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14.11.12

Vila


São dois andares, três quartos, dois banheiros, meia cozinha, uma sala, um quartinho de fundos, alguma muvuca.

Dois Sancho - muito pança -, nenhum Quixote. Um nu, duas cópias e um retrato. O retrato segue a gente com os olhos. Duros.

Duas gatas, seis cachorros, três crianças, cinco avós. Uma divorciada, um alcoólatra, uma viúva, uma incógnita, um charme.

Muitos carros, todos caros, todos gastos.

É uma vila, quase uma ilha. Todos em paz.

18.6.12

Sou aquela que toma dois Stilnox de 20 mg e não dorme.

Que tem tanto medo de não conseguir dormir - porque sabe que não vai conseguir - que depois de tomar os dois comprimidos à meia-noite vai lavar a louça e à uma da manhã põe a roupa na máquina. Depois senta no sofá e pensa: e agora? Água sanitária no chão da cozinha ou organizar os livros da estante por autor?

Sono? Presente. Cair no sono? Vai sonhando...

11.6.12


liquidação de cérebros:
bom e barato.
é só pegar.

liquidificação de cérebros.
bom, é barato.
E nem precisa pegar.

coisificação do cérebro.
bom...que ba-rat...
vai pegar?

22.5.12

Nada contra

‎"Não tenho nada contra homofóbicos. Eu, inclusive, tenho muitos amigos que são. O problema é que tem uns homofóbicos escandalosos, que não conseguem ser discretos. Ficam dando pinta que não gostam de gay, sabe?"
Nada contra


18.3.12

Ericson Pires.



Ericson falou e disse e fez. Depois falou mais. Bons sonhos poeta.


Poema em feitio de oração - Ericson Pires
para Zé Celso

Santo Santo Santo
3 x Santo
Rio São Sebastião
Geral Sebastião
Não vejo outro Rio
O Rio vira Mar

Santo Santo Santo
3 x Santo
Cidade de retalho
Flechada
Villegaignon
A baía é uma latrina
Guanabara

Santo Santo Santo
3 x 3
20 do 01
40 graus
7 flechas
Cidade aberta
Cidade fechada
O último Tamoio

Santo Santo Rio
Praia lotada
Sub Urbe caos
Estácio de Sá
Flechado
Praia
Rio Sebastião
Caos

Santo São Santo
Corte de lixo
Flamengo
Globo = biscoito
Era no tempo do Rei... era no tempo do Rei
Já era...
Só vejo flechas

São São Sebastiões
Em cada esquina
Em cada barraco
Em cada papelão
São Sebastiões
Flechados
Ignorados
Ofendidos

Sebastiões
Sem terra
Com fome
Sorrindo
Com a boca banguela
Da docidade maravilhosa

Sou Sou Sou Sou Sou
Sebastião sorrindo
Amarrado flechado
Na solar guanabara
ê, ê
Terra de índio brabo.



Ericson Pires nasceu no Rio de Janeiro. É poeta, performer. Fundador do Grupo Hapax, também é editor da Revista Global Brasil e militante da Rede Universidade Nômade. Doutor em Estudos de Literatura pela Puc-Rio é Professor Adjunto do Instituto de Artes da UERJ e participa do PACC (Programa Avançado de Cultura Contemporânea) da ECO-UFRJ. Publicou Cinema Garganta, em 2002; Cidade Ocupada, 2007 e Pele Tecido em 20 10.

17.9.11

aí vou levantar da cama, me espreguiçar, por qualquer coisa com tênis e correr. na praia.

mentira.

aí vou acordar, sentar na beira da cama, por o chinelo e fazer o café.

mentira.

aí vou acordar, descer descabelada, matar o resto do iogurte e me largar no sofá.

mentira.

aí vou acordar. virar de lado e dormir de novo.

bom dia.

5.9.11

Se tem alguém que fez um instantâneo preciso e precioso da produção literária atual foi o Ramon. Vale muito conferir: ramonmello.com.br

8.6.11

O Livro sobre Nada
Manoel de Barros. 


Com pedaços de mim eu monto um ser atônito.

Tudo que não invento é falso.

Há muitas maneiras sérias de não dizer nada, mas só a poesia é verdadeira.

Não pode haver ausência de boca nas palavras: nenhuma fique desamparada do ser que a revelou.

É mais fácil fazer da tolice um regalo do que da sensatez.

Sempre que desejo contar alguma coisa, não faço nada; mas se não desejo contar nada, faço poesia.

