Estou voltando. Aos poucos. Segue
abaixo o primeiro do movimento lento de retorno. Em seguida, minhas leituras
atuais.
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4.7.05
Ana Cristina César
FAGULHAS
Abri curiosa
o céu.
Assim, afastando de leve as cortinas.
Eu queria rir, chorar,
ou pelo menos sorrir
com a mesma leveza com que
os ares me beijavam.
Eu queria entrar,
coração ante coração,
inteiriça,
ou pelo menos mover-me um pouco,
com aquela parcimônia que caracterizava
as agitações me chamando.
Eu queria até mesmo
sabe ver,
e num movimento redondo
como as ondas
que me circundavam, invisíveis,
abraçar com as retinas
cada pedacinho de matéria viva.
Eu queria
(só)
perceber o invislumbrável
no levíssimo que sobrevoava.
Eu queria
apanhar uma braçada
do infinito em luz que a mim se misturava.
Eu queria
captar o impercebido
nos momentos mínimos do espaço
nu e cheio.
Eu queria
ao menos manter descerradas as cortinas
na impossibilidade de tangê-las.
Eu não sabia
que virar pelo avesso
era uma experiência mortal.
Poema extraído do livro "INÉDITOS
E DISPERSOS", editora Brasiliense
Abri curiosa
o céu.
Assim, afastando de leve as cortinas.
Eu queria rir, chorar,
ou pelo menos sorrir
com a mesma leveza com que
os ares me beijavam.
Eu queria entrar,
coração ante coração,
inteiriça,
ou pelo menos mover-me um pouco,
com aquela parcimônia que caracterizava
as agitações me chamando.
Eu queria até mesmo
sabe ver,
e num movimento redondo
como as ondas
que me circundavam, invisíveis,
abraçar com as retinas
cada pedacinho de matéria viva.
Eu queria
(só)
perceber o invislumbrável
no levíssimo que sobrevoava.
Eu queria
apanhar uma braçada
do infinito em luz que a mim se misturava.
Eu queria
captar o impercebido
nos momentos mínimos do espaço
nu e cheio.
Eu queria
ao menos manter descerradas as cortinas
na impossibilidade de tangê-las.
Eu não sabia
que virar pelo avesso
era uma experiência mortal.
Poema extraído do livro "INÉDITOS
E DISPERSOS", editora Brasiliense
27.6.05
Armando Freitas Filho - Entre nós até o segredo
Entre nós até o segredo
mais cheio de dedos
é escrito
e escarrado
no olho da rua, nos muros — para todos —
sem temer que venha a furo
a dor do tumor
e o que era antes
de um inaudível vermelho
agora ruge
feito uma ferida
fora das grades.
mais cheio de dedos
é escrito
e escarrado
no olho da rua, nos muros — para todos —
sem temer que venha a furo
a dor do tumor
e o que era antes
de um inaudível vermelho
agora ruge
feito uma ferida
fora das grades.
In: FREITAS FILHO, Armando. 3x4, 1981/1983. Rio
de Janeiro: Nova Fronteira, 1985. (Poesia brasileira). Poema integrante da série
Durante.
26.6.05
Hilda Hilst - PORQUE HÁ DESEJO EM MIM, É TUDO CINTILÂNCIA
E por que haverias de querer minha alma
Na tua cama?
Disse palavras líquidas, deleitosas, ásperas
Obscenas, porque era assim que gostávamos.
Mas não menti gozo prazer lascívia
Nem omiti que a alma está além, buscando
Aquele Outro. E te repito: por que haverias
De querer minha alma na tua cama?
Jubila-te da memória de coitos e de acertos.
Ou tenta-me de novo. Obriga-me.
(Do Desejo - 1992)
* * *
Colada à tua boca a minha desordem.
O meu vasto querer.
O incompossível se fazendo ordem.
Colada à tua boca, mas descomedida
Árdua
Construtor de ilusões examino-te sôfrega
Como se fosses morrer colado à minha boca.
Como se fosse nascer
E tu fosses o dia magnânimo
Eu te sorvo extremada à luz do amanhecer.
( Do Desejo - 1992)
* * *
Que canto há de cantar o que perdura?
A sombra, o sonho, o labirinto, o caos
A vertigem de ser, a asa, o grito.
