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15.8.07
Silêncio de Girassóis, de Bruno Cattoni. Lançamento dia 22 de agosto de 2007

"DONA EDITH THOMPSON HOMEM MANTÉM, há dezoito anos,
a 'Creche Comunitária dos Girassóis', no Morro do Céu, comunidade
pobre de Niterói. A creche atende em tempo integral os
filhos dos catadores de lixo de um aterro sanitário. Eles ganham
comida, roupa, calçado e reforço escolar.
Moradora de Viçoso Jardim, bairro vizinho ao vazadouro,
D. Edith acompanhava diariamente o drama dos catadores quando,
em 1989, resolveu arregaçar as mangas e, por conta própria,
começou a trabalhar para oferecer mais dignidade às famílias. D.
Edith criou, então, a creche que chamou de 'girassóis' – a única
flor que nasce no lixo.
As crianças entram na creche às oito horas da manhã. Às
cinco da tarde, de banho tomado e alimentadas, elas aguardam a
chegada dos pais para voltarem às tendas do lixão, onde dormem.
A creche fornece quatro refeições por dia: café-da-manhã, almoço,
lanche e jantar.
Apesar do apoio que a instituição oferece às famílias, muitas
crianças foram abandonadas na Creche dos Girassóis. Alguns bebês
D. Edith recolheu nos arredores do vazadouro, dois ela adotou.
Lucas foi esquecido num caixote de papelão. Grampola estava
deitada no peito de um homem bêbado – ambos dormiam na
lama, sob uma tempestade."
Essa é a razão de ser do livro Silêncio de Girassóis, de Bruno Cattoni.
O livro conta, num longo poema ( 2.300 versos) a saga de D. Edith Homem, uma mulher que resgatou mais de mil crianças que trabalhavam ilegalmente nos vazadouros sanitários. O prefácio é do poeta amazonense Thiago de Mello, autor d'Os Estatutos do Homem.
O poeta, jornalista e ativista dos direitos humanos Bruno Cattoni prepara a terceira edição do Festival Poesia Voa, no Circo Voador, e está trabalhando com o Fórum Social Mundial, na realização do próximo evento do Fórum, o Rio Com Vida, em janeiro no Rio.
Bruno é editor de textos da TV Globo e membro da Ong Movimento Humanos Direitos (Mhud)
O quê: Lançamento de Silêncio de Girassóis, de Bruno Cattoni, Ed. 7 Letras.
Quando: 22 de agosto de 2007, quarta-feira, 19h.
Onde: Livraria da Travessa
Rua Visconde de Pirajá 572, Rio de Janeiro

>> Até a véspera do lançamento é possível fazer o download gratuito do livro, no site do poeta: www.brunocattoni.com
21.7.07
FLAP! 2007 - Contaminações
A segunda edição carioca da FLAP! acontecerá nos dias 4 e 5 de agosto, na PUC. O tema deste ano é Contaminações. Entre os nomes já confirmados estão Bruno Cattoni, Sylvio Back, Mano Mello, Cairo Trindade e a poeta e editora Thereza Christina Motta.
Este ano, além das palestras o evento terá leituras entre uma mesa e outra.
Leia o Release.
Em breve, disponibilizarei a programação.
Espero todos lá!
Este ano, além das palestras o evento terá leituras entre uma mesa e outra.
Leia o Release.
Em breve, disponibilizarei a programação.
Espero todos lá!
27.6.07
Eu poderia estar falando?
- Eu poderia estar falando com o Senhor José das Couves?
- Não, mas poderia estar indo a merda.
Atendentes de telemarketing, ativo ou passivo (sim, esses profissionais são foda mesmo!) não leem, não andam nas ruas, não assistem TV, rádio, não falam com os outros. Ou já saberiam que são piada, o porquê e voltariam a falar português.
28.5.07
Tanto Amor
O beijo de surpresa na escada
O coração em disparada
A mão alvoroçada
Pra nada...
Não se abriu o céu
Chuva que não cai
Não germinou o fruto
Ninhada que não vinga
Tanto amor...
