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10.2.09



De quantos silêncios é feita uma solidão?

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Mula

A pele era tão branca quanto o pó que embalava.
Agora azulava. A pele.
Translúcido. Escamas brancas translúcidas de pó,
recheando a inanimada boneca de
cera, carne, sangue e ossos.
Quebrada boneca.
Sobre a mesa de mármore inerte
à espera da autópsia - chegara antes o resultado.
Recheio de boneca. Boneca morta, porque boneca não fala.
Bela embalagem.
Pó, bala e êxtase que não foram para as raves.
Que desperdício...
Bela embalagem que não foi para as raves.
Que desperdício...
Boneca quebrada, embalagem autopsiada, quer na morgue
sua última balada?

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Respondendo ao Feitura do Sartorelli:

Remeto a Vinícios
porque hoje não é mais domingo
não há mais reinícios

porque hoje é sabado
findar com a semana
já é mais do que um hábito

31.1.09

Mocréia ou Mocreia

Porque estou neste lugar chamado Silêncio. E não há tempo, prazo ou espaço. O além é Solidão. Tudo é solidão. Absoluta, brega e cafona.

Então decreto:
Silêncio!

Não sou Adalgisa, com sua prosa Nery Perfeita, poética ótica impactante!
Não sou profeta. Não tenho histórias memoráveis, momentos históricos ou arroubos heróicos.

Sou apenas uma escriba - nem paga! - em tempos de desacordos ortográficos. Alguém ganha! Editoras? Governos? Material, muito material a ser revisado. Principalmente o escolar. Minha parte quero em dinheiro!

- De acordo com o novo acordo ortográfico - disse o mané do boteco - 'mocréia' agora não tem mais acento.

A moça, que de mocréia não tinha nada (com ou sem?) respondeu:
- Idéia também não.
E tiveram as mocinhas a idéia de ir embora.

Sexta à noite, num boteco de franquia... querida: o que se podia esperar do rapaz?

16.1.09

Atualize-se

O blog da FL@P! agora terá atualização constante e o boletim será quinzenal. E as atualizações já começaram:

"Samba do Acordo Ortográfico - por Vinícius Baião
Como sabemos, o novo acordo ortográfico da língua portuguesa entrou em vigor em 1º de janeiro de 2009, gerando muitas dúvidas, polêmicas… e (...)"
.
Leia o post completo aqui.

"Plástico Bolha Online - todas as edições a um clique - por Leandro Jardim
O Plástico Bolha já está com seu site no ar, e funcionando a todo o vapor. O jornal impresso de poesia e literatura que do Pilotis da PUC-Rio foi ganhando as ruas, bares e cafés cariocas - e (...)"
.
Leia o post completo aqui.

"Boca do Baco - por Diana de Hollanda
A partir do dia 17 de janeiro, os sábados na Livraria Odeon estarão cheios de novidades.
Trata-se do evento Boca de Baco, que reunirá literatura, oficinas, lançamentos e (...)."

Leia o post completo aqui.

14.12.08

coletivo | RIOSEMDISCURSO

Para quem ainda não sabe, sou uma das organizadoras da FL@P! RJ e do coletivo | RIOSEMDISCURSO, que, entre outras coisas, organiza o evento. Então hoje é dia de apresentar o coletivo:

riosemdiscurso – o título do poema de João Cabral de Melo Neto traduz com precisão a filosofia do coletivo: garantir a pluralidade de vozes.

Promover o diálogo entre leitores e escritores contemporâneos foi o ponto de partida para a reunião do grupo em 2006, resultando na idealização do evento carioca que o grupo organiza, a FL@P! - Festa Literária Aberta ao Público. O coletivo | riosemdiscurso é Diana de Hollanda, Leandro Jardim, Priscila Andrade, Ramon Mello e Vinicius Baião.

Diana de Hollanda – Diana de Hollanda é escritora e diretora teatral, formada pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO). Autora das peças, “, encher-se, esvaziar-se, encher-se,” (2007) e “Sísifo” (2008) e do livro “dois que não o amor” (Ed. 7 Letras - 2007), participou como convidada de diversos festivais literários, tais como FLAP-SP, Tordesilhas (SP), Congresso Brasileiro de Poesia (RS), e Psiu Poético (MG), tendo sido homenageada, ao lado de Leila Mícollis e Alice Ruiz, neste último. Seu trabalho pode ainda ser conferido nas coletâneas “Contos do Rio” (Ed. Bom Texto/Prosa & Verso – 2005), “Contos sobre Tela” (Ed. Pinakotheke – 2005), e em revistas impressas e virtuais, como Poesia Sempre (Ed. Biblioteca Nacional), Inimigo Rumor (Cosac & Naify), Blocos e Bestiário. Hoje trabalha como freelancer na área de editoração, enquanto escreve o segundo livro, ainda sem título e gênero definidos. Para visitá-la, acesse: www.aindahamusica.wordpress.com

Leandro Jardim: poeta, letrista, compositor e comunicador graduado nas habilitações de Publicidade e Jornalismo pela PUC-Rio, com MBA em Engenharia de Produção pela Trilha/Instituto Nacional de Tecnologia. Leandro Jardim é um dos coordenadores da Flap! desde o ano passado. Acaba de lançar pela editora 7Letras seu primeiro livro oficial, Todas as vozes cantam. Em 2006, criou a coleção independente Poesia Presente de “mini-poemas-cartões-de-presente” por onde lançou seus minilivros Gotas e Pétalas e editou, no ano posterior, o Lusco-fusca da autora Nathalie Lourenço. Colaborador em diversos blogs Leandro Jardim centraliza sua criação no www.florespragasesementes.blogspot.com que apresenta links para seus diversos trabalhos.

Priscila Andrade: escritora e produtora de eventos Priscila Andrade é graduada em marketing pelo Centro Universitário da Cidade. Principais eventos: Fórum Social Mundial – Rio com Vida, 20087/2008: produtora; Flap! edições cariocas de 2006/07/08: coordenação, produção e mediação de algumas mesas; Festival Segundas Poéticas, 2005: criação e coordenação.

Manteve por seis meses uma coluna de poesia no site Armazém Literário, tem poemas publicados em vários jornais, revistas e sites reconhecidos de literatura, com o Cronópios (www.cronopios.com.br) e se apresenta regularmente em diversos eventos na cidade, como o Festival Nacional de Poesia, o Poesia Voa, no Circo Voador. Mantém desde 2003 o Dedo de Moça. Foi redatora da revista Mad (2006) e está com um livro de poesia no prelo, Encefalocardia.

Ramon Mello - Jornalista, escritor e ator. Formado em Comunicação Social (Jornalismo) pela UniverCidade (Ipanema/RJ) e em Artes Cênicas pela Escola Estadual de Teatro Martins Pena. Possui experiência em jornalismo cultural através da editoria de sites e blogs, pesquisa para TV, redação de conteúdos, produção e em escritório de assessoria de imprensa. É repórter do Portal Literal e mantém o Blog Sorriso do Gato de Alice (desde 2004) e BLOG CLICK(IN)VERSOS (desde 2006) – especializado em entrevistas com jovens escritores. Autor do livro Tumorgrafias (Editora Cartaz/2006). Atualmente, finaliza o romance All Star bom é All Star sujo e o livro de poesias Vinis Mofados.

Vinicius Baião - Ator, poeta e produtor cultural. Formado em Letras (Português/Italiano/Respectivas Literaturas) pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) e Artes Cênicas pelo Studio Escola de Atores. Pós-graduado em Especialização em produção cultural com ênfase em literatura infanto-juvenil pela CEFET-Química. Integra os grupos Coletivo Subverso e Embaixada poética. Publicou o livro Usucapião, editora Multifoco, e participa das antologias Ponte de Versos, Editora Ibis Libris, e Coletivo Vacamarela. É fundador e membro da Trupe do Experimento e diretor da Cenáculo Cia. Teatral. É professor de Língua Portuguesa das redes pública e particular de ensino.

Rios Sem Discurso, de João Cabral de Melo Neto
A Gabino Alejandro Carriedo

Quando um rio corta, corta-se de vez
o discurso-rio de água que se fazia;
cortado, a água se quebra em pedaços,
em poços de água, em água paralítica.
Em situação de poço a água equivale
a uma palavra em situação dicionária:
isolada, estanque no poço dela mesma,
e porque assim estanque, estancada;
e mais: porque assim estancada, muda,
e muda porque com nenhuma comunica,
porque cortou-se a sintaxe desse rio,
o fio de água por que ele escorria.