Que mitos, meu amor, entre os lençóis:
O que tu pensas gozo é tão finito
E o que pensas amor é muito mais.
Como cobrir-te de pássaros e plumas
E ao mesmo tempo te dizer adeus
Porque imperfeito és carne e perecível
E o que eu desejo é luz e imaterial.
Que canto há de cantar o indefinível?
O toque sem tocar, o olhar sem ver
A alma, amor, entrelaçada dos indescritíveis.
Como te amar, sem nunca merecer?
Na tua cama?
Disse palavras líquidas, deleitosas, ásperas
Obscenas, porque era assim que gostávamos.
Mas não menti gozo prazer lascívia
Nem omiti que a alma está além, buscando
Aquele Outro. E te repito: por que haverias
De querer minha alma na tua cama?
Jubila-te da memória de coitos e de acertos.
Ou tenta-me de novo. Obriga-me.
(Do Desejo - 1992)
* * *
Colada à tua boca a minha desordem.
O meu vasto querer.
O incompossível se fazendo ordem.
Colada à tua boca, mas descomedida
Árdua
Construtor de ilusões examino-te sôfrega
Como se fosses morrer colado à minha boca.
Como se fosse nascer
E tu fosses o dia magnânimo
Eu te sorvo extremada à luz do amanhecer.
( Do Desejo - 1992)
* * *
Que canto há de cantar o que perdura?
A sombra, o sonho, o labirinto, o caos
A vertigem de ser, a asa, o grito.
Que mitos, meu amor, entre os lençóis:
O que tu pensas gozo é tão finito
E o que pensas amor é muito mais.
Como cobrir-te de pássaros e plumas
E ao mesmo tempo te dizer adeus
Porque imperfeito és carne e perecível
E o que eu desejo é luz e imaterial.
Que canto há de cantar o indefinível?
O toque sem tocar, o olhar sem ver
A alma, amor, entrelaçada dos indescritíveis.
Como te amar, sem nunca merecer?
Do Desejo - Campinas, SP: Pontes, 1992.
25.6.05
Clarice Lispector - Atenção ao Sábado
Acho que sábado é a rosa da semana; sábado de tarde a casa é feita de cortinas ao vento, e alguém despeja um balde de água no terraço; sábado ao vento é a rosa da semana; sábado de manhã, a abelha no quintal, e o vento: uma picada, o rosto inchado, sangue e mel, aguilhão em mim perdido: outras abelhas farejarão e no outro sábado de manhã vou ver se o quintal vai estar cheio de abelhas.
No sábado é que as formigas subiam pela pedra.
Foi num sábado que vi um homem sentado na sombra da calçada comendo de uma cuia de carne-seca e pirão; nós já tínhamos tomado banho.
De tarde a campainha inaugurava ao vento a matinê de cinema: ao vento sábado era a rosa de nossa semana.
Se chovia só eu sabia que era sábado; uma rosa molhada, não é?
No Rio de Janeiro, quando se pensa que a semana vai morrer, com grande esforço metálico a semana se abre em rosa: o carro freia de súbito e, antes do vento espantado poder recomeçar, vejo que é sábado de tarde.
Tem sido sábado, mas já não me perguntam mais.
Mas já peguei as minhas coisas e fui para domingo de manhã.
Domingo de manhã também é a rosa da semana.
Não é propriamente rosa que eu quero dizer.
No sábado é que as formigas subiam pela pedra.
Foi num sábado que vi um homem sentado na sombra da calçada comendo de uma cuia de carne-seca e pirão; nós já tínhamos tomado banho.
De tarde a campainha inaugurava ao vento a matinê de cinema: ao vento sábado era a rosa de nossa semana.
Se chovia só eu sabia que era sábado; uma rosa molhada, não é?
No Rio de Janeiro, quando se pensa que a semana vai morrer, com grande esforço metálico a semana se abre em rosa: o carro freia de súbito e, antes do vento espantado poder recomeçar, vejo que é sábado de tarde.
Tem sido sábado, mas já não me perguntam mais.
Mas já peguei as minhas coisas e fui para domingo de manhã.
Domingo de manhã também é a rosa da semana.
Não é propriamente rosa que eu quero dizer.