Desabrochou, perfumou...
murchou
O desejo que não cedeu
A palavra que não falou
O silêncio que não calou
A saudade que não cresceu
Desabrochou, perfumou, murchou
Tanto amor...
Não adianta trocar a água
Adubar, regar a terra
Não tem mais broto
Não brota nada.
Lembra meu amor?
Desabrochou, perfumou, murchou
Pra nada
O coração em disparada
A mão alvoroçada
Pra nada...
Não se abriu o céu
Chuva que não cai
Não germinou o fruto
Ninhada que não vinga
Tanto amor...
Desabrochou, perfumou...
murchou
O desejo que não cedeu
A palavra que não falou
O silêncio que não calou
A saudade que não cresceu
Desabrochou, perfumou, murchou
Tanto amor...
Não adianta trocar a água
Adubar, regar a terra
Não tem mais broto
Não brota nada.
Lembra meu amor?
Desabrochou, perfumou, murchou
Pra nada
16.5.07
Notícias do Nepal
Meia-noite e meia, chego em casa do Jasmim Manga quentinha. Encontro postal do Guiga: que fecho bom pra noite, que coisa boa. Nepal, trilhas que duram pra lá de um mês e lá pelas tantas as perguntas inevitáveis, quase um default: "Será que a nossa galera tem futuro? Será que eu vou virar uma pessoa que presta? Será que consigo publicar o livro quando voltar?" Ah, Guiga... será? Te devolvo as perguntas: Será que ainda existe a "nossa galera"? Será que eu vou virar uma pessoa que presta pra mim? Será que alguém quer ler o que eu tenho pra mostrar? Será? Será que eu acordo amanhã?
Não faço a menor ideia.
Traga sim uma pétala seca do alto da montanha ou uma bandeirinha budista tibetana. Vou cobrar. Que bom te ler.
Te amo, meu amigo.
Fica bem.
13.5.07
Pé quebrado
Há um consenso geral
que o meu bom senso vai mal.
Sigo com meus versinhos de pés quebrados
ignorando os recados.
Se meu bom senso vai mal - dizem...
Digo eu que não faz mal:
Não me importo,
não tem importância.
Não tenho a ganância de nesse mundo boçal
ser o que o povo considera uma pessoa normal.
Nesse momento em que Babado Novo é um acontecimento
e Moreira da Silva caminha para o esquecimento
me dou ao direito de versos fáceis, rimas pobres,
que se perdem com o vento.
*****><*****
E digo mais: pouco me importa se são ou não sonetos, se a rima é pobre ou rica ou mesmo se rima. Não estou nem aí para a quantidade "correta" de estrofes, versos ou sílabas.
Barbarismo. Conhece? Pois é. Sou tão bárbara quanto meus versos. E por isso agradeço todos os dias.
*****><*****
O Armazém Literário está atualizado. Vai lá!
que o meu bom senso vai mal.
Sigo com meus versinhos de pés quebrados
ignorando os recados.
Se meu bom senso vai mal - dizem...
Digo eu que não faz mal:
Não me importo,
não tem importância.
Não tenho a ganância de nesse mundo boçal
ser o que o povo considera uma pessoa normal.
Nesse momento em que Babado Novo é um acontecimento
e Moreira da Silva caminha para o esquecimento
me dou ao direito de versos fáceis, rimas pobres,
que se perdem com o vento.
*****><*****
E digo mais: pouco me importa se são ou não sonetos, se a rima é pobre ou rica ou mesmo se rima. Não estou nem aí para a quantidade "correta" de estrofes, versos ou sílabas.
Barbarismo. Conhece? Pois é. Sou tão bárbara quanto meus versos. E por isso agradeço todos os dias.
*****><*****
O Armazém Literário está atualizado. Vai lá!
8.5.07
1.5.07
Estagnou
Estagnou. Sabe? Quando dá aquela estagnada básica? E aí você pensa: "Putz, e agora?". Aí pra piorar, você descobre que não tem "e agora". Porque não é você quem decide. A única decisão que você pode - ou poderia, mas aí já é outra discussão - tomar, é descer. Abandonar o barco. Mas isso... você quer? E fica aquela pergunta ali te atormentando os miolos: "mas nega, tá valendo a pena?". E você finge que não ouve. E continua lá, estagnada. Esperando que um vento sopre e você não tenha que resolver.
