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25.3.09
politrauma
sala de ressucitação:lotação esgotada
Raio-x: lotação esgotada
Lotação: incendiada.
no politrauma do miguel couto ninguém entra ninguém sai, fora todo mundo que é visitante, é para sua própria segurança. aí babaca, larga mão da pulseira, fica quieto senão você pode cair, bater com a cabeça e morrer.
aí tia, dá uma água pra mim, na boa, na paz.
tiros, o táxi sai voado, é fechado pelosomi. O puliça da portaria vem carregado. braço estilhaçado, hospital desprotegido. hospital bala perdida. a tia entubada não viu nada.
no politrauma do miguel couto não tem parada. dia animado, clima saudável e ótimas companhias.
17.3.09
Espingardinha
- Boboca.
16.3.09
Sesta
O único miolo que ainda encontro, mais que frito, passado do ponto, é o meu. Não sai nada dessa cabecinha. Devíamos adotar a sesta até que os dias se tornem mais amenos. Não há como pensar assim. Pensar, escrever, comer, andar, amar, odiar, respirar. Impossível. O ar quente entrando pelas narinas, pulmão al dente no vapor.
Que caia a chuva! Enquanto isso, devíamos adotar a sesta. Das 8h da manhã às 6h da tarde. Embaixo do ventilador. No ar condicionado. No chão de lajota do banheiro. No piso de mármore do corredor. Aboli aquecedor e toalhas. Agora só gelo e varanda. Janelas escancaradas. Vamos adotar a sesta. Abram as redes, os tecidos precisam respirar.
5.3.09
3.3.09
13.2.09
Encefalocardia
Ah, se encontrarem links quebrados no menu à esquerda é porque estou dando uma geral no blog, jogando fora algumas coisas que já não me dizem nada e que acho que se perderam no tempo. E mudando de lugar outras que ganharam nova posição nessa minha cabeça psicotrópica. Fiquem a vontade.
Encefalocardia
por Priscila Andrade
|equilibrismo|
A Equilibrista
A equilibrista acordou as duas e vinte e duas da manhã
Coração aceleradoaceleradoacelerado
E falta de ar
Não conseguia dormir de novo
Insônia (insônia?)
O Fauno dionisíaco desarrumou seu armário
Tirou do lugar cada um de seus pertences mais vitais
E jogou a lanterna fora
Não havia tempo para rearrumar ou mesmo procurar.
O espetáculo recomeçava
O nome do jogo agora era Risco
Insônia (ansiedade?)
A equilibrista se olhou no espelho
“Bacante...” dizia por suas costas a entourage do circo
“Bacante, libertina.”
Seus olhos falavam a tristeza e o canto da boca
Um quase sorriso sarcástico
E certo deleite
O espelho mostrava as sobrancelhas franzidas
A boca contrariada
O olhar espumante
A moça não gostava de perder o controle
Olhou o armário.
Vara, rede de segurança, cabo espesso de aço:
Nada.
No trailer ao lado
Dormia tranqüilo o Fauno
Olhou a cama
Insônia?
Ansiedade?
Entendeu o que já sabia: desejo.
Desejo no trailer ao lado.
Para satisfazer seu desejo (desejo?)
A equilibrista terá que andar no fio da navalha
Se equilibrar com uma enorme serpente branca
E encarar os holofotes sem rede de segurança.
Será que ela vai? Ela sabe a resposta.
A Equilibrista, Movimentos Arriscados
— Pé ante pé, avanço na corda bamba
A corda é o fio de uma navalha
E a vara que deveria me dar equilíbrio
Uma enorme serpente branca.
Não há rede de segurança
Os holofotes me impedem de ver a platéia:
Apenas ouço seu mastigar aflito de pipoca e algodão-doce
Assim como seus corações torcedores
Torcem, em seu íntimo mais profundo
Para que eu caia
Que a serpente me envolva
Quebre meus ossos e me devore
Que o fio da navalha chova meu sangue
Aguardam ansiosamente minha queda no abismo
- não haverá baque no final
Assim como não existe o final da corda
Apenas escuridão e seu balançar
Mas sigo em frente
Firme e compenetrada
Sentindo o gelo do aço sob meus pés.
A serpente me alisa, me provoca e me bolina
Ao mesmo tempo me enforca e me desequilibra,
Enquanto enfia seu corpo escorregadio entre minhas pernas.
Os holofotes operam no auge de sua luminância.
Minhas pupilas já não são visíveis.
Não me pergunto onde isso vai dar.
Apenas sigo em frente
Firme e compenetrada
Sentindo o gelo do aço sob meus pés.
|Paraeles|
Paraeles
Paraty, não para mim
Para eles, não para nós
Paraty, com sua poesia construída
Me expulsa
Me agride
Esse lugar não me pertence
Devolvo os desaforos
Deixando em cada pedra
Ou fragmento de terra do centro histórico
Um pouco de mim
Fios de cabelo
Pedaços de unhas ruídas
Cutículas arrancadas a dentadas
Fazendo gotejar o sangue
E o sangue se mistura a terra
Estou vingada
Paraty e eu agora somos uma só
Deixo ali minha marca
Meu DNA
Meu sangue literal
Faço o mesmo na cidade dos locais
Na Paraty de verdade
Que não atrai festivas, jornalistas ou turistas
A Paraty pária, vergonha
Subúrbio abortado do Rio
Mas a cidade entende e entra no jogo
E começa a me devorar
Consome meu sono
Rouba-me o calor do corpo
Devora minhas energias
Deixa apenas
Propositalmente
Uma certa melancolia
A cidade me expulsa
Guardo de lá apenas
Beijos roubados
Olhares furtados
Batimentos acelerados
E uma certa falta de ar
Pequenas transgressões
Públicas, íntimas e secretas
Apenas nós, transgressores
E a cidade sórdida, cretina
Apenas nós sabemos
Mas a cidade não pode falar
|natureza|
Fênix
Observo a poeira em suspensão
No feixe de luz que atravessa o quarto.
Assim como eu, mormaço.
Suor escorrendo: tátil.
Feixe de luz: intangível.
Observo a poeira em suspensão
No feixe de luz que atravessa o quarto.
Assumo-o, tomo as rédeas de mim
E me encaro.
Escancaro a janela:
Luzes solares de março.
O cheiro de dama-da-noite no quarto.
De Tangerina, as mãos.
Dos seus cabelos, narinas.
A vida recomeça.
Casulo
Mudo de pele a cada manhã
abandono a alma pelo caminho toda a tarde
e renasço ao fim do dia
Os ânimos dançam uma ciranda louca
tribal e selvagem
E eu apenas sinto
como um reflexo tardio
os seus cabelos nas minhas mãos
E me deixo levar pelo vento
como folha seca em prenúncio de tempestade
Retomo a alma no caminho de casa
Sempre acho que ainda não é tarde.
Da Lua
Me agarro a causas perdidas
Me entrego a amores impossíveis
Busco a bala perdida
Quando só quero vida.
Confusão suicida
Conclusões espermicidas
Relações parricidas
Amizades Fratricidas
E cada passo leva ao abismo
distante com cheiro de absinto
E eu, que nem gosto de absinto?
Sinto muito por toda essa confusão mental
Essa incapacidade de avaliação
Essa leitura equivocada de tudo e de todos.
Meu código de barras se apagou.
Nele não estava o meu preço
Seria fácil demais
Nele estavam minhas coordenadas.
Hoje, observo os ratos que saem dos bueiros
As baratas que avançam na direção de meus pés quase descalços
Sempre cansados
Desvio do mendigo louco, totalmente roto
E me pergunto, quem é o quem aqui?