O curso de um rio, seu discurso-rio,
chega raramente a se reatar de vez;
um rio precisa de muito fio de água
para refazer o fio antigo que o fez.
Salvo a grandiloqüência de uma cheia
lhe impondo interina outra linguagem,
um rio precisa de muita água em fios
para que todos os poços se enfrasem:
se reatando de um para outro poço,
em frases curtas, então frase e frase,
até a sentença-rio do discurso único
em que se tem voz a seca ele combate.

7.12.08

Poesia e vinho em Laranjeiras. A Estréia? Foi ótima.

Veja a programação completa de dezembro aqui.
Poesia e Vinho em Laranjeiras estreou ontem com Mano Melo na Symposium. E foi ótimo: casa cheia, platéia animada e completamente apaixonada pelo Mano, que trouxe como convidadas as atrizes Cristina Bethencourt e Marta Paret. O poeta Tanussi Cardoso, que estava na platéia, deu uma canja maravilhosa. Intimida pelo Mano, poetei também.

Algumas fotos:


Mano Melo e Marta Paret


O poeta Tanussi Cardoso, presidente do sindicato dos escritores do Rio de Janeiro, dando uma canja.






José Hodara, Cristina Bethencourt, Tanussi Cardoso, Priscila Andrade, Mano Melo e Marta Paret

Fragmentos da FL@P! 2008 - INTERFERÊNCIAS

Sou uma das organizadoras da FLAP!, evento literário anual que acontece aqui no Rio. A FLAP! aqui é uma produção do coletivo|RIOSEMDISCURSO, do qual participo com Diana de Hollanda, Leandro Jardim, Ramon Mello e Vinícius Baião.

Para quem perdeu a última edição, um mini-micro-resuminho feito da platéia:

29.11.08

Novidades! HOJE: Poesia e Vinho em Laranjeiras: Mano Melo


A partir de dezembro começo a organizar noites de poesia na Symposium Vinhos, em Laranjeiras. A estréia é com Mano Melo, hoje, dia 6.

Ana Carolina adaptou e musicou seu poema Madonna. Sucesso imediato, que foi para no seu mais recente CD e DVD, Dois Quartos. Mas para quem já freqüenta os eventos de poesia da cidade, Mano Melo já é sucesso há muito tempo.

Mano a Mano com Mano Melo é um show de bolso onde Mano Melo intercala poemas, seus e de outros autores, clássicos e contemporâneos, com histórias engraçadas e fatos interessantes vividos durante sua trajetória poética.
A poesia como espetáculo e como diversão através de um universo que engloba ícones reais e imaginários. Sem parafernálias cênicas, o que ressalta é a verdade das palavras e a emoção do poeta e ator em contato direto, olho no olho, com seu público. Estruturado como uma Stand Up Poetry, no gênero das Stand Up Comedies americanas, depois de 3 meses em cartaz o espetáculo chega agora ao Symposium Vinhos para uma apresentação única .

Mano a Mano com Mano Melo
Poeta: Mano Melo
couvert artístico: R$15,00
Consumação mínima: NÃO TEM
Dia 06/12/2008, sábado
Local: Symposium Vinhos, Rua Ipiranga, 65 - Laranjeiras
Telefone: (21) 2205-3122
Coordenação: Priscila Andrade

15.11.08

Antologia Ponte de Versos - 8 anos



Amigos, convido para o lançamento da antologia de oito anos da Ponte de Versos, dia 30 de novembro, às 17h, no Museu da República - Rio de Janeiro.

Faço parte da antologia, assim como outros poetas dos quais gosto muito como Olga Savary e Afonso Henriques Neto.

Espero vocês lá.

2.11.08

Portal Literal

Capitaneado por Heloísa Buarque de Hollanda, o Portal Literal passou por uma reformulação radical e se tornou de fato um interlocutor literário, um site em que bons autores contemporâneos são encontrados e em que você pode expor seu trabalho, trocar uma ideia. Fantástico.

Depois vou falar com mais calma sobre o projeto. Por enquanto sugiro aos leitores vorazes que visitem já. E aos que escrevem, que façam seus perfis, postem seus textos e leiam a gente nova que pinta por lá.

Eu já fiz o meu!

E já estão por lá Alariás (prosa leve, quase infantil), Lava-lamp (prosa de mão mais pesada, como gosto) e os poemas Outono e A Equilibrista.

Sugiro ainda os perfil do Leandro Jardim e do Ramon Mello, meus companheiros de FLAP!

Na busca por textos nos bancos, uma das formas de listar os textos é por votação (listar por ordem cronológica, alfabética ou por popularidade também é possível). Então, quando lerem algo que bata, votem.

Participem: façam seus perfis, postem seus textos, dialoguem.

E avente, que a segunda-feira chegou!

11.10.08

"As histórias têm que ser contadas"


Na FLAP! carioca deste ano todas as mesas, apesar dos temas bem definidos, acabaram mudando seu rumo e partindo para a discussão sobre internet, blogs e "autores virtuais", "literatura de internet".


Apesar da mudança de rumo, achei ótimo isso ter acontecido. Mas o que foi dito... bom, vamos lá. É impressionante ver gente que trabalha com comunicação, gente que está na sala de aula e, principalmente, gente que tem site e blog fazendo um discurso tão equivocado sobre internet e blogs.


"onde elas serão contadas e como varia"


Não vou agora escrever e escrever sobre isso, esmiuçar aqui o assunto. Mas vale dizer: é apenas um veículo. Que nunca se propôs a ser uma plataforma para o lançamento de novos autores ou para um (re)descoberta da literatura. Não cobrem isso dos blogs. É apenas uma ferramenta mais acessível que outras. "Quem tem um blog é escritor?" Pode ser. Pode ser que não. Quem publica um livro é escritor? Nem sempre, nem sempre. Muita calma nessa hora. Hoje a maioria das editoras cobra dos autores. E muitas não selecionam o material, apenas recebem o cheque. Então, para mim, o livro publicado não torna a criatura um escritor. Na internet tem uma infinidade de abobrinhas, diários e textos pavorosos? Tem. Assim como nas livrarias e nas bancas de jornal. Que discussão estéril. O assunto dá mesmo pano pra manga. Mas o fato é que certo está o Marcelino Freire em sua fala da platéia: "idiota tem em qualquer lugar". Daí a culpar o veículo...


"mas o maravilhoso é que elas sejam contadas"


A Fal Azevedo lançou agora, pela Rocco, o Minúsculos Assassinatos e Alguns Copos de Leite. Maravilhoso. E sim, manteve o blog - amém!


Em entrevista para o Amálgama ela diz:


"Eu tenho dois caminhos na escrita. O primeiro se deu antes de eu ter blog, antes de eu sequer saber que os blogs existiam. Eu escrevi meu primeiro livro em 1998, e já nesse tempo eu usava essa linguagem fragmentada, escrevia textos curtos, fazia esses continhos de poucas linhas. Eu caí na internet em 1997, mas não soube dos blogs até, uia, 2002. E daí eu me achei. Era isso que eu nem sabia que queria. E aí meu segundo caminho começou. Eu me adaptei tão bem nesse meio, porque eu já escrevia assim. Eu só fui me ajeitando, ficando mais espertinha, aprendendo os macetes. Tenho o maior orgulho de ser cria da internet, de ser blogueira, de fazer disso um caminho. Nosso meio é a internet, são os blogs. Outras gerações tinham como ninho o folhetim, os saraus, as redações de jornal, as agências publicitárias. As histórias têm que ser contadas, onde elas serão contadas e como varia, mas o maravilhoso é que elas sejam contadas. Nós contamos, também, nos nossos blogs. Eu acho isso o máximo."


Está certa ela.


Aliás, comprem já o livro. É maravilhoso.

26.9.08

Ela amanhece todos os dias,
olhos nublados. Calça os chinelos,
escova os dentes, cai no batente.

O batente da porta que não abre, está torta, curvada, emperrou.
Emperrou todo o trânsito a carreta que virou na curva da rua da escola,
que fica do lado da creche, que fica em frente ao mercado,
que não fica perto do açougue. Que custa os olhos da cara.

Cara feia medo não me dá,
deu-tá-dado, se lambuza
quem nunca comeu melado.

Pára! Pára o ditado,
o lugar comum, o clichê.
Mas ela não quer ser o singular,
o original, o exclusivo.

Ela só quer se adequar.
Ser classe média como todo mundo.

E casar. E comprar uma casa.
E ter dois filhos e um cachorrinho,
um papagaio e um periquito.

E passar no concurso público.
E virar mega loura-Hebe
pra carregar os netos no colo.