Texto extraído do livro "Para não Esquecer", Editora Siciliano - São Paulo,
1992.
20.6.05
Cacaso - Terceiro Amor
O primeiro amor já passou
o segundo amor já passou
como passam os afluentes
como passam as correntes
que desencontram do mar
Como qualquer atitude
também passa a juventude
que nem findou de chegar
O primeiro amor já passou
o segundo amor já passou
como passam os espelhos
como passam os conselhos
ilusões de pedra e cal
Como passam os perigos
e tantos muitos amigos
sem deixar nenhum sinal
O primeiro amor já passou
o segundo amor já passou
como passam as gaivotas
as vitórias as derrotas
fantasias carnavais
as inocências perdidas
como passam avenidas
corredores temporais
A correnteza dos rios
como passam os navios
que a gente acena do cais
o segundo amor já passou
como passam os afluentes
como passam as correntes
que desencontram do mar
Como qualquer atitude
também passa a juventude
que nem findou de chegar
O primeiro amor já passou
o segundo amor já passou
como passam os espelhos
como passam os conselhos
ilusões de pedra e cal
Como passam os perigos
e tantos muitos amigos
sem deixar nenhum sinal
O primeiro amor já passou
o segundo amor já passou
como passam as gaivotas
as vitórias as derrotas
fantasias carnavais
as inocências perdidas
como passam avenidas
corredores temporais
A correnteza dos rios
como passam os navios
que a gente acena do cais
In: CACASO. Mar de mineiro: poemas e canções.
Poema integrante da série Papos de Anjo da Guarda.
4.6.05
Game Over
"é, minha linda,
parece que agora é
game over
o jogo acabou
c'est fini
adversários sob o mesmo teto
nos degladiamos tanto
sem saber
que nesse jogo
o amor não tem extra life
agora
o segundo round
é entre nossos advogados"
Pedro Tostes
parece que agora é
game over
o jogo acabou
c'est fini
adversários sob o mesmo teto
nos degladiamos tanto
sem saber
que nesse jogo
o amor não tem extra life
agora
o segundo round
é entre nossos advogados"
Pedro Tostes
15.5.05
Fechado para Obras
Por versos menos cambetas
Por leitores que deixem comentários
Por editoras mais ousadas
Mas relaxe. É por pouco tempo.
Enquanto isso, deixaremos links, muitos links.
Leia Leminski, Camus e Borges.
Assista Fellini, Bergman e Glauber.
Descubra quem é Rodchenko,
critique a semana de 22
e defenada Andrade- mas não diga qual.
Voltarei em breve, com programação nada normal.
Priscila Andrade
Comente no Livro de Visitas ou mande e-mail
Por leitores que deixem comentários
Por editoras mais ousadas
Mas relaxe. É por pouco tempo.
Enquanto isso, deixaremos links, muitos links.
Leia Leminski, Camus e Borges.
Assista Fellini, Bergman e Glauber.
Descubra quem é Rodchenko,
critique a semana de 22
e defenada Andrade- mas não diga qual.
Voltarei em breve, com programação nada normal.
Priscila Andrade
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6.5.05
20.4.05
Muito Prazer
O menino Henrique me pergunta quem eu sou. Eu sou uma convulsão menino,uma trovoada, um raio na tempestade. Sou o mar de ressaca.As folhas secas levadas pelo vento. O cisco que entra no olho.
Sou a gata mercenária que finge dormir no colo de qualquer um que lhe faça um afago suave nas costas, ronronando sem pudor.
Tenho medo de elevador. Tenho medo de muita gente junta. Tenho medo de gente.
Mato barata com detergente, só pra não ter que ouvir o barulhinho nojento que ela faz quando é esmigalhada.E não posso ver bicho morto.
Sou desconfiada, arredia, espinhosa. Mas sou generosa e ainda me apaixono. Paixões ridiculamente tolas e intensas como todas as paixões adolescentes. Por que eu não cresci. Continuo uma menina tonta, encantada com as Marias-sem-vergonha e suas sementes que explodem ao mais leve toque. Assim como eu. Explosões de fúria ou de paixão. Frouxos inexplicáveis de riso.Rompantes de apatia.