Os livros na estante esfregam na minha cara:
Conhecimento e leitura só trazem sofrimento.
Não leia! Vá à praia, curta as Paineiras, beije na boca
Caia na noite, viva a balada.
Ansiolíticos, hipnóticos, álcool, ervas.
Consuma sua mente.
Torne-se um computador,
Uma TV
Um rádio: um terminal burro, que apenas defeca informações.
Sem troca, sem interações.
Vamos alimentar os bueiros com ratos e baratas.
Vamos jogar o lixo mal fechado. A indigência precisa comer.
Precisa catar a comida no lixo: é a dignidade que lhe resta.
Caçadores de seus próprios alimentos.
E eu ouço Thelonious. Why Monk?
E eu ouço Tom Waits. Why Waits?
Wait for me, my misery.
Preciso de sapatos novos
Colo, cafuné e uma boa foda.
Preciso de menininhos deslumbrados
Que não perguntem nada.
Apenas me sirvam, me sirvam, me sirvam.
Meus servos
Meus escravos
Com seus cravos, espinhas e ar adolescente.
O vôo de Ícaro.
A poeta se esfacelou no asfalto.
O letrista poetizou, sinalizando a opção por virar estrela.
Diz que optando por dançar, viramos constelação.
Constelações são estrelas.
Estrelas são astros que tiveram luz própria
mortos há séculos e séculos atrás.
Luz falsa, ouro de tolo.
E os cavalos passam por cima de nós
A poeira levanta
E saímos ilesos.
Somos ilusões.
Cerveja, cachaça, Red Label.
Trepada, Ressaca, Luz ofuscante na calçada.
Vamos, meu anjo,
Fazer amor até amanhecer.
Vamos, meu sacana
Foder pela noite, morrer.
Vamos, meu nego
Trepar e adormecer.
O sol não brilha para mim.
O astro rei me diz
E eu já sei
Sou posse da lua.
Por isso ando nua,
crua como carne
Apodrecendo ao luar.
Sempre sua.
Orquídea
Minha pele se rasga da nuca ao cóccix
Dando liberdade a uma gigantesca lâmina
De cartilagem e penugem.
Meu peito se rasga
E dele saem em vôo tumultuado
Um enxame de vespas
Que zunem, zunem, zunem
Minhas veias ultrapassam o limite
Das pernas e se tornam raízes grossas
E firmes, que me prendem ao solo.
Nesse momento, meu tronco se solta
E alço vôo, com meus braços que já viraram asas.
Do alto observo o bailar das nuvens
E o gorjeio dos automóveis
As penas das asas se soltam
Uma a uma
Transformando-se em pétalas de orquídea
Que caem docemente pelo chão.
Outono
Acarinho as cabeças de minha cria natimorta
e ouço seus chorinhos miúdos.
Sinto o leite talhado escorrendo
de meus seios inchados e doloridos.
O rio logo se forma,
com seu chão lodoso
e pequenos redemoinhos
que tentam me sugar.
Meus pequenos natimortos
sugam meu leite talhado.
Pelo rio, boiando, passam
folhas secas, frutos maduros
que o vento derrubou
e algumas flores.
O sol se põe.
Nino a cria.
Adormeço também.
|corpo|
Autofagia
Deviam me amarrar
com as minhas tripas
Em um tronco feito
com meus ossos
Me alimentar apenas
com minhas carnes
Matar minha sede
com meu sangue
Assim,
e somente assim
Me realimentaria
de mim mesma
E voltaria
a me reconhecer
no espelho
Lago Amarelo
Abscesso profundo
Lago espelho amarelo
Onde mergulho
E te espero
Meus tecidos
Esgarçados pelos apóstemas
Transformam meu corpo em vestidos
A cada edema nascido
Boneca de trapo
Vestidos de retalhos
Danço no espelho amarelo
Onde mais uma vez te espero
Arcabouço
Vertebroso e acéfalo
Meu corpo decomposto se arrasta
Se esgueira por vielas
Só para provar meu amor por você
Vértebra a vértebra
Vão todas ficando pelo chão
Caminho de Joãozinho e Maria
Formado não por doces ou pães
Mas por meus restos mortais
Meu amor não
Meu amor por você se mantém
Calcificado, indelével
Aqui neste arcabouço
Onde pretendo te reter
Ponto Morto
Pisar nas feridas
Arrancar as peles soltas
Morder a língua
Arrancar as gazes envoltas
Lamber as feridas
Arrancar os olhos
Chupar o sangue
Regurgitar a bílis
Não toco piano
Toco tendões
Comer a própria carne
É minha única tentação
O Novo
Sístole, assístole
Tum-tum
Tum-tum
Coraçãotaquicardia
Mas isso,
Isso foi ontem...
Hoje, quando te vê
Ele já nem bate
Apenas um leve pulsar delicado,
Doce, tranqüilo e discreto.
Por outro.
Encefalocardia
Vermes em movimentos orgiásticos
Latejam em meu crânio
Substituindo a taquicardia
Encefalocardia
Ecefalolatente
Lateja, latejam
As têmporas expõem o
Movimento interno
O coração, essa bomba hidráulica
Tolamente romantizada
Necrosou
O céu da minha boca nublado
E os olhos de sal
E as intempéries saudosas
Que eu apenas calei.
Calei os braços, as pernas e os cotovelos
De lã era o novelo em que me protegi
No meu silêncio.
Ssssssssssssss
S.i.l.ê.n.c.i.o.
Digestão
Elaboração dos alimentos nas vias digestivas para depois ser deles assimilada a parte útil e expelidos os resíduos.
Útil: que ou quem tem ou pode ter algum uso. Proveitoso.
Expelido, expelir: lançar fora com violência, expulsar, ejetar. Expectorar. Lançar de si. Proferir com ímpeto.
Resíduos: resto. Fezes, borra, sedimento.
Neste momento estou digerindo você.
10.2.09
De quantos silêncios é feita uma solidão?
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Mula
A pele era tão branca quanto o pó que embalava.
Agora azulava. A pele.
Translúcido. Escamas brancas translúcidas de pó,
recheando a inanimada boneca de
cera, carne, sangue e ossos.
Quebrada boneca.
Sobre a mesa de mármore inerte
à espera da autópsia - chegara antes o resultado.
Recheio de boneca. Boneca morta, porque boneca não fala.
Bela embalagem.
Pó, bala e êxtase que não foram para as raves.
Que desperdício...
Bela embalagem que não foi para as raves.
Que desperdício...
Boneca quebrada, embalagem autopsiada, quer na morgue
sua última balada?
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Respondendo ao Feitura do Sartorelli:
Remeto a Vinícios
porque hoje não é mais domingo
não há mais reinícios
porque hoje é sabado
findar com a semana
já é mais do que um hábito
31.1.09
Mocréia ou Mocreia
Então decreto:
Silêncio!
Não sou Adalgisa, com sua prosa Nery Perfeita, poética ótica impactante!
Não sou profeta. Não tenho histórias memoráveis, momentos históricos ou arroubos heróicos.
Sou apenas uma escriba - nem paga! - em tempos de desacordos ortográficos. Alguém ganha! Editoras? Governos? Material, muito material a ser revisado. Principalmente o escolar. Minha parte quero em dinheiro!
- De acordo com o novo acordo ortográfico - disse o mané do boteco - 'mocréia' agora não tem mais acento.
A moça, que de mocréia não tinha nada (com ou sem?) respondeu:
- Idéia também não.
E tiveram as mocinhas a idéia de ir embora.
Sexta à noite, num boteco de franquia... querida: o que se podia esperar do rapaz?