Mas por enquanto ela só amanhece, nublada.
Ressaca. Ressaca e Engov não combinam
com louro-Hebe, netos e Anais Anais.

Então ela calça o tamanco,
amarra o top, vai pro boteco.
O Hoje é Rabo de galo,
ovo amarelo e algum desencanto.

28.8.08

Fal Azevedo

(...) Os dias são atravessados, as contas são pagas (mais ou menos), o cão faz seu xixizinho, a janela abre e fecha e ovos são fritos, mas não de verdade. Não de verdade. Não cabe também nenhum clichê, nada do tipo "é um ciclo que se encerra", céus, nós adoramos cliclos, especialmente quando eles se encerram, mas não, não é um ciclo e ah, não se encerra, é vida real, mais real impossível, mais real impossível, cheia de explosões impensadas e de racionalismos, cheia de cores, de notícias espantosas, de medo, de corpos desmembrados, de sonhos que nunca existiram, de gatinhos envenenados, de amigos que vão para o Uruguay, de pores do sol, de conversas idiotas, de cãezinhos que andam de carro com a carinha para fora da janela, de rituais estraçalhados.(...)


Vai lá e lê inteiro. E não é literatura. É realidade pura.

Mas tem literatura também:

11.8.08

FLAP! Rio 2008 - Interferências




Em sua terceira edição carioca, a FLAP! assume o tema INTERFERÊNCIAS.

Em dois dias - 20 e 21 de setembro - a PUC será o palco de 4 debates, 2 saraus e a exibição de dois curtas.
Abaixo segue parte da programação - apenas os nomes que já confirmaram. A medida em que as confirmações forem chegando, vamos avisando.

Mais informações sobre o evento e seus participantes podem ser vistas no blog (http://flaprj.wordpress.com).

Comunidade no Orkut: http://www.orkut.com.br/Community.aspx?cmm=49632280
dia 20 de setembro

14h30 - Geração Espontânea

Geração Mimeógrafo, 00, 80, 90... Uma estratégia de venda ou um retrato, um instantâneo de um momento literário? Quem define, o que difere? Para situar ou para estigmatizar? São válidos esses rótulos?
Mediadora: Heloísa Buarque de Hollanda (editora da Aeroplano e professora da UFRJ)
Flávio Izhaki (poeta)
Viviane Mosé (poeta)

16h20 – Sarau Movimento InVerso - Clauky Saba

16h50 – Empório de palavras
Sebos, livrarias de bairro, virtuais, grandes redes. Produções artesanais vendidas em portas de teatro, e-books disponíveis em sites e blogs. Busdoors propagandeando – e vendendo! - o mais novo título de auto-ajuda. Quem é o leitor de literatura brasileira? Qual o caminho para os novos autores? Poesia não vai para as vitrines porque não vende ou não vende porque não vai para as vitrines?
Mediador: Tanussi Cardoso (poeta e editor de poesia)
André Garcia (site Estante Virtual)
Eucanaã Ferraz (poeta)
Claufe Rodrigues (poeta e jornalista)
Vitor Paes (poeta e editor da Confraria do Vento)


18h40 - Exibição do curta 'PROCURANDO MAUTNER', de Rodrigo Bittencourt
19h – Encerramento


dia 21 de setembro


14h30 - Palavras nos meios. Tecnologia e Miscigenação.
Vídeos, CD'S, blogs, sites colaborativos, compartilhamento na web.
O diálogo da literatura entre mídias é uma evidente característica da produção contemporânea. Mas até que ponto os diferentes suportes interferem diretamente na escrita? De que maneira essa interação se torna positiva ou valoriza o texto que não se sustenta? Como está escrevendo a geração de escritores que utiliza a internet como principal ferramenta de publicação?
Mediador: Ramon Mello (escritor e jornalista)
Rodrigo Bittencourt (poeta, compositor e cineasta)



16h20 – Sarau Castelinho do Flamengo - João Pedro Roriz


16h50 - Vanguarda
Artistas de vanguarda protagonizaram movimentos marcantes como a Semana de Arte Moderna de 22 e a Poesia Concreta, rompendo com alguns padrões e características estéticas de sua época e re-significando outros. Mas, em 2008, o que é possível encontrar de novo? Ainda existe a possibilidade de vanguarda na literatura atual?
Mediador: Leandro Jardim (poeta e letrista)
Dado Amaral (poeta, ator e cineasta)

Paulo Henriques Britto (poeta, contista, tradutor e professor da PUC-Rio)
Paulo Henriques Britto (poeta, tradutor, professor da PUC-Rio)



18h40 – Exibição do curta 'POR ACASO GULLAR', de Rodrigo Bittencourt



19h – Encerramento



Flap!Rio
Coordenação:
Leandro Jardim, Priscila Andrade, Thiago Ponce
Colaboradores: Diana de Hollanda, Clauky Saba, João Pedro Roriz, Ramon Mello, Vinícius Baião
Site Parceiro: Alma de Poeta

22.7.08

FLAP! Rio. Informe-se e receba o boletim

A edição carioca da Flap! de 2008 acontecerá nos dias 20 e 21 de setembro, na PUC.

No blog do evento (http://flaprj.wordpress.com) você encontra informações sobre esta edição e as anteriores, sobre os participantes e sobre as edições de Sampa.

Através desta lista em que pode se inscrever abaixo, você recebe informações pontuais sobre esta edição.

Inscreva-se e seja bem vindo!

Acesse a página http://groups.google.com.br/group/boletim-da-flap/about?hl=pt-BR e inscreva-se no grupo para receber o boletim.

Flap!Rio
Coordenação: Priscila Andrade, Leandro Jardim, Thiago Ponce
Colaboradores: Diana de Hollanda, Clauky Saba, Ramon Mello, Vinícius Baião

15.6.08

Carpinejar

Meus irmãos colecionavam selos, moedas,
borboletas e revistas.
Eu, silêncios.

A brisa se mistura ao cheiro das lembranças.
É como se eu estivesse regressando.

Posso brincar lá fora?

O pampa é meu pátio.
Como dói a porta fechada por dentro.
Não ter para onde ir é uma forma de sempre chegar.


Biografia de uma árvore

29.5.08

O gambá

Morar em Laranjeiras não é só a tortura de não ter ônibus depois das nove da noite ou a vida social inexistente - nem vem que pra mim restaurantes e bares que fecham no máximo meia-noite não constituem vida noturna!

Se você mora nos apartamentos de fundos de ruas sem saída você é um privilegiado que vê, dia sim, dia também, gambás, micos e passarinhos entrando desavisados sala a dentro. Ou cozinha. Eu adoro. Esses dias recebemos a visita de um filhote de gambá na casa de minha mãe. O computador ficou interditado, já que ninguém tinha coragem de chegar perto. O bichinho se instalou do lado da caixa de som. O cachorro ficou louco, ofendidíssimo com aquela invasão.

Do jeito que entrou, saiu: ninguém viu. Não, do jeito que entrou não, porque saiu deixando de presente um belo cocô na janela. Tá, concordo, o cocô foi um abuso. Mas com tanta merda que a gente encara todo dia, um cocôzinho de gambá não faz mal a ninguém.

27.4.08

07 de maio: Adriana Monteiro de Barros

Mais um lançamento que vale ir. Comprar o livro então é questão de bom senso.




TUBO DE ENSAIO

Às vezes me sinto uma estrangeira
como se minha arma não fosse a palavra.
É que trago em mim uma poção mais letal
que qualquer tapa na cara.
Meu sangue é vermelho
de um vermelho perverso e maldito
e meu surto é um susto
acostumada que estou aos sobressaltos do corpo.
Mas não há dor nem arrependimentos
apenas dias em que me observo
como lâmina a cortar o espelho
onde já me admirei
e hoje não me reconheço.
Estou com prazo de validade vencido
como vencida está a minha tolerância
aos preconceitos e à ignorância humanas.
Mas quando me defronto com estas tiranias
sem o peso da vaidade
consigo ultrapassar os limites da carne
e viver além do fim.

de Adriana Monteiro de Barros

26.4.08

21.4.08

há tempos que habito esse não-espaço, que o por vir é a rotina e que o silêncio se tornou estéril.

um preto e branco sem grandes sutilezas, sem o charme do granulado acidental que conta os segredos de cada retícula.

um excesso de realidade banal tão violento que dá às horas um aspecto onírico, levando sem resistência essa mente tola para os descaminhos dos devaneios e dos sonhos ruins. realidade de ponteiros gigantescos e modorrentos, um q u a s e
  p  a   r    a     r

29.3.08

Resposta a Marla

Querida Marla,

Minha casa de dentro transpôs os limites de minha pele, meus poros e me represou; caçadora me tornou presa, refém.

