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13.11.16

Vamos todos morrer mesmo

"Vamos todos morrer mesmo", diz o comentarista de rede social. Tratando a fala com o tom displiscênte que ele acredita que o assunto deve ter. A morte do outro. A tristeza do outro. O outro. Foda-se o outro: "Farinha poca meu pirão primeiro".

Então, caro comentarista de rede social, de grande portal, de fila de padaria de bairro. Sabe que eu nem sinto pena de você não perceber que para o resto da humanidade você é o 'outro', ou seja, você é aquele ente invisível e irrelevante que não merece respeito nem reverência nem durante a vida e nem durante a morte. E a sua morte vai chegar. Solitária e irreverente, provavelmente irrelevante. E a doença vai chegar de braços dados com toda a solidão e silêncio possíveis e que sequer imaginávamos.


Aí... aí talvez eu, por prazer sádico demandado pela mágoa represada, me dê o prazer de falar, olhos cravados nos seus (mas vendo atrás, sua invisibilidade é incontornável), o prazer de falar, com o tom displicente que a sua irrelevância tem que "Vamos todos morrer mesmo." Depois você me conta


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