27.4.07
Jasmim Manga
Essa terça, dia 24, os irmãos Tornaghi convidaram a Thereza Christina Motta para, com o pessoal do Ponte de Versos, homenagear Hilda Hilst, que morreu em 2004.
Lá pelas tantas, Chama e Fumo, de Manuel Bandeira, na voz do Eduardo Tornaghi, me deixou ainda mais satisfeita com a noite tranquila, de harmonia mesmo.
Então compartilho aqui o poema, já que a noite e o clima... só se vocês aparecerem por lá na terça que vem. Vale a pena!
CHAMA E FUMO
Amor - chama, e, depois, fumaça...
Medita no que vais fazer:
O fumo vem, a chama passa...
Gozo cruel, ventura escassa,
Dono do meu e do teu ser,
Amor - chama, e, depois, fumaça...
Tanto ele queima! e, por desgraça,
Queimado o que melhor houver,
O fumo vem, a chama passa...
Paixão puríssima ou devassa,
Triste ou feliz, pena ou prazer,
Amor - chama, e, depois, fumaça...
A cada par que a aurora enlaça,
Como é pungente o entardecer!
O fumo vem, a chama passa...
Antes, todo ele é gosto e graça.
Amor, fogueira linda a arder
Amor - chama, e, depois, fumaça...
Porquanto, mal se satisfaça,
(Como te poderei dizer?...)
O fumo vem, a chama passa...
A chama queima... O fumo embaça.
Tão triste que é! Mas... tem de ser...
Amor?... - chama, e, depois, fumaça:
O fumo vem, a chama passa...
Teresópolis, 1911.
O quê:
Poesia
Com quem:
irmãos Tornaghi e convidados
Onde:
Jasmim Manga
Largo dos Guimarães, 143
Quando:
Terça-feira - Sempre!
das 19h30 às 23h30
Lá pelas tantas, Chama e Fumo, de Manuel Bandeira, na voz do Eduardo Tornaghi, me deixou ainda mais satisfeita com a noite tranquila, de harmonia mesmo.
Então compartilho aqui o poema, já que a noite e o clima... só se vocês aparecerem por lá na terça que vem. Vale a pena!
CHAMA E FUMO
Amor - chama, e, depois, fumaça...
Medita no que vais fazer:
O fumo vem, a chama passa...
Gozo cruel, ventura escassa,
Dono do meu e do teu ser,
Amor - chama, e, depois, fumaça...
Tanto ele queima! e, por desgraça,
Queimado o que melhor houver,
O fumo vem, a chama passa...
Paixão puríssima ou devassa,
Triste ou feliz, pena ou prazer,
Amor - chama, e, depois, fumaça...
A cada par que a aurora enlaça,
Como é pungente o entardecer!
O fumo vem, a chama passa...
Antes, todo ele é gosto e graça.
Amor, fogueira linda a arder
Amor - chama, e, depois, fumaça...
Porquanto, mal se satisfaça,
(Como te poderei dizer?...)
O fumo vem, a chama passa...
A chama queima... O fumo embaça.
Tão triste que é! Mas... tem de ser...
Amor?... - chama, e, depois, fumaça:
O fumo vem, a chama passa...
Teresópolis, 1911.
O quê:
Poesia
Com quem:
irmãos Tornaghi e convidados
Onde:
Jasmim Manga
Largo dos Guimarães, 143
Quando:
Terça-feira - Sempre!
das 19h30 às 23h30
24.4.07
Margarida na verdade é travesti. Ou seja: ela e Donald não só são o primeiro casal gay das histórias em quadrinhos infantis, como são também os primeiros a conseguir a guarda de três crianças. Viram? Tio Disney não era reacionário como dizem, na realidade era um cara ousado, um agitador dos valores e dos costumes.