Porque tola, porque fraca, porque amando ainda as dores do amor que não é mais, que nunca foi, que nunca fui.

Porque é fácil, porque louvo o passado, temerosa do porvir.

Mas minha casa de dentro ainda tem cantos a decorar. Janelas a descortinar. Então me entrego entorpecida ao desperdiçar do tempo com essa tarefa estéril.

Quando as cortinas estiverem lavadas e a mesa posta, trago os explosivos, acendo na base da estrutura e saio, nua, rumo ao dia de amanhã.

Momentos Críticos na Futilidade do Salão

Entre o pé e a depilação, abro uma Cláudia (Uma, Marie Claire ou qualquer bosta que o valha).

Já começa mal, porque de cara tem uma carta de Fernanda Young (Oh, God!) para o Ano Novo - a revista é de novembro ou dezembro de 2007.

Aí vejo que tem uma matéria de Kika Seixas(como?) sobre o Mal de Alzheimer e como ele serviu de "acerto de contas" entre ela e sua mãe.

Putz, claro, matéria para vender o livro, aproveitam-se 10 frases no máximo. Mas nessas 10 frases, esqueço o "target" da revista, perfil de anunciantes e o título de escritora de Kika Seixas (ok, amanhã irei numa livraria. E juro, sem deboche, que se encontrar um livro dela e for bom... cara, vou ganhar o fim de semana. e vou ler). Esqueço tudo isso e, pensando em minha avó, me atenho ao trecho em que ela fala sobre o ódio, a raiva, os sentimentos baixos que o Alzheimer provoca em familiares e amigos próximos do doente.

Identificação pura.

Minha avó não tem Alzheimer - ate onde eu sei. Mas aos 95, o processo de degeneração da identidade que a bosta da doença traz, ela já abraçou sem pudores. Em especial fisicamente.

Minha avó era uma mulher alta, mais de 1,75. Hoje é significativamente mais baixa que eu, que tenho 1.61 - e meio.

Era extremamente vaidosa, quase uma fashion victim quando o termo ainda nem existia. Hoje, compra roupas no camelô. Não é falta de dinheiro, não. O senso estético se foi.

Era forte, determinada, uma líder nata, autoritária até. Hoje senta encolhida, chora, sofre, não entende o que acontece ao redor.

Eu? Alguns momentos de angústia. Na maior parte do tempo, assim como a Sra. Seixas, fico é muito puta mesmo. Caralho, dá uma raiva fudida! Não sabe mais quem é como, não diferencia a de b, e leva qualquer filha da puta como anjo, se o cretino tiver um bom discurso.

De mulher poderosa, grande, altiva, se tornou um pinguinho de gente apavorado, que estremece com qualquer palavra em tom mais alto.

Quer saber? Isso dói.

Por mais racionais que sejamos, por mais acesso à ciência, educação, informação... quando o bicho pega no nosso quintal... o que fica é a visão e a percepção da memória afetiva.

Aquela mulher ali não é a minha avó. Minha avó não existe mais.

Aceitar isso é que é a grande foda mal dada da porra da história toda. E a grande "sabedoria", diria O Evoluído.

Mas nesse momento, não sou nada evoluída. Nesse momento estou apenas me entregando ao meu luto antecipado, numa tentativa desesperada de me recompor a tempo de dar a ela um mínimo de amor e carinho que tenho de sobra, que ela merece e que está aqui, represado pelo espanto e pela negação.

24.3.08

A Equilibrista

Pé-antepé, avanço na corda bamba
A corda é o fio de uma navalha
E a vara que deveria me dar equilíbrio
Uma enorme serpente branca.

Não há rede de segurança
Os holofotes me impedem de ver a platéia:
Apenas ouço seu mastigar aflito de pipoca e algodão-doce
Assim como seus corações torcedores

Torcem, em seu íntimo mais profundo
Para que eu caia
Que a serpente me envolva
Quebre meus ossos e me devore
Que o fio da navalha chova meu sangue

Aguardam ansiosamente minha queda no abismo
- não haverá baque no final
Assim como não existe o final da corda
Apenas escuridão e seu balançar

Mas sigo em frente
Firme e compenetrada
Sentindo o gelo do aço sob meus pés.

A serpente me alisa, me provoca e me bolina
Ao mesmo tempo me enforca e me desequilibra,
Enquanto enfia seu corpo escorregadio entre minhas pernas.

Os holofotes operam no auge de sua luminância.
Minhas pupilas já não são visíveis.

Não me pergunto aonde isso vai dar.
Apenas sigo em frente
Firme e compenetrada
Sentindo o gelo do aço sob meus pés.

15.3.08

Poesia, Semana de santa, Falada ou Escrita

Debandada geral dos poetas na Semana de Santa. E uma discussão que corria a boca miúda já faz tempo, se torna, finalmente, um debate de proporções desejáveis.
O poeta deve ser remunerado, deve ter seu trabalho respeitado - e condições de trabalho - e, principalmente, há ou não e por que público para poesia.
Chacal, em seu blog, levanta alguns pontos:

"o rio arde nesse dia do poeta - 14 de março. uma festa que rola em Santa Teresa por ocasião da semana santa gera o maior conflito. contatados alguns dos vários grupos de poesia do rio, apresentaram propostas de trabalho e cachê. a grana, apesar de patrocinadores de peso, segundo a organização, foi encurtada e os projetos receberiam metade do que pediram. a partir do filé de peixe, um a um os coletivos foram se retirando."

"(...) poesia, de uma forma geral, não tem público suficiente para interessar ao mercado. é artesanato e não indústria cultural.
difícil se estabelecer uma tabela como acontece na música, no cinema,
onde associações e sindicatos defendem os direitos dos filiados."

"creio que uma boa causa agora é lutar para a poesia chegar aos alunos de primeiro e segundo grau. a música está entrando novamente no currículo escolar. por que não a poesia contemporânea ? abrir frentes, apresentar projetos de recitais às secretarias de educação. se aliar aos grêmios e a grupos de teatro como o CEP 20.000 fez com o Pedro II e o Colégio Estadual André Maurois."

"sem renovarmos o público de poesia, em breve assinaremos seu atestado de óbito por falta de leitores ou ouvintes."

Leia o texto completo aqui, vale a pena.

Como já disse na troca de e-mails que está comendo solta entre vários poetas e organizadores de eventos de poesia, os dois últimos pontos me falam mais alto: renovação do público e inserção na grade currícular - como está acontecendo com a música. Para mim, dos vários incêndios, esses estão entre os mais devastadores.

Aí vejo surgir entre as várias discussões a velha oposição poesia falada x poesia escrita.

Honestamente, acho que no momento, definitivamente não é uma questão prioritária. Se não tivermos público... que diferença faz?

E realmente prefiro jogar esse papo um pouco mais pra frente.

Mas aqui, fora do debate, no meu espaço públicoparticular, aproveito para dizer que o poeta não tem, obrigatoriamente que ser performático. E que gosto das duas possibilidades. E não acho que um poema bem decorado e apresentado diminua o trabalho de um poeta tímido, que prefere se apresentar apenas nas prateleiras, revistas, sites ou blogs.

Então, vou procurar e colocar aqui já já, um vídeo ótimo, em que Drummond, sem nenhum talento para performances, lê um de seus poemas.

O outro, coloco agora: mostra uma animação ótima de Quadrilha, com narração do poeta. A animação é trabalho de um curso de literatura. Os créditos sobem ao som de Chico, mostrando que poesia não gera só performance. Podemos ir bem além disso. Ou não.



Gosto igualmente das duas. Na verdade, acho essa discussão desestimulante. Mas isso rende outro post, escrito com mais paciência e detalhamento. Boa chuva para todos!

9.3.08

Nossos planos

Aquele café improvisado na beira d'água, aquela manhã linda, linda, lembra? Que não tomamos? E as viagens que não fizemos e os vinhos que não bebemos? E aquela vez que não te fiz um jantar surpresa, lembra? E que você não adorou, você não esperava! E aquela estante que não compramos juntos, que não combinou com a nossa sala e que depois já não cabiam os nossos livros...

E a estante, o jantar, os vinhos, as viagens ficaram pra trás porque eram desimportantes já que os filhos não vieram. Lembra, que lindo, o quartinho que não fizemos? E que não escolhemos juntos cada detalhezinho, cada móbile, cada foto? E o primeiro álbum, lembra? Com as fotos que não fizemos do primeiro banho e da primeira mamada que não aconteceram?