16.1.09
Atualize-se
"Samba do Acordo Ortográfico - por Vinícius Baião
Como sabemos, o novo acordo ortográfico da língua portuguesa entrou em vigor em 1º de janeiro de 2009, gerando muitas dúvidas, polêmicas… e (...)".
Leia o post completo aqui.
"Plástico Bolha Online - todas as edições a um clique - por Leandro Jardim
O Plástico Bolha já está com seu site no ar, e funcionando a todo o vapor. O jornal impresso de poesia e literatura que do Pilotis da PUC-Rio foi ganhando as ruas, bares e cafés cariocas - e (...)".
Leia o post completo aqui.
"Boca do Baco - por Diana de Hollanda
A partir do dia 17 de janeiro, os sábados na Livraria Odeon estarão cheios de novidades.
Trata-se do evento Boca de Baco, que reunirá literatura, oficinas, lançamentos e (...)."
Leia o post completo aqui.
14.12.08
coletivo | RIOSEMDISCURSO
riosemdiscurso – o título do poema de João Cabral de Melo Neto traduz com precisão a filosofia do coletivo: garantir a pluralidade de vozes.
Promover o diálogo entre leitores e escritores contemporâneos foi o ponto de partida para a reunião do grupo em 2006, resultando na idealização do evento carioca que o grupo organiza, a FL@P! - Festa Literária Aberta ao Público. O coletivo | riosemdiscurso é Diana de Hollanda, Leandro Jardim, Priscila Andrade, Ramon Mello e Vinicius Baião.
Diana de Hollanda – Diana de Hollanda é escritora e diretora teatral, formada pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO). Autora das peças, “, encher-se, esvaziar-se, encher-se,” (2007) e “Sísifo” (2008) e do livro “dois que não o amor” (Ed. 7 Letras - 2007), participou como convidada de diversos festivais literários, tais como FLAP-SP, Tordesilhas (SP), Congresso Brasileiro de Poesia (RS), e Psiu Poético (MG), tendo sido homenageada, ao lado de Leila Mícollis e Alice Ruiz, neste último. Seu trabalho pode ainda ser conferido nas coletâneas “Contos do Rio” (Ed. Bom Texto/Prosa & Verso – 2005), “Contos sobre Tela” (Ed. Pinakotheke – 2005), e em revistas impressas e virtuais, como Poesia Sempre (Ed. Biblioteca Nacional), Inimigo Rumor (Cosac & Naify), Blocos e Bestiário. Hoje trabalha como freelancer na área de editoração, enquanto escreve o segundo livro, ainda sem título e gênero definidos. Para visitá-la, acesse: www.aindahamusica.wordpress.com
Leandro Jardim: poeta, letrista, compositor e comunicador graduado nas habilitações de Publicidade e Jornalismo pela PUC-Rio, com MBA em Engenharia de Produção pela Trilha/Instituto Nacional de Tecnologia. Leandro Jardim é um dos coordenadores da Flap! desde o ano passado. Acaba de lançar pela editora 7Letras seu primeiro livro oficial, Todas as vozes cantam. Em 2006, criou a coleção independente Poesia Presente de “mini-poemas-cartões-de-presente” por onde lançou seus minilivros Gotas e Pétalas e editou, no ano posterior, o Lusco-fusca da autora Nathalie Lourenço. Colaborador em diversos blogs Leandro Jardim centraliza sua criação no www.florespragasesementes.blogspot.com que apresenta links para seus diversos trabalhos.
Priscila Andrade: escritora e produtora de eventos Priscila Andrade é graduada em marketing pelo Centro Universitário da Cidade. Principais eventos: Fórum Social Mundial – Rio com Vida, 20087/2008: produtora; Flap! edições cariocas de 2006/07/08: coordenação, produção e mediação de algumas mesas; Festival Segundas Poéticas, 2005: criação e coordenação.Manteve por seis meses uma coluna de poesia no site Armazém Literário, tem poemas publicados em vários jornais, revistas e sites reconhecidos de literatura, com o Cronópios (www.cronopios.com.br) e se apresenta regularmente em diversos eventos na cidade, como o Festival Nacional de Poesia, o Poesia Voa, no Circo Voador. Mantém desde 2003 o Dedo de Moça. Foi redatora da revista Mad (2006) e está com um livro de poesia no prelo, Encefalocardia.
Ramon Mello - Jornalista, escritor e ator. Formado em Comunicação Social (Jornalismo) pela UniverCidade (Ipanema/RJ) e em Artes Cênicas pela Escola Estadual de Teatro Martins Pena. Possui experiência em jornalismo cultural através da editoria de sites e blogs, pesquisa para TV, redação de conteúdos, produção e em escritório de assessoria de imprensa. É repórter do Portal Literal e mantém o Blog Sorriso do Gato de Alice (desde 2004) e BLOG CLICK(IN)VERSOS (desde 2006) – especializado em entrevistas com jovens escritores. Autor do livro Tumorgrafias (Editora Cartaz/2006). Atualmente, finaliza o romance All Star bom é All Star sujo e o livro de poesias Vinis Mofados.
Vinicius Baião - Ator, poeta e produtor cultural. Formado em Letras (Português/Italiano/Respectivas Literaturas) pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) e Artes Cênicas pelo Studio Escola de Atores. Pós-graduado em Especialização em produção cultural com ênfase em literatura infanto-juvenil pela CEFET-Química. Integra os grupos Coletivo Subverso e Embaixada poética. Publicou o livro Usucapião, editora Multifoco, e participa das antologias Ponte de Versos, Editora Ibis Libris, e Coletivo Vacamarela. É fundador e membro da Trupe do Experimento e diretor da Cenáculo Cia. Teatral. É professor de Língua Portuguesa das redes pública e particular de ensino.Rios Sem Discurso, de João Cabral de Melo Neto
A Gabino Alejandro Carriedo
Quando um rio corta, corta-se de vez
o discurso-rio de água que se fazia;
cortado, a água se quebra em pedaços,
em poços de água, em água paralítica.
Em situação de poço a água equivale
a uma palavra em situação dicionária:
isolada, estanque no poço dela mesma,
e porque assim estanque, estancada;
e mais: porque assim estancada, muda,
e muda porque com nenhuma comunica,
porque cortou-se a sintaxe desse rio,
o fio de água por que ele escorria.
O curso de um rio, seu discurso-rio,
chega raramente a se reatar de vez;
um rio precisa de muito fio de água
para refazer o fio antigo que o fez.
Salvo a grandiloqüência de uma cheia
lhe impondo interina outra linguagem,
um rio precisa de muita água em fios
para que todos os poços se enfrasem:
se reatando de um para outro poço,
em frases curtas, então frase e frase,
até a sentença-rio do discurso único
em que se tem voz a seca ele combate.
7.12.08
Poesia e vinho em Laranjeiras. A Estréia? Foi ótima.
Poesia e Vinho em Laranjeiras estreou ontem com Mano Melo na Symposium. E foi ótimo: casa cheia, platéia animada e completamente apaixonada pelo Mano, que trouxe como convidadas as atrizes Cristina Bethencourt e Marta Paret. O poeta Tanussi Cardoso, que estava na platéia, deu uma canja maravilhosa. Intimida pelo Mano, poetei também.
Algumas fotos:

Mano Melo e Marta Paret

O poeta Tanussi Cardoso, presidente do sindicato dos escritores do Rio de Janeiro, dando uma canja.