Nenhum personagem de Disney tem pai ou mãe. Quando um deles tem, como Bambi, por exemplo, imediatamente fica órfão, de modo cruel e traumático. Daí levantamos as seguintes questões:
- Disney era órfão?
- Não sendo órfão: Disney odiava sua mãe?
- Seria a mãe de Disney uma pedófila que abusava do filho?
Sim, questões essenciais para entendermos os rumos da humanidade.
22.4.07
Serpente
A língua bipartida sibila, silvos agudos que penetram os ouvidos, a pele, as entranhas, como um alfinete. Fino e profundo. E neste caso em brasa, para estancar qualquer possibilidade, ainda que remota, de sangramento. Apagar qualquer rastro ou vestígio é uma meta.
Ela se aproxima sorrateira, sempre sorrindo angelical, serpenteando e sibilando libidinosamente. Escorregadia, envolve a presa – ele – que excitado e aterrorizado goza a cada segundo, de terror e curiosa incógnita. O que vem a seguir? A mulher quente, úmida e submissa? Ou a serpente venenosa, ardilosa, com suas presas e seus sibilos mortais?
Ambas lhe são igualmente atraente e sedutoras. Gostaria de devorá-la em uma só dentada, ser devorado em menos de um segundo por cada uma dessas criaturas. Criaturas que se fundem em uma única. Fêmea de aspecto agradável, mas nada além disso. Nem feia, nem bonita. Apenas agradável. Sua visão é confortável, no entanto não atrai olhares. Mas quando cruza com eles... almas perdidas.
Hipnótica, psicotrópica. Ímã. Cada desventurado que tem a infelicidade de um cruzar de olhares com a serpente, perde naquele momento sua alma e o controle sobre sua vida. Escravidão demandada. Servidão implorada.
E seu séquito de seguidores cegos e inebriados, cresce a cada dia. Uma gigantesca multidão. Escondidos na rotina do dia-a-dia, dos escritórios, dos bares e das esquinas, dão o sangue para garantir a sobrevida de sua Senhora.
Por que se alimenta de suor, sangue, ansiedade, angústia, inveja, ciúmes e descontroles.
Vil, ignóbil, infame. Eficiente na construção da imagem de inacessibilidade. Que torna seus gestos, hábitos, crenças e ações torpes em objetos de desejo. O desejo em que cada um de seus servos quer mostrar que ele, e apenas ele, é Aquele que alcança e que sim, é capaz de fazê-la mudar. Eficiente, a víbora, em fazer crer em ilusões.
Ela se aproxima sorrateira, sempre sorrindo angelical, serpenteando e sibilando libidinosamente. Escorregadia, envolve a presa – ele – que excitado e aterrorizado goza a cada segundo, de terror e curiosa incógnita. O que vem a seguir? A mulher quente, úmida e submissa? Ou a serpente venenosa, ardilosa, com suas presas e seus sibilos mortais?
Ambas lhe são igualmente atraente e sedutoras. Gostaria de devorá-la em uma só dentada, ser devorado em menos de um segundo por cada uma dessas criaturas. Criaturas que se fundem em uma única. Fêmea de aspecto agradável, mas nada além disso. Nem feia, nem bonita. Apenas agradável. Sua visão é confortável, no entanto não atrai olhares. Mas quando cruza com eles... almas perdidas.
Hipnótica, psicotrópica. Ímã. Cada desventurado que tem a infelicidade de um cruzar de olhares com a serpente, perde naquele momento sua alma e o controle sobre sua vida. Escravidão demandada. Servidão implorada.
E seu séquito de seguidores cegos e inebriados, cresce a cada dia. Uma gigantesca multidão. Escondidos na rotina do dia-a-dia, dos escritórios, dos bares e das esquinas, dão o sangue para garantir a sobrevida de sua Senhora.
Por que se alimenta de suor, sangue, ansiedade, angústia, inveja, ciúmes e descontroles.
Vil, ignóbil, infame. Eficiente na construção da imagem de inacessibilidade. Que torna seus gestos, hábitos, crenças e ações torpes em objetos de desejo. O desejo em que cada um de seus servos quer mostrar que ele, e apenas ele, é Aquele que alcança e que sim, é capaz de fazê-la mudar. Eficiente, a víbora, em fazer crer em ilusões.