A primeira escritura! Nossa, ainda lembro da roupa que eu estava usando no dia em que não assinamos a primeira escritura do apartamento que não compramos!

Lembra quando não sonhamos, quando não planejamos, quando não realizamos?

Está um dia lindo lá fora. Como o daquele primeiro café improvisado que não tomamos. Verifico se todas as janelas estão fechadas, todas as luzes apagadas. E vou embora, entregando as chaves do apartamento em que não vivemos para o próximo morador.

8.3.08

A porra da vidinha de merda

Joguei a mochila no chão, me esparramei no sofá e apoiei de propósito os pés na mesinha de centro. Por que diabos alguém tem mesinha de centro? Pelo prazer das canelas roxas? Por que é isso, a mesinha de centro é como um quebra-molas no meio da sala. Quebra-canelas. Uma merda. Não sei o que é pior, se a mesinha de centro “assinada” e que por isso ninguém pode chegar perto sem que dona da casa enfarte, ou se a mesinha de centro que serve como suporte para enormes livros de arte que ninguém lê, cuidadosamente escolhidos pelo decorador para que nenhuma visita tenha dúvidas: aquela com certeza é a casa de alguém sofisticado, com cultura. “Com cultura”. Cultura de quê? Vírus?

Apoiei de propósito os pés na mesinha de centro e fiquei esperando ela chegar, eu já não disse pra não por os pés na mesinha de centro, isso não é uma mesinha de centro qualquer, isso é uma Saarinem, ela falou puta. Todo dia eu boto o pé na mesinha de centro e todo dia ela reclama puta por que isso não é uma mesinha de centro, isso é uma Saarinem.

Isso não é uma porra de um museu, eu disse, isso é a minha casa. Todo dia eu respondo a mesma merda. Todo dia a mesma discussão idiota, ela disse, ela não sabia que eu gostava de ter todo dia a mesma discussão idiota porque ela ficava irritada e eu adorava ver ela irritada, era o meu único prazer, então eu me permitia ter esse prazer todo dia.

Isso não é uma porra de um museu, eu sabia que o "porra" era fatal. Ela agüentava que eu me esparramasse no sofá, ela agüentava que eu botasse os pés na maldita saarinem, ela agüentava que eu respondesse com ar de desdém. O que ela não suportava era aquele ‘porra’ no meio da frase, dito preguiçosamente, reforçando o desdém. Porque o ‘porra’ era a confirmação do descontrole dela. Ela não falava porra. Ela berrava porra, ela esguelava porra com a cara vermelha, as veias do pescoço saltadas, olhos esbugalhados, salivando e socando a mesa. O porra, para ela, era a confirmação de que havia perdido a razão e a discussão, aquela partida não era dela, perdeu. Então quando eu falava porra calmo, devagar, olhando o jornal ou limpando uma unha, aquilo era a morte: não era um palavrão, era uma afronta.

15.2.08

Transparência Opaca

Porque eu não trabalho de graça.

Pérolas aos porcos, disse ele. Porque ele entendeu tudo.

A gata, enlouquecida, destrói o apartamento enquanto eu digito, fingindo que não é comigo.

Reminiscências sobre flebites e afins depois de ler a Daniela. Que bom que passou. Até hoje, quando vejo a criatura vibrante e veemente, me emociono. Sim, milagres acontecem e são diários. Apenas não são espetaculares. Não vêm acompanhados de gelo seco e holofotes. Eles simplesmente acontecem e assim os dias são possíveis e a vida segue.

8.2.08

Ação!

Naquela volta frustrada de Salvador, enquanto o avião pensava seriamente em dar um mergulho no mar eu, prestes a morrer (tá, era o que eu acreditava na hora) olhava pela janela e só conseguia pensar uma coisa: “Cara, não acredito que eu vou morrer gorda!” Depois minha irmã confessou que olhava pela janela e pensava: “Cara, não acredito que eu não devorei tudo aquilo no jantar pra não engordar!”

No final de tudo, o que pesa, o que fica, é o que não se fez. E foi assim, pensando que poderia ter morrido gorda (pode chamar de fútil, andei) que decidi me separar. Foi bem mais que uma separação: ali, naquele rompimento, eu renasci – e de quebra perdi quase 20 kg e ganhei um belo namorado. Priscila adverte: maridos pústulas engordam e fazem mal a saúde.

E foi ali também que se consolidou minha crença em que jogos, entrelinhas e subtextos são perda de tempo.

Então, para bem ou para mal, vivo, faço e falo.

Recomendo, viu? Garanto que faz bem.

26.1.08

Fórum Social Mundial - Rio com Vida: chat online, hoje

Pessoas do mundo inteiro estão convidadas a participar do chat online do Rio Com Vida –Fórum Social Mundial, que acontecerá no Rio de Janeiro, Brasil. O evento é neste sábado, 26 de janeiro, no Aterro do Flamengo.

Serão 5 palcos e 8 tendas incluindo artes cênicas e visuais, hip hop, musica e poesia. Outro palco onde pessoas de diferentes tribos serão ouvidas além de outras 4 tendas: antropofágica, trocas, ideias e conexões.

Como vem sendo divulgado o Forum Social Mundial decidiu que no dia 26 de Janeiro, em vez de um evento centralizado, haverá um dia de mobilização global. Esta decisão foi tomada para ajudar na ideia de que uma mobilização mundial deve ser manifestada no mesmo dia do Forum Econômico Mundial que acontece todos os anos em Davos na Suíça.

E você pode participar de qualquer lugar do planeta, basta acessar o link: http://www.riocomvida.org.br/modules.php?name=News&file=article&sid=36


People all over the world are invited to participate in an online chat of the World Social Forum – Rio Com Vida in Rio de Janeiro, Brazil. The event will be held Jan 26th at Aterro do Flamengo.

There will be 5 stages and 8 tents including visual arts, hip hop, poetry and music performances. Other stage where people from different backgrounds will lift their voices and four other tents: Anthropophagic, Trades, Ideas and Connections.

As has been released The World Social Forum has decided that Jan 26th, instead of a WSF centralized event, it will have a global day of mobilization. This decision was taken to help the idea of a global worldwide mobilization to emerge and the choice of date to coincide with the World Economic Forum held every year in January in Davos, Switzerland.

And you all over the world must participate at
http://www.riocomvida.org.br/modules.php?name=News&file=article&sid=36

22.12.07

eu e o tempo

não estou de férias
estou trabalhando o tempo
que não passa entre os dedos

o tempo vem e se instala
e é dele a velocidade
da rotina, do imprevisto, do planejado

ele acelera os fatos
prolonga os segundos de espera
suspende o ar no espanto

estou trabalhando o tempo
o tempo de achar o tempo
que não posso perder
que pretendo ceder
a cada momento
de prazeroso
ócio.

<a href="http://creativecommons.org/licenses/by-sa/3.0/" title="Creative Commons Attribution-Share Alike 3.0">CC BY-SA 3.0</a>, <a href="https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=86178">Hiperligação</a>
Janela nas ruínas de Macchu Pichu
Originalmente publicado em dezembro de 2007, no Dedo de Moça.

14.12.07

Por favor, me respondam

Gente, dá uma forcinha respondendo aqui. Depois eu explico, ok?

1. Você sabe o que é o Fórum Social Mundial? Se sabe, é o quê?
2. Você sabe o que é o Rio com Vida? Se sabe, é o quê?
3. Você sabe o que são os Direitos Humanos? Sabe? O que são?

Chato, né? Ah, vai, quebra essa pra mim. Preciso ter uma ideia do nível de conhecimento (ou desconhecimento, mais provavelmente).

4. Como cidadão você se sente indignado com alguma coisa? Com o quê? E faz o que pra resolver isso? Como?

É isso, gente. Agradeço muito a quem responder.

ah, me diz também idade, cidade e profissão ok? Tá, se não tiver saco, não diz. Mas que ajudaria...

11.12.07

Muitas amigas reclamam que estão virando suas mães. Ontem, me olhando no espelho, constatei que eu não estou virando minha mãe.

Estou virando minha tia. Paterna.

Até as sandalinhas são do mesmo tipo. Se saíssemos hoje ela, minha prima e eu, ninguém teria dúvidas de que 'somos' mãe e filha. Minha prima? Ah, uma passante.

Eu? Acho ótimo.

7.12.07

Toda vez que flagro em mim um gesto de minha mãe, um hábito de meu pai ou um traço de minha avó, me odeio. E odeio mais ainda todos eles quando detestam em mim o que é apenas herança. Herança deles.