Tenho olhos transparentes. Não precisa perguntar. Eu não preciso dizer. Meu olhos falam tudo. Me delatam, os traidores.
Sou transparente: Olhos que falam e uma língua maior que a boca. Quer saber como eu sou, menino Henrique? É só me olhar.
Sou a gata mercenária que finge dormir no colo de qualquer um que lhe faça um afago suave nas costas, ronronando sem pudor.
Tenho medo de elevador. Tenho medo de muita gente junta. Tenho medo de gente.
Mato barata com detergente, só pra não ter que ouvir o barulhinho nojento que ela faz quando é esmigalhada.E não posso ver bicho morto.
Sou desconfiada, arredia, espinhosa. Mas sou generosa e ainda me apaixono. Paixões ridiculamente tolas e intensas como todas as paixões adolescentes. Por que eu não cresci. Continuo uma menina tonta, encantada com as Marias-sem-vergonha e suas sementes que explodem ao mais leve toque. Assim como eu. Explosões de fúria ou de paixão. Frouxos inexplicáveis de riso.Rompantes de apatia.
Tenho olhos transparentes. Não precisa perguntar. Eu não preciso dizer. Meu olhos falam tudo. Me delatam, os traidores.
Sou transparente: Olhos que falam e uma língua maior que a boca. Quer saber como eu sou, menino Henrique? É só me olhar.
18.4.05
Outono
Acarinho as cabeças de minha cria natimorta
e ouço seus chorinhos miúdos.
Sinto o leite talhado escorrendo
de meus seios inchados e doloridos.
O rio logo se forma,
com seu chão lodoso
e pequenos redemoinhos que tentam me sugar.
Meus pequenos natimortos sugam meu leite talhado.
Pelo rio, boiando, passam
folhas secas,
frutos maduros que o vento derrubou
e algumas flores.
O sol se põe.
Nino a cria.
Adormeço também.
e ouço seus chorinhos miúdos.
Sinto o leite talhado escorrendo
de meus seios inchados e doloridos.
O rio logo se forma,
com seu chão lodoso
e pequenos redemoinhos que tentam me sugar.
Meus pequenos natimortos sugam meu leite talhado.
Pelo rio, boiando, passam
folhas secas,
frutos maduros que o vento derrubou
e algumas flores.
O sol se põe.
Nino a cria.
Adormeço também.
8.4.05
Silêncio
Sabe quando as mãos são quentes e envolvem a sua cintura? Quando os cílios são negros e longos e os olhos castanhos e claros?
E o cabelo é de menino, emoldurando um rosto forte e doce?
Pois é. Eu sei.
Sabe quando você não precisa estar do lado para sentir e só a lembrança já te abre o sorriso?
Pois é, eu sei.
Sabe quando a cama é o mundo e o silêncio diz tudo?
Sabe quando o silêncio é bom?
Eu sei disso também.
E sabe do que mais? Eu durmo muito, muito bem.
E o cabelo é de menino, emoldurando um rosto forte e doce?
Pois é. Eu sei.
Sabe quando você não precisa estar do lado para sentir e só a lembrança já te abre o sorriso?
Pois é, eu sei.
Sabe quando a cama é o mundo e o silêncio diz tudo?
Sabe quando o silêncio é bom?
Eu sei disso também.
E sabe do que mais? Eu durmo muito, muito bem.
6.4.05
Fal
"Ele me promete colo e sussurros, vinho e conversa. Quando podemos, nos encontramos. Sorrimos e somos encantadores, extremamente cuidadosos. De vez em quando, indo para casa, ele me telefona da Marginal pelo celular... e ri das minhas piadas e ouve como foi meu dia e sorri quando digo que sinto saudades. Diz que me adora. Gostar dele é tão fácil que dá medo."
Gostaram? Vão lá.
Gostaram? Vão lá.
25.3.05
Angelical
Sou mulher, o diabo de saias, criatura angelical.
Você vai se perder no meio das minhas pernas,
se achar.
E vou te dominar, com meus braços atados,
meu corpo sob o seu.
Escrava, submetida aos seus caprichos,
controlo seus atos e movimentos,
com meu falso olhar submisso.
Anjos caídos, voltamos juntos,
ainda que por um instante,
clandestinamente,
às bênçãos celestiais.