13.4.07
29.3.07
Você sabe?
Você sabe? Então me conta? Conta, vai... Eu, eu não sei. Me explica. Me explica como é ser objetivo e prático. Como traçar uma reta e não desviar com pequenas distrações. Me explica como se dorme. Nossa, como se dorme?!? Eu não lembro mais... aliás, não lembro nem se algum dia eu soube como era.
O estranho não é eu conversar com a gata. O estranho é eu entender tudo que ela fala. E nada do que acontece a minha volta. Não sei o que as pessoas querem, não sei o que eu tenho que fazer. Nem como. Nem por que (ou é porque? ou porquê? ou por quê? caramba, nem a língua ajuda!). Você sabe? Que caminho tem que seguir? Se sabe, conta pra mim: como é que você fez pra saber? Se não sabe, conta pra mim: como é que você convive com isso?
Leio cadernos antigos e constato sem dúvida alguma que o passar dos anos não me traz sabedoria. Pelo contrário, tenho emburrecido a olhos vistos. Isso também acontece com você? Daqui a 10 anos estarei analfabeta? Já estou semi, não tenho dúvidas.
Vamos fazer isso? Conta pra mim? Então é isso. Me conta. As dúvidas, as certezas, as broncas, os desisteresses. Me conta. Quem sabe eu descubro que não sou só eu... Ou, ainda, descubro que eu sou uma besta mesmo. Mas aí pelo menos eu vou ter certeza que eu sou uma besta. Porque hoje (junto, separado, com ou sem acento???) eu não sei nada. Então me conta. O que você quiser.
O estranho não é eu conversar com a gata. O estranho é eu entender tudo que ela fala. E nada do que acontece a minha volta. Não sei o que as pessoas querem, não sei o que eu tenho que fazer. Nem como. Nem por que (ou é porque? ou porquê? ou por quê? caramba, nem a língua ajuda!). Você sabe? Que caminho tem que seguir? Se sabe, conta pra mim: como é que você fez pra saber? Se não sabe, conta pra mim: como é que você convive com isso?
Leio cadernos antigos e constato sem dúvida alguma que o passar dos anos não me traz sabedoria. Pelo contrário, tenho emburrecido a olhos vistos. Isso também acontece com você? Daqui a 10 anos estarei analfabeta? Já estou semi, não tenho dúvidas.
Vamos fazer isso? Conta pra mim? Então é isso. Me conta. As dúvidas, as certezas, as broncas, os desisteresses. Me conta. Quem sabe eu descubro que não sou só eu... Ou, ainda, descubro que eu sou uma besta mesmo. Mas aí pelo menos eu vou ter certeza que eu sou uma besta. Porque hoje (junto, separado, com ou sem acento???) eu não sei nada. Então me conta. O que você quiser.
23.3.07
O Princípio e o Verbo
No princípio não era o verbo
No princípio era a visão e a pulsação
Curiosidade, excitação, empolgação
No princípio era lisérgico
Urgente
Premente
Incandescente
Então tornou-se o verbo
E o verbo era Deus
E nos diz o livro:
"O verbo se fez carne,
E habitou entre nós"
E a carne é incandescente
Premente
Urgente
Queima e refresca
A carne é una
é chama e alimento
A carne somos nós.
A carne é união
E a união não tem pressa
Porque a união é.
No princípio era a visão e a pulsação
Curiosidade, excitação, empolgação
No princípio era lisérgico
Urgente
Premente
Incandescente
Então tornou-se o verbo
E o verbo era Deus
E nos diz o livro:
"O verbo se fez carne,
E habitou entre nós"
E a carne é incandescente
Premente
Urgente
Queima e refresca
A carne é una
é chama e alimento
A carne somos nós.
A carne é união
E a união não tem pressa
Porque a união é.