José Hodara, Cristina Bethencourt, Tanussi Cardoso, Priscila Andrade, Mano Melo e Marta Paret
Fragmentos da FL@P! 2008 - INTERFERÊNCIAS
Para quem perdeu a última edição, um mini-micro-resuminho feito da platéia:
29.11.08
Novidades! HOJE: Poesia e Vinho em Laranjeiras: Mano Melo
A partir de dezembro começo a organizar noites de poesia na Symposium Vinhos, em Laranjeiras. A estréia é com Mano Melo, hoje, dia 6.
Ana Carolina adaptou e musicou seu poema Madonna. Sucesso imediato, que foi para no seu mais recente CD e DVD, Dois Quartos. Mas para quem já freqüenta os eventos de poesia da cidade, Mano Melo já é sucesso há muito tempo.
Mano a Mano com Mano Melo é um show de bolso onde Mano Melo intercala poemas, seus e de outros autores, clássicos e contemporâneos, com histórias engraçadas e fatos interessantes vividos durante sua trajetória poética.
A poesia como espetáculo e como diversão através de um universo que engloba ícones reais e imaginários. Sem parafernálias cênicas, o que ressalta é a verdade das palavras e a emoção do poeta e ator em contato direto, olho no olho, com seu público. Estruturado como uma Stand Up Poetry, no gênero das Stand Up Comedies americanas, depois de 3 meses em cartaz o espetáculo chega agora ao Symposium Vinhos para uma apresentação única .
Mano a Mano com Mano Melo
Poeta: Mano Melo
couvert artístico: R$15,00
Consumação mínima: NÃO TEM
Dia 06/12/2008, sábado
Local: Symposium Vinhos, Rua Ipiranga, 65 - Laranjeiras
Telefone: (21) 2205-3122
Coordenação: Priscila Andrade
15.11.08
Antologia Ponte de Versos - 8 anos
2.11.08
Portal Literal
Depois vou falar com mais calma sobre o projeto. Por enquanto sugiro aos leitores vorazes que visitem já. E aos que escrevem, que façam seus perfis, postem seus textos e leiam a gente nova que pinta por lá.
Eu já fiz o meu!
E já estão por lá Alariás (prosa leve, quase infantil), Lava-lamp (prosa de mão mais pesada, como gosto) e os poemas Outono e A Equilibrista.
Sugiro ainda os perfil do Leandro Jardim e do Ramon Mello, meus companheiros de FLAP!
Na busca por textos nos bancos, uma das formas de listar os textos é por votação (listar por ordem cronológica, alfabética ou por popularidade também é possível). Então, quando lerem algo que bata, votem.
Participem: façam seus perfis, postem seus textos, dialoguem.
E avente, que a segunda-feira chegou!
11.10.08
"As histórias têm que ser contadas"
Na FLAP! carioca deste ano todas as mesas, apesar dos temas bem definidos, acabaram mudando seu rumo e partindo para a discussão sobre internet, blogs e "autores virtuais", "literatura de internet".
Apesar da mudança de rumo, achei ótimo isso ter acontecido. Mas o que foi dito... bom, vamos lá. É impressionante ver gente que trabalha com comunicação, gente que está na sala de aula e, principalmente, gente que tem site e blog fazendo um discurso tão equivocado sobre internet e blogs.
"onde elas serão contadas e como varia"
Não vou agora escrever e escrever sobre isso, esmiuçar aqui o assunto. Mas vale dizer: é apenas um veículo. Que nunca se propôs a ser uma plataforma para o lançamento de novos autores ou para um (re)descoberta da literatura. Não cobrem isso dos blogs. É apenas uma ferramenta mais acessível que outras. "Quem tem um blog é escritor?" Pode ser. Pode ser que não. Quem publica um livro é escritor? Nem sempre, nem sempre. Muita calma nessa hora. Hoje a maioria das editoras cobra dos autores. E muitas não selecionam o material, apenas recebem o cheque. Então, para mim, o livro publicado não torna a criatura um escritor. Na internet tem uma infinidade de abobrinhas, diários e textos pavorosos? Tem. Assim como nas livrarias e nas bancas de jornal. Que discussão estéril. O assunto dá mesmo pano pra manga. Mas o fato é que certo está o Marcelino Freire em sua fala da platéia: "idiota tem em qualquer lugar". Daí a culpar o veículo...
"mas o maravilhoso é que elas sejam contadas"
A Fal Azevedo lançou agora, pela Rocco, o Minúsculos Assassinatos e Alguns Copos de Leite. Maravilhoso. E sim, manteve o blog - amém!
Em entrevista para o Amálgama ela diz:
"Eu tenho dois caminhos na escrita. O primeiro se deu antes de eu ter blog, antes de eu sequer saber que os blogs existiam. Eu escrevi meu primeiro livro em 1998, e já nesse tempo eu usava essa linguagem fragmentada, escrevia textos curtos, fazia esses continhos de poucas linhas. Eu caí na internet em 1997, mas não soube dos blogs até, uia, 2002. E daí eu me achei. Era isso que eu nem sabia que queria. E aí meu segundo caminho começou. Eu me adaptei tão bem nesse meio, porque eu já escrevia assim. Eu só fui me ajeitando, ficando mais espertinha, aprendendo os macetes. Tenho o maior orgulho de ser cria da internet, de ser blogueira, de fazer disso um caminho. Nosso meio é a internet, são os blogs. Outras gerações tinham como ninho o folhetim, os saraus, as redações de jornal, as agências publicitárias. As histórias têm que ser contadas, onde elas serão contadas e como varia, mas o maravilhoso é que elas sejam contadas. Nós contamos, também, nos nossos blogs. Eu acho isso o máximo."
Está certa ela.
Aliás, comprem já o livro. É maravilhoso.
26.9.08
olhos nublados. Calça os chinelos,
escova os dentes, cai no batente.
O batente da porta que não abre, está torta, curvada, emperrou.
Emperrou todo o trânsito a carreta que virou na curva da rua da escola,
que fica do lado da creche, que fica em frente ao mercado,
que não fica perto do açougue. Que custa os olhos da cara.
Cara feia medo não me dá,
deu-tá-dado, se lambuza
quem nunca comeu melado.
Pára! Pára o ditado,
o lugar comum, o clichê.
Mas ela não quer ser o singular,
o original, o exclusivo.
Ela só quer se adequar.
Ser classe média como todo mundo.
E casar. E comprar uma casa.
E ter dois filhos e um cachorrinho,
um papagaio e um periquito.
E passar no concurso público.
E virar mega loura-Hebe
pra carregar os netos no colo.
Mas por enquanto ela só amanhece, nublada.
Ressaca. Ressaca e Engov não combinam
com louro-Hebe, netos e Anais Anais.
Então ela calça o tamanco,
amarra o top, vai pro boteco.
O Hoje é Rabo de galo,
ovo amarelo e algum desencanto.
28.8.08
Fal Azevedo
(...) Os dias são atravessados, as contas são pagas (mais ou menos), o cão faz seu xixizinho, a janela abre e fecha e ovos são fritos, mas não de verdade. Não de verdade. Não cabe também nenhum clichê, nada do tipo "é um ciclo que se encerra", céus, nós adoramos cliclos, especialmente quando eles se encerram, mas não, não é um ciclo e ah, não se encerra, é vida real, mais real impossível, mais real impossível, cheia de explosões impensadas e de racionalismos, cheia de cores, de notícias espantosas, de medo, de corpos desmembrados, de sonhos que nunca existiram, de gatinhos envenenados, de amigos que vão para o Uruguay, de pores do sol, de conversas idiotas, de cãezinhos que andam de carro com a carinha para fora da janela, de rituais estraçalhados.(...)
Vai lá e lê inteiro. E não é literatura. É realidade pura.
Mas tem literatura também:
11.8.08
FLAP! Rio 2008 - Interferências

Em sua terceira edição carioca, a FLAP! assume o tema INTERFERÊNCIAS.