Você vai se perder no meio das minhas pernas,
se achar.
E vou te dominar, com meus braços atados,
meu corpo sob o seu.
Escrava, submetida aos seus caprichos,
controlo seus atos e movimentos,
com meu falso olhar submisso.
Anjos caídos, voltamos juntos,
ainda que por um instante,
clandestinamente,
às bênçãos celestiais.
11.3.05
6.3.05
Escória
Secreção, pus, pruridos, necrose.
A necrose traz o puz. Os pruridos o mal cheiro.
O mal cheiro se espalha. Somos eu e você, em decomposição, reafirmando a decrepitude inevitável e certa da espécie humana, realimentando a exuberante opulência da natureza.
Somos um lixo de merda, que se transmuta, aduba a terra, gerando clorofila e oxigênio, para que os outros lixos viventes, para que o resto da escória orgânica, possa seguir sua vida gerando o caos, alimentando a discórdia, celebrando a desarmonia.
Evoé povo das trevas, criaturas do mal. Somos a escória, a praga e a peste. Estamos aqui, parasitas do mundo, apenas para infectar e destruir, aniquilar com qualquer possibilidade de bons fluidos. Somos podres, a essência do mal. E nisso, meus caros, somos imbatíveis.
A necrose traz o puz. Os pruridos o mal cheiro.
O mal cheiro se espalha. Somos eu e você, em decomposição, reafirmando a decrepitude inevitável e certa da espécie humana, realimentando a exuberante opulência da natureza.
Somos um lixo de merda, que se transmuta, aduba a terra, gerando clorofila e oxigênio, para que os outros lixos viventes, para que o resto da escória orgânica, possa seguir sua vida gerando o caos, alimentando a discórdia, celebrando a desarmonia.
Evoé povo das trevas, criaturas do mal. Somos a escória, a praga e a peste. Estamos aqui, parasitas do mundo, apenas para infectar e destruir, aniquilar com qualquer possibilidade de bons fluidos. Somos podres, a essência do mal. E nisso, meus caros, somos imbatíveis.
5.3.05
1.3.05
Digestão
Elaboração dos alimentos nas vias digestivas para depois ser deles assimilada a parte útil e expelidos os resíduos.
Útil: que ou quem tem ou pode ter algum uso. Proveitoso.
Expelido, expelir: lançar fora com violência, expulsar, ejetar. Expectorar. Lançar de si. Proferir com ímpeto.
Resíduos: resto. Fezes, borra, sedimento.
Neste momento estou digerindo você.
Útil: que ou quem tem ou pode ter algum uso. Proveitoso.
Expelido, expelir: lançar fora com violência, expulsar, ejetar. Expectorar. Lançar de si. Proferir com ímpeto.
Resíduos: resto. Fezes, borra, sedimento.
Neste momento estou digerindo você.
![]() |
| ELP I, de H.R. Giger |
9.2.05
Dormindo com o inimigo
Será que pega mal se eu sair dizendo que ele ronca, tem as costas peludas, parece prenhe de 9 meses, tem pau pequeno e saco grande? Será que vai parecer dispeito? Será que eu vou parecer uma mocinha vulgar?
Honestamente? Ca-guei.
Honestamente? Ca-guei.
27.10.04
Não Voe Gol. Gol Contra
Dia 25 de outubro de 2004 embarquei no vôo 1605 da Gol, Salvador-Rio. Dez minutos depois da decolagem uma sensação estranha de que havia algo errado. Não deu tempo de terminar o pensamento: em segundos a aeronave escureceu, as máscaras de oxigênio caíram sobre nossas cabeças, o cheiro de queimado tomou conta do ambiente, a temperatura subiu significativamente e toda a equipe de bordo surgiu do nada gritando para que todos colocassem as máscaras. Tudo ao mesmo tempo.
Foi tão rápido que até entender o que estava acontecendo já tinha levado três berros de uma comissária nos ouvidos. A máscara não se soltava e quando soltou, bem... não funcionava. As outras três ao meu alcance também não. Comecei a pedir ajuda da comissária que estava mais perto - e percebi que não era a única. A maioria das máscaras não estava funcionando, ou não funcionava satisfatoriamente. A comissária foi grosseira e impaciente. E não ajudou.