1.12.07

Não sei o que foi mais inacreditável: se o arcebispo falando que estamos numa "quase epidemia" ou se o pajé falando "não usa camisinha não gente, porque camisinha atrapalha". Foram esses os discursos no microfone da "celebração" oficial do dia internacional de combate a AIDS. Eu quase enfartei. Só a representante dos terreiros fez um discurso sério, acertivo, correto e reinvidicatório. Um alívio.

A segurança de olho, querendo dar o bote. O que eu fiz? Pedi ao povo para não fazer nada até eu voltar. Fui até a imprensa e chamei TODOS OS VEÍCULOS PRESENTES. E eles foram. Cada um a seu tempo, mas foram. E os seguranças tiveram que ver os câmeras filmando a Mara Moreira (vice presidente do Grupo Pela Vidda) vestindo uma camisinha no meu braço, até depois do cotovelo.

Distribuímos as 400 camisinhas, explicando para cada pessoa que recebia porque estávamos fazendo aquilo. As pessoas olhavam pra gente com cara de quem está pensando: 'ah, é mentira, o governo não ia fazer isso em um evento oficial'. Mas fez.

Por fim, criamos coragem e distribuímos camisinhas para os bombeiros e, principalmente, para os militares, armados até os dentes. Renderam boas fotos esse momento.

No final, nos enfileiramos no lugar da saída, em um protesto mudo, cada um com uma camisinha não mão. O Arcebispo e os outros passaram encarando a camisinha. Ele olhou e disse: tchau. E nós em coro: tchau!

É tudo muito triste, mas estou aliviada. Sempre vale a pena.

Mais triste que isso só ver que as pessoas se mobilizam até para passar chapéu pra comprar mais uma cerva, mas não se mobilizam para reinvidicar seus direitos, para protestar contra um ato assassino de censura. Sim, assassino, porque proibir alguém de usar camisinha hoje é o quê?

Bom, é isso, só queria contar pra vocês.

Mostro as fotos quando chegarem pra mim.

Camisinha no Corcovado hoje, já!



onde: Cosme Velho, estação do trem do corcovado
quando: HOJE - 1º de dezembro, este sábado, às 15h
como: distribuição gratuita e pacífica de camisinhas



Preservativo é Excluído da Comemoração Oficial do Dia Mundial de Luta Contra a AIDS


"Acelebração no Cristo busca focar a solidariedade às pessoas que vivemcom HIV. Portanto, pela natureza do ato, não cabe a distribuição depreservativos no evento", diz o documento assinado pela diretora do Programa, Mariângela Simão.

Er...hã... uh... como assim? Em um evento que celebra o Dia Mundial de Lutacontra a Aids não cabe a distribuição de preservativos? Em um país ondeo risco de contaminação, principalmente entre mulheres jovens tem seelevado? É isso mesmo? Gente, a única forma de evitarmos a doença foi EXCLUÍDA!

Vai ser no Cristo Redentor.É assunto sério de mais pra ficar relegado apenas a leitura diária de jornal.

Nossa proposta é aperecermos todos por lá, devidamente abastecidos de uma boa quantidadede camisinha para fazermos, nós mesmos, uma distribuição gratuita. Éuma boa forma de protestar agindo. Topam?

Sugerimos ainda uma blogagem coletiva: quem não é do Rio - e quem étambém, porque não? veste uma camisinha virtual em seu blog, fotolog, e-mail, orkut etc. nesse sábado, dia: 1º dedezembro. Dia Mundial da Luta contra a Aids.


Játemos o apoio do Grupo Pela Vidda, que forneceu 400 camisinhas. A ONG Viramundo também está nos apoiando e estará presente com um grupo de médicos. Estarão presentes o estilista Carlos Tufvesson, o jornalista e poeta Bruno Cattoni - um dos fundadores doPela Vidda - e Mara Moreira, Integrante do ABIA - Associação Brasileira Interdisciplinar de Aids.

Contamos com a presença de todos.
Compareçam. Divulguem.


>>>ATENÇÃO: VÁ DE CARRO, O TRENZINHO NÃO ESTARÁ FUNCIONANDO<<<

25.11.07

Trabalho olhando a vista. Entre eu e o céu, os prédios distantes e o tanto de verde, apenas Catarina. Catarina descobriu que o mundo é mais do que a janela do vizinho.

Não preciso acender as luzes antes das 19h. Os sons da rua chegam difusos, não incomodam. Apenas se acomodam nos espaços, de um jeito agradável, não são invasivos.

Enquanto o dia corre, jogo fora passados que não são história e reconstruo meu universo particular. Que já compartilho com aquelas pessoas queridas que, estas sim, fazem parte da história. Da minha história.

Não é bem um recomeço. É mais uma volta, daquelas que a gente dá depois de uma pausa longa, indesejada mas necessária. A pausa acabou.

E não esqueçam blogagem
coletiva dia 1º de dezembro: camisinha nos blogs!


E quem estiver no Rio, repito
a proposta: vamos fazer uma distribuição gratuita de camisinhas no Cristo.


Não entendeu? leia
aqui

24.11.07

Preservativo é Excluído da Comemoração Oficial do Dia Mundial de Luta Contra a AIDS

onde: Cosme Velho, estação do trem do corcovado
quando: 1º de dezembro, este sábado, às 15h
como: distribuição gratuita e pacífica de camisinhas

“A celebração no Cristo busca focar a solidariedade às pessoas que vivem com HIV. Portanto, pela natureza do ato, não cabe a distribuição de preservativos no evento”, diz o documento assinado pela diretora do Programa, Mariângela Simão.


Er... hã... uh... como assim? Em um evento que celebra o Dia Mundial de Luta contra a Aids não cabe a distribuição de preservativos? Em um país onde o risco de contaminação, principalmente entre mulheres jovens tem se elevado? É isso mesmo? Gente, a única forma de evitarmos a doença foi EXCLUÍDA!

Vai ser no Cristo Redentor. Se informa uma pouco mais que vale a pena. É assunto sério de mais pra ficar relegado apenas a leitura diária de jornal.

Sugiro aparecermos todos por lá, devidamente abastecidos de uma boa quantidade de camisinha para fazermos, nós mesmos, uma distribuição gratuita. É uma boa forma de protestar agindo. Topam?

Já temos o apoio do Grupo Pela Vidda, que forneceu 400 camisinhas. A ONG Viramundo também está nos apoiando e estará presente com um grupo de médicos. Estarão presentes o estilista Carlos Tufvesson, o jornalista e poeta Bruno Cattoni - um dos fundadores do Pela Vidda - e Mara Moreira, Integrante do ABIA - Associação Brasileira Interdisciplinar de Aids.

E, numa sugestão da Mani, sugiro ainda uma blogagem coletiva: quem não é do Rio - e quem é também, porque não? veste uma camisinha virtual no blog no dia: 1º de dezembro. Dia Mundial da Luta contra a Aids.

>>>ATENÇÃO: VÁ DE CARRO, O TRENZINHO NÃO ESTARÁ FUNCIONANDO<<<

6.11.07

A gente paga pra se apurrinhar

Quero acreditar que não recebi o livro comprado e nem o dinheiro de volta do site Submarino apenas por uma questão de incompetência do site. Porque as alternativas à incompetência são bem piores.

Desconhecendo essa incompetência, fiz uma compra. Prazo previsto para a entrega, se não houvesse incompetência: 6 dias. Quando eles me avisaram que não entregariam o livro porque estava indisponível? Quando acabou o horário comercial do último dia útil do prazo. Bom, considerando que através do site fiz o acompanhamento do pedido, o que me fez acreditar que não precisava temer incompetência, como classificar isso? Acho que incompetência está bom.

Já se passaram 6 dias desde o comunicado. Enviei os dados solicitados para receber o reembolso e... até agora, nada. Oi? Como? Você acha que não é incompetência? Tá, pode ser que não, mas as alternativas são bem piores.

Tentei entrar em contato pelo site. Todos os links e formulários para esse tipo de questão, depois de devidamente acessados e preenchidos resultam em... time out! Olha, posso estar enganada, mas desconfio que é incompetência.

Por que estou aqui enchendo o saco de todo mundo com essa história? Para desabafar, para compartilhar minha experiência no mínimo desagradável e para com sorte e apoio de São Ilusão talvez ter a graça concedida de ter esse post lido por alguém do Submarino, já que o e-mail que enviei foi ignorado. Aí, quem sabe, eles não resolvem fazer o depósito de reembolso na minha conta, pra mostrar que estou enganada e que não foi um caso de incompetência.