15.3.07
Inédito Gratuito de Bruno Cattoni
O livro inédito Silêncio de Girassóis, do poeta e jornalista Bruno Cattoni, está disponível para download gratuito em seu site, na seção de livros. O link pro livro na home do site faz o download também.
Na seção Matérias, SLAM, sobre SLAM POETRY vale a leitura.
A atualização de poemas e matérias é semanal. Vai lá!
www.brunocattoni.com
Na seção Matérias, SLAM, sobre SLAM POETRY vale a leitura.
A atualização de poemas e matérias é semanal. Vai lá!
www.brunocattoni.com
9.3.07
Caminhos precisos
Olhos de bem-querer
gulosos de sorrisos
oferecendo-se como ponte
caminhos precisos
3.3.07
Se você morasse aqui
Hoje, se você morasse aqui, eu ia te chamar pra tomar um chope. E você eu não sei, mas eu ia beber além da conta e ia te levar pra praia no meio da madrugada e você ia entrar em pânico porque eu, bêbada, ia resolver tomar banho nua e então um policial ia aparecer querendo nos prender por atentado ao pudor. Mas não seríamos presos não, porque somos brasileiros, moradores do Rio de Janeiro, então você subornaria o guarda que aceitaria. Aí eu me vestiria, molhada, roupa grudada no corpo, passeando pela avenida principal do bairro do Leblon cantando a plenos pulmões durante o raiar do dia, inconveniente como todos os bêbados costumam ser. E você ali, sem saber se ri ou se me odeia, que bosta de noite, que mulher cretina, onde é que eu me meti? você ia se perguntar, mas não ia se dar ao trabalho de se responder e ia simplesmente me levar pra sua casa porque eu ia perder a chave da minha e eu ia sujar o seu tapete novo de areia e salgar o seu sofá e falar indecências pra sua empregada evangélica, que ia ficar horrorizada, gente sem religião essa, credo, Deus perdoe, Deus não tem nada a ver com isso não minha filha, às gargalhadas eu retrucando e você tentando me enfiar no chuveiro e eu gritando, tá vendo Dalva, ele quer fazer saliência comigo, gargalhando, gargalhando e ela chocada, que esse povo num tem mesmo religião, ah Dalva, se a gente não tivesse religião era melhor, o mundo vivia na paz, por que você sabe né Dalva? que toda grande guerra é Santa! Ah, sabe não? Tá, então tá, então vai passar um café forte, não! eu não quero café não, eu quero aquele red label que tá no seu armário, muquirana e... ia desabar dormindo no seu sofá.
Então eu ia acordar. E você, como é uma gracinha, ia ter me colocado confortável pra dormir em um quarto escurinho, com ar condicionado. E ia me trazer café na cama. E iria dizer com sinceridade que Tudo bem, não tem problema. Todo mundo já deu um vexame na vida e você se comportou bem, mesmo nós dois sabendo que eu tinha sido uma típica bêbada: chata, insuportável, inconveniente. Mas você seria de uma puta amizade e iria me dar aspirina com gatorade pra passar a ressaca. E ia me fazer cafuné enquanto veríamos um dvd. Depois, procuraríamos um chaveiro, iríamos até a minha casa e eu faria um jantar pra me desculpar. E acabaríamos dormindo na sala, com o som ligado, cercados de fotos.
Isso, se você morasse aqui. Mas você não mora.
Então eu ia acordar. E você, como é uma gracinha, ia ter me colocado confortável pra dormir em um quarto escurinho, com ar condicionado. E ia me trazer café na cama. E iria dizer com sinceridade que Tudo bem, não tem problema. Todo mundo já deu um vexame na vida e você se comportou bem, mesmo nós dois sabendo que eu tinha sido uma típica bêbada: chata, insuportável, inconveniente. Mas você seria de uma puta amizade e iria me dar aspirina com gatorade pra passar a ressaca. E ia me fazer cafuné enquanto veríamos um dvd. Depois, procuraríamos um chaveiro, iríamos até a minha casa e eu faria um jantar pra me desculpar. E acabaríamos dormindo na sala, com o som ligado, cercados de fotos.
Isso, se você morasse aqui. Mas você não mora.
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