Em dois dias - 20 e 21 de setembro - a PUC será o palco de 4 debates, 2 saraus e a exibição de dois curtas.
Abaixo segue parte da programação - apenas os nomes que já confirmaram. A medida em que as confirmações forem chegando, vamos avisando.
Mais informações sobre o evento e seus participantes podem ser vistas no blog (http://flaprj.wordpress.com).
Comunidade no Orkut: http://www.orkut.com.br/Community.aspx?cmm=49632280
dia 20 de setembro
14h30 - Geração Espontânea
Geração Mimeógrafo, 00, 80, 90... Uma estratégia de venda ou um retrato, um instantâneo de um momento literário? Quem define, o que difere? Para situar ou para estigmatizar? São válidos esses rótulos?
Mediadora: Heloísa Buarque de Hollanda (editora da Aeroplano e professora da UFRJ)
Flávio Izhaki (poeta)
Viviane Mosé (poeta)
16h20 – Sarau Movimento InVerso - Clauky Saba
16h50 – Empório de palavras
Sebos, livrarias de bairro, virtuais, grandes redes. Produções artesanais vendidas em portas de teatro, e-books disponíveis em sites e blogs. Busdoors propagandeando – e vendendo! - o mais novo título de auto-ajuda. Quem é o leitor de literatura brasileira? Qual o caminho para os novos autores? Poesia não vai para as vitrines porque não vende ou não vende porque não vai para as vitrines?
Mediador: Tanussi Cardoso (poeta e editor de poesia)
André Garcia (site Estante Virtual)
Eucanaã Ferraz (poeta)
Claufe Rodrigues (poeta e jornalista)
Vitor Paes (poeta e editor da Confraria do Vento)
18h40 - Exibição do curta 'PROCURANDO MAUTNER', de Rodrigo Bittencourt
19h – Encerramento
dia 21 de setembro
14h30 - Palavras nos meios. Tecnologia e Miscigenação.
Vídeos, CD'S, blogs, sites colaborativos, compartilhamento na web.
O diálogo da literatura entre mídias é uma evidente característica da produção contemporânea. Mas até que ponto os diferentes suportes interferem diretamente na escrita? De que maneira essa interação se torna positiva ou valoriza o texto que não se sustenta? Como está escrevendo a geração de escritores que utiliza a internet como principal ferramenta de publicação?
Mediador: Ramon Mello (escritor e jornalista)
Rodrigo Bittencourt (poeta, compositor e cineasta)
16h20 – Sarau Castelinho do Flamengo - João Pedro Roriz
16h50 - Vanguarda
Artistas de vanguarda protagonizaram movimentos marcantes como a Semana de Arte Moderna de 22 e a Poesia Concreta, rompendo com alguns padrões e características estéticas de sua época e re-significando outros. Mas, em 2008, o que é possível encontrar de novo? Ainda existe a possibilidade de vanguarda na literatura atual?
Mediador: Leandro Jardim (poeta e letrista)
Dado Amaral (poeta, ator e cineasta)
Paulo Henriques Britto (poeta, contista, tradutor e professor da PUC-Rio)
Paulo Henriques Britto (poeta, tradutor, professor da PUC-Rio)
18h40 – Exibição do curta 'POR ACASO GULLAR', de Rodrigo Bittencourt
19h – Encerramento
Flap!Rio
Coordenação: Leandro Jardim, Priscila Andrade, Thiago Ponce
Colaboradores: Diana de Hollanda, Clauky Saba, João Pedro Roriz, Ramon Mello, Vinícius Baião
Site Parceiro: Alma de Poeta
26.7.08
22.7.08
FLAP! Rio. Informe-se e receba o boletim
No blog do evento (http://flaprj.wordpress.com) você encontra informações sobre esta edição e as anteriores, sobre os participantes e sobre as edições de Sampa.
Através desta lista em que pode se inscrever abaixo, você recebe informações pontuais sobre esta edição.
Inscreva-se e seja bem vindo!
Acesse a página http://groups.google.com.br/group/boletim-da-flap/about?hl=pt-BR e inscreva-se no grupo para receber o boletim.
Flap!Rio
Coordenação: Priscila Andrade, Leandro Jardim, Thiago Ponce
Colaboradores: Diana de Hollanda, Clauky Saba, Ramon Mello, Vinícius Baião
17.6.08
15.6.08
Carpinejar
borboletas e revistas.
Eu, silêncios.
A brisa se mistura ao cheiro das lembranças.
É como se eu estivesse regressando.
Posso brincar lá fora?
O pampa é meu pátio.
Como dói a porta fechada por dentro.
Não ter para onde ir é uma forma de sempre chegar.
Biografia de uma árvore
29.5.08
O gambá
Se você mora nos apartamentos de fundos de ruas sem saída você é um privilegiado que vê, dia sim, dia também, gambás, micos e passarinhos entrando desavisados sala a dentro. Ou cozinha. Eu adoro. Esses dias recebemos a visita de um filhote de gambá na casa de minha mãe. O computador ficou interditado, já que ninguém tinha coragem de chegar perto. O bichinho se instalou do lado da caixa de som. O cachorro ficou louco, ofendidíssimo com aquela invasão.
Do jeito que entrou, saiu: ninguém viu. Não, do jeito que entrou não, porque saiu deixando de presente um belo cocô na janela. Tá, concordo, o cocô foi um abuso. Mas com tanta merda que a gente encara todo dia, um cocôzinho de gambá não faz mal a ninguém.
27.4.08
07 de maio: Adriana Monteiro de Barros

TUBO DE ENSAIO
Às vezes me sinto uma estrangeira
como se minha arma não fosse a palavra.
É que trago em mim uma poção mais letal
que qualquer tapa na cara.
Meu sangue é vermelho
de um vermelho perverso e maldito
e meu surto é um susto
acostumada que estou aos sobressaltos do corpo.
Mas não há dor nem arrependimentos
apenas dias em que me observo
como lâmina a cortar o espelho
onde já me admirei
e hoje não me reconheço.
Estou com prazo de validade vencido
como vencida está a minha tolerância
aos preconceitos e à ignorância humanas.
Mas quando me defronto com estas tiranias
sem o peso da vaidade
consigo ultrapassar os limites da carne
e viver além do fim.
26.4.08
Mano Melo e Claufe Rodrigues
estréia: 07.05.2008
no Canequinho Café [anexo do Canecão/RJ] nas quartas-feiras de maio.
Vai lá:
http://solnaboca.blogspot.com/
21.4.08
um preto e branco sem grandes sutilezas, sem o charme do granulado acidental que conta os segredos de cada retícula.
um excesso de realidade banal tão violento que dá às horas um aspecto onírico, levando sem resistência essa mente tola para os descaminhos dos devaneios e dos sonhos ruins. realidade de ponteiros gigantescos e modorrentos, um q u a s e p a r a r
9.4.08
29.3.08
Resposta a Marla
Minha casa de dentro transpôs os limites de minha pele, meus poros e me represou; caçadora me tornou presa, refém.
Porque tola, porque fraca, porque amando ainda as dores do amor que não é mais, que nunca foi, que nunca fui.
Porque é fácil, porque louvo o passado, temerosa do porvir.
Mas minha casa de dentro ainda tem cantos a decorar. Janelas a descortinar. Então me entrego entorpecida ao desperdiçar do tempo com essa tarefa estéril.
Quando as cortinas estiverem lavadas e a mesa posta, trago os explosivos, acendo na base da estrutura e saio, nua, rumo ao dia de amanhã.