24.10.07

katia, a mulher clichê

Katia, a mulher clichê, não sabe ler nas entrelinhas e interpreta tudo ao pé da letra. Geralmente não sorrio não. São gargalhadas sonoras mesmo. Toda vez que vejo os clichês que escapam pelos vãos dos teclados... (os meus inclusive - e por que não?) Os clichês anônimos, sem lenço, documento, endereço ou e-mail. Mas não é isso mesmo o clichê? O desgastado? O mais um na multidão? Trivial, vulgar, ordinário. E por isso mesmo sem identidade, anônimo. O Clichê, o lugar comum, a leitura literal. Boas risadas você me proporcionou dona Clichê :)

Oi? Quê? Não foi democrático? (gargalhada sonora). E quem disse que seria?

Os devaneios e a vaca

O som que invade o quarto não dissipa o silêncio que pesa na cama. O dia corre sob nuvens negras que desabam enquanto o banheiro inunda.

A gata só me olha. Ela não se importa com o córrego que se forma e toma a direção da sala. Ração seca, areia limpa e água fresca é tudo de que toma ciência. Hoje não seria mau se ela estivesse certa e a bichana de estimação fosse eu, esticada no meio do caminho, barriga pra cima, exigindo autoritária mais e mais chamegos. E uma sardinha. Ou duas.

O cheiro de alfazema domina o quarto. Aqui as verdades usam as lombadas descascadas dos livros para dizer: estamos aqui, não adianta tentar ignorar, fingir que não vê.

Sempre fui dada aos impossíveis da vida. Certas coisas não mudam. Ainda bem.

Um desejo enorme de mostrar à vizinhança ignara toda minha capacidade de baixar, baixar muito o nível. Mas ando esses dias elegante demais. A elegância, essa sim é pecado. Então deixo. Deixo o som invadir o quarto, o dia correr, a água inundar o banheiro.

E sentada elegantemente deixo os berros histéricos que rasgam os sentidos dos meus pensamentos - que são divinamente inaudíveis - dizerem pra velha-vaca-filha-da-puta que mora aqui ao lado que eu desejo de todo o meu coração que ela morra. Que morra lenta e dolorosamente, pra sofrer bastante. Com o cu arrombado na Praça Paris. Mas quem me olha, nem imagina.

30.9.07

Priscila e a Dor de Cabeça

A Dor de Cabeça amanheceu com uma Priscila inacreditável! Simplesmente acachapante.

Tentou:
- duas doses de sono
- três Sabino, um Drummond e dois Cattoni
Nada. A Priscila não cedia.

Experimentou então diversificar;
- três faixas de Flunk
- Sashimi, arumaki, shitake, sake
Solução, cadê???

Priscila ali:
Inabalável
Inatingível
I-na-cre-di-tá-vel

A Dor de Cabeça estava impressionada. Há tempos que não tinha uma Priscila assim!

Não se deu por rogada
Tentou limonada
“Ainda me livro dessa judia safada”

Priscila – a judia safada – bem, nem te ligo...

Dor de Cabeça, arrasada, desistiu.
Recolheu-se à insignificância do cérebro de umazinha que por ali passava.



Um novo dia.
Priscila amanheceu hoje com uma Dor de Cabeça Inacreditável! Simplesmente acachapante...

23.9.07

API - A P* da Idade

Ainda lembro da avó de uma amiga contando a história:
 Aí a mendiga me empurrou, eu caí no chão e ela gritava: “palavrão, palavrão”! Isso aos berros, imitando a mendiga.
Não, a mendiga não berrou — palavrão, palavrão! Ela berrou palavrões cabeludos, mas dona Neide (ah memória traíra... é Neide mesmo?) sempre foi elegante de mais pra falar um palavrão cabeludo, que dirá vários (sim! É Neide sim!). Então contou assim sua história. Não deixa de ser coerente...


-----------------------------


Abri o caderninho de telefones de minha avó para anotar o 0800 da guarda municipal e encontro a listagem:

Netos de Laís:
Gustavo - 3 anos
Gabriel - 7

Netos de Olesa:
Pedro - 15
Carolina - 18

Gata da Pit:
Catarina - é pretinha

20.9.07

35

35 na lata. E sem anestesia.

Estou aqui acariciando os fios brancos e observando os primeiros pés de galinha.

As crianças já pararam de me chamar de "tia" em cinemas e shoppings. Agora é "senhora". Senhora. Senhora? Cara, eu não quero esse tipo de deferência não!!!

Diz a Mani que não devo me preocupar com os pés, que o problema é quando surgirem as penas. Mas poxa... pena eu sempre tive... Sempre fui assim, meiga... hohoho.

Pra mim a melhor idade sempre foi a que eu tinha no momento. Então me pergunto: o que mudou que estou achando péssimo?

Vantagens? Tem, claro que tem. Mas tem que tomar cuidado para não confundir "filosofia-pollyana" com vantagem. Vintage. virei vintage! Très chic!!! Putz: sou do século passado! Já saía sozinha na década de 80. Hoje conheço profissionais que nasceram na década de 80!

Quer saber? Vou passar um batom poderoso, empunhar um salto agulha e que saia da frente quem tiver juízo, porque eu cheguei!

16.9.07

O senado e o Google

Seguindo a sugestão do Bender Blog, Pensar Enlouquece Pense Nisso e Rodrizo Stulzer:

"Ao invés de sair por aí postando que o Senado é a vergonha nacional sugiro fazer algo diferente:

VERGONHA NACIONAL

Quanto mais gente lincar estes termos da forma que eu fiz, mais rapidamente o Google mostrará para o mundo que o senado brasileiro é a vergonha nacional.

E então, alguém a fim de colaborar?

Basta escrever a frase Vergonha Nacional e lincar para o Senado."

15.8.07

Silêncio de Girassóis, de Bruno Cattoni. Lançamento dia 22 de agosto de 2007


"DONA EDITH THOMPSON HOMEM MANTÉM, há dezoito anos,
a 'Creche Comunitária dos Girassóis', no Morro do Céu, comunidade
pobre de Niterói. A creche atende em tempo integral os
filhos dos catadores de lixo de um aterro sanitário. Eles ganham
comida, roupa, calçado e reforço escolar.
Moradora de Viçoso Jardim, bairro vizinho ao vazadouro,
D. Edith acompanhava diariamente o drama dos catadores quando,
em 1989, resolveu arregaçar as mangas e, por conta própria,
começou a trabalhar para oferecer mais dignidade às famílias. D.
Edith criou, então, a creche que chamou de 'girassóis' – a única
flor que nasce no lixo.
As crianças entram na creche às oito horas da manhã. Às
cinco da tarde, de banho tomado e alimentadas, elas aguardam a
chegada dos pais para voltarem às tendas do lixão, onde dormem.
A creche fornece quatro refeições por dia: café-da-manhã, almoço,
lanche e jantar.
Apesar do apoio que a instituição oferece às famílias, muitas
crianças foram abandonadas na Creche dos Girassóis. Alguns bebês
D. Edith recolheu nos arredores do vazadouro, dois ela adotou.
Lucas foi esquecido num caixote de papelão. Grampola estava
deitada no peito de um homem bêbado – ambos dormiam na
lama, sob uma tempestade."

Essa é a razão de ser do livro Silêncio de Girassóis, de Bruno Cattoni.

O livro conta, num longo poema ( 2.300 versos) a saga de D. Edith Homem, uma mulher que resgatou mais de mil crianças que trabalhavam ilegalmente nos vazadouros sanitários. O prefácio é do poeta amazonense Thiago de Mello, autor d'Os Estatutos do Homem.

O poeta, jornalista e ativista dos direitos humanos Bruno Cattoni prepara a terceira edição do Festival Poesia Voa, no Circo Voador, e está trabalhando com o Fórum Social Mundial, na realização do próximo evento do Fórum, o Rio Com Vida, em janeiro no Rio.

Bruno é editor de textos da TV Globo e membro da Ong Movimento Humanos Direitos (Mhud)


O quê: Lançamento de Silêncio de Girassóis, de Bruno Cattoni, Ed. 7 Letras.
Quando: 22 de agosto de 2007, quarta-feira, 19h.
Onde: Livraria da Travessa
Rua Visconde de Pirajá 572, Rio de Janeiro



>> Até a véspera do lançamento é possível fazer o download gratuito do livro, no site do poeta: www.brunocattoni.com

21.7.07

FLAP! 2007 - Contaminações

A segunda edição carioca da FLAP! acontecerá nos dias 4 e 5 de agosto, na PUC. O tema deste ano é Contaminações. Entre os nomes já confirmados estão Bruno Cattoni, Sylvio Back, Mano Mello, Cairo Trindade e a poeta e editora Thereza Christina Motta.