Melhor jeito que achei para me conhecer foi fazendo o contrário.

A inércia é o meu ato principal.

Há histórias tão verdadeiras que às vezes parece que são inventadas.

O artista é um erro da natureza.  Beethoven foi um erro perfeito.

A terapia literária consiste em desarrumar a linguagem a ponto que ela expresse nossos mais fundos desejos.

Quero a palavra que sirva na boca dos passarinhos.

Por pudor sou impuro.

Não preciso do fim para chegar.

De tudo haveria de ficar para nós um sentimento longínquo de coisa esquecida na terra — Como um lápis numa península.

Do lugar onde estou já fui embora.

E precisa de mais? Claro que não.

19.3.11

Figura e Fundo

Os livros, as cadeiras, as mesinhas: lembranças. A presença de uma história. E trazem a presença de. Então a partida se torna mais suportável. Os objetos de uma vida inteira, nessa nova casa, não se descaracterizam. Iniciam uma nova história, um novo compêndio de lembranças. Se tornarão no futuro a lembrança e a presença de outros. A minha talvez. Nessa nova casa a história que eles carregam não se perde. Se soma a uma nova, que tem início agora.

15.1.11

Leio Caio



Então é isso. O ano acabou, o ano começou. E eu continuo em branco. Não tenho vontade de escrever, então leio. Estou apaixonada por Caio F. Completamente. Poderia passar três dias trancada lendo. Mas faz sol e faz chuva e eu vou pra rua. Porque os dias são mais longos e a noite tarda e o fim da tarde - o fim da tarde é silêncio reconfortante. Então vou pra rua. E não escrevo. Leio. Leio Caio.


A foto é do Veríssimo. O Marcos.

21.11.10

Marcos Veríssimo:

Ruminando - http://ruminando.wordpress.com/

Ter estudado no Cap foi mesmo um privilégio.

5.10.10

os edifícios parecem tão altos. os pés se afundam na calçada, sob a chuva. tão fria, tão fina. a estrada tão distante. meus pés tão no chão.

leve. muito leve.


O tempo passa rápido e eu sorrio.




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- Por que você não tem atualizado o blog?
- Porque a vida toma muito tempo.


12.9.10



A paciente não reconheceu o entregador de frutas. Demonstrou evidente confusão mental.
Obs: tentou fazer o pagamento com biscoitos.

29.8.10

O Relatório Ota do Sexo



O cartunista Ota, que entre outras coisas foi editor da MAD por mais de 30 anos, está lançando pela editora Leya Cult/Barbanegra seu livro O Relatório Ota do Sexo.
Quer um preview do livro? Tá aqui.
Quer comprar pela internet? Tá aqui.
É do Rio e quer um desconto? Pra já.

O meu vou querer com autógrafo. Comprem, leiam e depois me contem.

28.4.10

Laranjeiras durante a minha adolescência inteira, como se não bastasse a falta de ônibus a partir das nove da noite, não tinha necas para se fazer.

Agora tem vários barzinhos, dois restaurantes/pizzarias razoáveis, umas cafeterias e delicatessens bacanas, vinho e champagne. E duas boites (de garotada, mas tem). Ah, e o chorinho no dia da feira!

Mas isso tudo é beeeeem recente. Morar em Laranjeiras era como morar numa tumba.Só tinha velhinho, babá e bebê. Um saco. Continua cheio de velhinhos, babás e bebês. E garotada. Mas agora também tem pessoas interessantes em cafés charmosos. Bem melhor...

26.4.10

Sarcasmo Involuntário

"Eu hoje aprendi que se a gente não tiver dinheiro para comprar um advogado o governo dá um pra gente."

Em rede nacional! Uns 10 anos? Cara, sou fã.

7.4.10

roxo



Chuva enviesada, da esquerda para a direita. O vento de trás pra frente. E a lama da poça que o ônibus atropela. No meio desse lamaçal ocre, marrom e cinza, meu guarda-chuva roxo alegra o dia. Roxo. A cor do clero, da nobreza, da prosperidade, da depressão, das orquídeas e do luto. Na última contagem, estávamos em 120. Mas na Presidente Vargas meu guarda-chuva roxo alegra meu dia.

4.3.10

O pinguelo do Aurélio

Segundo o Aurélio, resumidamente:

Pinguelo (s.m.) - 1.(chulo) O pênis. 2. (chulo) O clitóris.

E a minha preferida:

3. Antiga designação do partido liberal monárquico e de seus sectários.

Chulo.