Momentos Críticos na Futilidade do Salão
Já começa mal, porque de cara tem uma carta de Fernanda Young (Oh, God!) para o Ano Novo - a revista é de novembro ou dezembro de 2007.
Aí vejo que tem uma matéria de Kika Seixas(como?) sobre o Mal de Alzheimer e como ele serviu de "acerto de contas" entre ela e sua mãe.
Putz, claro, matéria para vender o livro, aproveitam-se 10 frases no máximo. Mas nessas 10 frases, esqueço o "target" da revista, perfil de anunciantes e o título de escritora de Kika Seixas (ok, amanhã irei numa livraria. E juro, sem deboche, que se encontrar um livro dela e for bom... cara, vou ganhar o fim de semana. e vou ler). Esqueço tudo isso e, pensando em minha avó, me atenho ao trecho em que ela fala sobre o ódio, a raiva, os sentimentos baixos que o Alzheimer provoca em familiares e amigos próximos do doente.
Identificação pura.
Minha avó não tem Alzheimer - ate onde eu sei. Mas aos 95, o processo de degeneração da identidade que a bosta da doença traz, ela já abraçou sem pudores. Em especial fisicamente.
Minha avó era uma mulher alta, mais de 1,75. Hoje é significativamente mais baixa que eu, que tenho 1.61 - e meio.
Era extremamente vaidosa, quase uma fashion victim quando o termo ainda nem existia. Hoje, compra roupas no camelô. Não é falta de dinheiro, não. O senso estético se foi.
Era forte, determinada, uma líder nata, autoritária até. Hoje senta encolhida, chora, sofre, não entende o que acontece ao redor.
Eu? Alguns momentos de angústia. Na maior parte do tempo, assim como a Sra. Seixas, fico é muito puta mesmo. Caralho, dá uma raiva fudida! Não sabe mais quem é como, não diferencia a de b, e leva qualquer filha da puta como anjo, se o cretino tiver um bom discurso.
De mulher poderosa, grande, altiva, se tornou um pinguinho de gente apavorado, que estremece com qualquer palavra em tom mais alto.
Quer saber? Isso dói.
Por mais racionais que sejamos, por mais acesso à ciência, educação, informação... quando o bicho pega no nosso quintal... o que fica é a visão e a percepção da memória afetiva.
Aquela mulher ali não é a minha avó. Minha avó não existe mais.
Aceitar isso é que é a grande foda mal dada da porra da história toda. E a grande "sabedoria", diria O Evoluído.
Mas nesse momento, não sou nada evoluída. Nesse momento estou apenas me entregando ao meu luto antecipado, numa tentativa desesperada de me recompor a tempo de dar a ela um mínimo de amor e carinho que tenho de sobra, que ela merece e que está aqui, represado pelo espanto e pela negação.
24.3.08
A Equilibrista
A corda é o fio de uma navalha
E a vara que deveria me dar equilíbrio
Uma enorme serpente branca.
Não há rede de segurança
Os holofotes me impedem de ver a platéia:
Apenas ouço seu mastigar aflito de pipoca e algodão-doce
Assim como seus corações torcedores
Torcem, em seu íntimo mais profundo
Para que eu caia
Que a serpente me envolva
Quebre meus ossos e me devore
Que o fio da navalha chova meu sangue
Aguardam ansiosamente minha queda no abismo
- não haverá baque no final
Assim como não existe o final da corda
Apenas escuridão e seu balançar
Mas sigo em frente
Firme e compenetrada
Sentindo o gelo do aço sob meus pés.
A serpente me alisa, me provoca e me bolina
Ao mesmo tempo me enforca e me desequilibra,
Enquanto enfia seu corpo escorregadio entre minhas pernas.
Os holofotes operam no auge de sua luminância.
Minhas pupilas já não são visíveis.
Não me pergunto aonde isso vai dar.
Apenas sigo em frente
Firme e compenetrada
Sentindo o gelo do aço sob meus pés.
18.3.08
15.3.08
Poesia, Semana de santa, Falada ou Escrita
O poeta deve ser remunerado, deve ter seu trabalho respeitado - e condições de trabalho - e, principalmente, há ou não e por que público para poesia.
Chacal, em seu blog, levanta alguns pontos:
"o rio arde nesse dia do poeta - 14 de março. uma festa que rola em Santa Teresa por ocasião da semana santa gera o maior conflito. contatados alguns dos vários grupos de poesia do rio, apresentaram propostas de trabalho e cachê. a grana, apesar de patrocinadores de peso, segundo a organização, foi encurtada e os projetos receberiam metade do que pediram. a partir do filé de peixe, um a um os coletivos foram se retirando."
"(...) poesia, de uma forma geral, não tem público suficiente para interessar ao mercado. é artesanato e não indústria cultural.
difícil se estabelecer uma tabela como acontece na música, no cinema,
onde associações e sindicatos defendem os direitos dos filiados."
"creio que uma boa causa agora é lutar para a poesia chegar aos alunos de primeiro e segundo grau. a música está entrando novamente no currículo escolar. por que não a poesia contemporânea ? abrir frentes, apresentar projetos de recitais às secretarias de educação. se aliar aos grêmios e a grupos de teatro como o CEP 20.000 fez com o Pedro II e o Colégio Estadual André Maurois."
"sem renovarmos o público de poesia, em breve assinaremos seu atestado de óbito por falta de leitores ou ouvintes."
Leia o texto completo aqui, vale a pena.
Como já disse na troca de e-mails que está comendo solta entre vários poetas e organizadores de eventos de poesia, os dois últimos pontos me falam mais alto: renovação do público e inserção na grade currícular - como está acontecendo com a música. Para mim, dos vários incêndios, esses estão entre os mais devastadores.
Aí vejo surgir entre as várias discussões a velha oposição poesia falada x poesia escrita.
Honestamente, acho que no momento, definitivamente não é uma questão prioritária. Se não tivermos público... que diferença faz?
E realmente prefiro jogar esse papo um pouco mais pra frente.
Mas aqui, fora do debate, no meu espaço públicoparticular, aproveito para dizer que o poeta não tem, obrigatoriamente que ser performático. E que gosto das duas possibilidades. E não acho que um poema bem decorado e apresentado diminua o trabalho de um poeta tímido, que prefere se apresentar apenas nas prateleiras, revistas, sites ou blogs.
Então, vou procurar e colocar aqui já já, um vídeo ótimo, em que Drummond, sem nenhum talento para performances, lê um de seus poemas.
O outro, coloco agora: mostra uma animação ótima de Quadrilha, com narração do poeta. A animação é trabalho de um curso de literatura. Os créditos sobem ao som de Chico, mostrando que poesia não gera só performance. Podemos ir bem além disso. Ou não.
Gosto igualmente das duas. Na verdade, acho essa discussão desestimulante. Mas isso rende outro post, escrito com mais paciência e detalhamento. Boa chuva para todos!
9.3.08
Nossos planos
E a estante, o jantar, os vinhos, as viagens ficaram pra trás porque eram desimportantes já que os filhos não vieram. Lembra, que lindo, o quartinho que não fizemos? E que não escolhemos juntos cada detalhezinho, cada móbile, cada foto? E o primeiro álbum, lembra? Com as fotos que não fizemos do primeiro banho e da primeira mamada que não aconteceram?
A primeira escritura! Nossa, ainda lembro da roupa que eu estava usando no dia em que não assinamos a primeira escritura do apartamento que não compramos!
Lembra quando não sonhamos, quando não planejamos, quando não realizamos?
Está um dia lindo lá fora. Como o daquele primeiro café improvisado que não tomamos. Verifico se todas as janelas estão fechadas, todas as luzes apagadas. E vou embora, entregando as chaves do apartamento em que não vivemos para o próximo morador.