Este ano, além das palestras o evento terá leituras entre uma mesa e outra.

Leia o Release.

Em breve, disponibilizarei a programação.

Espero todos lá!

27.6.07

Eu poderia estar falando?


- Eu poderia estar falando com o Senhor José das Couves?
- Não, mas poderia estar indo a merda.

Atendentes de telemarketing, ativo ou passivo (sim, esses profissionais são foda mesmo!) não leem, não andam nas ruas, não assistem TV, rádio, não falam com os outros. Ou já saberiam que são piada, o porquê e voltariam a falar português.

28.5.07

Tanto Amor

O beijo de surpresa na escada
O coração em disparada
A mão alvoroçada
Pra nada...

Não se abriu o céu
Chuva que não cai
Não germinou o fruto
Ninhada que não vinga

Tanto amor...
Desabrochou, perfumou...
murchou

O desejo que não cedeu
A palavra que não falou
O silêncio que não calou
A saudade que não cresceu

Desabrochou, perfumou, murchou
Tanto amor...

Não adianta trocar a água
Adubar, regar a terra
Não tem mais broto
Não brota nada.

Lembra meu amor?
Desabrochou, perfumou, murchou
Pra nada

16.5.07

Notícias do Nepal


Meia-noite e meia, chego em casa do Jasmim Manga quentinha. Encontro postal do Guiga: que fecho bom pra noite, que coisa boa. Nepal, trilhas que duram pra lá de um mês e lá pelas tantas as perguntas inevitáveis, quase um default: "Será que a nossa galera tem futuro? Será que eu vou virar uma pessoa que presta? Será que consigo publicar o livro quando voltar?" Ah, Guiga... será? Te devolvo as perguntas: Será que ainda existe a "nossa galera"? Será que eu vou virar uma pessoa que presta pra mim? Será que alguém quer ler o que eu tenho pra mostrar? Será? Será que eu acordo amanhã?

Não faço a menor ideia.

Traga sim uma pétala seca do alto da montanha ou uma bandeirinha budista tibetana. Vou cobrar. Que bom te ler.
Te amo, meu amigo.
Fica bem.

13.5.07

Pé quebrado

Há um consenso geral
que o meu bom senso vai mal.
Sigo com meus versinhos de pés quebrados
ignorando os recados.

Se meu bom senso vai mal - dizem...
Digo eu que não faz mal:
Não me importo,
não tem importância.

Não tenho a ganância de nesse mundo boçal
ser o que o povo considera uma pessoa normal.

Nesse momento em que Babado Novo é um acontecimento
e Moreira da Silva caminha para o esquecimento
me dou ao direito de versos fáceis, rimas pobres,
que se perdem com o vento.


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E digo mais: pouco me importa se são ou não sonetos, se a rima é pobre ou rica ou mesmo se rima. Não estou nem aí para a quantidade "correta" de estrofes, versos ou sílabas.

Barbarismo. Conhece? Pois é. Sou tão bárbara quanto meus versos. E por isso agradeço todos os dias.

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O Armazém Literário está atualizado. Vai !

1.5.07

Estagnou


Estagnou. Sabe? Quando dá aquela estagnada básica? E aí você pensa: "Putz, e agora?". Aí pra piorar, você descobre que não tem "e agora". Porque não é você quem decide. A única decisão que você pode - ou poderia, mas aí já é outra discussão - tomar, é descer. Abandonar o barco. Mas isso... você quer? E fica aquela pergunta ali te atormentando os miolos: "mas nega, tá valendo a pena?". E você finge que não ouve. E continua lá, estagnada. Esperando que um vento sopre e você não tenha que resolver.

27.4.07

Jasmim Manga

Essa terça, dia 24, os irmãos Tornaghi convidaram a Thereza Christina Motta para, com o pessoal do Ponte de Versos, homenagear Hilda Hilst, que morreu em 2004.

Lá pelas tantas, Chama e Fumo, de Manuel Bandeira, na voz do Eduardo Tornaghi, me deixou ainda mais satisfeita com a noite tranquila, de harmonia mesmo.

Então compartilho aqui o poema, já que a noite e o clima... só se vocês aparecerem por lá na terça que vem. Vale a pena!

CHAMA E FUMO

Amor - chama, e, depois, fumaça...
Medita no que vais fazer:
O fumo vem, a chama passa...

Gozo cruel, ventura escassa,
Dono do meu e do teu ser,
Amor - chama, e, depois, fumaça...

Tanto ele queima! e, por desgraça,
Queimado o que melhor houver,
O fumo vem, a chama passa...

Paixão puríssima ou devassa,
Triste ou feliz, pena ou prazer,
Amor - chama, e, depois, fumaça...

A cada par que a aurora enlaça,
Como é pungente o entardecer!
O fumo vem, a chama passa...

Antes, todo ele é gosto e graça.
Amor, fogueira linda a arder
Amor - chama, e, depois, fumaça...

Porquanto, mal se satisfaça,
(Como te poderei dizer?...)
O fumo vem, a chama passa...

A chama queima... O fumo embaça.
Tão triste que é! Mas... tem de ser...
Amor?... - chama, e, depois, fumaça:
O fumo vem, a chama passa...

Teresópolis, 1911.


O quê:
Poesia

Com quem:
irmãos Tornaghi e convidados

Onde:
Jasmim Manga
Largo dos Guimarães, 143

Quando:
Terça-feira - Sempre!
das 19h30 às 23h30

24.4.07


Margarida na verdade é travesti. Ou seja: ela e Donald não só são o primeiro casal gay das histórias em quadrinhos infantis, como são também os primeiros a conseguir a guarda de três crianças. Viram? Tio Disney não era reacionário como dizem, na realidade era um cara ousado, um agitador dos valores e dos costumes.

Nenhum personagem de Disney tem pai ou mãe. Quando um deles tem, como Bambi, por exemplo, imediatamente fica órfão, de modo cruel e traumático. Daí levantamos as seguintes questões:
- Disney era órfão?
- Não sendo órfão: Disney odiava sua mãe?
- Seria a mãe de Disney uma pedófila que abusava do filho?

Sim, questões essenciais para entendermos os rumos da humanidade.

Cinco horas de sono profundo, sem pesadelos ou interrupções. E daí que foi de 21h as 02h? É uma evolução sim!

22.4.07

Serpente

A língua bipartida sibila, silvos agudos que penetram os ouvidos, a pele, as entranhas, como um alfinete. Fino e profundo. E neste caso em brasa, para estancar qualquer possibilidade, ainda que remota, de sangramento. Apagar qualquer rastro ou vestígio é uma meta.

Ela se aproxima sorrateira, sempre sorrindo angelical, serpenteando e sibilando libidinosamente. Escorregadia, envolve a presa – ele – que excitado e aterrorizado goza a cada segundo, de terror e curiosa incógnita. O que vem a seguir? A mulher quente, úmida e submissa? Ou a serpente venenosa, ardilosa, com suas presas e seus sibilos mortais?

Ambas lhe são igualmente atraente e sedutoras. Gostaria de devorá-la em uma só dentada, ser devorado em menos de um segundo por cada uma dessas criaturas. Criaturas que se fundem em uma única. Fêmea de aspecto agradável, mas nada além disso. Nem feia, nem bonita. Apenas agradável. Sua visão é confortável, no entanto não atrai olhares. Mas quando cruza com eles... almas perdidas.

Hipnótica, psicotrópica. Ímã. Cada desventurado que tem a infelicidade de um cruzar de olhares com a serpente, perde naquele momento sua alma e o controle sobre sua vida. Escravidão demandada. Servidão implorada.

E seu séquito de seguidores cegos e inebriados, cresce a cada dia. Uma gigantesca multidão. Escondidos na rotina do dia-a-dia, dos escritórios, dos bares e das esquinas, dão o sangue para garantir a sobrevida de sua Senhora.
Por que se alimenta de suor, sangue, ansiedade, angústia, inveja, ciúmes e descontroles.

Vil, ignóbil, infame. Eficiente na construção da imagem de inacessibilidade. Que torna seus gestos, hábitos, crenças e ações torpes em objetos de desejo. O desejo em que cada um de seus servos quer mostrar que ele, e apenas ele, é Aquele que alcança e que sim, é capaz de fazê-la mudar. Eficiente, a víbora, em fazer crer em ilusões.