Ninguém explicava nada, os passageiros em pânico, eu inclusive e, confesso, principalmente. Depois de um típico ataque de pelanca de outra passageira a equipe de bordo que inicialmente explicou tudo como um acidente ("as máscaras não deviam ter caído, é que alguém acidentalmente esbarrou no alarme, e quando o alarme é acionado elas são liberadas) mudou sua versão. Havia uma falha na pressurização da cabine, ou seja, estava acontecendo uma despressurização da cabine. Continuávamos no escuro, a aeronave cada vez mais quente e instável. Os comissários começaram a se contradizer até que sumiram todos.
Foi com o ouvido quase explodindo de dor que ouvi do comandante (é isso mesmo, comandante?) que havia uma falha na pressurização da cabine e voltaríamos imediatamente para salvador.
Em Salvador um funcionário não identificado queria convencer os passageiros de que após uma rápida manutenção poderíamos reembarcar. NO CU, PARDAL! Fui para um hotel e embarquei no dia seguinte num vôo da Varig. Os custos correram por conta da Gol.
Mas ficam aqui as seguintes colocações:
- Manutenção deveria ser regular e preventiva e não corretiva, certo?
- As máscaras de oxigênio deveriam estar TODAS funcionando perfeita e plenamente, não é mesmo?
- A equipe de bordo deveria sim ser firme, mas deveria também, mais do que nunca, ser hábil em acalmar, tranqüilizar pessoas que estavam naquele momento se imaginando churrasquinho no fundo do mar, não é mesmo?
Finalizando: nenhuma satisfação foi dada.
Em palestra recente na CCFB, um publicitário palestrante falou durante sua apresentação que a Gol até hoje não pagou a logomarca criada por eles. E que vários outros fornecedores estão até hoje com suas faturas em aberto. É verdade? Não sei. Mas considerando as desventuras do vôo (vôo?) 1605, dá para pensar no assunto...
Foi tão rápido que até entender o que estava acontecendo já tinha levado três berros de uma comissária nos ouvidos. A máscara não se soltava e quando soltou, bem... não funcionava. As outras três ao meu alcance também não. Comecei a pedir ajuda da comissária que estava mais perto - e percebi que não era a única. A maioria das máscaras não estava funcionando, ou não funcionava satisfatoriamente. A comissária foi grosseira e impaciente. E não ajudou.
Ninguém explicava nada, os passageiros em pânico, eu inclusive e, confesso, principalmente. Depois de um típico ataque de pelanca de outra passageira a equipe de bordo que inicialmente explicou tudo como um acidente ("as máscaras não deviam ter caído, é que alguém acidentalmente esbarrou no alarme, e quando o alarme é acionado elas são liberadas) mudou sua versão. Havia uma falha na pressurização da cabine, ou seja, estava acontecendo uma despressurização da cabine. Continuávamos no escuro, a aeronave cada vez mais quente e instável. Os comissários começaram a se contradizer até que sumiram todos.
Foi com o ouvido quase explodindo de dor que ouvi do comandante (é isso mesmo, comandante?) que havia uma falha na pressurização da cabine e voltaríamos imediatamente para salvador.
Em Salvador um funcionário não identificado queria convencer os passageiros de que após uma rápida manutenção poderíamos reembarcar. NO CU, PARDAL! Fui para um hotel e embarquei no dia seguinte num vôo da Varig. Os custos correram por conta da Gol.
Mas ficam aqui as seguintes colocações:
- Manutenção deveria ser regular e preventiva e não corretiva, certo?
- As máscaras de oxigênio deveriam estar TODAS funcionando perfeita e plenamente, não é mesmo?
- A equipe de bordo deveria sim ser firme, mas deveria também, mais do que nunca, ser hábil em acalmar, tranqüilizar pessoas que estavam naquele momento se imaginando churrasquinho no fundo do mar, não é mesmo?
Finalizando: nenhuma satisfação foi dada.
Em palestra recente na CCFB, um publicitário palestrante falou durante sua apresentação que a Gol até hoje não pagou a logomarca criada por eles. E que vários outros fornecedores estão até hoje com suas faturas em aberto. É verdade? Não sei. Mas considerando as desventuras do vôo (vôo?) 1605, dá para pensar no assunto...
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