8.3.08
A porra da vidinha de merda
Apoiei de propósito os pés na mesinha de centro e fiquei esperando ela chegar, eu já não disse pra não por os pés na mesinha de centro, isso não é uma mesinha de centro qualquer, isso é uma Saarinem, ela falou puta. Todo dia eu boto o pé na mesinha de centro e todo dia ela reclama puta por que isso não é uma mesinha de centro, isso é uma Saarinem.
Isso não é uma porra de um museu, eu disse, isso é a minha casa. Todo dia eu respondo a mesma merda. Todo dia a mesma discussão idiota, ela disse, ela não sabia que eu gostava de ter todo dia a mesma discussão idiota porque ela ficava irritada e eu adorava ver ela irritada, era o meu único prazer, então eu me permitia ter esse prazer todo dia.
Isso não é uma porra de um museu, eu sabia que o "porra" era fatal. Ela agüentava que eu me esparramasse no sofá, ela agüentava que eu botasse os pés na maldita saarinem, ela agüentava que eu respondesse com ar de desdém. O que ela não suportava era aquele ‘porra’ no meio da frase, dito preguiçosamente, reforçando o desdém. Porque o ‘porra’ era a confirmação do descontrole dela. Ela não falava porra. Ela berrava porra, ela esguelava porra com a cara vermelha, as veias do pescoço saltadas, olhos esbugalhados, salivando e socando a mesa. O porra, para ela, era a confirmação de que havia perdido a razão e a discussão, aquela partida não era dela, perdeu. Então quando eu falava porra calmo, devagar, olhando o jornal ou limpando uma unha, aquilo era a morte: não era um palavrão, era uma afronta.
15.2.08
Pérolas aos porcos, disse ele. Porque ele entendeu tudo.
A gata, enlouquecida, destrói o apartamento enquanto eu digito, fingindo que não é comigo.
Reminiscências sobre flebites e afins depois de ler a Daniela. Que bom que passou. Até hoje, quando vejo a criatura vibrante e veemente, me emociono. Sim, milagres acontecem e são diários. Apenas não são espetaculares. Não vêm acompanhados de gelo seco e holofotes. Eles simplesmente acontecem e assim os dias são possíveis e a vida segue.
10.2.08
8.2.08
Ação!
No final de tudo, o que pesa, o que fica, é o que não se fez. E foi assim, pensando que poderia ter morrido gorda (pode chamar de fútil, andei) que decidi me separar. Foi bem mais que uma separação: ali, naquele rompimento, eu renasci – e de quebra perdi quase 20 kg e ganhei um belo namorado. Priscila adverte: maridos pústulas engordam e fazem mal a saúde.
E foi ali também que se consolidou minha crença em que jogos, entrelinhas e subtextos são perda de tempo.
Então, para bem ou para mal, vivo, faço e falo.
Recomendo, viu? Garanto que faz bem.
6.2.08
26.1.08
Fórum Social Mundial - Rio com Vida: chat online, hoje
Serão 5 palcos e 8 tendas incluindo artes cênicas e visuais, hip hop, musica e poesia. Outro palco onde pessoas de diferentes tribos serão ouvidas além de outras 4 tendas: antropofágica, trocas, ideias e conexões.
Como vem sendo divulgado o Forum Social Mundial decidiu que no dia 26 de Janeiro, em vez de um evento centralizado, haverá um dia de mobilização global. Esta decisão foi tomada para ajudar na ideia de que uma mobilização mundial deve ser manifestada no mesmo dia do Forum Econômico Mundial que acontece todos os anos em Davos na Suíça.
E você pode participar de qualquer lugar do planeta, basta acessar o link: http://www.riocomvida.org.br/modules.php?name=News&file=article&sid=36
People all over the world are invited to participate in an online chat of the World Social Forum – Rio Com Vida in Rio de Janeiro, Brazil. The event will be held Jan 26th at Aterro do Flamengo.
There will be 5 stages and 8 tents including visual arts, hip hop, poetry and music performances. Other stage where people from different backgrounds will lift their voices and four other tents: Anthropophagic, Trades, Ideas and Connections.
As has been released The World Social Forum has decided that Jan 26th, instead of a WSF centralized event, it will have a global day of mobilization. This decision was taken to help the idea of a global worldwide mobilization to emerge and the choice of date to coincide with the World Economic Forum held every year in January in Davos, Switzerland.
And you all over the world must participate at
http://www.riocomvida.org.br/modules.php?name=News&file=article&sid=36
12.1.08
22.12.07
eu e o tempo
estou trabalhando o tempo
que não passa entre os dedos
o tempo vem e se instala
e é dele a velocidade
da rotina, do imprevisto, do planejado
ele acelera os fatos
prolonga os segundos de espera
suspende o ar no espanto
estou trabalhando o tempo
o tempo de achar o tempo
que não posso perder
que pretendo ceder
a cada momento
de prazeroso
ócio.
![]() |
| Janela nas ruínas de Macchu Pichu |
14.12.07
Por favor, me respondam
1. Você sabe o que é o Fórum Social Mundial? Se sabe, é o quê?
2. Você sabe o que é o Rio com Vida? Se sabe, é o quê?
3. Você sabe o que são os Direitos Humanos? Sabe? O que são?
Chato, né? Ah, vai, quebra essa pra mim. Preciso ter uma ideia do nível de conhecimento (ou desconhecimento, mais provavelmente).
4. Como cidadão você se sente indignado com alguma coisa? Com o quê? E faz o que pra resolver isso? Como?
É isso, gente. Agradeço muito a quem responder.
ah, me diz também idade, cidade e profissão ok? Tá, se não tiver saco, não diz. Mas que ajudaria...
11.12.07
Estou virando minha tia. Paterna.
Até as sandalinhas são do mesmo tipo. Se saíssemos hoje ela, minha prima e eu, ninguém teria dúvidas de que 'somos' mãe e filha. Minha prima? Ah, uma passante.
Eu? Acho ótimo.
7.12.07
1.12.07
A segurança de olho, querendo dar o bote. O que eu fiz? Pedi ao povo para não fazer nada até eu voltar. Fui até a imprensa e chamei TODOS OS VEÍCULOS PRESENTES. E eles foram. Cada um a seu tempo, mas foram. E os seguranças tiveram que ver os câmeras filmando a Mara Moreira (vice presidente do Grupo Pela Vidda) vestindo uma camisinha no meu braço, até depois do cotovelo.
Distribuímos as 400 camisinhas, explicando para cada pessoa que recebia porque estávamos fazendo aquilo. As pessoas olhavam pra gente com cara de quem está pensando: 'ah, é mentira, o governo não ia fazer isso em um evento oficial'. Mas fez.
Por fim, criamos coragem e distribuímos camisinhas para os bombeiros e, principalmente, para os militares, armados até os dentes. Renderam boas fotos esse momento.
No final, nos enfileiramos no lugar da saída, em um protesto mudo, cada um com uma camisinha não mão. O Arcebispo e os outros passaram encarando a camisinha. Ele olhou e disse: tchau. E nós em coro: tchau!
É tudo muito triste, mas estou aliviada. Sempre vale a pena.
Mais triste que isso só ver que as pessoas se mobilizam até para passar chapéu pra comprar mais uma cerva, mas não se mobilizam para reinvidicar seus direitos, para protestar contra um ato assassino de censura. Sim, assassino, porque proibir alguém de usar camisinha hoje é o quê?
Bom, é isso, só queria contar pra vocês.
Mostro as fotos quando chegarem pra mim.
Camisinha no Corcovado hoje, já!

