “the end” sem uma quebradeira monstruosa.

Fim de amor sem baixarias é o atestado, com reconhecimento de firma e carimbo do cartório, de que o amor ali não mais estava.

O mais frio, o mais “cool” dos ingleses estrebucha e fura o disco dos Smiths, I Am Human, sim, demasiadamente humano esse barraco sem fim.

O que não pode é sair por ai assobiando, camisa aberta, relax, chutando as tampinhas da indiferença para dentro dos bueiros das calçadas e do tempo.

O fim do amor exige uma viuvez, um luto, não pode simplesmente pular o muro do reino da Carençolândia para exilar-se, com mala e cuia, com a primeira criatura ou com o primeiro traste que aparece pela frente.

E vamos ficando por aqui, pois já derrapei na curva da auto-ajuda como uma Kombi velha na Serra do Mar... e já já descambarei, eu me conheço, para o mundo picareta de Paulo Coelho. Vade retro.

O Carapuceiro não perdoa. Vá lá.

10.5.06

Casulo - Repeteco para esclarecimento

Um jornal carioca de poesia publicou este poema, meu, indicando equivocadamente outra poeta - de primeira linha por sinal - como autora. Bom, como o filho é meu, apresento de novo a cria:

Mudo de pele a cada manhã
abandono a alma pelo caminho toda a tarde
e renasço ao fim do dia

Os ânimos dançam um ciranda louca
tribal e selvagem
E eu apenas sinto
como um reflexo tardio
os seus cabelos nas minhas mãos

E me deixo levar pelo vento
como folha seca em prenúncio de tempestade
Retomo a alma no caminho de casa
Sempre acho que ainda não é tarde.

4.5.06

Uni-vos pela Arte! - Thiago Espósito

Manchete no jornal:

"Quadro polêmico com imagem religiosa é retirado de exposição"

"Dom Eusébio condena a obra"


O que mais eles condenam?
Camisinha?
Casamento gay?Livro?
Aborto?Anticoncepcional?

Já condenaram mouros,
bruxos, o riso, os loucos

Século XXI
Eles condenam artistas!

Márcia X
Duas picas de terços episcopais.

Lindo!

Não bastou a Idade Média?
Não bastou a ética grega surrupiada?

Conclamo vocês poetas,
Para botar pra fuder!

Vamos as igrejas
Chamar todo mundo
para encher a cara num boteco
ou dar um teco.

Não me chamam para
Encontrar Jesus?!

Vamos levar um som alto
Bem na frente de um culto

Igual sou obrigado a ouvir
Em frente a Igrejas

Ou esquinas da Ouvidor

Vamos distribuir folhetos
contando barbáries da Inquisição

Sujar os muros com escritos:
"Só a poesia expulsa demônio do corpo"

Esclarecer a verdadeira moral cristã:

Papa nazista e gay!
Padres censores
pedófilos
Políticos com vestimentas de pastores

Tem um monte na ALERJ
Pastores de ovelhas!
E o rebanho, lá!
Seguindo junto
Pedindo para
tirar quadros de exposições.

Para ler mais Poeta Perdigoto, vá lá!