onde: Cosme Velho, estação do trem do corcovado
quando: HOJE - 1º de dezembro, este sábado, às 15h
como: distribuição gratuita e pacífica de camisinhas

Preservativo é Excluído da Comemoração Oficial do Dia Mundial de Luta Contra a AIDS
"Acelebração no Cristo busca focar a solidariedade às pessoas que vivemcom HIV. Portanto, pela natureza do ato, não cabe a distribuição depreservativos no evento", diz o documento assinado pela diretora do Programa, Mariângela Simão.
Er...hã... uh... como assim? Em um evento que celebra o Dia Mundial de Lutacontra a Aids não cabe a distribuição de preservativos? Em um país ondeo risco de contaminação, principalmente entre mulheres jovens tem seelevado? É isso mesmo? Gente, a única forma de evitarmos a doença foi EXCLUÍDA!
Vai ser no Cristo Redentor.É assunto sério de mais pra ficar relegado apenas a leitura diária de jornal.
Nossa proposta é aperecermos todos por lá, devidamente abastecidos de uma boa quantidadede camisinha para fazermos, nós mesmos, uma distribuição gratuita. Éuma boa forma de protestar agindo. Topam?
Sugerimos ainda uma blogagem coletiva: quem não é do Rio - e quem étambém, porque não? veste uma camisinha virtual em seu blog, fotolog, e-mail, orkut etc. nesse sábado, dia: 1º dedezembro. Dia Mundial da Luta contra a Aids.
Játemos o apoio do Grupo Pela Vidda, que forneceu 400 camisinhas. A ONG Viramundo também está nos apoiando e estará presente com um grupo de médicos. Estarão presentes o estilista Carlos Tufvesson, o jornalista e poeta Bruno Cattoni - um dos fundadores doPela Vidda - e Mara Moreira, Integrante do ABIA - Associação Brasileira Interdisciplinar de Aids.
Contamos com a presença de todos.
Compareçam. Divulguem.

>>>ATENÇÃO: VÁ DE CARRO, O TRENZINHO NÃO ESTARÁ FUNCIONANDO<<<
25.11.07
Não preciso acender as luzes antes das 19h. Os sons da rua chegam difusos, não incomodam. Apenas se acomodam nos espaços, de um jeito agradável, não são invasivos.
Enquanto o dia corre, jogo fora passados que não são história e reconstruo meu universo particular. Que já compartilho com aquelas pessoas queridas que, estas sim, fazem parte da história. Da minha história.
Não é bem um recomeço. É mais uma volta, daquelas que a gente dá depois de uma pausa longa, indesejada mas necessária. A pausa acabou.
E não esqueçam blogagem
coletiva dia 1º de dezembro: camisinha nos blogs!
E quem estiver no Rio, repito
a proposta: vamos fazer uma distribuição gratuita de camisinhas no Cristo.
Não entendeu? leia
aqui
24.11.07
Preservativo é Excluído da Comemoração Oficial do Dia Mundial de Luta Contra a AIDS
quando: 1º de dezembro, este sábado, às 15h
como: distribuição gratuita e pacífica de camisinhas
“A celebração no Cristo busca focar a solidariedade às pessoas que vivem com HIV. Portanto, pela natureza do ato, não cabe a distribuição de preservativos no evento”, diz o documento assinado pela diretora do Programa, Mariângela Simão.
Er... hã... uh... como assim? Em um evento que celebra o Dia Mundial de Luta contra a Aids não cabe a distribuição de preservativos? Em um país onde o risco de contaminação, principalmente entre mulheres jovens tem se elevado? É isso mesmo? Gente, a única forma de evitarmos a doença foi EXCLUÍDA!
Vai ser no Cristo Redentor. Se informa uma pouco mais que vale a pena. É assunto sério de mais pra ficar relegado apenas a leitura diária de jornal.
Sugiro aparecermos todos por lá, devidamente abastecidos de uma boa quantidade de camisinha para fazermos, nós mesmos, uma distribuição gratuita. É uma boa forma de protestar agindo. Topam?
Já temos o apoio do Grupo Pela Vidda, que forneceu 400 camisinhas. A ONG Viramundo também está nos apoiando e estará presente com um grupo de médicos. Estarão presentes o estilista Carlos Tufvesson, o jornalista e poeta Bruno Cattoni - um dos fundadores do Pela Vidda - e Mara Moreira, Integrante do ABIA - Associação Brasileira Interdisciplinar de Aids.
E, numa sugestão da Mani, sugiro ainda uma blogagem coletiva: quem não é do Rio - e quem é também, porque não? veste uma camisinha virtual no blog no dia: 1º de dezembro. Dia Mundial da Luta contra a Aids.
>>>ATENÇÃO: VÁ DE CARRO, O TRENZINHO NÃO ESTARÁ FUNCIONANDO<<<
23.11.07
7.11.07
6.11.07
A gente paga pra se apurrinhar
Desconhecendo essa incompetência, fiz uma compra. Prazo previsto para a entrega, se não houvesse incompetência: 6 dias. Quando eles me avisaram que não entregariam o livro porque estava indisponível? Quando acabou o horário comercial do último dia útil do prazo. Bom, considerando que através do site fiz o acompanhamento do pedido, o que me fez acreditar que não precisava temer incompetência, como classificar isso? Acho que incompetência está bom.
Já se passaram 6 dias desde o comunicado. Enviei os dados solicitados para receber o reembolso e... até agora, nada. Oi? Como? Você acha que não é incompetência? Tá, pode ser que não, mas as alternativas são bem piores.
Tentei entrar em contato pelo site. Todos os links e formulários para esse tipo de questão, depois de devidamente acessados e preenchidos resultam em... time out! Olha, posso estar enganada, mas desconfio que é incompetência.
Por que estou aqui enchendo o saco de todo mundo com essa história? Para desabafar, para compartilhar minha experiência no mínimo desagradável e para com sorte e apoio de São Ilusão talvez ter a graça concedida de ter esse post lido por alguém do Submarino, já que o e-mail que enviei foi ignorado. Aí, quem sabe, eles não resolvem fazer o depósito de reembolso na minha conta, pra mostrar que estou enganada e que não foi um caso de incompetência.
24.10.07
katia, a mulher clichê
Oi? Quê? Não foi democrático? (gargalhada sonora). E quem disse que seria?
Os devaneios e a vaca
A gata só me olha. Ela não se importa com o córrego que se forma e toma a direção da sala. Ração seca, areia limpa e água fresca é tudo de que toma ciência. Hoje não seria mau se ela estivesse certa e a bichana de estimação fosse eu, esticada no meio do caminho, barriga pra cima, exigindo autoritária mais e mais chamegos. E uma sardinha. Ou duas.
O cheiro de alfazema domina o quarto. Aqui as verdades usam as lombadas descascadas dos livros para dizer: estamos aqui, não adianta tentar ignorar, fingir que não vê.
Sempre fui dada aos impossíveis da vida. Certas coisas não mudam. Ainda bem.
Um desejo enorme de mostrar à vizinhança ignara toda minha capacidade de baixar, baixar muito o nível. Mas ando esses dias elegante demais. A elegância, essa sim é pecado. Então deixo. Deixo o som invadir o quarto, o dia correr, a água inundar o banheiro.
E sentada elegantemente deixo os berros histéricos que rasgam os sentidos dos meus pensamentos - que são divinamente inaudíveis - dizerem pra velha-vaca-filha-da-puta que mora aqui ao lado que eu desejo de todo o meu coração que ela morra. Que morra lenta e dolorosamente, pra sofrer bastante. Com o cu arrombado na Praça Paris. Mas quem me olha, nem imagina.




